Chapeuzinho Vermelho: O Acerto de Contas

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Resumo

Original disponível no Wattpad. Livro 1 da SÉRIE LRO. Sob sua fachada doce como açúcar, Felicity Randone esconde cicatrizes de uma infância brutal sob a sombra de um pai abusivo. Ansiando por uma conexão real, ela cai nos braços de Alvarus Carmine, um príncipe demônio sedutor e de língua suja, imortal e metamorfo, vindo diretamente das chamas da Espanha castelhana. Mas no Moulin Mug, uma cafeteria onde se encontram, a paixão incendeia algo mortal. Neste conto erótico sombrio, o desejo devora... e o acerto de contas chega.

Status
Em Andamento
Capítulos
13
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

1: Alvarus

Eu não sabia o que esperar quando bati o ponto hoje, mas ele? Definitivamente não estava nos meus planos.

Ele tinha aquele ar de vilão de filme antigo — sombrio, pensativo, o próprio ápice da melancolia. Cabelo cor de ônix com um toque de azulado. Pele bronzeada. Cílios longos, grossos e pretos que pareciam até proibidos.

Etnia: indefinida.

Problemático: com certeza.

Ainda assim, ele emanava a energia de um homem que trataria o medo como preliminar. O tipo que te encurralaria num beco só para te ouvir implorar e decidir, muito calmamente, se te daria misericórdia.

Misericórdia, ele não daria.

Seus anéis de prata brilhavam conforme ele se movia, um tilintar metálico contra correntes sobrepostas e um cadeado em formato de coração. E ele não apenas sentou. Ele se esparramou. Toda aquela energia sombria parecia ocupar o fundo do estabelecimento como se o Moulin Mug fosse sua sala do trono particular.

Eu estava na metade da limpeza da máquina de café quando ele finalmente se mexeu.

Clink. Clink. Clink.

Seus anéis batiam contra o balcão.

"Um café preto", disse ele, a voz grave, como calda escorrendo sobre vidro quebrado.

Olhei para cima.

Ele era mais alto do que eu pensava — magro e de ombros largos, envolto em um sobretudo de couro preto, com uma aura que dizia que ele não tinha acabado de entrar vindo da rua. Ele veio de algum lugar muito mais sinistro.

Seus olhos eram de um tom marrom expresso, mas não havia nada de caloroso na forma como pousaram sobre mim.

"Por que você é a única vestida de vermelho, pernas longas?" Ele perguntou.

Pisquei. "Como é?"

Ele inclinou a cabeça levemente.

"Todos os outros estão vestidos como um funeral. Você? Tudo em vermelho." Seus lábios perfeitamente desenhados se curvaram num sorriso malicioso. "Você gosta de se destacar, não gosta?" Ele se aproximou. "Me diga, muñeca — você se veste pela atenção ou pela reação?"

Então ele estendeu a mão — dedos frios, seus anéis de prata pesados.

"Meu nome é Alvarus Carmine."

Eu segurei a mão dele, surpreendendo a mim mesma.

"Felicity", eu disse — inclinando-me o suficiente para lhe dar uma espiada no meu decote. "Srta. Felicity Randone."

Ele pausou, deixando meu nome rolar sobre sua língua provavelmente perfurada, seus anéis batendo suavemente contra o balcão enquanto ele acenava. "Randone", repetiu ele. "Você é italiana?"

"Meus ancestrais eram sicilianos." Pisquei.

"Siciliana, eh?"

Acenei com a cabeça, já completamente enfeitiçada.

"Bem, quanto a moi, eu venho do Reino de Castela", ele arrastou as palavras, com a mão no peito, o sorriso em seus lábios em forma de coração divertido demais para a cortesia comum. "Espanha — se é que precisamos nos rebaixar a geomorfologias."

"Já ouvi falar desse lugar. Terra de castelos, certo?"

"Bravo." Ele aplaudiu suavemente. "Dez pontos para geografia, querida. E você, amor, está olhando para a última — e de longe a mais linda — peça de seu legado precário."

Ele piscou e deslizou algumas notas impecáveis pelo balcão, uma unha pintada de preto traçando a tampa de seu café preto.

"Agora me diga, muñeca — com essa aparência matadora... você é perigosa? Porque não há nada mais sexy do que uma mulher que poderia me esfaquear no meio do ato."

Deixei meu sorriso crescer lentamente, meus olhos fixos nos dele. "Bem, isso depende, Al." Uma risadinha nervosa escapou. "Você não adoraria descobrir?" Inclinei-me para frente, deixando o calor entre nós aumentar. "Agora me diga, Alvarus — você é perigoso?"

Ele me lançou aquele tipo de olhar mortal capaz de azedar o leite. "Apenas", ele respondeu com lentidão, "para aqueles que merecem." Seu tom baixou para um ronronar — sombrio, convencido —

Ele me tocou.

Apenas uma junta, brilhando com prata, roçou minha bochecha. Fria. Como um gesto de adoração. Depois, deslizou sob meu queixo, erguendo meu rosto como se eu fosse seu jantar e ele tivesse vontade de uma mordida. Nossos olhos se encontraram. Castanho sobre castanho, mas os dele eram tão mais profundos — como um poço, ou um caixão.

Infinitos.

"Qué guapa," ele afirmou.

(que linda)

Esqueci como se respira.

"Você usa vermelho como se significasse algo", disse ele suavemente. "Você deveria."

— E saiu, com o café na mão.

Nenhum aceno. Nenhuma despedida.

Apenas girou sobre um salto plataforma pesado e foi embora, na maior calma do mundo — como se não tivesse acabado de me destruir com um olhar e o toque mais leve que fosse. Agora não consigo tirá-lo da cabeça, imaginando o que mais suas mãos poderiam fazer. Aposto que ele me seguraria pela garganta, numa pegada perfeita, enquanto eu ofego por ar e seus lábios queimam meu pescoço — sussurrando coisas sujas no meu ouvido e elogios doces com aquele sotaque castelhano sexy.

Abanei-me com um recibo de pastelaria.

"Se controla, sua vadia!"

Antes que eu pudesse viajar demais nas minhas imagens mentais, a porta tocou — quebrando o clima. Um grupo de garotas estilo Alt-TikTok inundou o Mug, com botas pesadas, espartilhos de imitação da Shein, delineador de teia de aranha com glitter e gargantilhas que provavelmente diziam 'garotinha do papai' ou qualquer porcaria do tipo.

"Ai meu Deus, é a garota de vermelho!" uma delas gritou. "Eu disse que ela era real."

Eu pulei como uma barista possuída, estampei meu sorriso de atendimento ao cliente e deslizei para trás do balcão como se não estivesse acabado de imaginar ser comida por um possível vampiro viajante no tempo chamado Alvarus atrás dos lixos.

"Bem-vindas ao Moulin Mug", eu disse, com a voz doce demais. "Estão aqui pelo café ou só para me encarar?"

Uma delas riu. "Os dois."

Ótimo. Minha vida era oficialmente um fan-cam esperando para acontecer. Tirei os pedidos, posei para algumas fotos e mandei-as embora com seu brilho. Muitos agradecimentos, elogios demais e muitas gorjetas enfiadas no crânio de vidro no caixa.

Quando as luzes diminuíram e a última faixa da lista do Spotify desapareceu, era hora de fechar — e assim, meus pensamentos voltaram direto para a sujeira.

De volta para ele.

Eu estava empilhando bandejas e entregando para Cordelia lavar quando ela parou e me lançou aquele olhar.

"Onde está sua cabeça, Lissie? Você não parece ter estado aqui a noite toda."

Ela desligou a água.

Dei de ombros, provavelmente rápido demais. "Estou aqui."

Ela arqueou uma sobrancelha. "Não desde que aquele garoto gótico decadente se dignou a soltar umas frases e desaparecer sem nem uma despedida decente."

Decadente. Sim, essa era uma palavra para ele.

Eu congelei, bandeja na mão, o coração dando aquele pulo traiçoeiro.

Cordelia sorriu, percebendo na hora.

"Ohhh, então é isso que te deixou toda boba e derretida. Ele realmente te pegou, hein?"

"Estou bem", menti, o que só a fez rir mais.

"E eu sou velha como poeira..."

Revirei os olhos e voltei a limpar o balcão.

"Ele tocou seu rosto, Liss. Sério, quem faz isso? O que é isso, uma novela?"

"Ele era apenas... intenso."

"Sei", respondeu Cordelia.

Abri um sorriso. "Ele pediu um café preto."

"Claro que pediu. Sombrio, básico e provavelmente amaldiçoado. Basicamente uma bandeira vermelha ambulante."

Mordi o lábio — porque ela não estava errada — mas, que me ajude, eu queria escalar essa bandeira vermelha como se fosse um poste.

"O nome dele é Alvarus", eu disse, talvez um pouco sonhadora demais.

Cordelia piscou. "Alvarus? Merda. Isso é que é nome. Você acha que ele inventou isso sozinho quando atingiu o auge do nível senhor das trevas, ou está realmente impresso em uma certidão de nascimento em algum lugar?"

Ri baixinho. "Sinceramente, Cordelia — quem sabe? Ele provavelmente emergiu totalmente formado de um caixão forrado de veludo com um fundo fiduciário e um diário de poesias."

Ela bufou. "Faz sentido."

Terminamos de lavar a louça em silêncio depois disso.

Mas a minha cabeça? A minha cabeça estava longe de estar quieta.

Já era tarde quando cheguei em casa. Não era nada chique, apenas um pequeno apartamento com vizinhos morando embaixo. Mas era meu — o meu santuário. A minha parte favorita era a cama.

Uma armação de ferro antiga com um dossel de veludo vermelho e lençóis de seda que pareciam um beijo na parte de trás dos joelhos. O tipo de cama em que você faria uma transa daquelas, sozinha ou com um castelhano devasso de olhos cor de chocolate amargo.

Ah, eu não conseguia *parar* de pensar nele.

Alvarus.

Deus, só de dizer o nome dele eu ficava arrepiada.

E agora eu estava me sentindo um pouco safada. Fazia eras desde o meu último encontro real, e mais tempo ainda desde que alguém me fez amor. Meu pobre vibrador deve achar que sofreu negligência emocional.

Mas hoje à noite? Dei folga para ele.

Um banho quente. E as minhas próprias mãos.

Talvez se eu fechasse os olhos, pudesse fingir que era o Al.

Deus.

Eu deveria ter dado o meu número a ele.

Poderia ter sido um erro de madrugada.

Poderia ter sido o meu favorito.

Droga.

Acendi algumas velas — vermelhas, pretas e brancas.

Sem perfume, é claro.

Agora, se eu ia me desmanchar, queria espectadores — testemunhas silenciosas do meu desenrolar.

Enchi a banheira de pés vitorianos até a borda, com o vapor subindo como a fumaça de um cigarro nos lábios de uma femme fatale. Joguei uma bomba de banho, da cor de sangue arterial, e vi enquanto ela efervescia, tingindo a água de carmesim. Depois, liguei a câmera. O tripé estava firme. A ring light brilhava. O ângulo estava perfeito — íntimo, implacável.

Criei uma nova pasta no meu drive. Apertei gravar. Provavelmente vou colocar o título "Ruiva se masturba na banheira, sonhando com vampiros".

Deslizei para dentro da água lentamente, sentindo o calor subir pelas minhas pernas e coxas, enquanto o vapor girava ao redor dos meus ombros como o hálito de um amante. Meu cabelo flutuava ao meu redor como um fogo sacrificial. Meus dedos? Já estavam tremendo.

"Espero que goste de uma fantasia sombria", eu ronronei para a lente. "Porque esta noite... eu estou com uma presa na cabeça."

A água batia na minha pele enquanto eu me recostava, as cortinas vermelhas abertas ao redor da banheira, a luz das velas dançando nos azulejos como em uma sessão espírita erótica. Ambas as mãos provocavam meus mamilos — apertando, enrolando, deixando-os rígidos antes de descerem lá para baixo, lentas e densas, como se eu tivesse todo o tempo do mundo para ser depravada.

Eu estava fazendo um show para os voyeurs que pagavam caro para ver uma ruiva se desmanchar. Mas este? Este era para ele.

"O nome dele", sussurrei, com a respiração pesada de desejo, "é Alvarus Carmine."

E deixei derreter na minha língua como mel vindo do inferno.

Deixe queimar.

"Ohhhhh."

Meus dedos mergulharam mais fundo, no calor, na dor, e imaginei os olhos dele — pretos como breu, cheios de segredos. Eu quase podia ouvir seus anéis raspando na porcelana. Sentir seus lábios no meu pescoço, sua voz como um sussurro confuso no meu ouvido, dizendo coisas que nenhuma boa menina deveria pensar.

"Aposto que ele me faria implorar", eu gemia no vapor. "Me sufocaria do jeito certo... deixaria marcas de chupão que eu cobriria com pó — e rezaria para nunca sumirem."

Meus quadris balançaram.

A água batia na borda da banheira enquanto eu me tocava como se fossem as mãos dele.

Repeti o nome dele. Bem no limite.

Logo antes da queda.

E então...

As velas piscaram.

Todas elas. Como se estivessem ouvindo.

Como se ele estivesse ouvindo.

O ar ficou denso. Pesado. Quente.

Como uma respiração no meu ombro nu.

Fiquei imóvel. Dedos molhados.

Coração na boca.

E então... Aquele som.

Clink.

Um brilho de prata contra o azulejo frio.

Sentei-me rápido.

A água transbordou pelas laterais.

O perfume da bomba de banho tinha mudado.

Não era mais doce.

Agora cheirava a fumaça.

Como ofertas queimadas.

Como ele.

Olhei para o canto.

Senti alguma coisa.

E então — atrás de mim — uma voz. Suave como o pecado, aveludada como a meia-noite, profunda como uma cova recém-aberta e rica como chocolate amargo derretido sobre morangos frescos.

"Feliiiiiciiiiityyyy..." Cantarolando. Como uma canção de ninar feita para me deixar selvagem. Ou me repreendendo — porque eu tinha sido muito, muito má.

Eu congelei.

"Porra", eu arfei — mas saiu como um gemido.

A água ondulou. Então... mãos.

Invisíveis. Mas presentes. Tocando. Reivindicando. Acariciando. Elas subiram pelas minhas coxas — frias como a morte. Anéis raspando a pele, demorando-se nas minhas costelas, no meu pescoço, na minha garganta.

Eu não gritei.

Minhas pernas se afastaram.

A cabeça caiu para trás — boca aberta.

Meu corpo? Ganancioso. Faminto. Excitado.

Minha mente? A um milhão de quilômetros de distância.

"Alvarus?"

Silêncio.

Apenas a adoração do toque.

Agarrei a borda da banheira como se fosse a última coisa me mantendo no lugar.

A luz da câmera piscou uma vez.

Depois apagou.

A temperatura do quarto caiu dez graus.

Mas eu queimava. Deus, eu queimava.

Meu corpo já não era mais meu — não de qualquer jeito que eu escolheria.

Eu estava encharcada de calor, batizada no vapor, tremendo sob mãos frias que eu não conseguia ver, mas *sentia* em todos os lugares. Uma se enrolou na minha garganta. Outra deslizou entre as minhas coxas. Maior que a minha. Mais forte. Puta sacanagem.

"Por favor", eu arfei —

"Aye, hermosa," a voz retumbou — dentro de mim. No meu crânio. No meu peito. Na cavidade onde meus dedos tinham estado há pouco.

"Todo esse fogo... e você ainda nem sabe para quem é."

Eu me abri mais.

Arqueei e ofereci tudo.

"Me leve", sussurrei. "Me use."

A água da banheira agitou-se.

Minhas costas bateram na porcelana enquanto meus quadris batiam no nada e no tudo. Meus mamilos roçaram dentes invisíveis. Uma boca. Uma língua. Presas?

Eu gritei.

Minhas mãos arranharam a cortina. As pernas tremiam.

Meu corpo se movia em um ritmo profano.

"Diga meu nome."

"Al—Alvarus?" eu solucei.

E então eu afundei.

A banheira me engoliu.

O cabelo se espalhou como chamas. Bolhas estouraram contra meus lábios enquanto eu me debatia sob a superfície. Sufocada. Encharcada. Sem peso. Desamparada. Enquanto algo pulsava dentro de mim, esticando minha boceta até que minha noção de mim mesma sangrasse silenciosamente para fora.

Minhas pernas eram inúteis. Desapareceram.

E quando achei que ia me afogar, rompi a superfície da água, ofegante. Gemendo.

Meu orgasmo atingiu como uma possessão de corpo inteiro.

Minhas costas arquearam. Minhas coxas tremeram. A banheira balançou sob mim enquanto a água transbordava, e minha boca ficou escancarada em um grito silencioso.

A sombra derramou-se por mim como fumaça.

E então — Silêncio.

Imobilidade.

Fiquei ali, acabada. Tosseindo água. Fudida como nunca. Tremendo após o clímax. E ali, gravada na condensação do espelho, uma única palavra me encarava.

Minha.