O Longo Caminho de Volta Para Nós

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Resumo

Cinco anos após um casamento que a destruiu, Maya está pronta para recomeçar. Mas um nome inesperado do seu passado pode mudar tudo. Algumas jornadas não têm fim. Elas apenas esperam o momento certo para começar novamente.

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
16+

Packing Up The Past

Divorced.

Maya nunca imaginou que um dia usaria essa palavra para descrever a si mesma. E, ainda assim, aqui estava ela.

Ao crescer, ela sempre acreditou em um tipo diferente de final — que ela se apaixonaria, construiria uma vida com alguém e envelheceria junto, enfrentando tudo de mãos dadas. Era assim que deveria ser.

Mas a vida, ao que parecia, tinha outros planos.

Agora, recém-divorciada, ela estava parada no meio da sala de estar, cercada por caixas semiembaladas, organizando o que restava de suas coisas antes de se mudar.

Esta casa, que ela um dia chamou de lar, agora parecia fria e estranha. O silêncio pairava no ar, pesado e constante. Até o tique-taque do relógio parecia mais alto que o habitual, como se estivesse lembrando-a de que seu tempo ali tinha acabado.

Cinco anos.

E, assim mesmo, ela precisava começar tudo de novo.

Ela tentou pensar nos bons momentos que já havia compartilhado naquele espaço — as risadas, as pequenas rotinas diárias — mas sua mente se recusava a ir por esse caminho. Em vez disso, ela reprisava as brigas, as acusações, as coisas que foram ditas e não podiam ser retiradas. Ela não queria pensar em como tudo terminou. Não hoje.

Por um momento, ela já não estava mais na sala de estar.

Ela estava de volta à mesa de jantar, a mesma que agora estava ali atrás, meio vazia. O jantar tinha esfriado entre os dois, intocado.

O celular dele vibrou uma vez. Depois, outra.

Maya lembrava-se de como ele virou o aparelho para baixo rápido demais, como se aquele simples gesto pudesse apagar o que ela já tinha visto. A mensagem brilhou por apenas um segundo — mas foi o suficiente.

Já sinto falta da noite passada.

Ela olhou para ele então, esperando. Não por uma explicação — apenas pela verdade.

“O que é isso?”, ela perguntou.

“Nada”, ele disse, um pouco rápido demais.

E naquele momento, algo mudou. Não de forma barulhenta ou dramática. Apenas uma pequena e silenciosa rachadura — uma que se espalhou antes que ela pudesse impedi-la.

Ela passou semanas tentando entender onde tudo deu errado.

No início, ela procurou respostas em tudo — conversas, silêncios, pequenos momentos que ela poderia ter deixado passar. Ela repassou dias inteiros em sua cabeça, imaginando se houve algo que ela poderia ter feito de forma diferente, algo que deveria ter dito, algo que deveria ter notado antes.

Mas quanto mais ela pensava sobre isso, mais percebia que não houve um único momento que os tivesse destruído.

Tudo aconteceu de forma mais lenta.

Mais silenciosa.

Uma distância que cresceu despercebida, escondida dentro de rotinas e responsabilidades. Conversas que se tornaram mais curtas. Silêncios que se estenderam um pouco mais do que deveriam. Coisas deixadas sem dizer até que não parecesse mais valer a pena falar.

E então, um dia, tornou-se simplesmente impossível de ignorar.

Ela tinha prometido a si mesma que nunca deixaria algo assim acontecer de novo — ignorar o que sentia, esperar que as coisas se resolvessem sozinhas.

Em algum momento pelo caminho, ela parou de confiar não apenas nele, mas em seus próprios instintos também.

Talvez fosse isso o que a assustava mais.

Uma lágrima escorreu por seu rosto antes que ela pudesse impedi-la.

Maya limpou-a rapidamente e endireitou a postura.

Chega de lágrimas, ela disse a si mesma.

Não hoje.

Ela voltou às caixas, forçando-se a concentrar na tarefa que tinha em mãos. Ela pegou a caixa mais próxima, mais para se estabilizar do que para continuar arrumando.

Dentro dela estavam algumas coisas que ela tinha separado sem realmente olhar — objetos que antes faziam parte do seu dia a dia, mas que agora pareciam estranhamente distantes.

Sua mão parou sobre uma pequena tigela de cerâmica embrulhada em jornal.

Cuidadosamente, ela a desembrulhou.

As bordas estavam levemente lascadas, e o esmalte gasto nos lugares onde era usada com frequência. Ela se lembrou de comprá-la anos atrás, durante uma curta viagem que fizeram juntos, na época em que tudo ainda parecia fácil. Quando as conversas não pareciam negociações e o silêncio não era pesado.

Ela girou a peça lentamente nas mãos.

Era algo tão pequeno. Algo que ela poderia ter jogado fora sem pensar duas vezes há poucos dias.

E, no entanto, agora, segurando-a, ela se viu incapaz de decidir.

Guardar.

Deixar.

Levá-la para uma vida nova que deveria ser mais leve.

Ou deixá-la aqui, em um lugar que não lhe pertencia mais.

Maya soltou um suspiro baixo.

Por um momento, ela considerou colocá-la cuidadosamente em uma das caixas de “Guardar”.

Em vez disso, ela a embrulhou novamente — com o mesmo cuidado — e a deixou de lado.

Não na caixa.

Ainda não.

Algumas decisões, ela percebeu, não precisavam ser tomadas todas de uma vez.

Uma por uma, ela pegou os itens, decidindo o que guardar e o que deixar para trás, até que seus olhos pousaram em uma velha caixa de papelão empurrada um pouco para o lado.

Coisas da Faculdade.

Ela fez uma pausa.

Por um instante, ela apenas olhou para a caixa, como se não tivesse certeza se queria mesmo abri-la. Então, quase sem pensar, ela a puxou para mais perto.

Dentro, jazia uma coleção silenciosa de uma outra vida, de uma garota que ela mal reconhecia e, ainda assim, conhecia intimamente.

Uma carteirinha da faculdade com um rosto mais jovem sorrindo largo demais para a câmera. Um punhado de ingressos de cinema, pálidos pelo tempo. Cadernos espirais cheios de anotações de aula e rabiscos nas margens. Uma pétala de rosa seca entre duas folhas de papel. Uma fotografia de quatro garotas lado a lado no campus, com as cabeças jogadas para trás, rindo de algo que a câmera não conseguia lembrar.

Maya sorriu, apesar de si mesma.

Ela pegou a fotografia primeiro. Seu cabelo era mais longo naquela época, sempre escapando de qualquer presilha ou elástico que ela usasse. Ela usava argolas de prata quase todos os dias. Havia um brilho em sua expressão que ela não via há anos — não exatamente inocência, mas expectativa. A simples crença de que a vida estava apenas começando e tinha toda a intenção de ser generosa.

Ela colocou a fotografia de lado e encontrou uma pulseira da amizade, além de uma folha dobrada coberta com uma letra tão inclinada e apressada que parecia ter sido escrita enquanto corria.

Então, seus dedos envolveram um caderno de capa dura com revestimento de tecido.

Seu diário.

Maya pegou-o suavemente, seus dedos percorrendo as bordas gastas da capa. Um sorriso fraco surgiu em seus lábios enquanto memórias, há muito esquecidas, começavam a vir à tona.

Por um breve momento, o peso em seu peito diminuiu.

Parecia estranho — como algo tão pequeno poderia, de repente, parecer tão pesado.

Esta caixa, essas coisas… elas pertenciam a uma versão dela que parecia tão distante agora. Uma garota que acreditava que as coisas se ajeitariam, que a vida seguiria uma linha reta e previsível. Ela tinha feito planos naquela época — simples, certeiros. Terminar a faculdade. Começar uma carreira. Apaixonar-se. Construir um lar.

Ela tinha feito tudo isso.

E, no entanto, aqui estava ela novamente, parada no início de algo para o qual não tinha planejado.

Maya soltou um suspiro lento.

Ela se perguntou, não pela primeira vez, quão diferente as coisas poderiam ter sido se ela tivesse feito outras escolhas pelo caminho. Se ela tivesse se escutado com mais atenção. Se ela tivesse ido embora mais cedo. Ou talvez… se ela tivesse aguentado um pouco mais.

Mas não adiantava pensar assim.

O passado não mudava só porque você olhava para ele de um jeito diferente.

Ainda assim, sentada ali no chão, com pedaços de sua juventude espalhados ao seu redor, era difícil não sentir como se o tempo tivesse se dobrado sobre si mesmo.

Ela quase conseguia lembrar como era ser aquela garota novamente — despreocupada de uma forma que ela não valorizou na época. Esperançosa de um jeito que ela não se permitia ser há anos.

Naquela época, o amor parecia simples.

Ou, pelo menos, possível.

Agora, a ideia dele parecia… incerta.

Não impossível. Não totalmente.

Mas frágil.

Como algo que poderia escorregar entre seus dedos antes mesmo que ela percebesse que o estava segurando.

Maya apertou um pouco mais o diário, quase como se estivesse se firmando.

Talvez fosse por isso que ela evitou abrir esta caixa todos esses anos.

Porque ele a lembrava de um tempo em que ela não sabia como as coisas poderiam desmoronar.

Porque ele a lembrava de quem ela tinha sido antes de aprender o quanto poderia doer.

Ela fechou os olhos brevemente e, então, abriu-os novamente.

O cômodo ao seu redor continuava o mesmo — semiembalado, quieto, aguardando.

Mas algo dentro dela parecia diferente agora. Não mais leve, não exatamente. Apenas… consciente.

Consciente do quanto ela tinha percorrido.

E do quanto ela ainda tinha que seguir.

Ela olhou para o relógio na parede.

Ela realmente deveria voltar a empacotar.

Mas, em vez disso, ela se sentou, com o diário no colo, e abriu-o lentamente.

As páginas estavam preenchidas por uma versão mais jovem de si mesma — sua caligrafia mais bagunçada, mais apressada, seus pensamentos mais leves, mais esperançosos. Ela folheou as páginas, seu sorriso aumentando levemente.

Ela sabia exatamente o que estava procurando.

Virando mais algumas páginas, ela encontrou a anotação que tinha em mente.

Seus dedos pararam por um segundo antes que ela começasse a ler.

Um nome saltou à sua frente antes que ela pudesse se preparar.

Ela não pensava nele há anos.

E, ainda assim, aqui estava ele, esperando por ela no passado.

Akshay.