A Vingança da Ex-Esposa

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Resumo

"Tudo está bem, querida." É o que Steven vem dizendo há meses. Mas hoje, na festa de aniversário de casamento, Shirley não consegue afastar a sensação de que algo está errado. O marido, antes tão presente, agora parece distante. Seus olhares evasivos, seus sorrisos forçados... e aquela mensagem de texto que ele tentou tanto esconder. "Não podemos continuar assim. Você precisa contar a verdade para ela." A mensagem pisca na tela do celular, e Shirley sente o mundo desabar. Sete anos de casamento, uma vida de aparências perfeitas: uma casa impecável, uma filha adorável, um marido amoroso... ou pelo menos era o que ela pensava. Mas por trás das portas fechadas de seu lar, as mentiras se acumulam. E Shirley, a ex-prodígio da NYU que sacrificou tudo pela família, está prestes a enfrentar uma verdade que pode destruir tudo. Traições, segredos enterrados e escolhas impossíveis — Shirley é arrastada para um labirinto de enganos onde cada revelação a aproxima de uma decisão dilacerante: ficar e perdoar... ou arriscar tudo para se reencontrar. "Às vezes, a verdade não liberta. Ela despedaça."

Gênero
Romance
Autor
Adelina
Status
Completo
Capítulos
144
Classificação
3.0 1 avaliação
Classificação Etária
16+

Capítulo 1: A Mentira Perfeita

Ponto de vista de Shirley:

Os lírios foram um erro. Eu soube no instante em que os vi arrumados na entrada, impecáveis e brancos. Steven tinha sido claro: uma festa simples e elegante para nosso sétimo aniversário. Mas no meu mundo, não existia isso de simples. Aquela noite era uma homenagem, uma celebração da vida perfeita que havíamos construído. Os sete anos que passei como dona de casa — um título que carregava com orgulho — pareciam um belo tapete tecido à mão, e eu me recusava a deixar um único fio fora do lugar.

— Shirley, os primeiros convidados chegaram — Jessica disse, a voz dela um porto seguro no meio do meu turbilhão. Ela era minha assistente para eventos grandes, uma expert em evitar que as coisas saíssem do controle.

Fiquei perto da entrada, recebendo os convidados com um sorriso que aperfeiçoei ao longo dos anos, aquele que dizia *tudo está bem*, mesmo quando não estava. A casa estava decorada com perfeição, cada detalhe exatamente como eu havia planejado. O brilho suave do lustre refletia no piso polido, e o aroma de flores frescas e cera de vela pairava no ar. Aquela deveria ser a noite perfeita.

Mas algo estava errado.

Olhei para o outro lado da sala, onde Steven conversava com um grupo de amigos, o rosto iluminado, o sorriso naturalmente charmoso. Mas meus olhos voltavam sempre para o celular na mão dele. Era sutil — quase imperceptível —, mas ele não parava de checá-lo, como se não conseguisse se conter.

Senti meu coração acelerar.

Ele nunca tinha sido assim antes.

— Shirley, tudo está perfeito — disse a Sra. Snow, a voz cheia de admiração enquanto me dava um abraço apertado. — Você é incrível mesmo. Como consegue dar conta de tudo?

Forcei uma risada, um pouco alta demais. — Não dou, pode acreditar — falei, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Mas obrigada. Isso significa muito.

Ela me olhou com cumplicidade. — Você é uma supermulher. Como consegue conciliar tudo isso com uma criança pequena em casa?

Sorri, mas o sorriso não chegou aos olhos. — Ainda estou aprendendo.

Minha cabeça não estava na festa nem nos elogios. Estava em Steven. No jeito como ele parecia mais interessado no celular do que na conversa que tínhamos tido antes. No beijo que me dera mais cedo, os lábios frios, quase mecânicos. Será que eu estava imaginando coisas?

Disse a mim mesma que estava exagerando. Afinal, tínhamos passado por muita coisa juntos — oito anos de casamento, uma filha, tudo o que construímos. Era natural ter momentos de dúvida, não era?

Mas aquela voz no fundo da minha mente não me deixava em paz.

Observei Steven de novo, o sorriso largo enquanto trocava piadas com os amigos. Mas, num piscar de olhos, seus olhos voltaram para o celular. Uma leve tensão nos ombros, uma ruga discreta entre as sobrancelhas.

Será que era trabalho?

Tentei ignorar, aproveitar a noite, mas minha mente insistia em voltar para ele, para o celular, para aquele desconforto que crescia no peito.

Com o passar da noite, escapei para a cozinha, tentando me ocupar com qualquer coisa que me distraísse. Acabei limpando o balcão pela terceira vez, embora não precisasse. O barulho da festa parecia distante ali, como um eco fraco.

Consegui ouvir a voz de Steven da outra sala, baixa e descontraída, rindo com Jason, um dos sócios dele. Parei no meio do movimento, atraída pela conversa.

— É, te vejo mais tarde hoje — Steven disse, a voz leve, como se as palavras não tivessem peso. — Não se preocupe. Vai ser nosso segredinho.

Senti o ar prender na garganta. As palavras soavam tão casuais. Tão… íntimas.

Nosso segredinho?

Um calafrio gelado percorreu minha espinha. Será que eu estava ouvindo coisas? Ou aquilo era sinal de algo… maior?

Balancei a cabeça, obrigando-me a respirar. Não. Não era nada. Era só minha mente pregando peças em mim.

Mas, quando voltei para a sala principal, não consegui evitar que meus olhos o procurassem, observando como ele se movia, como falava, como agia. A inquietação me corroía, ficando mais forte a cada vez que ele olhava para o celular. Por que ele não olhava para mim? Por que parecia mais interessado no telefone do que em mim?

Aos poucos, a festa foi terminando, as risadas e conversas se dissipando. Desculpei-me para ver como Abby estava, certificando-me de que ela já estava dormindo. Mas meus pensamentos voltavam sempre para Steven, para aquele celular, para a sensação crescente de que eu estava perdendo o controle de algo que antes acreditava ser sólido, inabalável.

Já era tarde quando Steven foi tomar banho, como de costume. Encontrei-me parada no quarto, olhando para o celular em cima do criado-mudo. Era como se ele me chamasse.

Eu não deveria olhar.

Mas meus dedos me traíram. Peguei o aparelho, como se não fosse nada. A tela acendeu, e meu coração deu um pulo quando vi o nome *Jason* piscando. Meu estômago embrulhou.

Jason?

Desbloqueei o celular sem pensar, como se o gesto não fosse real, como se eu não estivesse invadindo a privacidade dele. A mensagem na tela me deixou sem ar.

Oi, amor, tô com saudade. Mal posso esperar pra te ver de novo hoje à noite.

Fiquei paralisada.

Minha mente ficou em branco.

Larguei o celular na cama como se ele tivesse queimado minhas mãos. Estava tremendo. O coração batia forte nos ouvidos. Aquilo não podia estar acontecendo.

Aquilo não podia ser verdade.

Mas as palavras estavam ali, na minha frente, inegáveis. A verdade me atingiu como um tapa na cara.

Não sei quanto tempo fiquei ali, imóvel, os pensamentos uma confusão de descrença e desespero. Ouvi o chuveiro desligar, o barulho suave de Steven saindo, mas não consegui me mexer.

Ele ia voltar, sorrir para mim como se tudo estivesse normal, como se nada tivesse mudado. Mas eu não podia mais fingir.

Quando ele entrou no quarto, a toalha ainda enrolada na cintura, o cabelo molhado caindo em mechas bagunçadas, parou de repente ao me ver ali. Franziu a testa, me olhando com curiosidade.

— Shirley? Tá tudo bem? — A voz dele era casual demais.

Não respondi na hora. Minha cabeça ainda girava com o que eu tinha lido.

Forcei um sorriso, mas era vazio. — Tô, sim.

Os olhos dele ficaram em mim por um instante, mas ele não insistiu. Passou por mim para pegar o celular, e não deixei de notar como seus dedos enrijeceram ao vê-lo na cama.

Por um breve momento, tudo pareceu suspenso no ar entre nós. Mas então ele guardou o celular no bolso, rápido, como se nada tivesse acontecido. Como se nada tivesse mudado.

Mas tudo tinha mudado.