O QUE MEU EX FEZ COM MINHA MELHOR AMIGA

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Resumo

O amor deveria ser simples — até que a traição mudou tudo. *O Que Meu Ex Fez Com Minha Melhor Amiga* é a história emocionante de uma jovem presa em um doloroso triângulo de amor, confiança e desilusão. Quando as duas pessoas em quem mais confiava cruzam uma linha que ela jamais imaginou, seu mundo começa a desmoronar. Dividida entre a raiva e sentimentos que insistem em não desaparecer, ela precisa encontrar forças para encarar a verdade e se redescobrir. À medida que as emoções colidem e segredos vêm à tona, ela aprende que, às vezes, perder os outros é a única maneira de encontrar seu próprio valor e recomeçar.

Gênero
Romance
Autor
Pseudonym
Status
Completo
Capítulos
21
Classificação
n/a
Classificação Etária
13+

Capítulo Um: O Começo de Tudo

A 3ª temporada já está disponível. Ela acreditava no amor do mesmo jeito que acreditava no nascer do sol — não porque tinha estudado o assunto, não porque alguém a tinha ensinado, mas porque, todas as manhãs da sua vida, ele estava ali. Inquestionável. Inabalável. Absoluto.

Seu nome era Mira, e, aos vinte e três anos, ela tinha construído uma vida que, vista de fora, parecia um pequeno milagre. Um apartamento ensolarado num canto tranquilo da cidade. Um emprego numa editora, onde sua mesa ficava de frente para um carvalho teimoso que se recusava a morrer. Um namorado chamado Liam, que às vezes olhava para ela como se ela fosse a resposta para uma pergunta que ele nem sabia que estava fazendo. E uma melhor amiga chamada Sloane, que estava ao seu lado desde os quatorze anos, quando dividiram fones de ouvido num ônibus escolar e decidiram, com a autoridade casual de adolescentes, que envelheceriam juntas.

Mira não acreditava em destino. Não acreditava em almas gêmeas nem em nenhuma daquelas ideias grandiosas e cinematográficas que as pessoas usam para explicar o inexplicável. Mas acreditava nas pequenas coisas. Na textura de uma manhã. No peso de uma mão na sua cintura. No jeito como Liam se lembrava de que ela não gostava de azeitonas na massa. No jeito como Sloane aparecia na sua porta com comida e sem perguntas nas noites em que o mundo parecia pesado demais.

Ela acreditava na arquitetura da gentileza cotidiana. Na estrutura invisível que mantinha uma vida de pé.

E, justamente por acreditar nisso, nunca pensou em verificar se estava rachando.

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Eles se conheceram no outono do terceiro ano dela, durante uma tempestade que deixou metade da cidade sem luz.

O Copper Mug era um café pequeno numa rua por onde ela nunca tinha passado, um lugar onde entrou só porque a chuva chegou de repente e ela estava sem guarda-chuva. As janelas embaçaram por completo. O ar cheirava a lã molhada, café queimado e aquele doce azedo do desespero que gruda em lugares lotados durante tempestades.

Havia gente por todo lado — ombro com ombro, estranhos transformados em íntimos pela inconveniência. Mira tinha pegado a última mesa vazia, uma pequena mesa para dois perto da janela, e estava tomando um latte que já tinha esfriado quando levantou os olhos e o viu.

Ele estava perto da porta, pingando no chão, com uma expressão levemente irritada e profundamente desconfortável. Era alto de um jeito que parecia acidental, com cabelo escuro que enrolava nas pontas e mãos que pareciam pertencer a alguém que construía coisas. Não estava tentando chamar atenção. Esse foi o primeiro detalhe que Mira notou nele.

Ela não sabia por que levantou a mão. Não era o tipo de pessoa que convidava estranhos para sentar com ela. Era cuidadosa. Reservada. Tinha aprendido, há muito tempo, que o mundo não dá nada de graça.

Mas algo na quietude dele, na recusa silenciosa de abrir caminho à cotovelada como todo mundo, a fez agir.

— Você parece estar se afogando — ela disse quando ele se virou. — E eu tenho uma cadeira vazia.

Ele a olhou por um longo momento. Tempo suficiente para ela quase desviar o olhar. Então sorriu — não um sorriso largo e ensaiado, mas um pequeno e surpreso, como se ela tivesse contado uma piada que ele não esperava entender.

— Sou o Liam — ele disse, puxando a cadeira.

— Mira.

Ele se sentou. Água pingava da jaqueta no chão. Nenhum dos dois se importou.

Conversaram por três horas. A luz piscou duas vezes. A chuva não parou. Ele contou que estudava arquitetura, que desenhava prédios como outras pessoas escreviam diários, que tinha se mudado para a cidade dois anos antes e ainda não sabia como chamá-la de lar. Ela contou que queria trabalhar com livros, segurar histórias nas mãos e mandá-las para o mundo, que tinha medo de desejar coisas demais porque desejar significava a possibilidade de perder.

Ele não riu. Não desviou o olhar. Apenas assentiu e disse: — É. Eu conheço essa.

Quando as luzes voltaram e a chuva finalmente amenizou para uma garoa, algo já tinha mudado entre eles. Ainda não era amor. Era o chão por baixo do amor — a base silenciosa e essencial que a maioria das pessoas só percebe quando começa a rachar.

Ele a acompanhou até em casa naquela noite. Não deram as mãos. Não se beijaram. Parou na porta dela, enfiou as mãos nos bolsos e disse: — Gostaria de te ver de novo. Se você quiser.

Ela disse que sim. Disse tão rápido que quase se envergonhou.

Isso foi há três anos.

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Três anos de mensagens matinais e ligações tarde da noite. Três anos de brigas por nada e desculpas com tudo. Três anos aprendendo a geografia dos corpos um do outro — o ponto atrás da orelha dele que o fazia tremer, o jeito como ela se encolhia nele durante o sono, como uma pergunta em busca de resposta.

O amor deles não era fogos de artifício. Era uma chama baixa e constante. E, por três anos, essa chama tinha sido suficiente.

Liam não era do tipo que fazia grandes gestos. Era do tipo que se lembrava. Lembrava que ela não gostava de azeitonas na massa. Lembrava o nome do cachorro da infância dela, um terrier peludo chamado Pip, que tinha morrido quando ela tinha doze anos. Lembrava que ela chorava com comerciais, que não conseguia dormir sem um livro na mão, que secretamente acreditava que morreria sozinha não porque fosse incapaz de amar, mas porque era boa demais em ir embora antes que alguém a deixasse.

Ele lembrava de tudo isso e, mesmo assim, ficou.

Era por isso que ela o amava. Não porque ele fosse perfeito — não era. Esquecia aniversários. Deixava as meias no chão. Tinha um temperamento que se manifestava em palavras afiadas, das quais sempre se arrependia. Mas ele ficava. Dia após dia, mês após mês, ano após ano, ele ficava.

Ela achava que aquilo significava alguma coisa. Achava que significava tudo.

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Depois, havia a Sloane.

Sloane estava na vida de Mira desde os quatorze anos, duas garotas à beira da vida adulta, apavoradas e eufóricas na mesma medida. Tinham crescido juntas como trepadeiras — entrelaçadas, indistinguíveis em alguns pontos, a história de uma entrelaçada na da outra. Sloane sabia dos ataques de pânico que Mira teve na faculdade, aqueles que escondeu de todo mundo, até de Liam, por quase um ano. Sabia da noite em que o pai de Mira recebeu o diagnóstico, do jeito como o telefone caiu da mão dela, do som que ela fez, algo entre um grito e um soluço.

Sloane foi a primeira pessoa que Mira ligou depois daquele telefonema. A primeira a aparecer. A que ficou com ela na sala de espera do hospital por onze horas, sem dizer nada, apenas segurando sua mão.

Era assim que Sloane era. Ou assim que Mira achava que ela era.

Sloane era linda como uma tempestade — imprevisível, elétrica, impossível de desviar o olhar. Tinha cabelo ruivo que nunca tingiu, olhos verdes que podiam cortar ou consolar dependendo do humor, e uma risada que enchia qualquer ambiente até não sobrar espaço para mais nada. Ria alto demais, ficava acordada até tarde demais e beijava os homens errados com as intenções erradas. Tinha sido demitida de três empregos e terminado com quatro namorados sem nunca se desculpar por nada.

Mira a amava por tudo isso. Amava porque Sloane nunca a fez se sentir pequena. Porque Sloane olhava para a vida quieta, cautelosa e cuidadosa de Mira e nunca dizia "você deveria viver mais". Apenas sentava ao lado dela, vivia sua vida barulhenta e deixava Mira existir exatamente como era.

Por dez anos, aquilo tinha sido suficiente.

Por dez anos, Mira acreditou que Sloane era a única pessoa no mundo que nunca a magoaria.

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Quando Liam e Sloane se tornaram amigos — genuínos, descontraídos, quase como irmãos —, Mira não sentiu nada além de alívio.

Claro que ela os apresentou. Era inevitável. As duas pessoas mais importantes da sua vida estavam fadadas a se conhecer, a se conectar, a formar um relacionamento independente dela. Ela incentivou. Empurrou os dois um para o outro, fez planos para os três, mandou mensagens dizendo "vocês dois deviam sair sem mim um dia, acho que vão se dar bem".

E eles se deram. Se deram tão bem que, às vezes, Mira se sentia como uma terceira roda na própria vida.

Mas não se importava. Dizia a si mesma que era lindo. As pessoas que ela mais amava no mundo também se amavam. Aquilo não era uma ameaça. Era um presente.

Não viu o primeiro olhar que durou um segundo a mais.

Não percebeu como Liam ria mais das piadas de Sloane do que das de qualquer outra pessoa.

Não registrou o silêncio que às vezes caía entre eles quando ela saía da sala — um silêncio que não era vazio, mas cheio. Cheio de palavras não ditas, de frases começadas e interrompidas, de uma tensão que não tinha para onde ir.

Não viu nada disso. Porque ver significaria admitir que o mundo que tinha construído não era tão sólido quanto acreditava. E ela não estava pronta para admitir aquilo.

Ainda não.

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O apartamento que dividia com Liam era pequeno, mas claro.

O piso da cozinha pegava a luz da manhã exatamente às 8h15, um retângulo dourado que se movia devagar pelos azulejos até desaparecer na sombra da geladeira. Ela tinha mapeado esse fenômeno ao longo de três anos, observando como a luz mudava com as estações, e o amava com uma devoção silenciosa e particular.

Amava outras coisas também. A vela de jasmim que acendia todas as noites. A estante da sala, transbordando de romances que já tinha lido e outros que guardava para depois. A caneca azul de cerâmica que Liam lhe deu sem motivo algum, numa terça-feira, só porque a viu na vitrine de uma loja e pensou nela.

Amava as rotinas que tinham criado. O jeito como ele fazia chá sem precisar pedir. O jeito como ela dobrava as meias dele do jeito que ele gostava, mesmo achando bobagem. O jeito como podiam ficar horas no mesmo cômodo, sem falar, cada um no seu mundo, e ainda assim se sentirem conectados.

Nunca tinha sido boa com rotinas antes de Liam. Era dispersa, esquecida, propensa a se perder. Mas ele a ancorou. Deu-lhe um centro. E ela lhe deu tudo em troca.

Era esse o acordo, pelo menos na cabeça dela. Você dá. Você recebe. Vocês constroem juntos algo que nenhum dos dois conseguiria sozinho.

O que ela não sabia, na época, era que algumas pessoas constroem sobre areia.

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Na última terça-feira comum da sua vida antiga, Mira estava sentada no sofá, com as pernas encolhidas embaixo do corpo, um romance surrado aberto no colo e o celular virado para baixo ao lado.

O apartamento cheirava a jasmim e papel velho. A chuva batia na janela — suave, insistente, quase musical. O tipo de chuva que faz a gente querer ficar exatamente onde está.

Liam estava no trabalho. Tinha mandado uma mensagem três horas antes: *Noite longa. Não me espere.* Ela nem pensou duas vezes. Ele era arquiteto. Noites longas faziam parte. Projetos não se desenhavam sozinhos.

Sloane estava num encontro do outro lado da cidade com um cara chamado Derek, alguém que ela descreveu como *"tá bom, acho, mas ele tem dois cachorros e não confio em homem que dá nome de personagem de Star Wars pros bichos"*. Mira riu. Disse para Sloane ser boazinha. Sloane respondeu com um emoji de piscadinha e mais nada.

O apartamento estava quieto. O tipo de silêncio que parece uma respiração presa.

Mira virou uma página. Não estava realmente lendo — sua mente divagava, voltando sempre para lugar nenhum. Pensou no que fazer para o jantar. Pensou num prazo no trabalho. Pensou nas mãos de Liam, no jeito como elas se encaixavam na sua cintura, e sorriu sem motivo.

Ela não fazia ideia.

Não fazia ideia de que Liam tinha saído do escritório duas horas antes.

Não fazia ideia de que o encontro de Sloane tinha sido cancelado.

Não fazia ideia de que as duas pessoas que mais amava no mundo não estavam onde deveriam estar.

Não fazia ideia de que, em menos de quarenta e oito horas, tudo em que confiava se revelaria feito de vidro.

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Mais tarde, ela voltaria a pensar nessa terça-feira. Revisitaria o momento na cabeça mil vezes, procurando pistas que tinha sido cega demais para enxergar. Lembraria do peso do cobertor. Do som da chuva. Do jeito como virou uma página que nunca conseguiria se lembrar de ter lido. Do jeito como sorriu sem motivo.

Lembraria que tinha sido feliz — genuinamente, quietamente, completamente feliz — e se odiaria por não ter percebido que era a última vez.

Mas isso viria depois. O ódio. As revisões. A desconstrução lenta e agonizante de tudo o que achava que sabia.

Por enquanto, Mira virou outra página. A chuva continuava caindo. A vela de jasmim queimava baixo. E, em algum lugar do outro lado da cidade, num apartamento que cheirava ao perfume de outra pessoa, as duas pessoas que ela mais amava começavam uma conversa que destruiria o mundo dela.

Não foi planejado. Esse era o pior. Não foi um esquema. Não foi uma conspiração. Foi só duas pessoas que passaram tempo demais sozinhas, que compartilharam segredos demais, que se olharam uma vez a mais e finalmente pararam de desviar o olhar.

Quando Mira fechou o livro e esticou os braços acima da cabeça, quando checou o celular e não viu mensagens novas, quando adormeceu no sofá com a chuva ainda caindo e a vela finalmente apagando — o estrago já estava feito.

Ela só não sabia ainda.

E isso, mais do que qualquer outra coisa, era a parte mais cruel de todas.

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Naquela noite, sonhou com nada em particular. Apenas fragmentos. Uma porta que não fechava. Uma janela que não abria. Uma voz chamando seu nome de longe, mas, quando se virava, não havia ninguém.

Acordou às 3h da manhã com o som de uma chave na fechadura.

Liam entrou em silêncio, movendo-se no escuro com a discrição de quem já tinha feito aquilo muitas vezes. Não acendeu a luz. Não verificou se ela estava acordada. Apenas caminhou até o quarto, os passos leves no piso de madeira, e fechou a porta atrás de si.

Mira ficou imóvel no sofá, o coração batendo mais rápido do que deveria.

Não sabia por que estava acordada. Não sabia por que não o chamou. Não sabia por que o som da chave na fechadura tinha feito seu estômago se contrair com algo que não era bem medo, nem bem desconfiança.

Disse a si mesma que estava sendo boba. Disse a si mesma para voltar a dormir.

Mas ficou ali, olhando para o teto, até a primeira luz da manhã começar a se infiltrar pela janela.

E, em algum momento daquela hora cinzenta e suspensa entre a noite e o dia, sentiu algo mudar.

Não a base. Ainda não.

Apenas um grão de areia, escapando por entre seus dedos.

O começo do fim.

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Só encontraria o elástico de cabelo uma semana depois.

Só ouviria a verdade dali a duas.

Mas naquela terça-feira, naquele apartamento, com a chuva caindo e o jasmim queimando baixo, a história já tinha começado a se escrever. Os personagens já tinham feito suas escolhas. A traição já tinha criado raízes, crescendo no escuro como algo que sempre esteve ali, esperando as condições certas para florescer.

Mira não sabia de nada disso.

Virou-se no sofá. Puxou o cobertor até o queixo. Fechou os olhos.

E, em algum lugar do outro lado da cidade, no apartamento que cheirava ao perfume de outra pessoa, as duas pessoas que ela mais amava adormeciam nos braços uma da outra, já planejando como esconderiam aquilo dela.

Foi assim que tudo começou.

Não com um estrondo. Não com uma confissão.

Com uma terça-feira. Com chuva. Com uma garota que acreditava no amor como acreditava na gravidade, e duas pessoas que provaram que ela estava errada.

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