Um Final Nada Feliz

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Resumo

A vida não é organizada. E o amor, com certeza, menos ainda. Hunter Hadded nota a garota nova do outro lado do beco e, desde o primeiro dedo do meio, Sloane Sterling vira seu mundo de cabeça para baixo. Olhares pela janela se transformam em guerras de post-its, mensagens provocantes e encontros na varanda que despertam algo perigosamente viciante. Nenhum dos dois quer um relacionamento — mas ambos querem ser um do outro. Sedutora, caótica e cheia de jogos, esta é a história de como dois corações imperfeitos colidem… e talvez, quem sabe, encontrem algo que valha a pena manter.

Status
Completo
Capítulos
33
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
16+

Capítulo Um A Garota do Outro Lado da Janela

A primeira vez que Hunter Hadded viu Sloane Sterling, ela lhe mostrou o dedo do meio pela janela do apartamento.

Para ser justo, ele estava encarando.

Mas esse não era o ponto.

Então ela fechou a cortina até a metade.

Hunter apoiou-se no batente da sua própria janela aberta, com uma xícara de café em uma das mãos, observando o caos se desenrolar pelo beco estreito entre os prédios. Um caminhão de mudança estava estacionado do lado de fora do complexo de tijolos em frente ao seu apartamento, e caixas eram carregadas para dentro por dois caras que claramente se arrependiam de ter se voluntariado para o trabalho.

E então, tinha ela.

Calça jeans preta rasgada nos joelhos. Coturnos. Um rabo de cavalo bagunçado que parecia ter sido preso com pura rebeldia. Ela se movia com o tipo de confiança que fazia as pessoas olharem duas vezes — rápida, perspicaz, como se soubesse exatamente onde pertencia no mundo e não se importasse se alguém concordava com isso.

Hunter tomou outro gole de café.

Interessante.

Ela se virou de repente, empurrando a porta com o quadril enquanto carregava uma caixa para dentro. Quando ela ficou ereta novamente, seu olhar se levantou — e caiu diretamente sobre ele.

Seus olhos se encontraram.

Hunter não desviou o olhar.

Por que ele faria isso?

Ela o encarou de volta por um segundo, com a expressão neutra. Então seus olhos se estreitaram levemente, como se estivesse decidindo algo.

Hunter ergueu o café em um cumprimento preguiçoso.

A resposta dela foi imediata.

Ela levantou a mão e mostrou o dedo do meio para ele.

Hunter quase engasgou com a bebida.

"Bem", ele murmurou para si mesmo, baixando a xícara. "Isso é promissor."

Do outro lado do beco, a garota desapareceu dentro do seu apartamento sem olhar para trás.

Hunter permaneceu na janela.

Porque agora ele estava curioso.

E Hunter Hadded sempre teve um problema com a curiosidade.

A garota não reapareceu por quase vinte minutos.

Hunter tinha acabado de começar a se convencer de que ela tinha fechado as persianas para escapar do cara esquisito do outro lado do beco, quando a janela deslizou novamente.

Ela saiu para uma varanda estreita de incêndio com outra caixa nos braços.

Hunter observou em silêncio enquanto ela colocava a caixa no chão e afastava uma mecha solta de cabelo escuro do rosto.

Então ela olhou para cima.

E lá estava ele.

Ainda observando.

A expressão dela tornou-se desinteressada.

"Você se importa?", ela chamou pelo beco.

Hunter ergueu uma sobrancelha.

"Me importar com o quê?"

"Você encarar."

"Eu não estou encarando."

"Você está, com certeza."

"Tecnicamente", Hunter disse calmamente, apoiando o ombro no batente da janela, "estou observando".

Ela o encarou.

Hunter sorriu.

"Coisas diferentes."

Ela cruzou os braços. "Você é estranho."

"Isso dói", ele disse.

"Dói mesmo?"

"Na verdade, não."

Por um momento, nenhum dos dois disse nada. O beco entre os prédios não era largo — talvez uns quatro metros e meio no máximo —, então suas vozes carregavam facilmente pelo espaço.

Finalmente, ela suspirou.

"Você mora aí?"

Hunter olhou para trás, para dentro do apartamento, como se pudesse descobrir que tinha entrado acidentalmente no lugar de outra pessoa.

"É."

Ela assentiu lentamente, como se estivesse guardando aquela informação na memória.

"Ótimo."

"Ótimo?", Hunter repetiu.

"Agora eu sei onde o tarado da vizinhança mora."

Hunter riu baixinho.

Essa garota tinha coragem.

"Eu poderia dizer o mesmo sobre a garota que mostra o dedo do meio para estranhos antes do meio-dia."

"Talvez então você não devesse encarar estranhos pelas janelas deles."

"Talvez você não devesse se mudar para apartamentos com lugar na primeira fila."

Ela semicerrou os olhos para ele como se estivesse decidindo se ele valia o esforço de outro insulto.

Hunter esperou pacientemente.

Eventualmente, ela apenas balançou a cabeça.

"Inacreditável."

Ela pegou a caixa novamente e desapareceu lá dentro.

Hunter observou a janela vazia por alguns segundos.

Então ele sorriu.

Algo lhe dizia que a vida tinha acabado de ficar muito mais interessante.

Não demorou muito para confirmar essa teoria.

Hunter descobriu três coisas sobre Sloane Sterling nas primeiras vinte e quatro horas.

Primeiro — ela não tinha absolutamente nenhum problema em andar pelo apartamento com as cortinas abertas.

Segundo — ela tocava música alta o suficiente para que ele pudesse ouvir o grave pelo beco quando suas janelas estavam abertas.

E terceiro —

Ela notava quando ele estava assistindo.

A percepção veio na manhã seguinte.

Hunter saiu para sua pequena varanda com uma xícara de café, esticando os braços acima da cabeça enquanto o sol da manhã aquecia as paredes de tijolos ao seu redor.

Do outro lado do beco, a janela de Sloane estava aberta.

Ela estava em frente a um espelho penteando o cabelo.

Hunter inclinou-se contra o parapeito.

Ele disse a si mesmo que não estava encarando.

Ele estava simplesmente apreciando a vista.

Após um momento, ela parou.

Lenta e deliberadamente, ela levantou os olhos para o espelho.

E encontrou seu olhar pelo reflexo.

Hunter congelou no meio do gole.

Sloane não parecia surpresa.

Na verdade, ela parecia quase... divertida.

Ela se virou lentamente, jogando o cabelo sobre um ombro.

Então ela pegou algo da mesa ao lado dela.

Hunter observou com curiosidade.

Um segundo depois, ela segurou aquilo contra o vidro.

Um post-it.

Escrito com marcador preto grosso.

PARE DE ENCARAR.

Hunter deu um sorriso de lado.

Ele voltou para dentro do seu apartamento, pegou um marcador em sua mesa e retornou para a varanda.

Sloane observava com os olhos estreitados.

Hunter escreveu três palavras em sua própria janela.

Então ergueu o papel.

ME OBRIGUE.

Sloane encarou o bilhete.

Depois ele.

Então ela fez algo que Hunter não esperava.

Ela sorriu.

Não foi um sorriso doce.

Não foi um sorriso amigável.

Era o tipo de sorriso que sugeria que decisões ruins estavam prestes a acontecer.

Ela pegou outro post-it.

Hunter inclinou-se para mais perto.

Quando ela o pressionou contra o vidro, ele conseguiu ler as palavras na hora.

VOCÊ É UM IDIOTA.

Hunter riu.

"Provavelmente", ele gritou do outro lado do beco.

Ela se encostou no batente da janela.

"Definitivamente."

"Mas aqui está você, falando comigo."

"Infelizmente."

"Sempre pode fechar as cortinas."

Sloane inclinou a cabeça.

"Onde está a graça nisso?"

Hunter sentiu algo mudar em seu peito.

Ah.

Então ela gostava de jogos.

Bom.

Hunter Hadded adorava jogos.

Mais tarde, naquela tarde, Hunter encontrou-a do lado de fora do prédio pela primeira vez.

Ela estava sentada nos degraus de concreto com o celular em uma mão e um cigarro na outra.

Hunter parou a alguns metros de distância.

"Sloane Sterling."

Ela olhou para cima.

"Hunter Hadded."

Ele ergueu uma sobrancelha. "Você já sabe o meu nome?"

"Você deixou um pacote na frente da sua porta."

"E você leu."

Ela deu de ombros.

"Você estava encarando o meu apartamento ontem."

"Justo."

Hunter sentou-se no degrau ao lado dela.

Ela o observou com desconfiança.

Hunter sentou-se no degrau ao lado dela.

Sloane olhou para ele de lado.

"Você sempre se convida para o espaço dos outros assim?"

"Apenas quando me mandam ir à merda pela janela primeiro."

Ela soltou uma risada baixa, embora tentasse esconder atrás do cigarro.

"Boa sorte sobrevivendo neste bairro, então."

Hunter apoiou-se nas mãos, esticando as pernas.

"Você é sempre tão amigável com seus vizinhos?"

"Apenas com os estranhos."

Hunter olhou para o cigarro entre os dedos dela.

"Pensei que os universitários usassem vape agora."

"Pensei que os caras deveriam cuidar da própria vida."

Ele deu um sorriso presunçoso.

"Você é divertida."

"Você é irritante."

"Mas aqui estamos."

Sloane soltou uma lenta nuvem de fumaça, observando-a desaparecer no ar da tarde.

Por um momento, nenhum dos dois falou.

Carros passavam pela rua. Alguém riu ao longe. A cidade fervilhava ao redor deles como sempre—mas Hunter viu-se concentrado na garota ao seu lado.

Sloane Sterling não parecia o tipo que ficava sentada em silêncio com ninguém.

No entanto, ela não pediu para ele ir embora.

Hunter inclinou a cabeça levemente.

"Então, qual é a sua história?"

Ela ergueu uma sobrancelha.

"Você sempre interroga estranhos?"

"Apenas os interessantes."

"Essa é uma cantada horrível."

"Ainda assim funcionou."

Sloane balançou a cabeça, sacudindo a cinza na calçada.

"Eu acabei de me mudar para cá. Essa é a história toda."

"Sem namorado esperando para visitar nos fins de semana?", perguntou Hunter casualmente.

Os olhos dela deslizaram em direção a ele.

"Não."

"Namorada?"

Ela deu uma bufada.

"Também não."

Hunter assentiu pensativo.

"Bom saber."

"Por quê?"

Ele deu de ombros.

"Só curiosidade."

Sloane o estudou por um segundo, como se tentasse descobrir se ele falava sério ou se estava apenas zombando dela.

Provavelmente os dois.

"E você?", ela perguntou finalmente.

Hunter esticou os braços atrás da cabeça.

"O que tem eu?"

"Namorada."

"Não."

"Por que não?"

Hunter pensou sobre isso.

Então ele deu de ombros.

"Dá muito trabalho."

Sloane riu baixo com isso.

"Justo."

Ela esmagou o cigarro com a bota e se levantou.

Hunter observou-a com atenção.

"Já vai entrar?"

"Sim."

Ela começou a caminhar em direção à porta, então parou no meio dos degraus.

"Hunter?"

Ele olhou para cima.

"Sim?"

Sloane fez um gesto em direção ao prédio do outro lado do beco.

"É melhor você parar de ficar olhando pela minha janela."

Hunter sorriu lentamente.

"Sem promessas."

Ela revirou os olhos, mas havia um leve sinal de sorriso nos lábios quando ela se virou.

Hunter permaneceu no degrau por mais um tempo, olhando para as janelas acima.

Um minuto depois, a janela do outro lado do beco deslizou.

Sloane saiu para a sua escada de incêndio novamente.

Ela olhou para baixo, para ele.

Hunter levantou a mão em um pequeno aceno.

Sloane balançou a cabeça como se não pudesse acreditar nele.

Então ela desapareceu lá dentro.

Hunter riu para si mesmo enquanto se levantava.

Algo nessa garota parecia problema.

Do tipo divertido.

Do tipo que não vinha com regras, planos ou promessas.

Apenas caos.

Do outro lado do beco, as luzes no apartamento de Sloane se acenderam enquanto a noite começava a cair.

Hunter se encostou no corrimão da varanda novamente, olhando em direção à janela dela.

Um segundo depois, ela apareceu.

Os olhos deles se encontraram.

Nenhum dos dois desviou o olhar.

E Hunter teve a estranha sensação de que o que quer que fosse isso entre eles—

Já tinha começado.

Nenhum dos dois tinha admitido ainda.