Arrastada para a Idade da Pedra

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Resumo

Um homem das cavernas que pega o que quer acaba tendo "irmãos" que fazem o mesmo. Aviso prévio: esta história provavelmente será um pouco cringe, e tudo bem! Você não é obrigado a ler. Dark romance com comédia. Ainda bem dark, para ser sincera! Uma mulher desesperada por amor procura uma bruxa para encontrar sua alma gêmea. A bruxa lhe dá uma poção, e ela acorda em uma floresta. Achando que a bruxa a abandonou e roubou seus pertences — incluindo seu dinheiro —, ela fica furiosa. Ela começa a gritar, mas logo descobre que está presa na Idade da Pedra, ou algo bem próximo disso.

Status
Completo
Capítulos
19
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

LARPing

Acordei com terra na boca e uma dor de cabeça pulsante, que parecia a pior ressaca da minha vida.


Gemendo, apoiei-me nos cotovelos, cuspindo folhas e piscando por causa da luz do sol que cortava as árvores.


A manga do meu suéter estava rasgada, meu jeans estava imundo e minhas botas favoritas estavam arranhadas, como se eu tivesse sido arrastada pela lama.


O pior de tudo: minha bolsa tinha sumido. Celular, carteira, chaves, a nota de vinte dólares de emergência que eu sempre deixava atrás do meu documento... tudo. Sumiu.


"Aquela bruxa maldita", rosnei, levantando-me com dificuldade. "Madame Vesper, sua ladra desgraçada! Você me dopou e me jogou aqui como lixo!"

Girei em círculos, com o peito apertado de raiva.


"Eu te dei cada centavo que tinha! Você me prometeu amor, não um sequestro do caralho! Devolva minhas coisas!"

Minha voz ecoou nas árvores enormes, mas ninguém respondeu. Apenas pássaros, o vento e o barulho de algo pequeno se movendo no mato. Eu estava no fundo de uma floresta, muito mais densa do que qualquer parque que eu já tivesse visto. Sem trilhas, sem lixeiras e sem o zumbido distante de carros. Nada além de verde, marrom e árvores demais.


Perfeito. Roubada e abandonada no meio do nada.


Coloquei as mãos em volta da boca e gritei mais alto: "Volte aqui e encare-me, sua velha vigarista! Eu juro por Deus que vou..."


Um galho quebrou atrás de mim.


Virei-me rapidamente, com os punhos cerrados, pronta para atacar a bruxa ou quem quer que a estivesse ajudando.


Não era a bruxa.


Era um homem.


Um homem muito alto e musculoso, parado a menos de seis metros de mim. Ele usava o que parecia ser uma colcha de retalhos de peles de animais, couro grosso costurado com cordas resistentes. Uma capa pesada de pele pendia sobre um ombro, e em sua cintura havia um cinto de corda trançada segurando uma faca de pedra e algumas bolsas pequenas. Seu longo cabelo escuro estava preso para trás com uma tira de couro, e marcas de tinta vermelha e preta pintavam seu rosto e braços nus. Em uma das mãos, ele carregava uma lança de madeira com a ponta de sílex afiada.


Que...


Ele me encarou como se eu fosse a coisa mais estranha que ele já tinha visto.


Logo ele, que estava vestido assim!


Retribui o olhar, com a raiva dando um curto-circuito momentâneo.

"Que diabos você está vestindo?", disparei.


As palavras saíram antes que eu pudesse contê-las. Ele parecia ter escapado de algum filme de homem das cavernas de baixo orçamento. Daquele tipo que filmam no quintal de alguém, com fantasias de brechó e tinta corporal demais.


Ele inclinou a cabeça, franzindo a testa. Quando falou, os sons que saíram de sua boca foram baixos e guturais, nada parecidos com inglês, nada que eu reconhecesse. Parecia antigo. Primal.


Dei um passo cauteloso para trás, com o coração martelando.

"Olha, cara, eu não sei que tipo de convenção de LARPing é essa, mas eu não estou nem um pouco a fim. Uma velha maluca roubou meu dinheiro e me deixou aqui. Se você está com ela, diga que eu quero minha bolsa de volta agora mesmo. E meu celular. Principalmente meu celular."


Ele disse mais alguma coisa, mais devagar desta vez, e apontou com a mão livre para as árvores e depois para mim. Seus olhos não paravam de vasculhar minhas roupas: meu jeans rasgado, meu suéter manchado de lama com botões de pérola e meu esmalte azul brilhante, que já estava lascando.


Cruzei os braços, tentando parecer mais forte do que me sentia.

Revirei os olhos.

"É, é, eu pareço estranha para você também. Tanto faz. Só me indique a estrada ou o posto de gasolina mais próximo. Preciso chamar um Uber e sair daqui antes que eu perca o juízo."


O homem deu um passo cauteloso para mais perto, com os olhos arregalados, num misto de curiosidade e admiração. Ele bateu no próprio peito uma vez com o punho e soltou uma única palavra.


"Thrain."


Ele apontou para mim em seguida, com as sobrancelhas erguidas, claramente esperando por algo.


Soltei uma risada trêmula que soou mais como um soluço.

"Ótimo. O cara do cosplay de homem das cavernas quer meu nome agora, mas não fala inglês. Esse dia só melhora."


Meu estômago roncou alto, me lembrando que eu não comia desde antes de beber aquela porção estúpida. Eu estava perdida, sem dinheiro, exausta e agora presa conversando com um esquisitão da floresta seminu, que parecia ter saído da capa de um romance histórico chamado *Desejo Selvagem* ou algo igualmente ridículo.


E ainda assim... quando ele sorriu para mim — um sorriso pequeno, cauteloso, mas real —, algo quente e perigoso se contorceu no fundo da minha barriga.


A mesma parte estúpida e esperançosa de mim que tinha entrado na loja da Madame Vesper sussurrou:

Talvez seja ele. Talvez ele seja quem a porção deveria trazer.


Expulsei esse pensamento com força.


Não. Absolutamente não.


Primeiro, eu precisava descobrir onde diabos eu estava e como voltar para casa.


Lancei um olhar furioso para Thrain e decidi que não ficaria para qualquer que fosse essa encenação esquisita na floresta.

"Beleza. Divirta-se, Tarzan. Estou fora."


Virei-me nos calcanhares e comecei a andar na direção oposta, empurrando a vegetação.


Minhas botas afundavam na terra macia e os galhos prendiam no meu suéter, mas continuei seguindo em frente. Tinha que haver uma estrada em algum lugar. Uma trilha. Uma guarita de guarda-florestal.


Qualquer coisa.


Atrás de mim, ouvi ele chamar naquele mesmo idioma gutural. Ignorei-o e acelerei o passo.


A floresta parecia não ter fim. Árvores, mais velhas e altas do que qualquer uma que eu já tivesse visto, pairavam sobre mim, bloqueando cada vez mais a luz.


Meu estômago roncou de novo, mais alto desta vez, e minhas pernas já doíam por causa do terreno irregular.

Mesmo assim, forcei a caminhada. De jeito nenhum eu ia confiar num estranho seminau com uma lança.


Ouvi os passos dele atrás de mim — pesados, deliberados. Ele estava me seguindo, nem tentando esconder.


"Vá embora!", gritei por cima do ombro sem parar. "Eu não preciso de escolta, ok? Só me deixe em paz!"


Ele disse algo incisivo, quase urgente. Então, sua mão envolveu a parte superior do meu braço, gentil, mas firme.


Puxei o braço com força: "Não me toque!"


Ele soltou imediatamente, com ambas as mãos erguidas em um gesto claro de "não sou uma ameaça". Ele se colocou à minha frente novamente, bloqueando meu caminho, mas não me agarrou desta vez. Sua expressão havia mudado; a curiosidade ainda estava lá, mas agora misturada com uma preocupação real.


Ele apontou para o céu, onde a luz desaparecia rapidamente em tons de laranja profundo e roxo, depois gesticulou de volta para o caminho de onde viemos. Ele balançou a cabeça lentamente, falando com aquela voz baixa e rouca, as palavras fluindo como se estivesse tentando explicar algo importante.


Cruzei os braços: "Sim, está escurecendo. Eu entendi. Mas eu não vou a lugar nenhum com você, cara. Só me indique a civilização e ficamos bem."


Ele tentou de novo, mais devagar. Apontou para mim, depois para as árvores que escureciam e fez um movimento amplo com a mão, como se estivesse descrevendo um perigo.


Seus olhos nunca deixaram os meus. Havia algo quase... protetor na maneira como ele olhava para mim. Como se ele não quisesse que eu me machucasse. Como se ele realmente se importasse.

Isso fez meu estômago dar um solavanco estúpido.


Expulsei o sentimento: "Olha, não importa de que seita de LARPing você faz parte, eu não estou interessada. Eu só quero ir para casa."


Tentei desviar dele. Ele se moveu comigo, ainda sem me tocar, mas mantendo-se no meu caminho. Quando tentei pela terceira vez, ele finalmente estendeu a mão com cuidado e segurou meu pulso. Sem força. Apenas o suficiente para me parar.

Foi tudo o que bastou para o pânico surgir novamente.


Lutei com todas as minhas forças.


Forcei-me violentamente, chutando suas canelas e pisando no pé dele com o salto da minha bota. Ele estremeceu, mas não me soltou. Balancei o braço livre, minhas unhas arranhando seu peito pintado e deixando vergões vermelhos. "Me solta, seu babaca!"


Ele resmungou, absorvendo os golpes sem revidar.

Ele falou de novo, urgente e baixo, repetindo as mesmas palavras várias vezes, como se estivesse suplicando. Sua pegada era firme, mas nunca cruel; ele claramente tentava não me machucar, mesmo enquanto eu me debatia e gritava.


Por um momento, achei que conseguiria me soltar. Dei uma cabeçada em seu ombro e senti-o cambalear levemente.


Então, ele tomou uma decisão.


Com um suspiro baixo que soou quase como um pedido de desculpas, sua mão livre recuou e desferiu um golpe firme e pesado na lateral do meu maxilar, com força suficiente para que estrelas explodissem na minha visão e minha cabeça girasse para o lado. A dor brilhou, viva e quente. O mundo girou violentamente, e então ficou completamente escuro antes mesmo que eu pudesse terminar meu grito.


Eu não o senti me carregar.


Quando acordei, minha cabeça pulsava com uma dor profunda e nauseante, que irradiava do maxilar até o crânio, e eu estava deitada sobre algo macio — peles em camadas que cheiravam levemente a fumaça e pinheiro. O ar estava quente e trazia o cheiro de carne assada.


A luz fraca de uma fogueira tremeluzia nas paredes de pedra bruta, projetando sombras dançantes.


Eu estava dentro de uma caverna.


Que porra é essa?


Thrain estava agachado a poucos metros perto de um pequeno fogo, virando algo que parecia carne. Quando me mexi e sentei devagar, com cada músculo doendo, ele olhou imediatamente. Seus olhos encontraram os meus com o mesmo misto cauteloso de preocupação e algo mais quente.


Ele não sorriu desta vez. Em vez disso, ele arrancou um pedaço da carne cozida com os dedos e estendeu para mim sobre uma pedra plana, oferecendo-a como um gesto de paz. Sua voz estava baixa quando ele falou de novo, o mesmo tom da floresta, mas mais gentil agora.


Lancei um olhar furioso para ele, com o coração ainda disparado, mesmo enquanto meu corpo me traía com um ronco alto do estômago. Meu maxilar estava inchado e sensível onde ele me batera; eu já podia sentir um leve gosto metálico de sangue na língua.


"Você me bateu", falei rouca, com a voz trêmula de fúria. "Você realmente me deu um soco forte o suficiente para me nocautear e me arrastou para cá como um homem das cavernas maldito. Depois que eu disse não. Depois que eu lutei contra você."


Ele inclinou a cabeça, observando-me de perto, depois gesticulou novamente com a carne, claramente querendo que eu comesse. Não havia raiva em seu rosto, apenas paciência... e aquela faísca inconfundível de desejo em seus olhos escuros enquanto eles percorriam meu corpo à luz do fogo. Ele colocou a pedra plana ao meu alcance e recuou um pouco, dando-me espaço, como se quisesse mostrar que não forçaria nada agora. Um hematoma leve já se formava em seu peito, onde minhas unhas haviam arranhado, mas ele não parecia incomodado com isso.


Meu estômago se contorceu, a fome roendo de forma aguda e persistente, a exaustão puxando meus membros como pesos de chumbo e, abaixo de tudo isso, aquela tração estúpida e indesejada em direção a ele. O jeito como seus músculos se moviam à luz do fogo, a calma serena em seu olhar, o fato de que, mesmo depois de eu tê-lo arranhado e chutado, ele ainda me olhava como se eu fosse algo precioso que ele não queria quebrar.


Eu odiava o quanto meu corpo notava tudo isso. Odiava o jeito que meu pulso saltava sob aquele olhar.


Peguei o pedaço de qualquer maneira, mastigando em bocados pequenos e cuidadosos que ainda me faziam chiar de desconforto. Cada mastigada enviava novas faíscas de dor através do hematoma.


Enquanto comia, meus olhos disparavam para além dele em direção à boca escura da caverna. A entrada ficava a apenas uns seis metros de distância, uma abertura irregular emoldurada pela floresta negra noturna. Se eu pudesse passar por ele enquanto estava agachado perto do fogo...


Thrain percebeu imediatamente. Sua cabeça disparou em direção à entrada no momento em que meu olhar permaneceu lá por muito tempo. Seus olhos escuros se estreitaram e ele balançou a cabeça lentamente, um "não" claro e deliberado. Sem hesitação, ele se levantou até sua altura total e moveu-se para a boca da caverna em dois passos largos, posicionando seu corpo poderoso para bloquear a saída. Ele cruzou os braços sobre seu peito largo e pintado, a luz do fogo dançando sobre os vergões vermelhos que minhas unhas tinham deixado. Sua postura não era agressiva, mas era inequivocamente firme. A mensagem era clara: você não vai sair. Não esta noite.


Engoli o pedaço de carne com o maxilar dolorido, lágrimas frescas ameaçando cair novamente enquanto a frustração e a impotência surgiam. "Você não pode simplesmente me manter aqui", sussurrei com a voz embargada. Esfreguei meu maxilar inchado novamente; o ar fresco da noite na entrada não fazia nada para aliviar a dor.


Thrain me observou por um longo momento, depois voltou para o fogo, mas não sem antes olhar mais uma vez para a entrada, garantindo que eu tivesse entendido. Ele arrancou outro pedaço pequeno de carne e ofereceu sobre a pedra, com movimentos mais lentos agora, quase desculpando-se. Aquela mesma faísca de desejo ainda queimava em seus olhos enquanto eles me percorriam, misturada com a preocupação protetora que fazia meu estômago dar um giro traiçoeiro.


A caverna de repente pareceu muito menor. O fogo crepitava calorosamente entre nós. Meu corpo doía, meu maxilar latejava e, apesar da raiva e das lágrimas que ainda ardiam em meus olhos, aquele estranho puxão magnético em direção a ele complicava tudo ainda mais.


Eu não estava pronta para confiar nele. Nem um pouco.


Mas com ele bloqueando deliberadamente a única saída e os sons noturnos da floresta aumentando lá fora, tentar fugir agora parecia impossível.


Por um longo momento, apenas fiquei sentada ali, respirando com dificuldade, debatendo se deveria avançar em direção à entrada da caverna ou gritar com ele novamente. Mas a carne cheirava incrivelmente saborosa, tostada na medida certa, e minha cabeça girava demais por causa do golpe para que eu conseguisse correr. Provavelmente eu desmaiaria no meio do caminho.


"Beleza", murmurei, pegando o pedaço de carne da pedra como se aquilo me ofendesse pessoalmente. "Mas isso não significa porra nenhuma. Eu ainda estou puta. E assim que essa dor de cabeça passar e eu conseguir ficar de pé, eu vou cair fora. Está me ouvindo?"


Eu arranquei pedaços com os dentes, e os sucos quentes inundaram minha boca. A carne era forte e saborosa, melhor do que deveria ser. Comi rápido, sem tirar os olhos dele; cada mordida era uma pequena e irritada rendição, enquanto meu maxilar protestava levemente a cada mastigada.


Thrain me observava comer com uma satisfação silenciosa, o canto da boca tremendo como se ele tentasse conter um sorriso arrependido. Quando terminei o pedaço, ele arrancou outro e ofereceu da mesma forma: lenta, sem ameaças. Sua voz resmungou algo suave novamente, quase como uma pergunta, e desta vez não soou como uma ordem.


Parecia "mais?".


A caverna pareceu menor de repente. O fogo estalava. Lá fora, a floresta estava completamente escura e cheia de sons que eu não reconhecia. Meu maxilar latejava no ritmo do meu coração, um lembrete constante de quão fácil e decisivamente ele poderia me dominar se quisesse.


O lugar onde seu punho me atingiu latejava como um segundo coração, irradiando calor para minha têmpora e para trás do meu olho. Eu me encolhi, colocando a carne sobre a pedra plana apenas para pressionar levemente a palma da mão contra o hematoma que se formava no meu maxilar. Meus dedos tremiam um pouco ao tocá-lo; já estava inchado. Doía até abrir a boca para falar.


Lágrimas acumuladas e indesejadas surgiram em meus olhos, quentes e ardentes. Pisquei com força, recusando-me a deixá-las cair, mas uma lágrima traiçoeira escorreu pelo meu rosto mesmo assim. Limpei-a com raiva, usando o dorso da mão, odiando como aquilo me fazia parecer vulnerável diante dele.


Thrain percebeu imediatamente. Seus olhos escuros suavizaram com um arrependimento inconfundível; o desejo ainda estava lá, mas agora temperado por algo mais gentil, quase doloroso.


Ele se aproximou sobre os calcanhares, lento e cuidadoso, como se estivesse se aproximando de um animal ferido. Uma mão grande se estendeu, não para agarrar, mas para pairar perto do meu rosto, com a palma para cima, como se pedisse permissão. Quando recuei, ele parou instantaneamente, murmurando aquelas palavras baixas e arrastadas novamente. Desta vez, soaram mais suaves, cheias de pedido de desculpas.


Ele apontou para o meu maxilar, depois para o próprio punho, e balançou a cabeça lentamente. O gesto foi claro: "Eu não queria fazer isso. Sinto muito".


"Não faça isso", sussurrei, minha voz falhando apesar do meu esforço para parecer feroz. Outra lágrima escapou, traçando um caminho quente em minha bochecha. "Você me bateu. Com força. Você me apagou porque eu não queria ir com você. Isso não é proteção, é só... comportamento de babaca."


Ele não discutiu; ele não podia, não em qualquer língua que eu entendesse. Em vez disso, ele se levantou fluidamente e foi até um canto sombrio da caverna. Eu o acompanhei com cautela, ainda massageando o maxilar em círculos lentos, tentando aliviar a dor. Ele voltou com uma tigela de pedra pequena e lisa, cheia de água limpa e um pedaço de pano macio que parecia feito à mão. Ajoelhando-se novamente, mais perto desta vez, mas ainda me dando espaço, ele mergulhou o pano na água, torceu-o e estendeu para mim, oferecendo para o inchaço.


Hesitei, olhando fixamente através das lágrimas embaçadas. Meu estômago finalmente começava a se acalmar após a carne, mas a exaustão pesava sobre mim como um cobertor e a dor dificultava o raciocínio. Aquele puxão estúpido em direção a ele ainda estava lá, emaranhado com o medo e a raiva. O jeito que ele me olhava agora — preocupado, paciente — e aquele calor silencioso fervendo por baixo fizeram algo no meu peito apertar de maneiras que eu não queria analisar.


"Tudo bem", murmurei, pegando o pano frio e úmido de sua mão. Pressionei-o suavemente contra o maxilar, sibilando com a ardência inicial antes que o frio começasse a aliviar o pior da pulsação. As lágrimas continuaram vindo apesar dos meus esforços, silenciosas e frustrantes. Virei o rosto um pouco para o lado, envergonhada, mas ele não zombou de mim nem pareceu triunfante. Pelo contrário, sua expressão tornou-se ainda mais protetora.


Ele permaneceu agachado ali, me observando com aqueles intensos olhos azuis escuros, ocasionalmente murmurando sons suaves que poderiam ser palavras de conforto. O fogo estalava entre nós, quente e hipnótico. Fora da caverna, a noite na floresta ganhava vida com chamados distantes e farfalhares — sons que me faziam sentir, contra a minha vontade, que eu não estava lá fora sozinha no escuro.


Depois de alguns minutos, o pano aqueceu contra a minha pele. Thrain percebeu e gesticulou pedindo-o de volta, mergulhando-o na água fresca novamente para oferecer outra compressa. Desta vez, deixei que ele mesmo segurasse contra o meu maxilar; seu toque era leve como uma pluma, cuidadoso para não pressionar demais. Seus dedos eram calejados e quentes, e o contato me enviou um calafrio indesejado pela espinha que não tinha nada a ver com dor.


Engoli em seco, com as lágrimas finalmente diminuindo à medida que o frio entorpecia a dor. "Isso não muda nada", disse baixinho, com a voz mais firme, porém ainda rouca. "Eu ainda estou com raiva. E assim que esse inchaço diminuir e eu conseguir andar direito... vou dar um jeito de sair daqui."


Thrain encontrou meu olhar, segurando-o por um longo momento. Então ele assentiu uma vez, lentamente, como se entendesse pelo menos o tom, se não as palavras. Mas ele não se afastou. Em vez disso, arrancou outro pedaço pequeno de carne e ofereceu, com sua expressão dizendo o que sua língua não podia: Coma. Descanse. Você está segura aqui.


Engoli o próximo pedaço de carne que ele ofereceu; a riqueza do sabor selvagem pouco fez para acalmar o nó de emoções que se contorcia no meu peito. O pano frio ajudou com o pior da dor no maxilar, mas cada pequeno movimento ainda enviava pulsações surdas através do meu crânio. Mantive o tecido úmido pressionado contra o inchaço, com meus dedos roçando nos de Thrain enquanto ele o segurava firme para mim.


Aquele breve contato — calor calejado contra a minha pele — enviou outro calafrio indesejado correndo pela minha espinha. Recuei um pouco, lançando-lhe um olhar fulminante através dos cílios úmidos, mas a vontade de lutar estava se esvaindo de mim mais rápido do que eu gostaria de admitir.


Definitivamente, a exaustão...


Os olhos escuros de Thrain mantiveram os meus, pacientes e firmes, com aquela centelha silenciosa de desejo ainda fervendo sob a superfície. Ele murmurou algo baixo e reconfortante — o som ecoando como um trovão distante — e, por um momento ridículo, quase pareceu conforto.

Então aconteceu.


Fora da caverna, um rosnado gutural e agudo rasgou o ar noturno; profundo, vicioso e muito, muito perto.


Foi seguido pelo barulho pesado de galhos sendo quebrados e um rosnado baixo e estrondoso que vibrou através do piso de pedra sob as peles. O que quer que fosse, parecia grande. Faminto. Nada parecido com as criaturas fofas da floresta que eu ouvira antes.


Minha cabeça virou para a entrada da caverna, meu coração batendo contra as costelas. Uma nova descarga de adrenalina surgiu, afastando um pouco da exaustão. "Que diabos foi isso?"


Thrain reagiu instantaneamente. Seu corpo inteiro ficou tenso, os músculos se contraindo como os de um predador pronto para atacar. Ele deixou cair o pano na tigela com um leve splash e levantou-se em um movimento fluido, pegando a lança que estava encostada na parede da caverna. Sob a luz do fogo, seu peito pintado e ombros largos pareciam ainda mais imponentes; ele era um guerreiro em cada centímetro.


Ele moveu-se rápida, mas silenciosamente, até a entrada, observando a escuridão. Outro rosnado ecoou, desta vez mais perto, acompanhado pelo estalo de galhos.


O aperto de Thrain na lança se intensificou, sua postura mudando para algo letal e pronto.


Então ele se virou para mim, com a expressão rígida e urgente. Ele levantou uma mão grande, com a palma para fora, num claro gesto de "fique". Seus olhos travaram nos meus, intensos e autoritários, enquanto ele balançava a cabeça uma vez, de forma firme e deliberada. A mensagem era inconfundível: Não se mova. Fique aqui. Seguro.

Ele apontou para mim e depois para as peles onde eu estava sentada, repetindo o gesto de "fique" com a mão.


Outro rosnado baixo ecoou lá fora, seguido pelo que parecia ser patas pesadas caminhando sobre o chão da floresta. Thrain olhou de volta, com o maxilar travado, então olhou para mim novamente, repetindo o gesto com mais insistência. Sua voz caiu em um sussurro áspero naquela língua gutural; palavras curtas e secas que soavam como ordens misturadas com avisos.


Eu congelei sobre as peles, o pano frio esquecido no meu colo. Meu maxilar ainda latejava e as lágrimas já tinham secado no meu rosto, mas um novo medo formigava na minha pele. O que quer que estivesse lá fora não parecia nada com um urso ou lobo de casa. Era maior. Mais cruel. E Thrain estava se posicionando entre mim e a entrada como um escudo vivo, com a lança erguida e pronta.


Uma parte de mim — a parte teimosa e com raiva — queria levantar e fugir de qualquer jeito, só para provar que não seria controlada. Mas a parte racional... a parte que estava morrendo de medo, manteve-me presa no lugar. Sair correndo agora seria suicídio. E, apesar de tudo, a postura protetora de Thrain enviou aquele frio estúpido pelo meu estômago novamente. Ele não estava apenas me mantendo prisioneira... ele estava me protegendo.


A criatura lá fora soltou outro rugido selvagem, ainda mais perto, e eu instintivamente puxei as peles para mais perto das minhas pernas, com os olhos arregalados na entrada escura da caverna.


Thrain não hesitou. Com um último olhar firme para mim, palma da mão para fora em sinal de "fique", ele deslizou silenciosamente para a noite, com a lança em punho, sua forma poderosa fundindo-se às sombras quase instantaneamente.


O fogo estalou. A caverna pareceu subitamente muito vazia... e muito vulnerável.


Fiquei sentada ali com o coração batendo forte, o maxilar doendo, massageando o hematoma distraidamente enquanto sons distantes de luta se filtravam para dentro: rosnados, um ganido de dor da fera e o baque de algo pesado atingindo o chão. Os minutos passaram como horas.

Então, silêncio.


Thrain reapareceu na entrada pouco tempo depois, respirando de forma constante, mas com uma mancha fresca de sangue escuro — espero que não dele — cruzando um de seus braços. Ele examinou a caverna imediatamente, seus olhos encontrando-me exatamente onde ele me deixara, sobre as peles. Um lampejo de aprovação cruzou seu rosto, rapidamente seguido por aquele olhar quente e desejoso novamente.


O fogo estalou e sibilou enquanto um tronco se movia, enviando uma chuva de faíscas dançando em direção ao teto da caverna. Permaneci exatamente onde estava na pilha de peles, com os dedos ainda enrolados no pano úmido que caíra no meu colo. O tecido estava agora morno e levemente amassado contra minha coxa, o frescor há muito desaparecido.


Meu coração ainda batia forte por causa dos sons lá fora; aquele rugido não se parecia com nenhum animal que eu já tivesse visto em um zoológico ou documentário de natureza. Parecia... errado. Antigo. Como algo que não deveria existir no mesmo mundo que o Uber e cafés com preços abusivos.


Thrain limpou o resto do sangue de sua lança com um punhado de musgo seco e, em seguida, encostou a arma na parede, ao alcance fácil. Ele se movia com a calma confiante de alguém que fazia esse tipo de coisa regularmente, lutando contra monstros no escuro como se não fosse mais importante do que tirar o lixo.


Quando ele se virou para mim, a luz do fogo capturou a mancha fresca de sangue escuro em seu antebraço e um arranhão superficial em suas costelas que definitivamente não estava lá antes. Ele não pareceu notar ou se importar.


Ele se agachou novamente perto do fogo, arrancou outro pedaço da carne assada e estendeu-o sobre a pedra plana. Desta vez, ele não recuou tanto. Seus olhos escuros, azul-profundos na luz oscilante, travaram nos meus com aquela mesma mistura desconcertante de paciência, proteção e uma fome crua que fazia minha pele parecer esticada demais.


Eu o encarei com raiva, mas meu estômago me traiu com outro ronco alto. A carne ainda cheirava incrivelmente bem e a queda da adrenalina estava me deixando trêmula e vazia. "Você realmente espera que eu simplesmente sente aqui e jante com você depois de ter me apagado e agora estar bancando o guarda-costas das cavernas?" Minha voz saiu rouca, as palavras um pouco arrastadas pelo inchaço. Falar doía. Tudo doía.


Thrain inclinou a cabeça, ouvindo o tom de voz mesmo sem entender as palavras. O canto da boca dele tremeu novamente; não era bem um sorriso, mais uma diversão relutante diante da minha rebeldia.


Ele apontou para a carne, depois para mim, e fez um gesto lento de comer com a mão livre. Quando ainda não me movi, ele suspirou — um som baixo e estrondoso que vibrou pelo pequeno espaço — e deu uma pequena mordida ele mesmo primeiro, mastigando deliberadamente para me mostrar o que queria. Depois, ofereceu a pedra novamente. Suas sobrancelhas se ergueram em um claro desafio: "Viu? Coma".


"Tudo bem", murmurei, pegando o pedaço como se ele tivesse insultado meus ancestrais pessoalmente. Mastiguei cuidadosamente do lado bom da boca, sentindo dor cada vez que meu maxilar se movia. A carne ainda estava quente, rica em gordura e com um sabor defumado que, de fato, fazia meus olhos quererem revirar em um prazer relutante. "Isso não significa que eu te perdoo pelo soco. Ou pelo sequestro. Ou por toda essa vibe de 'você agora é minha' que você está impondo."


Ele me observava comer com satisfação silenciosa, ocasionalmente arrancando mais para si mesmo, mas sempre oferecendo-me os melhores pedaços primeiro. Depois de um tempo, ele alcançou a tigela de água novamente. Desta vez, pegou o pano úmido de onde caíra no meu colo, mergulhou-o na água fresca, torceu-o com mãos fortes e seguras, e estendeu-o para mim.


Hesitei apenas um segundo antes de aceitá-lo e pressionar o tecido recém-resfriado suavemente contra o meu maxilar inchado. Sibilei com o contato, mas o alívio foi imediato; a pulsação diminuiu um pouco à medida que o frio entorpecia o hematoma.


Lá fora, a floresta tinha ficado estranhamente silenciosa novamente, como se o que quer que Thrain tivesse matado fosse o suficiente para assustar todo o resto, fazendo-os se esconder. O silêncio se intensificou, fazendo a caverna parecer menor e mais íntima. Apenas o estalar do fogo, minha própria respiração irregular e o movimento ocasional das peles sob mim.


Thrain não me sufocava, mas também não me dava muito espaço. Ele permaneceu agachado por perto, perto o suficiente para que eu pudesse sentir o cheiro tênue de fumaça, pinho, suor e algo terroso e masculino que fazia meu corpo traidor notar coisas demais.


Seu peito pintado subia e descia constantemente, com as marcas vermelhas das minhas unhas sobressaindo nitidamente contra sua pele. Ele me pegou olhando e baixou os olhos para as marcas, depois voltou a olhar para mim. Em vez de raiva, sua expressão suavizou-se com algo quase como orgulho.


Ele apontou para os arranhões e depois para mim, resmungando uma frase curta que, de alguma forma, conseguiu soar... apreciativa? Como se ele respeitasse o fato de eu ter lutado contra ele.

"É, bem, eu geralmente não arranho pessoas", disse secamente, com a voz abafada pelo pano. "Mas também geralmente não acordo na floresta depois de ser dopada por um vigarista. Então, hoje está cheio de novas experiências."


Ele não entendeu, é claro, mas parecia contente em apenas ouvir o som da minha voz. Depois de um minuto, ele se levantou, alongando músculos que se flexionavam de maneiras que eram francamente injustas, e foi para outro canto sombrio da caverna. Ele voltou com uma pele de animal grande, macia e flexível, e a colocou sobre minhas pernas como um cobertor, ajeitando-a ao meu redor com mãos cuidadosas. O gesto foi gentil, quase terno, e fez aquele calor perigoso se contorcer lá no fundo da minha barriga novamente.


Puxei a pele para mais alto, subitamente consciente de como minhas roupas estavam rasgadas e sujas, e de quão exposta eu me sentia sob seu olhar. "Eu não vou dormir aqui", eu disse a ele, mesmo enquanto minhas pálpebras pesavam. "Assim que amanhecer, vou sair caminhando. Encontrar uma estrada. Ligar para alguém. E dar o fora daqui... ou seja lá o que for isso."


Thrain apenas me observou, depois apontou para as peles sob mim e fez um gesto claro de dormir com a cabeça inclinada para o lado, fechando os olhos brevemente. Ele acrescentou mais algumas palavras naquela língua baixa e arrastada, suave e insistente. O tom era inconfundível: Descanse. Você está segura. Eu vigiarei.


Eu queria discutir. Queria mesmo. Mas o cansaço estava vencendo, a carne pesava de forma satisfatória no meu estômago e a compressa fria tinha transformado a pior parte da dor na mandíbula em uma latejada suportável.


As peles eram mais quentes e macias do que qualquer coisa que eu poderia esperar encontrar em uma porcaria de caverna. Minhas pálpebras pareciam pesar toneladas.


"Tudo bem", sussurrei, recostando-me lentamente nas peles e ainda segurando o pano úmido contra o maxilar. "Mas só porque estou cansada demais para lutar com você de novo agora. E, se tentar alguma coisa enquanto eu estiver dormindo, juro que darei um jeito de fazer você se arrepender."


Ele pareceu entender o aviso no meu tom. Sua expressão tornou-se solene quando ele assentiu uma vez e, em seguida, acomodou-se contra a parede da caverna, perto da entrada, com a lança no colo. Ele não encarava abertamente, mas, a cada poucos minutos, seu olhar voltava para mim, vigiando e protegendo.


O fogo ardia baixo. Meu corpo doía em vários lugares, minha mandíbula latejava a cada batida do coração e minha mente fervilhava com perguntas para as quais eu não tinha respostas: Onde eu estava? O que Madame Vesper realmente tinha feito? Isso era algum tipo de alucinação por causa do que ela me deu? Ou... algo pior?

Mas, conforme o sono me puxava, pesado e inevitável, a última coisa que vi antes de meus olhos se fecharem foi a silhueta de Thrain contra a luz fraca da fogueira, alto, poderoso e inabalável.


E aquele sussurro estúpido e esperançoso no fundo da minha mente retornou, desta vez mais suave.

Talvez a poção não tivesse falhado depois de tudo.

Ela só tinha me entregado direto nos braços de um selvagem que não sabia aceitar um "não" como resposta... e que parecia determinado a me manter de qualquer jeito.


Na manhã seguinte, uma luz cinzenta e pálida filtrava-se para dentro da entrada da caverna. Acordei devagar, com cada músculo protestando e a mandíbula rígida e sensível ao toque. O fogo tinha baixado para brasas, mas a caverna ainda estava quente.


Thrain já estava de pé, agachado perto dos restos da refeição da noite anterior, afiando a ponta de pedra da lança com uma pedra pequena. Quando me mexi, ele olhou imediatamente, com a expressão iluminada pela mesma satisfação silenciosa da noite anterior.


Ele se levantou e me trouxe uma pequena cabaça oca cheia de água fresca, que estava gelada e com um gosto limpo quando bebi cautelosamente. Bati a sede; a água acalmou minha garganta seca. Então, ele ofereceu mais da carne assada fria, que aceitei com desconfiança, mas comi porque minha fome era grande. Depois que terminei, ele estendeu um punhado de frutas escuras e carnudas na palma da mão larga. Pareciam suculentas e doces, brilhando levemente sob a luz da manhã.


Analisei as frutas com desconfiança imediata, sentindo o estômago revirar. "Nem pensar", disse, balançando a cabeça e empurrando a mão dele de volta, de forma gentil, porém firme. "Não vou comer frutas aleatórias da floresta vindo de um cara que me deixou inconsciente ontem à noite. Pelo que sei, podem ser venenosas. Ou alucinógenas. Ou alguma coisa estranha que faz você desmaiar de novo para poder me arrastar para outro lugar."


Thrain franziu a testa, claramente sem entender as palavras, mas percebendo minha recusa. Ele colocou uma fruta na própria boca, mastigou lentamente e engoliu com um som de "mmm" exagerado, depois estendeu o punhado novamente, desta vez mais perto. Seus olhos escuros eram pacientes, quase persuasivos, como se tentasse convencer uma criança teimosa.


Cruzei os braços, fazendo uma careta quando o movimento puxou minha mandíbula machucada. "Não. Não vai rolar. Você pode ser imune ou algo assim. As pessoas morrem comendo as frutas erradas o tempo todo lá em casa. Não vou arriscar."


Ele inclinou a cabeça e, deliberadamente, comeu outra, mastigando com nítido prazer antes de oferecer o resto mais uma vez. Quando ainda balancei a cabeça, ele soltou um resmungo baixo e frustrado, apontou para as frutas e depois para mim, fazendo um gesto de comer. Sua expressão mudou para algo mais firme, uma insistência protetora.


Recostei-me nas peles. "Eu disse que não. Já estou presa aqui com o rosto inchado por sua causa. Não vou adicionar 'envenenamento por frutas' à lista."


Thrain me observou por um longo momento e depois colocou as frutas sobre a pedra plana entre nós. Ele pegou uma única fruta, segurou-a para que eu pudesse ver claramente e a levou lentamente aos lábios, comendo-a na minha frente como uma demonstração. Depois de engolir, ele apontou para a pilha restante e depois para a minha boca, com as sobrancelhas levantadas em uma pergunta silenciosa misturada com leve irritação.


Meu estômago escolheu exatamente aquele momento para roncar alto novamente. As frutas pareciam boas, carnudas e escuras, nada como os cogumelos suspeitos ou folhas estranhas que eu tinha visto em programas de sobrevivência. Mas a confiança estava em falta depois de tudo aquilo.


"Tudo bem", murmurei, estendendo a mão lentamente e pegando apenas uma fruta entre os dedos. Cheirei primeiro: doce, terrosa; então, com muita cautela, coloquei na língua, pronta para cuspir ao primeiro sinal de amargor. Ela explodiu em um suco agridoce que me fez piscar de surpresa. Era deliciosa. Mastiguei devagar, esperando qualquer retrogosto estranho ou náusea imediata. Nada aconteceu.


O rosto de Thrain se abriu em um pequeno sorriso vitorioso. Ele empurrou o resto do punhado em minha direção na pedra, claramente satisfeito.


"Não fique se achando", resmunguei, mas peguei outra fruta assim mesmo, e depois uma terceira. "Isso ainda não significa que confio em você. Uma fruta boa não apaga o nocaute de homem das cavernas."


Ele resmungou algo baixo e que parecia divertido, depois gesticulou em direção à entrada da caverna, fazendo o gesto de caminhar novamente com os dedos. Ele apontou para si mesmo, para a lança e de volta para mim. O significado era claro: Nós vamos juntos. Eu te protejo.


Estreitei os olhos, testando minha mandíbula inchada enquanto falava mastigando a última fruta. "Você não é meu guardião, Tarzan. Mas... se sabe um caminho para sair desta floresta, tudo bem. Pode ir na frente. Só não pense que isso significa que vou ficar."


Os lábios de Thrain se curvaram no primeiro sorriso verdadeiro que eu vi: pequeno, feroz e atraente demais para alguém vestido com peles de animais costuradas. Ele bateu no peito mais uma vez.


"Thrain", ele repetiu, então apontou para mim, com as sobrancelhas levantadas, esperando.


Suspirei, esfregando a têmpora. "Juliet. Meu nome é Juliet. E assim que encontrarmos a civilização, eu vou embora."


Ele repetiu o nome lentamente, rolando as sílabas com sua voz profunda como se estivesse saboreando: "Joo... Lee... Et." A maneira como ele disse enviou um arrepio involuntário pela minha espinha.


Então ele se levantou, ofereceu-me a mão para me ajudar a levantar e, quando a ignorei e me levantei sozinha, cambaleando apenas um pouco pela dor de cabeça e rigidez persistentes, ele apenas assentiu com respeito e pegou sua lança.


Enquanto saíamos da caverna para a floresta enevoada da manhã, Thrain permaneceu perto, perto o suficiente para que eu pudesse sentir o calor de seu corpo, perto o suficiente para bloquear qualquer tentativa repentina que eu pudesse fazer de fugir. Seus olhos examinavam as árvores constantemente, alertas para o que quer que estivesse lá fora na noite anterior.

Eu não fazia ideia de para onde estávamos indo ou o que diabos estava realmente acontecendo.


A luz da tarde filtrava-se fracamente através da densa copa das árvores enquanto Thrain me conduzia — praticamente me pastoreava — para dentro da floresta. Seu porte maciço permanecia colado ao meu lado o tempo todo, seu braço roçando o meu a cada passo, e seu calor emanando através do meu suéter rasgado.


Toda vez que eu tentava criar um centímetro de distância ou desviar para o que parecia uma possível abertura entre as árvores, ele me corrigia instantaneamente. Uma mão firme no meu cotovelo, um resmungo baixo de advertência em sua garganta ou simplesmente ficando na minha frente até que eu voltasse para o caminho que ele escolheu.


Minhas pernas doíam. Minha mandíbula ainda latejava. E quanto mais andávamos sem sinal de estradas, trilhas ou civilização, mais o nó de pânico crescia no meu peito. Isso não era um parque. Isso não era nem uma floresta nacional que eu conhecia. As árvores eram velhas demais, enormes demais, o ar denso demais com selvageria. A poção de Madame Vesper tinha feito algo muito pior do que me drogar; tinha me jogado em um pesadelo do qual eu não conseguia acordar.


Thrain parou perto de um riacho estreito para encher a cabaça. Ele se agachou, com a lança fincada ao lado dele, e gesticulou para que eu me sentasse em uma pedra plana enquanto ele trabalhava.


Fingi obedecer, baixando-me lentamente. No momento em que ele virou as costas completamente, eu disparei; a adrenalina surgiu através dos meus membros exaustos. Corri rápido, atravessando a vegetação rasteira na direção oposta, com galhos chicoteando meu rosto e braços.


"Foda-se isso", arfei, com o coração batendo forte. "Não vou ficar com um homem das cavernas que acha que é meu dono!"


Atrás de mim, Thrain rugiu meu nome — "Juliet!" —, o som profundo, gutural e furioso. Passos pesados vieram atrás de mim quase imediatamente.


Não olhei para trás. Corri mais forte, com os pulmões queimando, desviando entre troncos de árvores enormes. Por alguns segundos gloriosos, pensei que poderia perdê-lo no verde denso. Então, o chão à frente inclinou-se bruscamente para baixo, em uma ravina cheia de samambaias e sombras. Escorreguei, tentando diminuir a velocidade, quando um rosnado baixo e molhado rasgou o ar bem na minha frente.


A criatura saltou do mato, elegante, musculosa e grande demais, com pele manchada de cinza e verde, dentes afiados demais e olhos que brilhavam com uma fome antinatural. Não era um lobo, não era um urso; era algo saído diretamente de um livro de história, arranhando a terra enquanto avançava diretamente para mim.


Gritei, tropeçando para trás. Minha bota prendeu em uma raiz e caí com força; a dor explodiu pelo meu corpo já machucado.


Thrain estava lá em um instante.


Ele atingiu a besta como um trem de carga, sua lança empurrada para frente com precisão letal. A criatura uivou quando a pedra cortou fundo, mas Thrain não parou. Ele rugiu de novo, seus músculos saltando enquanto ele afastava a coisa para longe de mim, seu corpo uma parede de puro poder e fúria. A luta foi brutal e curta: rosnados, o baque úmido do impacto e um grito final de dor quando a lança atingiu seu objetivo.


A criatura caiu, contorcendo-se entre as samambaias.


Ofegante, com sangue em um braço novamente, Thrain virou-se para mim. Seu rosto era ameaçador, seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e medo puro por mim. Antes que eu pudesse me levantar ou mesmo pedir desculpas, ele correu, agarrou meu braço com um aperto inquebrável e me puxou para cima.


Tentei me soltar. "Me larga! Eu só estava..."


Ele não me deixou terminar. Com um rosnado baixo e irritado, ele me arrastou alguns passos até um toco de árvore largo e plano próximo, seu aperto firme, mas nunca machucando. Em um movimento suave, ele se sentou no toco e me puxou, de bruços, através de seu colo; meu estômago pressionava suas coxas poderosas e minha bunda ficava exposta, impotente, no ar.


"Thrain — não!", gritei, chutando e me contorcendo descontroladamente. Minhas mãos empurravam a perna dele, tentando me levantar. "Nem se atreva..."


Sua palma grande e calejada desceu com força sobre minha bunda; estalos agudos e ardentes que ecoaram pela floresta silenciosa, mesmo através do meu jeans. Uma. Duas. Três palmadas firmes e deliberadas que me fizeram soltar um ganido e me debater contra ele. O calor floresceu instantaneamente, agudo e humilhante; os impactos foram fortes o suficiente para me sacudir, mas medidos e controlados. Ele estava punindo, não ferindo, apenas deixando seu ponto muito claro: Você fugiu. Você quase morreu. Nunca mais faça isso.


Arfei e me contorci mais forte, com o rosto queimando de fúria e vergonha. "Seu idiota! Você não pode simplesmente me dar palmadas como se fosse algum — ai!"


Ele desferiu mais dois golpes sólidos, depois parou, sua mão pesada descansando como um aviso em meu bumbum ardente enquanto ele resmungava palavras baixas naquela língua gutural: repreendendo, protetor, carregado de um medo residual por mim.


Lágrimas de frustração arderam em meus olhos. Minha bunda latejava calorosamente sob a palma da mão dele; cada movimento do meu corpo me lembrava exatamente como ele poderia me dominar facilmente. "Eu odeio você", sussurrei trêmula, mesmo com o calor indesejado se retorcendo na parte baixa da minha barriga pela dominância crua.


A mão de Thrain esfregou uma vez, quase de forma reconfortante, sobre os locais que ele tinha atingido antes de se levantar, carregando-me com ele como se eu não pesasse nada. No instante seguinte, ele me jogou sobre seu ombro largo; meu estômago bateu contra o músculo rígido mais uma vez, meu bumbum ardente agora proeminentemente exposto enquanto minha cabeça balançava para trás de suas costas. Seu braço se fechou com segurança ao redor das minhas coxas, prendendo-me no lugar.


"Thrain — me coloca no chão agora!", gritei, com os punhos batendo inutilmente em suas costas, minhas pernas tentando chutar apesar da imobilização. As palmadas ainda ardiam a cada solavanco enquanto ele começava a caminhar, com passadas largas e decididas, levando-nos de volta ao riacho. Cada passo me fazia quicar contra ele; meu suéter rasgado subia, meu cabelo balançava violentamente. Sua mão livre permanecia pronta na lança, mas a outra ocasionalmente descansava possessivamente em meu bumbum, novamente não para bater, apenas como um lembrete pesado do castigo e de sua reivindicação.


Ele resmungou palavras baixas durante todo o caminho,

o tom era uma mistura de repreensão e alívio, como se me desse um sermão, embora eu não conseguisse entender.


Quando chegamos ao riacho novamente, o sol estava se pondo. Thrain finalmente me colocou na pedra plana, mas não se afastou. Ele pairou sobre mim, respirando de forma estável, mas com os olhos ainda escuros com a raiva residual e aquele desejo implacável. Suas mãos plantadas em cada lado de mim me enjaulavam completamente. Sangue da luta manchava um antebraço, mas ele não parecia se importar. Ele segurou meu queixo gentil, mas firmemente, inclinando meu rosto para cima para que eu tivesse que encontrar seu olhar.


A mensagem era inconfundível: Chega de correr. Você fica comigo. Eu protejo o que é meu.


Meu bumbum ainda ardia por causa das palmadas, um latejar constante a cada movimento. Meu coração disparava. Meu corpo, traidor como era, reagia à dominância crua, à maneira sem esforço com que ele me arrastara para o seu colo e depois me jogara sobre o ombro como uma presa capturada. Lágrimas de frustração picaram meus olhos, mas eu as pisquei, olhando para ele através dos cílios úmidos.


"Você me bateu de novo", sussurrei roucamente, com a voz trêmula. "Você me deu palmadas. Depois que eu quase fui comida por qualquer coisa que aquela coisa fosse."


A expressão de Thrain suavizou apenas uma fração, com um arrependimento cintilando por baixo da possessividade. Ele passou o polegar levemente sobre minha mandíbula ainda inchada, depois sobre minha bochecha, murmurando algo baixo e reconfortante. Mas ele não pediu desculpas com palavras que sabia que eu não entenderia. Em vez disso, ele me puxou para mais perto, envolvendo minha cintura com um braço e me segurando contra o peito por um longo momento, com o batimento cardíaco dele firme e forte sob meu ouvido, enquanto sua mão esfregava círculos lentos sobre meu bumbum ardente, quase como se estivesse acalmando as próprias marcas que ele tinha deixado.


Eu queria empurrá-lo para longe. Queria gritar.

Mas eu estava exausta, dolorida e aterrorizantemente consciente de que, sem ele, eu já estaria morta.