Capítulo 1
A vida tem um jeito próprio de seguir seu rumo, muitas vezes desviando da trajetória que planejamos. Para Emery Monroe, as manhãs eram um turbilhão de atividades, e hoje não foi diferente. Ela corria pelo quarto, com a luz do sol entrando pelas cortinas e iluminando a bagunça de roupas espalhadas e pilhas de livros. Sua mente estava a mil, pensando no dia que tinha pela frente: uma prova importante de ciências que definiria sua nota na matéria, e o peso daquilo pressionava seus ombros.
— Emery! Precisamos ir! — a voz de Landon chamou lá de baixo, misturando urgência e animação. O som rítmico dos seus sapatos no piso de madeira ecoava pela casa, um sinal claro de que ele já estava a postos. Com um último olhar no espelho para ajeitar o cabelo, ela colocou a mochila em um ombro e disparou escada abaixo, com o coração batendo forte, entre a expectativa e um pouco de ansiedade.
Na cozinha, o aroma de café fresco se misturava ao cheiro de torrada, criando um cenário reconfortante para o caos matinal. Noah estava no balcão, com a testa franzida em concentração enquanto servia o café fumegante em três canecas diferentes. Ele olhou para o relógio, cujos ponteiros avançavam com uma precisão implacável. — A gente realmente precisa acordar mais cedo — murmurou ele, com a voz carregada de frustração.
— Com certeza — respondeu Emery, com um sorriso brincalhão surgindo nos lábios apesar da correria. Ela pegou o prato de muffins que a mãe deles tinha deixado no balcão. Eram seus favoritos: muffins de mirtilo fofinhos, ainda quentes saindo do forno. Com um movimento rápido, ela jogou três para seus irmãos, que os pegaram no ar com uma facilidade impressionante, e o riso encheu a sala como música.
— Beleza, vamos nessa! — declarou Landon, com os olhos brilhando pela emoção do dia que estava por vir. Ele pegou sua mochila e foi para a porta; a promessa de aventura acendia uma faísca em seu comportamento. Emery e Noah seguiram logo atrás, com seus passos ecoando em uníssono enquanto saíam para o ar fresco da manhã, o mundo lá fora fervilhando com os sons de um novo dia.
Assim que chegaram ao carro, Emery entrou no banco de trás, sentindo o conforto familiar do estofado desgastado. Era um espaço pequeno, cheio de lembranças: os resquícios de inúmeras viagens em família, conversas tarde da noite e as ocasionais brigas entre irmãos. Ela tirou suas anotações de ciências, com as páginas cheias de diagramas, fórmulas e lembretes rabiscados às pressas. O dia de hoje parecia decisivo; a prova pairava sobre ela como uma sombra, e ela queria entrar naquela sala preparada, não apenas por ela, mas por Noah também.
— Você estudou para a prova de ciências? — perguntou Noah, virando-se para olhá-la com um sorriso zombeteiro nos lábios. Sua expressão brincalhona era uma distração bem-vinda para o nervosismo de Emery.
— É claro! Está tudo aqui — disse ela, balançando suas anotações com uma falsa valentia. Aquela brincadeira leve ajudou a aliviar a tensão que vinha crescendo dentro dela.
— Bom, porque estou contando com a sua ajuda mais tarde — respondeu ele, fingindo seriedade, mas sem conseguir segurar uma risada.
— Às vezes, Noah, me surpreende que é a Emery quem é 11 meses mais nova — comentou Landon, com um sorriso de lado no rosto.
— O quê? Eu tinha jogos para jogar, coisas para fazer. Eu não estudei! — Noah rebateu, com um tom dramático, como se a simples ideia de estudar fosse uma ofensa pessoal. Ele se encostou no banco, cruzando os braços de forma desafiadora, com um brilho divertido nos olhos.
— Esse é exatamente o meu ponto — disse Landon, cruzando os braços com uma autoridade fingida. — Enquanto a Emery estava com a cara nos livros, você estava ocupado subindo de nível nos seus videogames.
Noah revirou os olhos. — Ei, esses jogos exigem estratégia! Não é como se eu estivesse só perdendo tempo. Eu estava aprimorando minhas habilidades.
— Claro, se você considerar derrotar monstros virtuais a mesma coisa que tirar um dez em uma prova de ciências — provocou Emery, tentando manter o clima leve. Mas, por baixo das risadas, ela sentia uma corrente mais profunda. Noah frequentemente escolhia a diversão em vez dos estudos, uma decisão que às vezes a preocupava, especialmente porque ele estava no penúltimo ano e ela ainda era uma segundanista tentando encontrar seu caminho no ensino médio.
— Olha, eu vou me dar bem — disse Noah, dando de ombros como se afastasse a preocupação. — Eu tenho uma boa memória. Vou improvisar. Sempre faço isso. — Sua confiança era evidente, mas Emery sabia que aquilo era uma faca de dois gumes. Embora ele tivesse conseguido se virar no passado, esse material parecia mais complexo, e ela conseguia ver as rachaduras em sua bravata.
— Eu entendo que você é bom em pensar rápido, mas ciências é diferente. Você não pode simplesmente adivinhar as reações químicas — disse ela seriamente, tentando transmitir a gravidade da situação.
— Relaxa, Emery! Você se preocupa demais — respondeu Noah, com uma risada escapando de seus lábios. — Além disso, tenho você para me dar cobertura, né? Você é tipo meu guia de estudos particular. — Ele piscou para ela, tentando melhorar o humor da irmã.
— Mas e se eu não for o bastante? E se você precisar saber algo que eu não cobri? — insistiu ela, com sua preocupação vindo à tona. — Você não pode depender de mim para carregar o peso das nossas notas!
— Olha, eu vou dar um jeito — disse Noah, mudando o tom de brincalhão para defensivo. — Posso não ter estudado como você, mas sei pensar criticamente. Vou ligar os pontos quando precisar.
Landon, percebendo a tensão, interveio: — Que tal isso: se você não passar, me deve uma pizza. Se passar, eu te devo uma. Fechado?
Os olhos de Noah brilharam ao mencionar comida. — Fechado! Agora tenho ainda mais motivação.
Enquanto Landon acelerava o motor, o carro vibrou com energia, e os irmãos se ajeitaram em seus assentos, com as risadas surgindo novamente. Naquele momento, Emery não pôde deixar de admirar o espírito despreocupado de Noah, mesmo que às vezes beirasse a imprudência. Enquanto ela sentia o peso da responsabilidade como uma segundanista enfrentando seus próprios desafios, ele parecia flutuar acima de tudo, impulsionado pela confiança e pelo charme.
O sol subiu no céu, lançando um brilho dourado sobre tudo, e eles partiram, prontos para enfrentar os desafios do dia. A estrada à frente se estendia como uma tela em branco, uma metáfora para a jornada imprevisível da vida. Por enquanto, eles estavam juntos, atravessando-a uma aventura de cada vez, com seus laços de irmãos mais fortes do que qualquer nota de prova.