Contratada para Matar o Alpha

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Contratada para Matar o Alpha Dangerous — Livro 1 Zara Kaine é uma assassina — fria, precisa e conhecida por nunca errar o alvo. Seu contrato mais recente deveria ser simples. Matar Kade Volkov. Mas Kade não é um homem qualquer. Ele é o impiedoso Alpha da família Volkov — uma poderosa dinastia de lobisomens que governa o submundo do crime sobrenatural da cidade. No momento em que Zara conhece seu alvo, tudo dá errado. Seu lobo o reconhece. Almate. O antigo vínculo torna impossível para ela feri-lo, prendendo-a entre o contrato que foi paga para cumprir e o homem que seu lobo se recusa a destruir. À medida que sindicatos rivais se aproximam em busca de vingança por uma garota desaparecida que acreditam ter sido assassinada pela família Volkov, Zara é forçada a entrar ainda mais no perigoso mundo de Kade, repleto de lealdade à alcateia, lutas pelo poder criminoso e segredos de família. Agora, a assassina precisa proteger o mesmo homem que foi enviada para matar. Porque se Kade morrer… Seu lobo pode morrer com ele. E a verdade por trás da garota desaparecida pode iniciar uma guerra que reduzirá o império Volkov a cinzas.

Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
4.8 4 avaliações
Classificação Etária
18+

The Contract

A mensagem veio em sangue.

Não era sangue metafórico. Era sangue de verdade, espalhado pela parte interna de um envelope pardo que chegou ao meu apartamento de merda às três da manhã. A assinatura era de Reznik. Aquele bastardo tinha um gosto pelo dramático.

Eu tinha acabado de voltar de um trabalho em Newark — um babaca de um fundo de investimento que estava roubando as pessoas erradas. Um serviço limpo. Entrei e saí. O tipo de trabalho que pagava bem e mantinha meu nome sussurrado nos círculos certos. Ou nos errados, dependendo do seu ponto de vista.

Minhas mãos ainda estavam grudentas com o sangue de outra pessoa quando rasguei o envelope.

O cheiro me atingiu primeiro. Sangue de lobo. Velho, talvez de uma semana. Misturado com um conservante químico. Meu lobo se agitou sob minha pele, com os pelos eriçados diante daquilo que estava errado. Alcateia morta. O cheiro fazia meus dentes doerem.

Dentro, uma única fotografia e um contrato datilografado.

A foto mostrava um homem na casa dos trinta e poucos anos, com cabelos escuros, mandíbula marcada e olhos como aço frio de inverno. Ele estava parado em frente ao que parecia ser um armazém, cercado por outros lobos. Eu podia notar pelo jeito como eles se portavam — aquela quietude predadora, a hierarquia no posicionamento deles. Ele estava no centro. Alfa. Sem dúvida alguma.

Kade Volkov.

Eu já tinha ouvido falar esse nome. Todos no nosso mundo ouviam. Ele comandava o Sindicato Volkov a partir do Brooklyn, uma operação familiar fechada que controlava metade do comércio clandestino de Red Hook até Brighton Beach. Drogas, armas, produtos roubados — se era ilegal e lucrativo, Volkov tinha suas garras metidas nisso.

O contrato era simples. Cinquenta palavras, talvez menos.

Alvo: Kade Volkov. Prazo: 30 dias. Pagamento: $500.000 + perdão de dívida. Fracassar não é uma opção. Prova de morte necessária. —R

Perdão de dívida.

Essas duas palavras fizeram meu estômago se revirar.

Eu devia a Reznik. Devia a ele há três anos, desde que ele me tirou de uma situação em Chicago que teria terminado comigo em pedaços. É o tipo de dívida da qual você não consegue escapar. O tipo que é dono de você, corpo e alma, até que seja paga.

Eu vinha reduzindo a dívida, trabalho por trabalho, mas Reznik mantinha os juros subindo. Mantinha-me na coleira dele.

Essa era minha saída.

Matar Kade Volkov, e eu estaria livre.

Joguei a foto na minha mesa de cozinha — uma porcaria da IKEA que montei bêbada — e encarei aqueles olhos de inverno. Algo no meu peito apertou. Meu lobo se impulsionou para frente, curiosa, agitada.

O que há de errado com você? projetei meus pensamentos para ela. Ele é só mais um alvo.

Mas ela não se acalmou. Ela andava de um lado para o outro sob minha pele, inquieta e faminta.

Eu a ignorei e peguei meu laptop.

Pesquisar primeiro. Sempre pesquisar primeiro.

Kade Volkov não era difícil de encontrar, mas as informações eram contraditórias. Algumas fontes o descreviam como um executor brutal que matou o próprio pai para tomar o controle da alcateia. Outras diziam que ele era uma espécie de Robin Hood, redistribuindo riquezas para lobos que foram expulsos pela gentrificação humana e pela ganância corporativa.

A verdade provavelmente estava no meio-termo.

A maioria dos alfas era assim.

Analisei fotos de vigilância, relatórios policiais e comunicações interceptadas. A polícia de Nova York tinha um arquivo de quase oito centímetros de espessura sobre ele, mas nada colava. Ele era inteligente. Cauteloso. O povo dele era leal ao ponto do fanatismo.

Isso tornaria as coisas mais difíceis.

Abri um mapa do território dele. Red Hook. Sunset Park. Bay Ridge. Ele era dono de quarteirões inteiros, com negócios legítimos servindo de fachada para a porcaria ilegal por baixo dos panos. Restaurantes, oficinas mecânicas e uma academia de boxe. Configuração clássica de sindicato.

Eu precisaria de uma identidade falsa. Algo que me deixasse perto sem levantar alarmes.

Meu celular vibrou.

Número desconhecido. Eu sabia quem era antes mesmo de atender.

“Zara.” A voz de Reznik era suave, culta. Ele parecia um professor universitário, não um chefe do crime. Era isso que o tornava perigoso. “Você recebeu o meu pacote.”

“Recebi.”

“E?”

Olhei para a foto novamente. Kade Volkov me encarava, sem sorrir. Havia algo na expressão dele — não exatamente crueldade. Controle. O tipo de controle que vem de sobreviver ao inferno e construir algo a partir das cinzas.

“Por que ele?” eu perguntei.

“Isso importa?”

“Pode ser que sim.”

Reznik riu, um som baixo e frio. “Ele está se expandindo para territórios que não lhe pertencem. Ele está atrapalhando relações de negócios de décadas. Ele está se tornando um problema.”

“Então você quer que ele suma.”

“Eu quero que ele morra, Zara. De forma pública, bagunçada e logo. Quero que a alcateia dele se disperse. Quero que o império dele desmorone. E quero que seja você a fazer isso acontecer.”

Meu lobo rosnou. Eu a empurrei para baixo.

“Trinta dias,” eu disse.

“Trinta dias. Depois disso, a oferta expira. E o perdão da sua dívida também.”

“O que acontece se eu disser não?”

Silêncio. Então: “Você não vai dizer não.”

Ele desligou.

Fiquei sentada no escuro, encarando o rosto de Kade Volkov.

Cinquenta trabalhos. Talvez mais. Perdi a conta. Políticos, mafiosos, lobos rebeldes, humanos que tinham irritado as pessoas erradas. Matei todos eles sem hesitação, sem remorso. Era nisso que eu era boa. Era para isso que eu tinha sido treinada desde os dezesseis anos, quando estava sozinha e desesperada.

Isso deveria ser fácil.

Então por que meu lobo continuava se agitando, choramingando como se tivesse perdido algo?

Afastei o pensamento e abri uma nova janela no navegador. Comecei a criar uma identidade falsa. Eu precisaria de um nome, um histórico, um motivo para estar em Red Hook. Algo que me deixasse perto de Volkov sem ativar a segurança dele.

Quando o sol nasceu, eu já tinha tudo pronto.

Zara Kaine. Recém-chegada à cidade. Em busca de trabalho. Com experiência em logística e gestão de estoque — útil para um sindicato que movimenta mercadoria. Sem filiação a alcateias. Sem família. Uma loba solitária procurando um lugar para pertencer.

Era perto o suficiente da verdade para que eu pudesse convencer qualquer um.

Reservei um voo para Nova York no dia seguinte e comecei a fazer as malas. Pouca coisa. Sempre o mínimo possível. Duas malas, no máximo. Roupas, armas, identidades falsas, dinheiro. Tudo o que eu precisava para desaparecer se isso desse errado.

Antes de ir, olhei para a foto mais uma vez.

Kade Volkov.

Em trinta dias, ele estaria morto.

Eu ia garantir isso.

O voo para JFK foi tranquilo. Dormi quase o caminho todo, e meu lobo finalmente se acalmou em um silêncio inquieto. Quando aterrissei, peguei minhas malas e peguei um táxi para o Brooklyn.

Red Hook cheirava a água salgada e combustível diesel, com um rastro de almíscar de lobo que fazia meus pelos se eriçarem. Este era um território de alcateia. Reivindicado, marcado, defendido. Eu era uma estranha ali, e cada instinto meu gritava para que eu desse meia-volta.

Eu ignorei.

O apartamento que aluguei era um lixo acima de uma bodega, mas tinha uma escada de incêndio e duas saídas. Bom o suficiente. Larguei minhas malas e fiz uma varredura. Sem grampos, sem câmeras, sem sinais de que alguém esteve ali recentemente.

Desembalei minhas armas primeiro. Duas Glocks, uma faca com lâmina de prata, um garrote e um pequeno frasco de extrato de acônito. O suficiente para matar um alfa se eu chegasse perto o bastante.

Depois, vesti algo que me ajudasse a me misturar. Jeans, botas, uma jaqueta de couro. Prendi meu cabelo escuro em um rabo de cavalo e me examinei no espelho.

Eu parecia milhares de outros lobos nesta cidade. Perigosa, mas não perigosa demais. Faminta, mas não desesperada.

Perfeito.

Saí pelas ruas.

Red Hook à noite estava viva com lobos. Eu podia senti-los em toda parte — nos bares, nos becos, nas sombras entre os prédios. Eles se moviam em alcateias, grupos fechados que me observavam com suspeita enquanto eu passava.

Mantive a cabeça baixa e meu lobo na coleira.

Encontrei a academia de boxe na Van Brunt Street. A academia de Volkov. O lugar onde ele supostamente mandava, onde seu povo vinha treinar, resolver disputas e provar sua lealdade.

As janelas estavam embaçadas de vapor e suor. Eu podia ouvir o som dos punhos nos sacos de pancada, o grunhido de esforço, o estalo seco de osso contra osso.

Empurrei a porta.

O cheiro me atingiu como um soco — suor, sangue, testosterona e, por baixo de tudo, algo mais. Algo que fez meu lobo saltar para frente com tanta força que quase mudei ali mesmo.

Companheiro.

Não.

Não, não, não.

Travei na entrada, com o coração martelando, meu lobo arranhando meu interior.

Do outro lado da academia, um homem levantou o olhar de onde estava enfaixando as mãos.

Kade Volkov.

Nossos olhos se encontraram.

E o mundo pegou fogo.

Próximo Capítulo