Chapter One
Fay Blake
“Eu não vou aceitar isso.”
As palavras pairaram entre nós, cortantes e definitivas, mas o ambiente parecia sufocantemente imóvel. O brilho suave do lustre refletia no piso de mármore, impecável demais para o tipo de conversa que estávamos tendo. Tudo naquela casa gritava perfeição. Tudo naquele casamento era qualquer coisa, menos isso.
Dominic não me soltou de imediato. Seus dedos permaneceram firmes em volta da minha garganta; a pressão era deliberada, controlada. Ele adorava o controle. Ele vivia disso.
Seu olhar percorreu meu rosto, estudando-me como se tentasse entender como eu ainda conseguia ficar ali, na frente dele, sem medo. Ele me odiava por isso.
“Você está ficando atrevida”, disse ele, com um tom mais baixo agora, porém muito mais perigoso. “Essa sua confiança… está começando a me irritar.”
Meu peito subia lenta e cuidadosamente, tentando contornar a restrição de sua mão. Ergui o queixo levemente, forçando-o a encarar meus olhos nos meus termos, mesmo estando daquela maneira.
“Chama-se autorrespeito”, respondi, com a voz tensa, porém firme. “Você não entenderia.”
Uma sombra cruzou sua expressão. Seus dedos apertaram apenas o suficiente para me lembrar exatamente de onde eu vinha e do que ele era capaz.
Então, ele me soltou.
O ar voltou aos meus pulmões, cortante e ardente. Dei um passo para trás, apoiando-me na borda do console atrás de mim. A madeira polida cravou-se na minha palma enquanto eu me segurava, recusando-me a demonstrar qualquer sinal de fraqueza diante dele.
Dominic ajeitou suas abotoaduras como se nada tivesse acontecido. Como se não estivesse, segundos antes, com a mão em volta da minha garganta.
“Você está exagerando”, continuou ele casualmente, passando por mim. “Homens como eu… nós temos acordos. Você tem o seu lugar. Ela tem o dela.”
Virei-me lentamente, observando-o atravessar a sala como se fosse dono de tudo. Porque ele vivia na ilusão de que era.
“Seu acordo gerou uma criança”, eu disse. “Isso deixa de ser um acordo e se torna uma vida que você escolheu acima do seu casamento.”
Ele parou perto do bar, servindo-se de uma bebida, completamente à vontade. O líquido âmbar captava a luz enquanto ele o girava preguiçosamente.
“Eu não escolhi nada acima de você”, disse ele, dando um gole. “Você ainda está aqui, não está?”
A audácia daquela afirmação quase me fez rir.
Afastei-me do console e caminhei em sua direção, o salto batendo contra o mármore; cada passo era medido e deliberado. Isso me dava aquela vantagem confiante que ele tanto desprezava.
“Estou aqui porque não sabia”, eu disse. “Existe uma diferença.”
Seus olhos encontraram os meus acima da borda do copo, indiferentes. “E agora você sabe”, respondeu ele. “Então, trate de se adaptar.”
Adaptar-me? A palavra desceu como veneno em meu peito. “Não vou me adaptar a ser humilhada”, eu disse, parando a poucos metros dele. “Não vou compartilhar meu marido com outra mulher e o filho dela.”
Ele soltou o ar lentamente, pousando o copo com um clique suave. “Você diz isso como se tivesse algum trunfo”, comentou. “Você não tem.”
Minhas mãos cerraram-se ao lado do corpo, as unhas cravadas nas palmas. “Então me dê o divórcio”, insisti. “Limpo. Simples. Você fica com sua vida, e eu com a minha.”
Ele me observou por um longo momento, algo indecifrável passando por trás de seus olhos. Então, deu um passo à frente. “Você realmente acha que é tão fácil assim?”, perguntou calmamente.
Mantive minha posição. “É, se você parar de complicar as coisas.”
Sua mão subiu novamente, mais devagar desta vez, menos abrupta. Seus dedos roçaram meu maxilar, de forma quase enganosamente gentil, antes de apertarem o suficiente para me manter no lugar.
“Você entrou neste casamento sabendo quem eu era”, disse ele. “Você não pode reescrever as regras agora só porque seus sentimentos foram feridos.”
“Meus sentimentos?” Soltei um suspiro de descrença. “Você construiu uma segunda vida pelas minhas costas durante anos e acha que isso é sobre sentimentos?”
Ele apertou um pouco mais. “Isso é sobre realidade”, corrigiu ele. “E a realidade é que você é minha esposa.”
A palavra pesou mais do que deveria.
Esposa.
Um título que já significou algo. Um título que tentei honrar. Levantei a mão e afastei seu pulso do meu rosto. Desta vez, ele permitiu.
“Eu era sua esposa”, eu disse. “Antes das mentiras. Antes da criança. Antes de você deixar claro que eu era apenas uma posição que precisava ser preenchida.”
Algo mudou em sua expressão. Sutil, mas presente. Não soube dizer se era irritação ou raiva. “Você ainda está nessa posição”, disse ele. “E você não vai sair dela.”
“Eu vou”, respondi. “Você só não gosta do fato de que não pode controlar isso.”
Isso foi o bastante. Sua mão disparou, agarrando meu pulso novamente, desta vez com mais força. A força repentina me puxou para frente; perdi o fôlego quando o movimento causou uma dor aguda em meu braço.
“Chega”, disse ele, com a voz caindo, perdendo qualquer paciência que fingia ter. “Você já disse o que tinha para dizer.”
Uma pontada de dor surgiu onde seus dedos cravavam em minha pele, mas não me afastei. Fiquei ali, olhando para cima, deixando-o ver exatamente o que eu pensava dele.
“Então ouça o que você tem para dizer”, eu disse calmamente. “Porque eu cansei.”
As palavras ficaram suspensas entre nós, pesadas, irreversíveis. Por um segundo, tudo parou. Então, seu aperto intensificou-se a ponto de doer. Seu polegar pressionou o interior do meu pulso, bem onde a pulsação era mais forte, de forma deliberada e calculada.
“Você não vai embora, Fay”, ele disse.
Aquilo não era mais uma discussão. Era o controle sendo reafirmado. Minha garganta estava seca e meu pulso latejava sob sua pressão, mas forcei-me a falar mesmo assim.
“Prefiro sair daqui sem nada do que ficar e fingir que isso é um casamento.”
Seus olhos escureceram, a calma finalmente se quebrando. “Cuidado”, disse ele, com a voz mais baixa, mas carregando um peso muito maior. “Você está começando a soar ingrata.”
Um sorriso amargo surgiu em meus lábios. “Por quê?”, perguntei. “Por ser enganada? Por ser desrespeitada? Por ser substituída sem nem saber?”
Seu maxilar se contraiu. “Você não foi substituída”, disse ele. “Você ainda está aqui.”
As palavras atingiram-me, e algo dentro do meu peito se contorceu. “Esse é exatamente o problema”, respondi.
Seu aperto mudou ligeiramente, seus dedos subiram pelo meu pulso, mantendo-me firmemente no lugar. “Você não vai a lugar nenhum”, disse ele.
Engoli em seco, a dor na garganta fazendo o movimento arder. “Você não decide isso.”
Seu olhar fixou-se no meu, inabalável. “Eu já decidi.”
Meu coração batia com mais força pelo peso do que ele dizia. Pela certeza em sua voz. “Você não pode forçar alguém a continuar casada com você”, eu disse.
Um sorriso lento e seguro espalhou-se por seu rosto. “Posso garantir que você não tenha escolha.”
As palavras foram absorvidas aos poucos. “Você está me ameaçando”, constatei.
“Estou lembrando você”, corrigiu ele.
Meu peito apertou; algo afiado e doloroso instalou-se sob minhas costelas. Quatro anos, e era a isso que tínhamos chegado. “Não vou viver assim”, eu disse, com a voz mais baixa, a luta ainda presente, mas marcada por algo mais pesado.
Sua expressão não mudou. “Você vai”, disse ele simplesmente.
Balancei a cabeça, mesmo com meu pulso ainda preso sob seu domínio. “Não.”
Seus dedos apertaram mais uma vez, o suficiente para me fazer estremecer de dor desta vez. A dor escapou antes que eu pudesse escondê-la. Seus olhos captaram isso, e ele sorriu. “Você ainda não entende”, disse ele. “Tudo bem.”
Ele se inclinou ligeiramente, baixando a voz apenas o suficiente para que cada palavra pesasse mais.
“Você é minha esposa. Isso não acaba só porque você decidiu que está infeliz.”
Meu peito subia, irregular agora, o peso daquela frase pressionando mais forte do que seu aperto jamais poderia.
“Não estou pedindo”, eu disse, mesmo com a voz perdendo a firmeza.
“Estou dizendo”, respondeu ele.
Sua mão finalmente soltou meu pulso. A ausência de pressão veio acompanhada de uma dor surda; minha pele latejava onde seus dedos estiveram. Esfreguei o local instintivamente, a dor me trazendo de volta ao momento presente.
Ele se afastou, ajeitando o paletó, composto novamente como se não tivesse acabado de quebrar algo. “Você vai esquecer isso”, disse ele. “E aprenderá seu lugar novamente.”
Eu o encarei, com algo apertado e doloroso em meu peito, recusando-se a passar. “E se eu não aprender?”, perguntei.
Ele pausou e olhou para mim quando disse com finalidade: “Eu nunca vou me divorciar de você.”