CAPÍTULO 1
O primeiro golpe sempre vinha antes da multidão.
Essa era a regra da alcateia Bloodridge.
Não a regra oficial, é claro. As regras oficiais eram esculpidas em pedra, faladas em cerimônias e cantadas por lobos que nunca tinham sentido o gosto da fome. Mas as verdadeiras regras viviam em lugares como o pátio de treinamento, onde a terra era batida com sangue antigo e o ar cheirava a suor, pinho e à picada metálica e aguda da humilhação.
Eu aprendi isso quando tinha doze anos.
Aprendi de novo todos os dias depois disso.
Hoje, o primeiro golpe foram palavras.
“Olhem para ela”, alguém murmurou, alto o suficiente para que o círculo ouvisse. “Até os lobos não a querem.”
Uma onda de risadas percorreu os membros da alcateia ali reunidos. O som me atingiu com mais força do que qualquer punho jamais atingiu. Mantive o rosto imóvel, as mãos ao lado do corpo e encarei os postes de madeira no centro do pátio como se fossem as únicas coisas sólidas no mundo.
Como se eu pudesse me ancorar neles.
Como se eu não fosse tremer se respirasse fundo demais.
“Mova-se”, rosnou meu instrutor.
Eu fiz isso.
Meus pés descalços deslizaram sobre a terra úmida enquanto eu entrava no círculo demarcado. As cicatrizes antigas nos meus joelhos retesaram. Meu ombro latejava da última lição, onde eu tinha sido jogada contra uma parede porque era “lenta demais”, “fraca demais” e “envergonhada demais para se transformar direito”.
A alcateia adorava essa.
Envergonhada demais.
Como se vergonha fosse uma escolha.
Como se eu não tivesse passado minha vida inteira vestindo-a como se fosse minha pele.
“De novo”, disse o instrutor.
Ele era um homem largo, com uma cicatriz cortando a sobrancelha e nenhuma paciência sobrando para mim ao amanhecer. Na hierarquia de Bloodridge, isso o tornava gentil. Muitos eram piores. Ele segurava uma lâmina de treino na mão, com o fio cego apenas o suficiente para não matar.
Apenas o suficiente.
Levantei minha própria arma, uma adaga de treino simples entregue a todo lobo com idade suficiente para defender a alcateia. A minha tinha um cabo de couro rachado e uma lâmina tão fina que poderia cortar se eu respirasse errado perto dela. Meus dedos se fecharam em torno dela, então apertaram quando minha loba se agitou sob minha pele.
Agora não, pensei.
Aqui não.
Ela estava sempre lá, sempre andando de um lado para o outro na escuridão dentro de mim, rosnando para cada humilhação como se pudesse despedaçar o mundo apenas com os dentes. Mas ela nunca era forte o suficiente quando eu mais precisava dela. Nunca rápida o suficiente. Nunca disposta a se manifestar por completo.
A alcateia chamava isso de mais um fracasso.
Eu chamava de sobrevivência.
“Defenda-se”, disse o instrutor.
O homem à minha frente era mais velho, um guerreiro comum com um sorriso sarcástico já estampado no rosto. Ele me circulou como um falcão circularia um coelho. Ele era maior, mais forte, e todos no pátio sabiam disso.
Todos estavam esperando para me ver cair.
Engoli em seco, sentindo o gosto de poeira e cobre velho.
Ele avançou.
Bloqueei o primeiro golpe, o impacto vibrando até meu pulso. O segundo atingiu meu ombro e quase me girou, tirando-me o equilíbrio. As risadas surgiram novamente.
“Patética”, alguém disse.
Meu maxilar travou.
De novo. Outro corte. Outro bloqueio. Meus braços começaram a tremer. Ele estava me testando agora, nem fingindo lutar a sério, apenas pressionando cada vez mais forte até que eu fosse forçada a recuar.
Um passo.
Dois.
A borda do ringue de treino era uma linha que eu tinha cruzado muitas vezes em muitas humilhações. Atrás dela estavam os espectadores: guerreiros, pares acasalados, anciãos, garotas sem parceiro que nunca falariam comigo a menos que recebessem ordens, e garotos que me observavam com a crueldade brilhante daqueles que nunca tinham aprendido a temer as consequências.
E perto da frente, com os braços cruzados sobre o peito, estava Kael Bloodridge.
O futuro alfa.
Meu coração deu um salto tolo e traiçoeiro ao vê-lo.
De todas as pessoas, por que ele.
Kael não sorriu. Ele raramente o fazia. Mas o leve estreitar de seus olhos cinzentos me disse que ele tinha notado cada falha, cada passo em falso. Seu cabelo escuro caía sobre a testa de um jeito que o fazia parecer injustamente perigoso, mesmo com roupas de treino comuns. Ombros largos, maxilar duro, o tipo de corpo feito para o comando, a violência e todos os pecados entre eles.
Ele era tudo o que a alcateia admirava.
Tudo o que eu não era.
E ele não tinha nada que olhar para mim.
Essa era a pior parte.
Não os escárnios. Não a lâmina em minha garganta. Não a certeza de que, se eu desmoronasse, todos se lembrariam de rir.
Era o calor da atenção dele na minha pele.
Era o modo como minha loba levantava a cabeça sempre que ele estava por perto, como se algum instinto profundo o reconhecesse antes que minha mente pudesse acompanhar. Como se ela quisesse se inclinar na direção dele, ridícula, faminta e estranhamente desleal.
Eu odiava isso acima de tudo.
O guerreiro atacou de novo. Bloqueei tarde demais. A lâmina cega cortou meu antebraço, abrindo a pele em um traço superficial.
A dor veio quente.
Algumas gotas de sangue atingiram a terra.
O pátio ficou em silêncio de um jeito que parecia pior do que as risadas.
Minha loba saltou tão violentamente dentro de mim que quase ofeguei. Um pulso de poder percorreu minhas veias — brilhante, selvagem e completamente errado. Os pelos da minha nuca se eriçaram. O ar parecia pressionar.
O guerreiro à minha frente piscou.
Por uma respiração suspensa, pensei que algo pudesse acontecer. Algo impossível. Algo que faria todos pararem de me olhar como se eu fosse uma mancha que se recusava a sair.
Então o poder desapareceu.
Simples assim.
A boca do guerreiro se contorceu. “É só isso que você tem?”
Eu o odiei por dizer isso.
Eu me odiei mais por ouvir a verdade nisso.
Ele foi atrás do meu pulso. Tentei girar, mas meu pé escorregou na terra batida. O ombro dele colidiu com o meu e me jogou para o lado. Minha adaga voou da minha mão. Atingi o chão com força suficiente para perder o fôlego.
A alcateia explodiu.
Lá estava. O som que eu conhecia melhor.
Não aplausos. Não elogios. Nem mesmo preocupação.
Diversão.
Levantei-me com os braços trêmulos, com terra na boca e a humilhação ardendo atrás dos meus olhos. Meu cabelo tinha se soltado da trança e caía sobre meu rosto. Eu podia sentir todos olhando, esperando que eu chorasse.
Eu não choraria.
Preferiria sangrar.
“Chega”, disse uma voz da borda do círculo.
As risadas morreram.
Minha cabeça se ergueu num solavanco.
Kael tinha falado.
O instrutor se endireitou, instantaneamente cauteloso. O guerreiro que me derrubou deu um passo atrás. Até a multidão se moveu, a atenção se concentrando em Kael como ferro em um ímã.
Ele não tinha se movido de onde estava, mas a atmosfera tinha mudado mesmo assim. Sempre mudava perto dele. Ele carregava autoridade da mesma forma que alguns homens carregam uma arma: naturalmente, perigosamente, sem nunca precisar provar que sabia como usá-la.
Seu olhar estava fixo em mim.
Não no meu sangue.
Não na minha queda.
Em mim.
Uma consciência estranha e quente rastejou sob minha pele. Eu queria me levantar antes que ele pudesse ver a lama no meu rosto, a vergonha em meus olhos. Eu queria desaparecer. Eu queria desafiá-lo. Eu queria —
Não.
Enrolei meus dedos na terra.
O rosto de Kael não revelava nada, mas havia algo em seus olhos que me deixava mais inquieta do que a raiva teria feito. Não era nojo. Não era pena.
Interesse.
Isso deslizou sobre mim como um toque.
Minha loba choramingou.
Fiquei rígida.
Impossível.
Ele olhou para o instrutor. “Ela terminou.”
A boca do instrutor se contraiu. “Com todo respeito, filho do Alfa—”
O olhar de Kael o interrompeu.
Ainda não era alfa, mas estava próximo o suficiente para que ninguém ousasse corrigi-lo duas vezes.
O instrutor curvou a cabeça. “Como desejar.”
Enquanto Kael se afastava, o fôlego que eu vinha segurando finalmente saiu em um puxão fino e trêmulo. O alívio deveria ter vindo depois.
Em vez disso, meu peito doeu.
Porque ele tinha notado a mim.
Porque, por um segundo humilhante, eu tinha querido que ele olhasse de novo.
Eu me odiei por isso também.
“Levante”, o instrutor ordenou bruscamente.
Empurrei-me para os joelhos e tentei alcançar minha adaga, mas antes que minha mão pudesse fechar em torno do cabo, outra bota pisou sobre ele.
Olhei para cima.
Mara.
É claro que era Mara.
Ela era uma das filhas favoritas da alcateia — cabelo loiro sedoso, postura perfeita, um rosto tão bonito que fazia a crueldade parecer elegante. Sua mãe fazia parte do conselho. Seu irmão tinha um esquadrão de caça inteiro sob seu comando. Mara nunca tinha trabalhado um dia sequer na vida, mas a alcateia a tratava como se fosse o luar feito carne.
Ela se agachou o suficiente para garantir que só eu pudesse ouvi-la. “Você sempre faz um escândalo.”
Eu não disse nada.
Seu sorriso se tornou mais afiado. “É quase impressionante. Você nem consegue perder em silêncio.”
Sua bota pressionou a adaga com mais força, o cabo de couro rangendo sob seu peso. Eu poderia ter avançado nela. Poderia ter tentado arrebatar a lâmina, poderia ter quebrado seu nariz e aceitado a punição que viria a seguir.
Em vez disso, fiquei parada.
Porque eu sabia o que aconteceria se eu a tocasse.
Porque a alcateia não punia os escolhidos.
Eles puniam os convenientes.
Os olhos de Mara foram para o corte no meu braço. — Você está sangrando.
— Parabéns — eu disse, antes que pudesse me controlar.
Alguns lobos por perto riram.
A expressão de Mara ficou fria. Então, ela se endireitou e desferiu o próximo golpe com uma graça que parecia fácil.
— Lobos como você não deveriam ter permissão nem de entrar no pátio.
As palavras acertaram bem o centro do meu peito.
Não porque fossem novidade.
Porque não eram.
Esse era o problema de viver em Bloodridge. Eles nunca ficavam sem formas de me lembrar que eu não era bem-vinda. Cada insulto tinha raízes aqui. Cada olhar contava a mesma história. Excluída. Peso morto. Loba sem valor.
Minha mãe já tinha me dito uma vez que o lugar de um lobo na alcateia era decidido pela lua.
Eu tinha treze anos quando ela desapareceu, e logo descobri que Bloodridge preferia decidir as coisas no soco.
Mara se aproximou mais, os lábios se curvando. — Talvez se você tivesse uma mãe de verdade, alguém teria te ensinado a se colocar no seu lugar.
O mundo se estreitou.
Algo dentro de mim se abriu tão de repente que pareceu dor.
Não por causa do insulto.
Por causa da velha mágoa por baixo dele.
Minha mãe.
Foi embora antes que eu pudesse perguntar por quê.
Foi embora antes que eu pudesse me lembrar do seu cheiro.
Foi embora antes que alguém pudesse me dizer se ela tinha partido, se tinha sido levada ou silenciada.
Vi manchas vermelhas nos cantos da minha visão.
O pátio inclinou.
O sorriso de Mara vacilou. Só por um instante.
Ela sentiu.
O que quer que estivesse despertando em mim, ela também sentiu.
E essa percepção me assustou mais do que qualquer crueldade dela jamais poderia.
Um som baixo ecoou pelo ar.
Não era um rosnado.
Era uma ordem.
— Chega.
Kael, de novo.
Todas as cabeças se viraram.
Ele ainda estava na borda do pátio, mas agora seus ombros estavam rígidos e sua expressão era ilegível, de um jeito que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.
O rosto de Mara se transformou instantaneamente. Suavizou. Ficou satisfeita. Quase sedutora. — Eu só estava corrigindo ela.
Kael não olhou para ela.
Ele olhou para mim.
— Para dentro — disse ele.
A palavra bateu mais forte que a queda.
Por um segundo, não consegui me mover. O pátio inteiro parecia prender a respiração ao nosso redor. Senti a pressão de cada olhar, de cada palpite sussurrado, de cada especulação faminta circulando pela alcateia como fumaça.
Para dentro.
Não dispensada.
Não mandada embora.
Ordenada.
Por ele.
Minha garganta apertou. — Por quê?
Seu maxilar contraiu. — Quer que eu repita?
A pergunta deveria ter soado como uma ameaça.
Talvez fosse.
Mas havia algo mais por baixo, algo rude, sombrio e pessoal demais.
Meu pulso falhou.
Eu odiava o fato de meu corpo reagir antes que meu orgulho pudesse acompanhar.
Apoiei as mãos nos joelhos e me forcei a ficar de pé, ignorando a ardência no braço e a dor nas costelas. A terra deslizou da minha pele. Eu podia sentir o sangue secando, quente, no meu antebraço. Minha trança tinha se desfeito completamente, com mechas escuras colando na minha bochecha e pescoço.
Olhei-o nos olhos.
Algo perigoso de se fazer.
A expressão dele mudou de forma tão sutil que eu poderia ter imaginado. Mas então, o olhar dele caiu, apenas por um segundo, para a linha de sangue no meu braço.
E o ar entre nós mudou.
Minha loba avançou tão violentamente que quase me desequilibrei. A sensação foi como uma porta se escancarando dentro do meu peito. Um calor me inundou, brilhante e impossível, e por um momento aterrorizante achei que Kael também tivesse sentido, porque suas narinas dilataram e seus olhos se tornaram intensos.
Ele me farejou.
A percepção atingiu com uma força obscena.
Não era sangue.
Não era terra.
Era eu.
Senti frio e calor ao mesmo tempo.
Ao nosso redor, a alcateia tinha silenciado daquela forma afiada e predatória como os lobos ficam quando algo interessante acontece. Podia sentir a atenção pressionando de todos os lados.
A voz de Mara surgiu fina de curiosidade, quebradiça de irritação. — Kael?
Ele não a respondeu.
Ele não desviou os olhos de mim.
— Para dentro — repetiu ele, mais baixo desta vez.
Isso foi pior.
Aquela voz. Aquele olhar. O subtexto de algo que ele claramente não pretendia mostrar.
Algo em mim respondeu.
Não.
Não a ele.
Ao que quer que ele fosse.
Não me movi.
Sua boca se contraiu. — Agora.
Eu deveria ter obedecido.
Cada instinto em Bloodridge me dizia para obedecer ao futuro alfa quando ele desse uma ordem. Mesmo que a ordem fosse para humilhar. Mesmo que fosse para testar. Mesmo que fosse apenas outra forma de me lembrar que meu lugar no mundo era onde quer que alguém mais forte decidisse.
Mas meu orgulho tinha seus próprios dentes.
Ergui o queixo. — Se já terminei aqui, irei quando eu quiser.
Um murmúrio passou pelo pátio como um trovão.
Mara parecia encantada. O instrutor parecia horrorizado. Alguém lá no fundo sibilou meu nome como um aviso.
Os olhos de Kael escureceram.
Por um longo segundo, achei que tinha ido longe demais.
Então, lentamente, o canto de sua boca se moveu.
Não era um sorriso.
Algo mais afiado.
Algo que fez meu estômago dar um nó de uma forma que eu não queria admitir.
— Interessante — disse ele.
Ele deu um passo à frente.
Apenas um passo.
Não deveria ter importado. Mas importou. A alcateia inteira pareceu recuar diante da força disso. O cheiro dele me alcançou de uma vez — pinho limpo, ar frio, um rastro de fumaça, e por baixo, algo mais profundo, mais quente, mais devastador do que tinha qualquer direito de ser.
Minha loba surgiu novamente.
Quase tropecei.
O olhar de Kael caiu para a minha boca.
Minha respiração falhou.
O mundo se resumiu àquele pequeno e perigoso espaço entre nós. Eu podia ouvir meu próprio coração. Podia ouvir o grasnado distante dos corvos nas árvores além do campo de treinamento. Podia ouvir a respiração ofegante de Mara quando ela percebeu, tarde demais, que não era mais o centro das atenções.
A voz de Kael baixou até que apenas eu pudesse ouvir.
— Você não deveria estar sangrando na minha frente.
As palavras eram um aviso.
Talvez uma promessa.
Talvez ambos.
Minha boca secou.
E porque eu estava cansada, furiosa e tremendo inteira, disse a coisa mais idiota da minha vida.
— Então pare de olhar.
Por um segundo impossível, ele pareceu quase chocado.
Então o pátio explodiu.
Não literalmente.
Mas o silêncio se quebrou. Sussurros irromperam. Alguém riu em descrença. Mara fez um som de indignação. O instrutor praguejou baixinho.
Os olhos de Kael se tornaram algo perigoso e intensamente vivo.
Um músculo saltou em seu maxilar.
— Você não sabe o que está fazendo — disse ele.
O significado por trás disso me atingiu mais forte que as palavras.
Eu não sabia se ele se referia ao desafio.
Ao sangue.
Ao calor entre nós.
Ou a mim.
Antes que eu pudesse perguntar, antes que eu pudesse me odiar por desejar isso, uma trombeta soou nos portões da frente.
Uma vez.
Duas.
Depois de novo, longa e urgente.
O pátio inteiro congelou.
Um mensageiro irrompeu no campo de treinamento, com os olhos arregalados e ofegante. — Casa do Alfa! — gritou ele. — Agora! Há uma mensagem da fronteira—
Ele parou bruscamente quando viu Kael.
O futuro alfa já tinha ficado imóvel, cada rastro do que quer que tivesse brilhado entre nós sendo selado atrás de uma máscara mais fria que pedra.
— Que mensagem? — Kael exigiu.
O mensageiro engoliu em seco. — Da crista norte. Eles encontraram um corpo.
A alcateia se agitou.
Minha pele se arrepiou.
O olhar de Kael se fixou no mensageiro. — De quem?
O rosto do mensageiro perdeu a cor.
— Dizem que é da sua mãe.
O mundo parou.
Meu sangue virou gelo nas minhas veias tão rápido que doeu.
Não.
Não, isso era impossível.
Ouvi as palavras e