A balsa não mente
A balsa não mentia.
Foi o primeiro pensamento que se cristalizou na mente de Dora Fabijanić enquanto a embarcação da Jadrolinija, um casco branco de metal e ruído, avançava pelo canal de um azul inacreditável. Balsas são mediadoras honestas. Elas não se importam com o seu casamento fracassado, com a sua alfaiataria milanesa cara ou com a armadura de indiferença que você levou duas décadas construindo. Elas apenas levam você aonde precisa ir. E, naquele momento, aquela balsa a levava de volta ao único lugar na Terra onde ela havia jurado, com a certeza absoluta de uma jovem de dezoito anos, que jamais precisaria voltar.
O mar Adriático brilhava com sua beleza habitual, quase obscena, uma folha de safira amassada sob o sol do final do verão. O continente já havia se dissolvido há muito tempo em uma mancha roxa e nebulosa no horizonte. À frente, a silhueta familiar e recortada de sua ilha, Korčula, tornava-se mais nítida e definida a cada minuto que passava. A ilha de seu pai. A ilha de sua humilhação. A ilha de Luka Kovač.
A ideia de seu nome enviou uma onda física por ela, um resto de calafrio que nada tinha a ver com a brisa salgada. Ela suprimiu a sensação, da mesma forma que havia reprimido a lembrança do rosto dele naquela noite — sincero, esperançoso, devastadoramente jovem — logo antes de aniquilá-lo. Ela era uma pessoa diferente agora. Divorciada, sim. Trinta e seis anos, sim. Mas também confiante, bem-sucedida e armada com um sarcasmo capaz de liquidar um homem a vinte passos de distância. Ela não voltava como a parte humilhada, mas como a conquistadora. Ou, pelo menos, era o que ela dizia a si mesma.
O ar mudou. Foi a primeira coisa que realmente a pegou de surpresa. Em um momento, era apenas um ar marinho genérico: limpo, salgado, fresco. No instante seguinte, quando a balsa contornou a ponta da península de Pelješac e a cidade de Korčula surgiu por completo, o ar tornou-se específico. Era o ar de sua infância. Um perfume complexo, inebriante e levemente sufocante. A nota dominante era o pinho, aguçado e resinoso, vindo das florestas densas que subiam as colinas atrás da cidade. Por baixo, sentia-se o aroma quente e fermentado da pedra banhada pelo sol, o calcário antigo das muralhas da cidade e os telhados de terracota que absorviam calor por séculos. E então, os elementos humanos: um leve sussurro saboroso de alho e peixe grelhado de alguma cozinha à beira do porto, o cheiro de diesel do escapamento da balsa e o aroma limpo e levemente almiscarado do próprio mar, misturando-se às toalhas secas ao sol e à pele salgada dos turistas que se aglomeravam nos parapeitos ao lado dela.
Era o cheiro de verões passados, de andar de bicicleta até o porto com os joelhos ralados, da cozinha de sua mãe em um domingo, do cigarro proibido que ela fumava atrás da catedral com os amigos. Era o cheiro de casa. E aquilo a atingiu como uma onda, uma força física que soltou algo por trás de suas costelas. Ela agarrou o parapeito de aço polido com mais força, deixando os nós dos dedos brancos. A mala de grife — uma Tumi elegante, cinza-carvão, que havia sobrevivido a uma dúzia de voos internacionais — estava parada educadamente a seus pés, um símbolo absurdamente deslocado da vida que ela havia construído. Parecia tão estranha ali quanto ela se sentia.
A buzina da balsa soou, um som profundo e lúgubre que ecoou pelas colinas ao redor. Era um som de chegada, mas para Dora, soava como uma intimação. A cidade se estendia diante dela, uma visão perfeita de cartão-postal da elegância veneziana. A Torre de Todos os Santos, redonda e defensiva, permanecia de guarda na entrada da cidade velha, com sua pedra desbotada pelo sol até um tom dourado. As ruas minúsculas e estreitas, como espinhas de peixe, irradiavam a partir da espinha dorsal da cidade. Ela podia ver a torre do sino da Catedral de São Marcos, os telhados de telhas vermelhas dos palazzos e o brilho da luz do sol nos iates e barcos de pesca que balançavam na marina.
E ali, no cais principal, a Riva, ela já podia vê-lo. Mesmo daquela distância, a figura era inconfundível. Seu pai, o prefeito Tonči Fabijanić, estava parado, ereto, em meio a um pequeno grupo de pessoas, uma estátua solitária de autoridade em um mar de turistas tagarelas. Ele vestia seu uniforme padrão: calças escuras, uma camisa branca impecável de manga curta e um olhar de severa expectativa. Ele não acenava. Tonči Fabijanić não acenava. Ele presidia. Ao lado dele, uma figura menor e mais agitada dava tapinhas em seu cabelo elaborado — sua mãe, Mare, sem dúvida tentando parecer apresentável para o retorno da filha pródiga.
Dora respirou fundo, enchendo os pulmões com aquele ar de pinho e alho. Ela endireitou as costas, alisou o impecável vestido de linho branco que escolhera para a ocasião — simples, elegante, europeu — e estampou no rosto um sorriso que ela esperava parecer sereno e confiante, mas que provavelmente parecia o de alguém prestes a passar mal. O peso do ressentimento que carregava, do tamanho e peso da vizinha montanha Biokovo, parecia particularmente pesado.
A balsa encostou nos enormes pneus de borracha ao longo do cais com um último solavanco. A rampa de acesso desceu com um estrondo, e a maré humana de turistas, carros e moradores começou a fluir. Dora esperou, deixando o caos girar ao seu redor. Ela não tinha pressa de entrar na arena. Finalmente, segurando a alça de sua Tumi, ela desceu a rampa, suas sandálias de salto baixo batendo contra o metal.
No momento em que seus pés tocaram a pedra antiga da Riva, o som da cidade a envolveu. O grito das gaivotas, a música pop metálica vindo de um kafić próximo, o som do motor de um pequeno barco de pesca e as conversas sobrepostas em croata, alemão e inglês. Era uma muralha de barulho.
E então seu pai estava lá, tendo navegado pela multidão com a eficiência silenciosa de um tubarão. Ele parou a trinta centímetros dela. Ele não pegou a mala dela. Ele não abriu os braços. Seus olhos, do mesmo castanho escuro que os dela, desceram até seus pés, depois subiram lentamente, finalmente pousando em seu rosto.
“Esses sapatos”, disse ele, como cumprimento. Sua voz era um estrondo grave, uma voz acostumada a silenciar reuniões de conselho. “Você vai quebrar o tornozelo nessa pedra antiga em menos de uma hora. Isto não é Milão.”
O sorriso sereno de Dora se contraiu nas bordas. Ela havia imaginado aquele momento cem vezes durante a longa viagem de Londres. Em suas fantasias, havia lágrimas, talvez um abraço ríspido, uma sensação de reencontro. Ela não havia previsto uma crítica ao seu calçado nos primeiros cinco segundos.
“Olá para você também, Tata”, disse ela, com a voz firme. “Os sapatos estão ótimos. Eles já conquistaram terrenos bem piores do que um Patrimônio Mundial da UNESCO.”
Tonči resmungou, um som neutro que poderia significar qualquer coisa, desde “duvido” até “estou feliz que você não morreu”. Ele finalmente olhou além dela, para a balsa. “A das 16:15 está cinco minutos atrasada. Ela está sempre cinco minutos atrasada.”
Antes que Dora pudesse formular uma resposta para aquela pérola de sabedoria portuária, sua mãe surgiu ao lado de Tonči, um turbilhão de estampas florais e otimismo agressivo. Os braços de Mare estavam abertos e, desta vez, Dora foi puxada para um abraço apertado e perfumado, com cheiro de lavanda, baunilha e anos de coisas não ditas.
“Dora, dušo, draga!” exclamou Mare, com a voz um pouco alta demais, um pouco brilhante demais. Ela manteve Dora a uma distância de um braço, os olhos examinando a filha com a mesma intensidade crítica que o marido, mas por motivos inteiramente diferentes. “Você está muito magra. E tão pálida! Não tem sol em Londres? Não importa, uma semana aqui e você vai ganhar um pouco de cor. E precisamos fazer algo com o seu cabelo, ele é muito… liso.”
A mãe de Dora, ela se lembrou agora, via o mundo como uma série de problemas a serem corrigidos, e sua filha como o projeto principal. O cabelo de Dora, perfeitamente iluminado e escovado profissionalmente, era aparentemente o primeiro item da lista.
“É bom ver você também, Mama”, conseguiu dizer Dora, desvencilhando-se do abraço.
“Agora”, disse Mare, mudando de assunto imediatamente, com os olhos brilhando com uma luz familiar e aterrorizante. “Você deve estar exausta. E com fome. Vamos ter um jantarzinho hoje à noite, só família. Bem, família e alguns amigos próximos.” Ela passou o braço pelo de Dora, reivindicando-a do marido e começando a guiá-la para longe do porto. “Você se lembra do Dr. Kralj? O dentista? A esposa dele faleceu, pobre alma, há dois anos. Uma pena. Ele é muito distinto. Muito estável. E o consultório dele fica bem na Riva, não dá para ser mais central do que isso. Eu o convidei.”
Dora parou bruscamente, fazendo com que um turista com uma mala de rodinhas praguejasse baixo ao desviar dela. “Mama. Não. Absolutamente não. Eu me divorciei há cinco minutos. Não estou aqui para ser apresentada ao puxador de dentes local.”
Mare fez um gesto dismissivo com a mão, a mesma mão que organizava a vida da filha há trinta e seis anos. “Não seja dramática. É apenas um jantar. Uma chance de ser social. E ele é ortodontista, Dora, não um puxador de dentes. Há uma diferença. Dizem que ele é muito bom com as mãos.”
Tonči os alcançou e, pela primeira vez, um lampejo do que poderia ser diversão cruzou seu rosto curtido. “Ele também tem a personalidade de um motorzinho de dentista, Mare.”
“Tonči! Não dê ouvidos a ele, Dora. Ele só está preocupado que o homem não seja bom o suficiente para você. Ninguém é bom o suficiente para você, segundo seu pai.” Mare deu um aperto reconfortante no braço de Dora.
Eles caminharam pela Riva, o sol da tarde aquecendo o topo de suas cabeças. A mala Tumi de Dora vinha atrás, suas rodas perfeitamente projetadas clicando e batendo sobre a pedra irregular, um som metropolitano e estridente naquele cenário antigo. Ela viu rostos que reconheceu: mulheres mais velhas de preto, sentadas em suas soleiras; um pescador consertando suas redes, que lhe deu um olhar longo e avaliador antes de cuspir habilmente na água; um grupo de adolescentes em uma mobilete, o rapaz que dirigia lançando-lhe um sorriso atrevido.
Cada olhar parecia um julgamento. Eles sabiam. Todos sabiam. Eles sabiam sobre o divórcio, sabiam sobre a humilhação de Luka Kovač todos aqueles anos atrás; provavelmente estavam fazendo apostas sobre quanto tempo ela duraria antes de fugir de volta para sua vida na cidade grande. O peso em seu ombro ficou um pouco mais pesado.
Eles passaram pelo escritório da capitania dos portos, um prédio pequeno e baixo de pedra branca com uma porta azul. Os olhos de Dora se voltaram involuntariamente para a janela sombreada. Ele estaria lá dentro? Ele estava observando? Ela sentiu um formigamento na nuca e forçou-se a olhar para a frente, com o olhar fixo nas costas eretas de seu pai.
Sua mãe continuava tagarelando. “…e o novo supermercado é uma vergonha, sem charme nenhum, mas eles têm uma boa seção de padaria, então a gente tem que relevar. E os turistas americanos deste ano, tão barulhentos. Mas eles dão boas gorjetas, diz a Kate, do kafić. Você se lembra da Kate? Ela ainda está lá, é claro. Nunca se casou. Uma pena. Mas ela tem os gatos…”
Dora deixou o monólogo doméstico e familiar banhá-la. Era quase relaxante, da maneira que um ruído branco relaxa. Não exigia nenhum envolvimento real, apenas um aceno ou murmúrio ocasional.
“E você tem que nos contar tudo sobre Londres”, continuou Mare. “E aquele homem. Seu… ex.” Ela disse a palavra com um leve sobressalto, como se fosse uma doença contagiosa. “O que aconteceu lá, dušo? Ele foi indelicado? Ele não valorizou você?”
“Foi mútuo, Mama. Simplesmente… não funcionou.” A resposta diplomática padrão.
Mare fungou, um som que transmitia profunda descrença. “Mútuo. Nada é mútuo. Alguém sempre quer mais. Suponho que ouviremos a história real mais tarde, com um pouco de rakija. Isso solta a língua.”
Eles chegaram à casa da família Fabijanić, um sobrado de pedra alto e estreito em uma rua tranquila logo após a praça principal. Era uma casa sólida e respeitável, com janelas fechadas por persianas e uma pesada porta de madeira. Tonči tirou uma chave grande, de aparência antiga, e a destrancou, abrindo a porta com um rangido teatral que Dora tinha certeza de que ele cultivava de propósito.
O interior estava fresco e escuro, um alívio bem-vindo do sol. Cheirava a cera de abelha, lavanda e ao perfume sutil do tabaco de cachimbo de seu pai. Nada havia mudado. A mesma mesa pesada de carvalho dominava a sala de jantar, o mesmo crucifixo pendurado acima dela, as mesmas fotografias sépia de ancestrais de semblante severo alinhadas nas paredes. Dora sentiu uma estranha claustrofobia. Ela havia escapado daquilo, do peso de toda aquela história e expectativa, e, no entanto, ali estava, inalterada, esperando por ela.
“Vou colocar você no seu quarto antigo”, disse Mare, assumindo o comando. “Eu o arejei. Lençóis novos. E guardei todos os seus livros antigos no armário, então não se assuste.”
Dora assentiu, sentindo-se subitamente exausta. A viagem, o confronto com o passado, a alegria implacável de sua mãe — tudo conspirava para drenar sua energia. Ela pegou sua mala e começou a subir a escada estreita e sinuosa.
“Dora”, a voz de seu pai a deteve. Ela se virou. Ele estava parado perto da janela, com o rosto na sombra. “A reunião da câmara municipal é na quinta-feira à noite. Você virá. Precisamos discutir o investidor.”
Não era uma pergunta. Era um decreto do prefeito.
“Claro, Tata”, ela respondeu, e continuou subindo as escadas.
Seu quarto antigo era um museu de seu eu do passado. A cama de solteiro com a colcha branca bordada. A pequena escrivaninha onde ela fazia a lição de casa, a superfície agora vazia. A janela que dava para um pedaço do mar. Ela colocou a mala no chão e caminhou até a janela, abrindo-a. Os sons e cheiros da cidade entraram: um cachorro latindo ao longe, o tilintar de copos de um café, o suspiro do mar.
Ela teve um flashback súbito e vívido. Ela tinha dezoito anos, estava parada exatamente naquela janela, com o coração batendo como um tambor frenético no peito. Ela podia ver o porto abaixo, e lá, esperando pelo pequeno barco que ele às vezes usava, estava Luka. Ele olhava para a casa dela, com uma expressão esperançosa e ansiosa no rosto. Eles estiveram girando um em torno do outro durante todo o verão. Ele era doce, gentil, bonito de uma maneira quieta e despretensiosa. O filho de um pescador. Não era o futuro que seu pai havia traçado para ela. Não era o mundo da universidade, das cidades grandes e das pessoas importantes.
Ela tinha concordado em encontrá-lo. Tinha até colocado um vestido bonito. Mas então as palavras de seu pai ecoaram em sua cabeça: “Você pode conseguir alguém melhor que o filho de um pescador, Dora. Não se prenda a esta rocha antes de ter visto o mundo.” E sua própria ambição, sua necessidade desesperada de escapar, solidificou-se em uma bola fria e dura em seu estômago.
Então, em vez de descer até ele, ela se debruçou na janela. Ela o viu acenar, aquele aceno esperançoso. E ela gritou para ele. Alto. Alto o suficiente para os vizinhos ouvirem, para suas amigas que riam em uma varanda próxima ouvirem. “O que você está fazendo, Luka? Vá para casa! Pare de me envergonhar! Você realmente achou que eu iria a algum lugar com você?”
Ela se lembrou de como o rosto dele caiu, a luz em seus olhos se extinguindo como uma vela apagada. Ele ficou ali por um longo momento, apenas olhando para cima, antes de se virar e caminhar lentamente de volta em direção ao porto. Ela sentiu uma onda de poder, seguida instantaneamente por um enjoo que durou dias. Ela disse a si mesma que era necessário. Um corte limpo. Uma maneira de provar que ela falava sério sobre partir.
Ela não se considerava cruel. Ela se considerava estratégica.
Agora, vinte anos depois, parada no mesmo quarto, a lembrança não havia perdido nada de sua nitidez. Era uma cicatriz, não uma ferida, mas cicatrizes ainda podiam doer em certas mudanças de tempo.
Uma batida na porta a assustou. Era sua mãe, carregando uma pequena bandeja com um copo d'água e uma fatia grossa de bolo de amêndoas.
“Aqui, draga. Coma. Você parece precisar.” Mare colocou a bandeja na escrivaninha e então se virou para olhar para a filha, com seus olhos aguçados não perdendo nada. “Você está pensando sobre isso, não está? Sobre aquele verão. Sobre Luka.”
A cabeça de Dora se ergueu rapidamente. “O quê? Não.”
Mare deu um sorriso pequeno e triste. “Não minta para sua mãe, Dora. É uma ilha pequena. Todos se lembram. E ele ainda está aqui.” Ela fez uma pausa, deixando a informação ser absorvida. “Ele é o capitão do porto agora. Muito respeitado. Muito estável. Mora sozinho, com seu barco. Parece nunca ter realmente… seguido em frente.”
O coração de Dora deu um solavanco estranho. Ela manteve o rosto cuidadosamente neutro. “Que bom para ele.”
Mare a estudou por um longo momento. “Será?”, perguntou ela suavemente. Então, antes que Dora pudesse responder, ela se virou para sair. À porta, ela parou. “O jantar é às oito. Não se atrase. E talvez vista algo… menos intimidador. Você quer que o Dr. Kralj consiga falar, não apenas gaguejar.” A porta se fechou com um clique atrás dela.
Dora encarou a porta fechada, depois a fatia de bolo, depois pela janela o mar azul impossível. O peso em seu ombro, ela percebeu, não era apenas sobre provar seu valor para a cidade. Era uma armadura. E, naquele momento, parecia assustadoramente fina. A balsa não havia mentido. Ela a trouxe de volta à cena do crime, e o homem a quem ela prejudicou não apenas ainda estava ali, mas era o respeitado capitão do porto. E, em menos de uma hora, ela teria que passar pelo escritório dele novamente, desta vez não como uma lembrança, mas como carne e osso.
Ela pegou o bolo, deu uma mordida. Estava seco em sua boca. Ela engoliu com água e se virou de volta para a janela, seu olhar vagando, quase contra a sua vontade, em direção ao prédio de pedra branca com a porta azul perto do porto. A balsa não mentira. E ela temia que o acerto de contas que certamente viria também não mentiria.