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Nas últimas quatro semanas, Kimberly Blake sabia que alguém a seguia. Ela conseguia sentir isso tão claramente: aquela sensação de formigamento no centro da espinha, os pelos da nuca se arrepiando e arrepios percorrendo seus braços. Tinha alguém ali. Quando ela ia ao mercado, quando buscava a correspondência, quando se vestia para dormir à noite. Alguém estava observando.
Ela não havia compartilhado seus medos com ninguém, pois temia que não acreditassem nela e pensassem que estava ficando maluca. Droga, ela mesma estava começando a achar que estava um pouco louca. Afinal, não importava o quão estranho ela se sentisse, nunca via nada que provasse que estava sendo seguida.
Mas ela sentia. Ela simplesmente sabia. De alguma forma, ela sabia.
Quem iria querer machucá-la? Ela se perguntava com frequência. Tudo bem, talvez ela tivesse se envolvido em algumas brigas e desentendimentos com as pessoas... Todo mundo se envolve. Ela tinha certeza de que não era motivo suficiente para alguém querer feri-la... Ou seria? Às vezes, as pessoas fazem coisas muito estranhas. Por motivos banais.
Embora não desse para ter certeza. Sua família era rica e tinha muitos amigos. Seu pai e o amigo dele, Christopher Keane, às vezes faziam festas em casa. Festas que Kimberly costumava achar um tédio. Ela sabia que a maioria das pessoas que comparecia ia apenas para exibir roupas de grife e se gabar de suas conquistas recentes. As mulheres viam a comida como uma inimiga e os homens eram arrogantes demais para o gosto dela... Pessoas que achavam que podiam ter tudo o que queriam por causa da riqueza. Às vezes, ela não entendia por que o pai andava com gente assim.
Ela era filha única. Sua mãe, Clara Blake, havia morrido quando ela ainda era um bebê. Por isso, não tinha lembranças dela. Mas ela já tinha visto fotos e, na maioria das vezes, imaginava como teria sido crescer com a mãe. Não foi fácil quando ela era adolescente e queria conversar sobre coisas que não se sentia à vontade para tratar com o pai. Coisas que ela sentia que a mãe teria entendido melhor. E, na maioria das vezes, ela sentia inveja das amigas quando as via com suas mães.
Seu pai, Hillary Blake, amava muito a esposa e ficou devastado quando ela morreu. Ele nunca se casou novamente. Então, criou Kimberly como pai solteiro. Ele era podre de rico e dono da própria empresa. Kimberly nunca passou vontade de nada... Pelo menos, não de bens materiais.
Hillary amava muito sua única filha. Ele faria qualquer coisa por ela, e todos que os conheciam sabiam disso. Kimberly era a menina dos olhos do pai, e ele faria de tudo para protegê-la.
Kimberly também sabia disso. Ela tinha vinte e cinco anos e chefiava uma das filiais do pai. Em breve, herdaria a empresa e sabia que Hillary faria qualquer coisa para proteger sua querida filha e herdeira de sua fortuna. Foi por isso que ela não contou a ele sobre suas recentes suspeitas de estar sendo seguida.
Ela sabia que, se contasse, ele imediatamente exigiria que ela fizesse algo louco, como se mudar de volta para a mansão dele. E isso era a última coisa que Kimberly queria.
Kimberly amava ser independente. Ela adorava ter controle sobre sua vida e odiava, acima de tudo, que lhe dissessem o que fazer. Esse foi outro motivo pelo qual ela não contou ao pai como vinha se sentindo ultimamente. Ela queria sua liberdade e sabia que não a teria se continuasse morando na casa grande do pai. Ela também preferia ser reconhecida como ela mesma, e não como a filha do bilionário Hillary Blake.
Ela não queria que as pessoas pisassem em ovos ao seu redor e, por isso, raramente dizia quem era... Embora algumas soubessem. Principalmente as do trabalho.
Kimberly amava as coisas simples... E as belas também. Ela tinha um apartamento não muito longe de seu escritório e nem muito longe do pai. Ela não queria ficar distante dele. Ele era tudo o que ela tinha, e vice-versa. Além disso, ele nem a deixaria ir muito longe, mesmo que ela quisesse. Ainda bem que ela também não queria.
Ela amava o pai profundamente. Esse era outro motivo para não contar sobre suas preocupações: ela não queria incomodá-lo. Ela odiava vê-lo preocupado. E não iria aborrecê-lo com algo que ela nem tinha certeza absoluta. Ela guardou para si mesma.
A única pessoa a quem ela contou foi sua melhor amiga, Phoebe Martin. Phoebe e Kimberly eram amigas de infância e tinham um laço muito forte. Elas se consideravam irmãs e contavam tudo uma para a outra. Desde crianças, juraram proteger e respeitar as confidências uma da outra.
Kimberly precisava de uma pessoa em sua vida para quem pudesse dizer qualquer coisa. Phoebe era essa pessoa. Kimberly contou tudo a ela, então Phoebe sabia das sensações estranhas que Kimberly vinha tendo ultimamente.
Mas, embora Phoebe tivesse tentado convencer Kimberly de que ela estava apenas sendo paranoica, sua reação inicial foi rir alto. Esse foi outro motivo pelo qual Kimberly não achou que contar ao pai fosse uma boa ideia.
"Sabe, quando eu te conto essas coisas, espero que você seja uma boa amiga e tente me fazer sentir melhor", Kimberly disse a Phoebe. "Não espero que você ria. Deixa de ser uma idiota."
Mas Phoebe riu mais um pouco antes de dizer: "Oh... Talvez seja um vampiro te perseguindo... Quem sabe você não é a 'companheira' dele e ele está, sabe... te protegendo e cuidando de você", disse ela, enfatizando a palavra "companheira".
"Quer saber? Chega de você. Você é uma idiota. Esquece isso", Kimberly disse, sorrindo.
"Relaxa, Kim", disse Phoebe, finalmente ficando séria. "Tenho certeza de que não é nada e que você está apenas estressada. Você mesma disse que nada aconteceu fora do comum. É apenas um pressentimento. Tenho certeza de que vai passar. Além disso, você me tem. Eu vou cuidar de você."
Kimberly sorriu. Talvez Phoebe estivesse certa e ela estivesse preocupada à toa. Se alguém quisesse machucá-la, já teria feito isso. Por que ficar espreitando nas sombras? Ela estava imaginando coisas. Esse era um dos efeitos de assistir a filmes de terror demais.
Ela queria acreditar em Phoebe. Mas a sensação estranha continuava com ela. E não importava o quanto tentasse não pensar nisso, ela pensava, pois não conseguia evitar.