Soberano da Lua de Sangue

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Resumo

Um casamento para encerrar uma guerra. Um laço que pode iniciar outra. Para evitar um conflito secular, a princesa lobisomem Nova Wildthorn é sacrificada em casamento a Tristan Ebonhart, o antigo Rei Vampiro. Ela é puro fogo desafiador e instintos indomáveis. Ele é séculos de gelo e uma calma inabalável. Eles esperam uma farsa política. Uma gaiola dourada de ódio mútuo. O que eles encontram é um vício. Desde o primeiro momento, uma fome perigosa se incendeia. O sangue dela chama por ele como o canto de uma sereia, um elixir potente e proibido. O controle frio dele é a única coisa que ela deseja destruir. A fúria de ambos é tão volátil quanto o desejo, e eles usam o corpo um do outro como campo de batalha e refúgio. Mas quando um inimigo fanático de dentro da corte de Tristan decide destruir a união deles, eles descobrem uma verdade mais profunda do que tratados ou traições: um laço de acasalamento primitivo que os torna mais fortes juntos do que jamais foram separados. Agora, presos entre o ódio de seus povos e um amor que reescreve as leis de seu mundo, eles precisam lutar não apenas para sobreviver, mas para reivindicar um destino que pode destruir um império — ou forjar um novo. Em um mundo onde a primeira guerra foi uma história de amor, esta também será.

Gênero
Romance
Autor
Ember Wilds
Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
5.0 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

O ar no Grande Salão da Corte Lupina parecia denso o suficiente para ser mastigado. Tinha gosto de terra úmida, madeira velha e do cheiro baixo e sufocante das tochas que queimavam em arandelas de ferro ao longo das paredes. Este era o coração da alcateia, um lugar esculpido na própria floresta viva, onde árvores enormes e ancestrais serviam como pilares e o chão era de terra batida, desgastada por gerações de patas. Esta noite, parecia menos um coração e mais uma caixa torácica.

Nova estava no centro do círculo de anciãos, com os punhos cerrados tão fortemente que suas unhas cravavam em suas palmas. O peso de seus olhares, dezenas de pares de olhos em tons de âmbar, castanho e cinza-aço, era uma pressão física. Eles estavam sentados em bancos de pedra rústica — um júri silencioso e crítico. Mas eram as duas figuras no estrado elevado, na cabeceira do salão, que prendiam sua atenção.

Seu pai, o Rei Alfa, era um homem do tamanho de uma montanha, com a barba sendo um emaranhado cinzento e selvagem, e o rosto um mapa de batalhas antigas. Ao lado dele, sua mãe, a Rainha Alfa, fora esculpida de uma pedra diferente; magra, severa, com olhos que guardavam a paciência arrepiante de um predador. Entre eles, em uma placa simples de granito, estava o tratado.

Era uma única folha de pergaminho pálido. O selo era de cera preta, carimbado com o brasão da Casa Ebonhart: um coração estilizado e espinhoso. Era uma obscenidade naquele lugar de vida e natureza selvagem.

“Isso é loucura”, disse Nova, sua voz rompendo o silêncio pesado. Não foi um grito, ainda não, mas o tremor de fúria em sua voz foi o suficiente para fazer o ancião mais próximo se encolher. “Vocês estão me pedindo para virar uma égua reprodutora para uma criatura da noite e da poeira. Um sacrifício político.”

“Cuidado com a língua, filha”, resmungou seu pai, com a voz como pedras se triturando. Ele não olhou para ela; seu olhar estava fixo em algum ponto além do salão, como se já aceitasse o inevitável.

“Ou o quê?”, ela retrucou, com a barreira de seu controle finalmente se rompendo. “Você vai me vender para um vampiro para me dar uma lição? Bem, é tarde demais, a lição foi aprendida. Minha própria alcateia, minha própria família, me vê apenas como uma moeda de troca.”

“Você não é uma moeda de troca, Nova”, disse sua mãe, com a voz perigosamente suave. “Você é uma chave. A única que pode trancar uma porta antes que ela seja escancarada para uma guerra que não podemos vencer.”

“Uma guerra que não teríamos se vocês não tivessem passado o último século posando e rosnando em suas fronteiras!” Nova gesticulou freneticamente para o tratado, com movimentos bruscos e desesperados. “Vocês falam deles como se fossem homens. Eles não são. Eles são estátuas que bebem a vida. Eles não sentem nada. Eles não são nada.”

“E é por isso que você estará segura”, disse seu pai, finalmente voltando seu olhar pesado para ela. “Ele não vai te machucar. Você é o tratado. Ferir você é quebrar a paz que ele deseja tanto quanto nós.”

“Deseja?”, Nova riu, um som áspero e feio. “Ele deseja nossas terras, nossos recursos, nossa submissão! E vocês estão entregando tudo a ele da forma mais pública possível. Vocês estão entregando a filha do Alfa em uma bandeja de prata!”

“É o único jeito”, insistiu sua mãe, levantando-se de seu trono. Sua presença preencheu o salão, uma onda de autoridade Alfa que fez Nova querer expor sua garganta em submissão. Ela lutou contra isso, com seu lobo rosnando dentro dela. “As escaramuças não são mais escaramuças. Eles armaram suas patrulhas com virotes de ponta de prata. Nossos caçadores estão voltando em mortalhas. Os humanos estão ficando curiosos. Se isso escalar para uma guerra aberta, seremos expostos. Seremos caçados até a extinção. É esse o futuro que você quer para o nosso povo?”

“Não! Mas isso não é uma solução, é uma rendição!” A voz de Nova subiu para um grito real agora, ecoando na madeira viva. “Vocês estão me pedindo para me deitar com um monstro! Para carregar seus filhos! Para me tornar...”. Sua voz falhou. “O quê?”

A palavra final pairou no ar, uma acusação contra todos eles. Os anciãos se remexeram desconfortáveis, seu silêncio um acordo condenatório. O rosto de seu pai endureceu, e os últimos vestígios de calor paternal congelaram.

“Você irá”, disse ele, com a voz desprovida de qualquer emoção. Não era um pedido. Não era uma negociação. Era uma ordem de um Alfa para um membro de sua alcateia. “Você será a rainha dele. Você garantirá essa paz. Você cumprirá seu dever. Você me entendeu?”

Lágrimas de pura e impotente fúria queimaram atrás de seus olhos, uma maré quente e cortante, mas ela se recusou a deixá-las cair. Ela olhou do rosto de pedra de seu pai para a fria determinação de sua mãe. Eles já tinham tomado sua decisão. Ela era apenas o preço. Uma traição, fria e afiada como uma lasca de gelo, atravessou sua raiva, deixando um vazio doloroso em seu rastro.

“Por favor”, sussurrou ela, com o resto de sua luta se esvaindo em um pedido desesperado. “Não façam isso.” Seu pai levantou-se, sua sombra imensa caindo sobre ela. Ele olhou para baixo, não como seu pai, mas como o Alfa que precisava tomar uma decisão impossível pela sobrevivência de seu povo.

“Você parte ao amanhecer.”

A pesada porta de carvalho de seus aposentos não apenas fechou; ela bateu. O som foi um tiro no silêncio repentino, uma pontuação física para o fim de sua vida como ela a conhecia. Nova ficou por um momento, com as costas pressionadas contra a madeira, o peito arfando. O ar em seu quarto era dela, perfumado com agulhas de pinheiro vindas da janela aberta, o cheiro limpo e cortante da pedra de amolar que ela usava em suas lâminas e o odor fraco e almiscarado da pele de urso jogada sobre sua cadeira. Era o perfume da liberdade. Agora, parecia o de um lar do qual ela estava prestes a ser despejada.

Com um grito gutural, ela se afastou da porta e jogou uma pequena mesa esculpida longe. Ela colidiu contra a parede de pedra, despedaçando-se em gravetos. Um jarro de barro com água quebrou no chão, o som foi chocantemente alto. Ela era uma tempestade, um turbilhão de fúria e desespero, e precisava quebrar algo antes que ela mesma se quebrasse.

A porta rangeu e se abriu. Kieran estava lá, com a mão no punho de sua espada, seus olhos cautelosos observando a destruição. Ele não se encolheu diante da raiva dela; ele a vira centenas de vezes antes. Ele simplesmente entrou e fechou a porta, selando os dois dentro do caos.

“Ele nem olhou para mim”, ela rosnou, com a voz rouca de tanto gritar. Ela percorreu o comprimento do quarto, com suas botas estalando sobre a cerâmica quebrada. “Não como sua filha. Apenas como um... um ativo estratégico. Uma égua reprodutora para um cadáver.”

“Ele olhou para você como um rei tentando salvar um reino que ele não consegue mais proteger”, disse Kieran suavemente, sua voz um contraponto baixo e constante à tempestade dela. Ele se encostou na parede, com os braços cruzados, dando a ela espaço para queimar. “Isso não é sobre você, Nova. É sobre todos nós.”

“Nem ouse”, ela se virou para ele, com os olhos brilhando em ouro. “Nem ouse usar ‘todos nós’ para justificar isso. Eles estão me vendendo para uma coisa que bebe a vida de um cálice e chama isso de civilização.”

“Ele não é uma ‘coisa’, e você sabe disso”, Kieran rebateu, com a voz se firmando. “Ele é um rei. Tão velho quanto as montanhas. Dizem que a linhagem dele governava essas terras quando as primeiras árvores desta floresta eram mudas.” Ele se desencostou da parede e começou a endireitar uma cadeira caída, com movimentos calmos e metódicos. “E esta guerra... não é mais apenas encenação. Você ouviu sua mãe. Os virotes de prata. Isso é uma declaração.”

“É uma provocação!”, ela retrucou, chutando a perna da mesa estilhaçada. “Eles lutam há tanto tempo que ninguém mais lembra o porquê. É apenas... ódio. Uma doença passada de pai para filho, de mãe para filha.”

“Talvez”, Kieran admitiu. “Mas é uma doença com dentes. Minha patrulha encontrou três dos nossos caçadores na semana passada. Não foram apenas mortos. Foram mutilados. Deixados como uma mensagem na fronteira. Os vampiros estão ficando mais ousados. E estamos perdendo mais do que apenas caçadores.” Ele olhou para ela, seu olhar pesado com uma verdade que ela não queria ouvir. “Estamos perdendo a próxima geração para essa disputa sem fim e inútil. Seus pais estão tentando estancar o sangramento. Mesmo que signifique cortar o próprio coração para fazer isso.”

Suas palavras, calmas e lógicas, eram piores do que as ordens de seu pai. Elas eram a verdade. E a verdade era uma prisão por si só. A raiva de Nova esvaziou, deixando um vazio profundo e dolorido. Ela se sentou na beira da cama, com a luta drenando-se dela.

Uma batida firme e formal ecoou na porta. Antes que Nova pudesse responder, ela se abriu, e um mensageiro no uniforme cinza e verde formal da guarda da casa do Alfa entrou. Ele segurava uma pequena bandeja de prata. Nela jazia um único pergaminho de velino, selado com cera preta. O brasão Ebonhart, um coração preto envolto em espinhos, parecia pulsar sob a luz das tochas.

“Princesa Nova”, disse o mensageiro, com os olhos fixos no chão. Ele estendeu uma pena e um pequeno tinteiro. Nova encarou o pergaminho. Parecia sua sentença de morte. Seu futuro, sua prisão. Com um rosnado que era mais loba do que mulher, ela pegou a pena, destampou o tinteiro com os dentes e rabiscou seu nome no final do documento. A tinta era preta, como o coração do vampiro. Como o seu futuro.

O mensageiro fez uma reverência e se retirou, deixando-a sozinha com Kieran e a finalidade esmagadora de sua assinatura.

“Está feito”, ela sussurrou, o som engolido pelo quarto vasto e vazio. O uivo em sua cabeça havia cessado. Agora, restava apenas o silêncio.