O Desejo do Rei

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Resumo

Quando um rei e seu braço direito não falam a mesma língua, pessoas capazes tornam-se o problema que eles jamais esperaram enfrentar

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Completo
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16+

Prólogo

Prólogo

O Rei

O rei ouvia enquanto a chuva falava.

Ela batia nas janelas altas do grande salão com toques pacientes e deliberados, como se o próprio céu exigisse uma audiência. Abaixo das janelas, estandartes pendiam rígidos no frio — lobos, cervos, harpas — cada um sendo a marca de um clã que jurava lealdade e praticava a rebeldia na mesma medida.

A Irlanda nunca estava em silêncio. Mesmo na paz, ela murmurava com antigas mágoas.

Ele descansou uma das mãos pesadas no braço do trono. Anéis de ouro pressionavam a pele envelhecida, lembretes de alianças feitas e desfeitas. Daquele assento, ele esmagara rebeliões, sancionara derramamentos de sangue e casara nobres crianças o suficiente para saber que o afeto era uma ferramenta pobre para governar.

O medo era útil, mas passageiro.

A ordem exigia arranjo.

— Tragam-nos para mais perto — disse ele.

O conselho silenciou instantaneamente. Os lordes abaixo do estrado inclinaram-se para frente, com os rostos cuidadosamente controlados. Decretos nunca eram ditos de ânimo leve, muito menos casamentos.

O olhar do rei caiu sobre o mapa espalhado na mesa de carvalho. Seu dedo traçou a costa oeste antes de seguir para o interior, parando em uma passagem estreita marcada por pedra.

Stonehaven Keep.

Ronan MacCarthy a detinha agora. Jovem. Controlado. Um homem inclinado demais à honra para ser confiável com poder ilimitado.

E então havia a garota.

Ava Niruane. Dezessete anos. Quieta o suficiente para passar despercebida. Afiada o suficiente para ser perigosa. As terras de sua família ficavam sobre uma falha que a coroa nunca selara totalmente. Se deixados em paz, poderiam perdurar. Se pressionados demais, iriam se partir.

O rei aprendera que problemas separados perduram. Unidos, eles se resolvem — ou destroem uns aos outros.

— Os proclamas serão lidos — disse ele, com a voz firme e sonora. — Nas terras de MacCarthy e nas de Niruane. Não haverá pressa. O tempo adequado será observado.

Seguiu-se uma pausa. Medida. Deliberada. Misericórdia, concedida.

— Quando esse tempo passar — continuou ele —, Ava Niruane se casará com Ronan MacCarthy. Esta união é decretada pela coroa. Ela será mantida.

Ninguém objetou. Objeção era traição. Silêncio era sobrevivência.

O rei recostou-se, estudando os rostos abaixo dele. Alguns mostravam alívio. Outros, cálculo. Um ou dois já antecipavam o lucro.

Bom.

Que especulem sobre quem este casamento deveria salvar.

Que debatam se a garota temperaria o lorde, ou se o lorde a consumiria inteiramente. Que falem de paz e unidade.

O rei sabia melhor.

Casamentos não traziam paz. Eles revelavam falhas. Eles forçavam a lealdade a vir à tona e exigiam escolhas onde antes vivia a ambiguidade.

E quando essas escolhas levassem à ruptura — quando o amor, a ambição e o medo separassem homens e mulheres — a coroa estaria esperando para reivindicar o que restasse.

A chuva batia com mais força contra o vidro.

O rei sorriu, levemente.

— Certifiquem-se de que os emissários partam ao amanhecer — disse ele. — Não permitirei que o destino seja adiado.