Professor, Me Ensina?

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Resumo

A professora Viona Laurent construiu sua vida baseada no controle. Fria. Composta. Intocável. Como uma respeitada professora de biologia, ela segue uma regra acima de tudo: nunca misturar emoções com nada que possa perturbar a ordem que lutou tanto para manter. Sem envolvimentos. Sem complicações. Sem erros. Então, surge Neo Alvarez. Seu aluno. Um prodígio do futebol americano. O melhor da turma. Encantador sem esforço e perigosamente persistente. O que começa como uma batalha de limites logo se transforma em algo muito mais complicado. Neo não apenas desafia sua autoridade; ele enxerga através de suas muralhas, de seu silêncio e da distância que ela construiu com tanto cuidado. E quando a tensão dá lugar à tentação, Viona toma uma decisão que acredita ser capaz de controlar. Um acordo estritamente físico. Sem emoções. Sem futuro. Sem consequências. Mas Neo nunca pretendeu seguir as regras dela. O que começa como negação, lentamente se desfaz em algo que nenhum dos dois consegue ignorar, e quanto mais Viona tenta suprimir isso, mais inegável se torna. Porque algumas linhas, uma vez cruzadas... Jamais podem ser traçadas novamente.

Gênero
Erotica
Autor
Rhea
Status
Completo
Capítulos
27
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - O Silêncio

O corredor sempre ficava em silêncio antes de ela chegar.

Não o silêncio frágil do medo; Viona passou onze anos na academia e conseguia distinguir o terror do respeito num relance. O medo prende a respiração e reza. Aquilo era diferente. Era o silêncio de uma sala que já tinha se rendido, um endireitar coletivo de colunas e um guardar de celulares, cem pequenos atos de deferência realizados sem um pensamento consciente.

Ela caminhava por ali como se tivesse nascido para isso.

O som dos saltos batendo contra o linóleo polido. A blusa branca passada com uma precisão impecável, o botão de cima fechado apenas o suficiente para parecer profissional, o tecido tensionando sutilmente sobre o peito a cada passo medido.

O cabelo ruivo preso para trás em um coque solto que lhe tomara exatamente noventa segundos naquela manhã; ela tinha cronometrado a si mesma anos atrás e nunca mudou o hábito.

Sua saia caía logo abaixo dos joelhos, cinza-escura, prática. O tipo de saia que dizia estou aqui para ensinar, enquanto o balanço dos seus quadris dizia algo completamente diferente, algo que ela não conseguia controlar e que se recusava a pedir desculpas por ter.

A professora Viona, trinta e quatro anos, dona de dois doutorados e de quase zero amizades próximas, não reconhecia o efeito cascata de sua presença.

Ela simplesmente caminhava.

E o mundo se ajustava.

A sala de aula de biologia esperava no final do corredor leste, terceira porta à esquerda. Vinte e quatro mesas arrumadas em fileiras precisas, cada uma exatamente a sessenta centímetros da próxima.

O projetor aquecia com a sua aproximação; ela tinha treinado bem seu assistente aluno. O quadro branco tinha sido limpo dos rabiscos do dia anterior, com um conjunto novo de marcadores alinhados por tamanho e cor na bandeja.

Tudo em ordem.

Tudo sob controle.

Ela cruzou o limiar exatamente às 8h46, o mesmo horário em que entrava naquela sala todas as terças e quintas nos últimos quatro anos. Os alunos já estavam em seus lugares, com os cadernos abertos e os olhos voltados para a frente.

Todos, menos um.

Ele sentava na terceira fileira, centro-esquerda. Não na frente, o que teria sido ansioso demais, a posição de um aluno desesperado para provar algo. Não no fundo, o que teria sido desrespeitoso, e o desrespeito não era a sua linguagem. Terceira fileira. O lugar do observador. Perto o suficiente para ver cada lampejo no rosto dela, longe o suficiente para afirmar que não estava tentando nada.

Neo Alvarez.

Vinte e um anos. Aluno do último ano. Maçãs do rosto marcadas que captavam a luz fluorescente como lâminas. Cabelo escuro bagunçado que parecia intencional, como se ele tivesse passado as mãos pelo cabelo uma vez a mais e decidido deixar a evidência.

Sua camisa do uniforme era branca, conforme o regulamento, mas ele a usava de forma diferente dos outros rapazes: as mangas dobradas até o antebraço, o botão de cima aberto, o tecido solto em torno dos ombros que sugeriam o atleta por baixo.

Sua postura era relaxada, quase descuidada. Um cotovelo sobre a mesa. Pernas longas esticadas sob a bancada de um jeito que tecnicamente violava a regra tácita dela sobre o espaço pessoal. Seu livro didático permanecia fechado. Sua caneta estava intocada.

Os olhos dele estavam nela.

Não da forma como os outros alunos olhavam. Eles olhavam com cautela, respeito ou a resignação entediada de jovens adultos que aceitaram seu lugar na hierarquia. Neo olhava para ela como se fosse uma pergunta que ele pretendia responder.

Não era vulgar. Não era o olhar lascivo de um garoto que aprendeu o desejo antes de aprender a discrição. Era algo mais silencioso. Algo mais paciente.

Algo que fazia a nuca dela arrepiar, mesmo que ela se recusasse a admitir.

Ela não olhou para ele.

Ela nunca olhava para ele primeiro.

"Abram os livros didáticos. Página 214."

Sua voz preencheu a sala da maneira que sua presença sempre fazia: calma, controlada, clínica. A voz de uma mulher que nunca a tinha elevado porque nunca precisou. Ela carregava o peso da expectativa, não da ameaça. A diferença importava.

Páginas viraram em uníssono. Vinte e três alunos encontrando a página, lápis prontos, olhos na frente.

Neo não se moveu.

Seu livro continuava fechado. Seus olhos continuavam nela.

Ela sentiu aquilo como uma mudança na pressão atmosférica; sutil, mas inegável. O ar na sala mudou quando ele olhou para ela. Ficou mais espesso. Mais quente. Carregado com algo que ela se recusava a nomear.

Não.

Ela tinha uma regra sobre alunos como ele. Alunos que eram inteligentes demais para o próprio bem, conscientes demais do seu próprio apelo, dispostos demais a testar limites só para ver o que aconteceria. A regra era simples: ignorá-los. Privar o comportamento de atenção, e ele definharia.

Mas Neo não definhou.

Neo esperou.

"Expliquem a função do ATP na respiração celular."

Ela não olhou para ele. Ela direcionou a pergunta para a sala, seu olhar varrendo as fileiras com neutralidade treinada. Uma garota na primeira fileira levantou a mão. Um garoto no fundo remexeu em suas anotações.

Neo não se moveu.

"Alguém?"

Os olhos dela pousaram nele. Apenas por um segundo. Apenas o tempo suficiente.

Os lábios dele se curvaram; não era bem um sorriso, nem bem um sarcasmo. Algo entre os dois. Algo que era inteiramente dele.

"ATP", ele disse, e sua voz era pausada, tranquila, "é a principal moeda energética da célula. Ele captura a energia química da quebra das moléculas dos alimentos e a libera para alimentar os processos celulares."

Ele pausou.

"Mas você já sabia que eu sabia disso, professora."

Alguns alunos se remexeram desconfortáveis. Alguém tossiu. A garota da primeira fileira baixou a mão lentamente, com os olhos alternando entre Neo e Viona com o instinto de um predador que sente algo por baixo da superfície.

A expressão de Viona não mudou.

"Então, talvez você queira explicar por que seu livro ainda está fechado, Sr. Alvarez."

Lá estava. O nome dele, dito em voz alta. Parecia diferente dos outros nomes; mais pesado, mais quente, como se ocupasse mais espaço na boca dela do que deveria.

Neo inclinou a cabeça. Apenas um pouco. O suficiente.

"Talvez eu estivesse esperando você dizer."

A sala ficou ainda mais parada. Vinte e três alunos prendendo a respiração, sentindo algo que não conseguiam bem articular. Uma corrente passando entre a mulher à frente e o garoto na terceira fileira, invisível, mas inegável.

Viona sustentou o olhar dele por um momento a mais do que o necessário. Tempo suficiente para o silêncio se esticar. Tempo suficiente para os outros alunos trocarem olhares. Tempo suficiente para algo não dito passar entre eles; um desafio, talvez. Ou um reconhecimento.

Então, ela desviou o olhar.

"Trate de fazer com que isso não aconteça de novo."

Ela ouviu o suspiro suave atrás de si. Não era alívio. Era algo mais.

Algo que soava quase como satisfação.

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