Sem Saída

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Resumo

Ela disse "sim" para sempre. Ele transformou isso em uma prisão. Aos dezenove anos, Emily Langford achava que tinha encontrado sua alma gêmea em Phillip, um gênio da tecnologia encantador apenas dois anos mais velho que ela. Por dois anos felizes, a vida foi perfeita. Então, a economia entrou em colapso, Phillip perdeu o emprego e o homem que ela amava tornou-se um monstro. O abuso emocional corroeu seu espírito. A violência física despedaçou seu corpo. No prestigioso escritório de advocacia em Las Vegas onde trabalha como recepcionista, a perspicaz advogada Mary Wilson nota os hematomas, os pedidos de desculpas constantes e o medo nos olhos de Emily. Quando Mary investiga o passado de Phillip, ela descobre um segredo mortal: sua primeira esposa não morreu simplesmente — ela foi silenciada. Com a ajuda do detetive Ronan Keach e da assistente jurídica Tara, uma sobrevivente ela mesma, Mary monta uma armadilha jurídica. Mas o conhecimento tecnológico de Phillip o transforma em um stalker digital, e sua fúria escala para ameaças fatais. Enquanto Emily descobre evidências que ligam Phillip a um assassinato, uma perseguição desesperada irrompe pelo deserto de Nevada. Em um confronto de tirar o fôlego, Mary deve usar a lei como uma arma para libertar Emily do homem que não tem mais nada a perder. Da autora de sucesso Amanda Ray, chega este thriller doméstico eletrizante que pergunta: até onde você iria para escapar?

Gênero
Thriller
Autor
Aray44
Status
Completo
Capítulos
50
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

A Recepcionista Perfeita

Emily Langford entrou no estacionamento do Wilson Law Firm exatamente dez minutos adiantada, como sempre fazia. O sol de Las Vegas castigava seu carro compacto, transformando o painel em um forno, mas ela mal notava. Ela ajeitou a blusa de gola alta, com um tecido rígido escolhido a dedo para esconder a marca leve em sua clavícula — uma mancha arroxeada que, ela dizia a si mesma, estava sumindo. Suas mãos tremiam um pouco ao pegar a bolsa e sair, enquanto o calor tremeluzia no asfalto como um aviso que ela escolheu ignorar.

Dentro do escritório, o ar-condicionado trazia um frescor reconfortante. A recepção fervilhava com a eficiência silenciosa de uma máquina bem azeitada: telefones tocando baixo, impressoras funcionando e o murmúrio distante das vozes vindo das salas de reunião. Emily colocou a bolsa atrás da mesa e começou a organizar a pilha de correspondências que se acumulou durante a noite. Seus dedos se moviam com agilidade, separando faturas de cartas de clientes, mas seus olhos voltavam repetidamente para o celular, que estava virado para baixo ao lado do teclado. Cada vibração causava um sobressalto nela, embora nenhuma tivesse vindo ainda.

De sua sala com paredes de vidro, Mary Wilson observava a nova recepcionista com o olhar afiado de quem passou anos lendo pessoas como se fossem processos judiciais. Mary recostou-se na cadeira, estreitando seus olhos verdes penetrantes. Emily era a imagem da competência: dezenove anos, rosto jovial e já se provando indispensável em sua primeira semana. Mas algo estava errado. As mãos da moça tremiam enquanto ela organizava a papelada, um tremor sutil que a maioria não notaria. Mary fez uma nota mental, com seus instintos de advogada aguçados. Ela contratou Emily por intuição, vendo um brilho de si mesma no currículo da jovem estudante de direito. Agora, esse brilho parecia ofuscado por sombras.

“Bom dia, Emily”, Mary chamou, com a voz firme, porém calorosa, ecoando pela porta aberta. Ela se levantou, ajustando seu terninho azul-marinho, e sua leve mancada mal era perceptível enquanto ela se aproximava da mesa.

Emily olhou para cima, seus grandes olhos azuis brilhando com um sorriso forçado. “Bom dia, Sra. Wilson. O café está fresco na copa, e já organizei as mensagens por ordem de prioridade.”

Mary assentiu, aprovando. “Eficiente como sempre. Continue assim e você estará comandando este lugar antes mesmo de se formar.” Ela parou, estudando o rosto de Emily. A garota estava pálida, com os cabelos loiros desanimados sobre sua estrutura pequena. Usava um suéter grande demais para o calor do deserto. Mary guardou essa observação, sem pressionar. Ainda não.

Conforme a manhã passava, Emily atendia as chamadas com postura, agendando reuniões e recebendo clientes com um charme que iluminava o ambiente. Tara Voss, a paralegal de língua afiada do escritório, passou apressada com uma pilha de pastas. O cabelo curto castanho e os braços tatuados de Tara a definiam como a rebelde da equipe, mas seu trabalho era impecável.

“Ei, Em, tá sobrevivendo ao caos?”, perguntou Tara, apoiando-se na mesa com um sorriso. “Algum plano pro almoço? Tem aquele novo food truck de taco na esquina, eu pago.”

Emily hesitou, seus dedos mexendo na aliança de casamento. “Ah, obrigada, Tara, mas vou comer na minha mesa hoje. Tenho muita coisa pra colocar em dia.”

Tara arqueou a sobrancelha, mas deu de ombros. “Você que sabe. Dá um grito se mudar de ideia.”

Ao meio-dia, Emily pegou uma salada simples na bolsa, beliscando-a enquanto encarava a tela do computador. Seu celular vibrou uma, duas, três vezes. Phillip. Seu estômago deu um nó. Ela olhou em volta — ninguém estava olhando — e atendeu no último toque, mantendo a voz baixa.

“Oi, querido”, ela sussurrou, forçando a alegria.

“O que você está comendo?”, a voz de Phillip era suave, com um toque de exigência. “Me diga exatamente.”

“Só uma salada. Sozinha na minha mesa, como sempre.” A mentira saiu fácil agora, enquanto seus olhos iam até Tara do outro lado da sala, que comia seu sanduíche desavisada enquanto olhava o celular.

“Com quem você está? Estou ouvindo vozes.”

“Com ninguém. São só clientes ao fundo.” Sua mão livre se fechou sob a mesa.

“Bom. Coma pouco. Não precisamos que você ganhe peso. Esteja em casa na hora certa.” A linha ficou muda.

Tara olhou para ela naquele momento, percebendo o sobressalto de Emily quando o celular vibrou de novo com uma mensagem. “Tá tudo bem? Você parece que viu um fantasma.”

Emily forçou uma risada, jogando o celular na gaveta. “Sim, só meu marido checando como eu estou. Ele é tão carinhoso.” Ela voltou para sua salada, sem apetite, sentindo a alface murchar no calor de sua ansiedade.

Mary observava de longe, com a porta entreaberta. Ela já tinha visto casos domésticos suficientes para reconhecer os sinais: os pedidos de desculpa constantes, os olhos inquietos, o jeito que Emily se encolhia quando o telefone tocava. Mas ainda era cedo. Se pressionasse demais, Emily poderia fugir. Mary voltou para sua mesa, abrindo uma deposição, mas sua mente continuava na garota lá fora. Havia algo mais sombrio acontecendo, e os instintos assassinos de Mary diziam que era hora de começar a investigar.

A tarde se arrastou sob as luzes fluorescentes e o tique-taque implacável do relógio. Emily digitava furiosamente, sua eficiência mascarando a tempestade interna. Cada mensagem não respondida de Phillip a corroía — e se ele achasse que ela estava ignorando? E se o trânsito estivesse ruim no caminho de casa? Ela imaginou o rosto dele, o modo como seus olhos castanho-esverdeados escureciam, sua compleição antes impecável agora tensa de frustração desde a perda do emprego. Ele a amava, ela lembrava a si mesma. Era por isso que ele se importava tanto.

Às cinco em ponto, Emily encerrou o expediente, juntou suas coisas e saiu com um aceno rápido para Tara. “Até amanhã!”

A viagem para casa durou vinte e dois minutos naquela noite — o trânsito estava travado por causa de uma batida na Strip. Seu coração batia forte enquanto ela entrava no complexo de apartamentos, o prédio moderno pairando como um juiz silencioso. As luzes estavam apagadas lá dentro. Ela tateou pelas chaves, entrando na escuridão.

Phillip estava sentado no sofá, com um copo de uísque na mão, o líquido âmbar brilhando na fresta de luz que vinha da janela. Seu cabelo escuro estava para trás, mas despenteado, e sua camisa de marca estava amassada. Ele não acendeu a luz. “Vinte e dois minutos. O caminho leva quinze.”

Emily parou na porta, sua bolsa escorregando para o chão. “Trânsito, Phil. Teve um acidente. Me desculpa.”

“Me mostre.” Sua voz era baixa, controlada, mas carregada de frieza.

Ela pegou o celular com as mãos trêmulas, abrindo o aplicativo de GPS. O histórico brilhava de forma acusatória — os desvios marcados em vermelho. “Viu? Demorou mais por causa da batida.”

Ele se levantou lentamente, superando-a com seu um metro e oitenta e cinco, seus olhos avermelhados varrendo a tela. O copo de uísque bateu na mesa de centro quando ele o colocou lá. “Você tem sorte de eu te amar o suficiente para me preocupar com sua segurança, Em. E se algo tivesse acontecido? E se você estivesse mentindo sobre onde estava?”

“Eu não faria isso! Eu juro.” Ela deu um passo para trás, com a voz pequena e cheia de desculpas. Lágrimas brotaram em seus olhos. “Por favor, Phil, me desculpa pelo atraso.”

Ele se aproximou, sua mão envolvendo o queixo dela com rispidez, inclinando o rosto dela para o seu. “Desculpas aceitas. Desta vez.” O hálito dele cheirava a uísque, e sua mão estava firme o suficiente para deixar hematomas se ele apertasse. Mas ele a soltou, afundando novamente no sofá. “Vai fazer o jantar. Algo leve.”

Emily assentiu, correndo para a cozinha, com o coração martelando. A blusa de gola alta irritava a marca em sua clavícula, um lembrete da “discussão” da semana passada sobre seus gastos “descuidosos”. Ela cortou os vegetais com precisão mecânica, a faca brilhando sob a luz forte. Phillip observava da escuridão, sua presença um peso pesado. Ele tinha instalado o rastreador GPS meses atrás, “para a proteção dela”. Ela tinha concordado, grata pela preocupação dele. Agora, parecia correntes.

Enquanto servia a refeição — frango grelhado e folhas, sem carboidratos —, Phillip olhava o celular, resmungando sobre as recusas de emprego. “Esses idiotas não enxergam meu valor. Mas você enxerga, né, gata?”

“Claro”, ela murmurou, sentando-se à frente dele e mexendo no prato. Seu celular vibrou: um e-mail de trabalho da Tara sobre o cronograma de amanhã. Ela silenciou rapidamente.

“Quem era?”, a cabeça dele se levantou de imediato.

“Só o escritório. Nada importante.”

Ele relaxou um pouco, mas seus olhos insistiram. “Bom. Trabalho fica no trabalho. Aqui você é minha.”

As palavras pairaram no ar, densas como fumaça. Emily forçou um sorriso, o isolamento a envolvendo como o suéter grande que ela ainda usava. No escritório, ela era a recepcionista perfeita: eficiente, charmosa. Ali, ela era uma sombra, pedindo desculpas por existir. O amor de Phillip era uma fortaleza, ela dizia a si mesma. Seguro. Controlador, sim, mas seguro.

Naquela noite, enquanto ela deitava ao lado dele na escuridão, com o braço dele pesado sobre sua cintura, Emily encarava o teto. A marca em sua clavícula latejava de leve. Amanhã, ela chegaria dez minutos adiantada de novo. Sorriria mais. Esconderia melhor. Porque ir embora não era uma opção. Não quando ele a amava tanto.

Do outro lado da cidade, Mary Wilson fechou sua pasta, com os casos do dia arquivados. Mas as mãos trêmulas de Emily não saíam de sua mente. Como uma advogada que tinha deixado para trás sonhos de detetive, Mary conhecia os padrões. Aquele tipo de controle não terminava bem. Ela mandou uma mensagem para Victor, seu marido: *Chego em breve. Dia difícil?* A resposta dele foi instantânea: *Sempre tem espaço para você. As crianças comeram. No que está pensando?*

Ela guardou o celular, com a determinação endurecendo. Emily a lembrava de si mesma naquela idade: cheia de potencial, cega para as armadilhas. Mary não deixaria a história se repetir. Não sob sua vigia.

Tara, fechando o escritório, parou na mesa vazia de Emily. O recipiente da salada ainda estava lá, metade comido. Tara balançou a cabeça, lembrando do sobressalto dela. *Tem algo de errado com aquela menina.* Ela jogou a bolsa no ombro e saiu para a noite de neon, com o pulsar da cidade acompanhando o desconforto em seu estômago.

No apartamento dos Langford, Phillip terminou seu uísque, observando a forma adormecida de Emily. Ela era sua âncora na tempestade do desemprego. Ele a manteria segura. Não importava o que fosse necessário. O aplicativo de GPS no celular dele piscava em verde: a localização dela estava segura. Vinte e dois minutos era tempo demais para a próxima vez.

A atmosfera pesada de controle se estabelecia mais profundamente, com o isolamento de Emily crescendo a cada pergunta calculada, a cada marca escondida. No coração cintilante de Las Vegas, onde fortunas viravam como cartas, sua vida perfeita estava rachando pelas bordas. E ninguém — ainda não — sabia o quão profunda era a fratura.

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