O Jogo Perfeito

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Resumo

Ele é o quarterback mulherengo. Ela precisa de um namorado de mentirinha. O único problema? Ele é o primeiro cara que a fez querer algo real.

Gênero
Romance
Autor
Lynn Fair
Status
Completo
Capítulos
85
Classificação
4.9 14 avaliações
Classificação Etária
18+

Prólogo

*Você pode me seguir nas minhas novas contas de autor!

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Knox

O grave bate antes mesmo de eu cruzar a entrada.

É um som baixo e constante. Um pulsar rítmico que vibra na sola das minhas botas e se aloja no meu peito, sincronizando-se com um batimento cardíaco que passei o dia todo tentando ignorar.

Esse é o objetivo deste lugar.

Eu não venho aqui para pensar. Eu venho para deixar que o barulho pense por mim.

“Parker!”

Ouço o chamado acima da caixa da bateria, acima do rugido baixo da multidão e do tilintar dos copos. Não me viro. Não preciso. O tom é sempre o mesmo: uma mistura de orgulho alheio e uma necessidade desesperada de ser notado. Levanto uma mão sem olhar para trás, um reflexo automático de reconhecimento, e continuo andando.

O bar está exatamente onde sempre esteve. A mesma iluminação âmbar que esconde as rachaduras. Os mesmos corpos pressionados uns contra os outros. A mesma expectativa pesada pairando no ar assim que piso sob a luz.

Um copo desliza em minha direção antes mesmo de eu chegar ao balcão.

“O de sempre, Knox”, diz o barman, com a voz mal conseguindo se sobrepor à música.

Assinto uma vez, com os dedos envolvendo a condensação fria do copo. Dou um gole lento, deixando a queimação do uísque na língua um pouco mais do que o necessário. Eu quero sentir isso. Quero que me distraia da estática na minha cabeça.

Ao meu redor, o salão está em movimento.

Garotas rindo em um tom um pouco alto demais para garantir que eu ouça. Mãos roçando meu bíceps — acidentes que não têm nada de acidentais. Olhos rastreando cada movimento meu nos cantos escuros dos estandes, esperando por um sinal. Um olhar. uma abertura.

Isso costumava significar alguma coisa.

Eu acho.

Agora, parece apenas parte do show. Esperado. Rotineiro. Exaustivo.

“Achei que você tivesse imprensa hoje à noite”, diz Hayes, aparecendo ao meu lado. Ele está recostado, parecendo dono do lugar só por associação.

“Tinha”, digo, com a palavra curta e seca.

Ele dá um sorriso, exibindo aquele olhar de quem acha que sabe de um segredo. “E aí?”

Dou outro gole, encarando o reflexo do letreiro de neon da cerveja no líquido. “Não estava a fim de ficar.”

Hayes ri como se eu tivesse acabado de contar a piada do século. Não me dou ao trabalho de responder. Não tenho energia para explicar que, às vezes, as luzes são brilhantes demais e as perguntas são vazias demais.

Recosto-me no balcão, deixando o caos do ambiente me envolver sem permitir que nada disso entre. Meus olhos percorrem a multidão por hábito, procurando por nada em particular.

É sempre igual.

Rostos diferentes. A mesma noite. O mesmo resultado previsível.

Eu não preciso me esforçar mais. Não tento nada há anos. Isso deveria parecer uma vitória. Deveria parecer que eu cheguei lá.

Não parece. Parece um roteiro que decorei tão bem que consigo dizer as falas enquanto durmo.

“Knox.”

Olho para a direita.

Ela já passou da minha guarda. Mais perto do que a maioria ousaria se não tivesse um motivo. Ela tem cabelos loiros longos caindo sobre um ombro e olhos afiados o suficiente para me dizer que ela treinou essa abordagem.

“Você é Knox Parker, certo?”, ela pergunta. Ela não espera por uma resposta; ela pergunta como se estivesse confirmando uma caça.

Aguardo um pouco. Não porque estou interessado, mas porque aprendi que o silêncio faz com que elas tentem mais.

“Depende de quem está perguntando.”

Seus lábios se curvam em um sorriso. Ela gostou disso. Elas sempre gostam.

“Riley”, ela diz, dando meio passo para mais perto. “E é... eu definitivamente já sabia.”

Claro que ela sabia. Todas elas sabem.

“Sou eu”, respondo, com a voz uma oitava mais grave.

Sua expressão muda — um pequeno brilho de triunfo. Acabei de lhe dar a confirmação que ela queria, um pedacinho da marca “Knox Parker” para levar para casa. Isso acontece uma dúzia de vezes por semana.

“Você vai me pagar uma bebida ou sempre faz as garotas fazerem todo o trabalho?”, ela pergunta, inclinando a cabeça.

Olho para o meu copo e depois para ela. O desafio é roteirizado. A paquera é oca.

“Já paguei”, digo, apontando para o barman que já está pegando um copo para ela.

Ela ri, um som suave e sôfrego, e desliza a mão pelo meu antebraço.

É assim que geralmente começa.

O tempo fica borrado depois disso.

É uma série de quadros sem um rolo. Uma bebida vira três. Conversas acontecem ao meu redor, mas eu não estou realmente nelas. A mão de Riley permanece no meu braço — leve no início, depois persistente, e então deslizando para a borda da minha manga para testar limites que ela sabe que não vou impor.

Eu não a impeço. Nunca impeço. Por que eu faria isso?

“Você não fala muito”, ela sussurra, com o hálito quente contra a concha da minha orelha.

“Não preciso.”

“Confiante.”

“Eficiente.”

Ela ri novamente. É um som agradável, objetivamente.

Só não é um som que eu vou lembrar amanhã de manhã.

Em algum momento, estamos nos movendo.

Através da multidão. Para fora da porta. Longe do calor e do grave. Não tenho certeza se estou liderando ou se ela está me puxando, mas o resultado é o mesmo. Seus dedos se entrelaçam aos meus — um peso familiar, uma conexão praticada. Ela se move como se tivesse feito isso mil vezes.

Ela provavelmente já fez. Nós dois já fizemos.

“Você é sempre tão difícil de decifrar?”, ela pergunta, olhando por cima do ombro enquanto saímos para o ar frio da noite.

Solto um suspiro que quase parece uma risada. “Você é sempre tão curiosa?”

“Só quando estou interessada.”

Interessada.

Eu mastigo a palavra na minha cabeça, procurando pela faísca que ela deveria acender.

Eu deveria sentir algo. Uma euforia. Antecipação. Qualquer coisa.

Não sinto nada além do frio.

A porta se fecha atrás de nós, e o silêncio é violento.

Por um batimento cardíaco, tudo desacelera. Sem música. Sem Hayes. Sem expectativas dos fãs. Apenas o silêncio.

Então Riley vem para cima de mim.

Suas mãos encontram meu peito, com um toque firme e exigente. Ela sabe exatamente como isso funciona. Ela sabe o papel que devo desempenhar.

Eu deixo.

Eu sempre deixo.

Seus lábios roçam meu maxilar, descendo pelo meu pescoço. Seus dedos se enrolam no tecido da minha camisa, puxando-me como se estivesse tentando encontrar algo escondido sob a superfície. Como se houvesse uma versão secreta de mim esperando para ser descoberta.

Minhas mãos pousam automaticamente em sua cintura. É memória muscular.

Fácil.

Tudo nisso é fácil. O jeito que ela se inclina para mim, o jeito que ela se move como se já tivesse antecipado minha próxima respiração. Não preciso pensar. Não preciso sentir. Só preciso ser o Knox Parker que ela espera.

Eu deveria querer isso.

Essa é a parte que trava na minha garganta. Eu deveria sentir o calor, a fome, o limite de algo real.

Em vez disso, é apenas... uma terça-feira.

É rotina.

Riley inclina a cabeça para trás, olhando para mim com olhos que dizem que sou alguém que vale a pena segurar. Não tenho coragem de dizer a ela que está segurando um fantasma.

Eu não digo absolutamente nada.

Porque isso? Isso é exatamente como sempre acontece.

E esse é o problema.