ME LEVE PARA CASA

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Resumo

Me Leve para Casa 18+ Esta história contém temas de luto, perda de entes queridos, depressão e ansiedade. Temas maduros. Adultos consentidos. Age gap relationship. Julian Vance tem 45 anos. CEO. Vazio. Há quinze anos, ele tem uma única regra: nunca misturar negócios com luto. Não desde o acidente que lhe tirou tudo. Leo Chen tem 27 anos. Redator júnior. Destroçado. Ele fica até tarde no escritório porque seu apartamento é silencioso demais. Hoje marca quinze anos desde que ele perdeu seus pais. Ele não deveria estar no trabalho. Ele não consegue ir para casa. Eles compartilham a mesma data. O mesmo luto. Quando Julian encontra Leo chorando no escritório vazio em 12 de outubro, ele quebra sua única regra. Ele o leva para casa. O que começa como uma noite de silêncio compartilhado torna-se algo que nenhum dos dois sabe como nomear. Julian não sabe lidar com conforto. Leo não confia em gentileza fácil. Mas o luto reconhece o luto, e duas pessoas quebradas estão aprendendo que lar não é um lugar. É uma pessoa. Um romance M/M contemporâneo, slow-burn e hurt/comfort sobre um CEO bilionário grumpy, seu funcionário sunshine e os momentos silenciosos que os ensinam a respirar novamente. Grumpy x Sunshine | Age Gap | Boss/Employee | Found Family | Emotional Healing | Billionaire Romance

Gênero
Lgbtq
Autor
JC SNOW
Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
4.8 4 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: A Regra


18+ Esta história contém temas de luto, perda de entes queridos, depressão e ansiedade. Temas adultos. Adultos conscientes.

Julian Vance tinha uma regra.

Não se mistura negócios com luto.

Não se mistura negócios com nada.

Não desde Lily.

Ele construiu a Vance & Associates com base nessa regra. Quarenta e quatro andares de vidro e aço em Manhattan. Nada de fotos nas paredes. Nada de ligações pessoais depois das 18h. Ninguém ficava até mais tarde, a menos que fosse pago por isso.

Especialmente em datas de aniversário de morte.

Especialmente nesta.

Julian olhou para a data no celular. 12 de outubro. Quinze anos.

Ele não sentia nada. Esse era o objetivo.

Ele colocou o celular virado para baixo sobre a mesa. De mogno. Cara. Vazia.

Do lado de fora de seu escritório, o 44º andar estava silencioso. Eram 19h03. Todos os outros tinham ido para casa. Eles sempre iam. Ele assinava os cheques. Ele criava as regras.

Nada de horas extras no dia 12 de outubro. Não desde o terceiro ano.

Então, por que a luz ainda estava acesa no Marketing?

Julian levantou-se. Seu joelho não estalou hoje. Pequenas misericórdias. Ele tinha quarenta e cinco anos. Jovem demais para se sentir velho. Velho demais para fingir que a data não importava.

Ele passou pelas baias vazias. Seus passos eram altos. Ele gostava assim. As pessoas ouviam quando ele se aproximava. Elas tinham tempo de parecer ocupadas.

O setor de Marketing ficava no canto dos fundos. Uma luminária de mesa. Uma pessoa.

Leo Chen.

Vinte e sete anos. Três anos na empresa. Redator júnior. Bom no que fazia. Quieto. Nunca faltou por doença.

Ele estava curvado sobre o teclado. Seus ombros tremiam.

Não digitando. Tremendo.

Julian parou a um metro e meio de distância. Ele não era de consolar. Ele não era de ser pessoal. Ele cuidava da folha de pagamento.

— Você está aqui tarde — disse Julian.

Leo deu um sobressalto. Sua cabeça levantou num solavanco. Seus olhos estavam vermelhos. Não pela tela. Por ter chorado.

Ele enxugou o rosto com a manga do suéter. Era cinza. Grande demais. Fora do código de vestimenta do escritório. Julian não se importava com o código de vestimenta. Ele se importava com o tremor.

— Sr. Vance. — A voz de Leo estava rouca. — Desculpe. Eu não... eu já vou. Só precisava terminar...

— São 19h — disse Julian. — Não fazemos hora extra no dia doze.

Leo congelou. Suas mãos ainda estavam sobre o teclado. Ele não estava digitando. Ele não estava se movendo.

— Você sabe a data — disse Leo. Não era uma pergunta.

Julian não respondeu. Ele não deveria saber quem era Leo Chen. Ele tinha duzentos funcionários. Ele conhecia suas avaliações de desempenho. Não seus aniversários. Não seu luto.

— Estou bem — disse Leo. Ele mentiu mal. Seus olhos ainda estavam úmidos. — Eu costumo trabalhar. É mais fácil. Em casa é... é silencioso.

Julian sabia como era o silêncio. O silêncio era a pior parte.

Ele olhou para a mesa de Leo. Uma foto em porta-retratos, virada para baixo. Uma caneca de café. "Funcionário Mais ou Menos do Mundo". Estava lascada. Uma pasta azul, cheia de papéis.

Relatórios de Marketing. Nada urgente. Nada que não pudesse esperar até segunda-feira.

— Vá para casa, Sr. Chen — disse Julian. Sua voz saiu mais dura do que pretendia. Ele estava fora de prática. Ele não falava com as pessoas depois das 18h.

— Eu não posso. — A voz de Leo falhou. Ele olhou para as próprias mãos. — Hoje faz quinze anos para mim também.

O ar saiu do escritório de Julian. Mesmo ele não estando lá.

Quinze anos.

O mesmo número. O mesmo dia.

Julian não acreditava em coincidências. Ele acreditava em dados. Em contratos. Em regras.

Isso não estava no manual do funcionário.

Leo empurrou a cadeira para trás. As rodinhas fizeram barulho no silêncio. Ele se levantou rápido demais. Ele cambaleou.

Julian se moveu sem pensar. Ele atravessou o setor em dois passos. Sua mão estava no braço de Leo antes que ele percebesse o que estava fazendo.

Não toque nos funcionários. Essa era a regra número quatro.

Leo não se afastou. Ele apenas ficou ali. Tremendo. Vinte e sete anos tremendo como se o mundo estivesse acabando.

Porque para ele, talvez estivesse. De novo.

— Quando? — perguntou Julian. Sua voz era baixa. — Hoje. Quando aconteceu?

Leo olhou para ele. Olhou de verdade. Pela primeira vez em três anos. Não o Sr. Vance. Não o CEO. Apenas o homem que perguntou.

— Acidente de carro — sussurrou Leo. — 18h17. Meus pais. Eles estavam indo me buscar no treino de futebol. Eu tinha dezesseis anos.

18h17. Julian checou seu relógio. 19h09.

Ele tinha perdido. Por cinquenta e dois minutos.

Lily foi às 18h03. Fogo. Apartamento. Ele estava no escritório. Ele disse a si mesmo que ligaria de volta.

Ele não ligou de volta.

Julian soltou o braço de Leo. Seus dedos pareciam queimados.

Ele deu um passo para trás. Precisava da mesa entre eles. Precisava dos quarenta e quatro andares. Precisava da regra.

— Sinto muito pela sua perda — disse Julian. Corporativo. Vazio. Seguro.

Leo deu um sobressalto, como se Julian tivesse lhe batido.

— Não — disse Leo. — Não faça isso. Não você. Não hoje.

Não você.

O que isso significava? O que Leo Chen sabia sobre ele?

— Sr. Chen, é tarde. Você deveria...

— Meu irmão morreu também — disse Leo. Ele não estava mais olhando para Julian. Estava olhando para a foto virada para baixo. — No ano passado. No mesmo dia. Ano diferente. Acho que minha família gosta do dia 12 de outubro.

Ele riu. Foi um som quebrado. Não pertencia a um escritório. Não pertencia a lugar nenhum.

O peito de Julian doeu. Ele tinha quarenta e cinco anos. Ele não tinha dores no peito. Ele fazia exames médicos duas vezes por ano. Ele corria dez quilômetros todas as manhãs.

Ele não tinha dores no peito.

— Vá para casa — disse Julian novamente. Era tudo o que ele tinha.

— Eu não tenho uma casa — disse Leo. — Não hoje. Meu apartamento está... cheio das coisas deles. As coisas do meu irmão. Eu não posso... não posso ficar lá quando o silêncio bate.

Julian entendeu. Meu Deus, como ele entendeu. Ele vendeu seu apartamento depois de Lily. Comprou uma cobertura com paredes brancas. Sem histórico. Sem silêncio.

Ele ainda dormia em hotéis na metade do tempo.

— Então vá para um hotel — disse Julian. — Use o cartão da empresa. Eu autorizo.

Leo finalmente olhou para cima. Seus olhos eram escuros. Castanhos. Com as bordas vermelhas. Vinte e sete anos com cara de setenta.

— Você não entende — disse Leo. — Eu não quero um hotel. Não quero um cartão. Eu quero...

Ele parou. Pressionou os lábios um contra o outro. Olhou para o lado.

Julian esperou. Ele era bom em esperar. Ele tinha esperado quinze anos.

— Eu quero que fosse ontem — terminou Leo. Sua voz estava tão baixa que Julian quase não ouviu. — Ou amanhã. Eu só não quero que seja hoje.

Julian conhecia esse sentimento. Ele vivia nesse sentimento. Trezentos e sessenta e quatro dias por ano, ele estava bem. Funcional. Vazio.

Em um dia, ele não estava.

Ele olhou para Leo. Olhou de verdade. Sem avaliação de desempenho. Sem número de folha de pagamento. Apenas um rapaz. Tremendo. Em luto. No mesmo dia.

A regra quebrou.

— Venha comigo — disse Julian.

Leo piscou. — O quê?

— Você não pode ficar sozinho — disse Julian. As palavras soaram estranhas em sua boca. Ele não dizia coisas assim. — E eu... eu também não lido bem com o silêncio.

Foi a coisa mais honesta que ele disse em quinze anos.

Leo encarou-o. O andar do marketing estava silencioso. A cidade estava quarenta e quatro andares abaixo. Alheia a tudo.

— Sr. Vance, eu não posso...

— Julian — disse ele. Ele não dizia seu nome para um funcionário há dez anos. — Pelo menos esta noite. Apenas Julian.

A boca de Leo abriu. Fechou. Suas mãos estavam cerradas em punhos ao lado do corpo.

A luminária da mesa zumbia. A pasta azul permanecia ali. A foto continuava virada para baixo.

— Eu não entendo — sussurrou Leo.

Nem Julian.

Mas ele já estava alcançando seu paletó. Já estava quebrando a regra número um.

Não se mistura negócios com luto.

Ele estava misturando de qualquer jeito.