A Rainha da Máfia de Londres

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Resumo

Em um mundo onde o poder é conquistado, a lealdade é merecida e o amor é uma fraqueza perigosa… Anastasia Nightingale governa das sombras. Para o mundo exterior, ela é um mito. A Rainha, a força invisível por trás do império da máfia mais temido de Londres. Impiedosa, intocável e sempre no controle. Mas por trás da coroa existe uma mulher forjada pela perda… e assombrada por um homem. Julian Sterling. Seu ex-marido. Sua maior traição. Seu único amor. Anos atrás, Julian foi manipulado para destruir a única coisa que importava: seu casamento com Anastasia. Mentiras, traições e sangue os separaram… e a perda de seus gêmeos ainda não nascidos destruiu o que restava. Quando a verdade veio à tona, já era tarde demais. Ou assim eles pensavam. Agora, o destino arrasta Julian de volta para o mundo dela, um mundo no qual ele nunca deveria ter sobrevivido. À medida que os inimigos se aproximam e velhos fantasmas ressurgem, ele descobre a verdade: a mulher que ele perdeu… não está apenas viva. Ela é a Rainha. E ela esteve observando. Determinado a reconquistar o que quebrou, Julian entra no império, no império dela, onde a lealdade é testada, segredos são moeda de troca e o amor é um passivo. Mas Anastasia não é mais a mulher que ele conheceu. Ela está mais fria. Mais forte. Intocável. No entanto, sob o aço e o silêncio… ela ainda sussurra o nome dele. Enquanto a guerra se desenha no submundo e o passado ameaça destruir tudo o que reconstruíram, Anastasia e Julian precisam enfrentar a única verdade da qual nenhum dos dois pode escapar: Você não pode fugir do destino. Você não pode enterrar o amor. E em um mundo governado pelo poder… Até uma rainha pode cair.

Status
Completo
Capítulos
56
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+
Este é um exemplo

1: Anastasia Nightingale

Londres à noite sempre parece esconder um segredo sujo sob o casaco. As ruas brilham, lisas sob as luzes de sódio, com segredos costurados nos paralelepípedos e a respiração da cidade subindo no ar frio como fumaça de cigarro. Observo tudo da varanda da cobertura, com o uísque queimando minha garganta, forte, limpo, implacável. Meu império me encara através do vidro, fragmentado e multiplicado por um horizonte que possuo pelo sangue. Londres se transforma quando eu a observo. Sempre foi assim.

Um carro preto para no meio-fio lá embaixo, com os faróis cortando a chuva. O motorista sai do veículo com uma postura rígida, cheio de nervosismo, mais um boboca convocado para beijar meu anel. Todos acabam aqui, eventualmente. Henry se encosta nas portas da varanda, cantarolando uma melodia trágica só para me provocar. “Ele chegou cedo”, murmura, girando a bebida como se ela lhe devesse dinheiro. Não respondo. Estou ocupada observando a silhueta, o guarda-chuva, os ombros. Está tudo errado, mas algo no jeito que ele se move fisga uma memória afiada o suficiente para cortar. O desgraçado se move como Julian. Não exatamente, mas perto o bastante para arranhar feridas antigas.

A memória me atinge como um golpe, um gelo na espinha, e de repente estou de volta àquele momento.

Cinco anos atrás, apartamento diferente, bairro de merda, vestido emprestado, vida emprestada. Julian olhou direto para mim, através de mim, como se eu não passasse de uma cadeira fora do lugar. Vi sua assinatura atravessar os papéis do divórcio, com o rosto de pedra, sem nada para mim, nem mesmo desprezo. Eu queria falar. Não falei. Mantive minha voz trancada porque me recusei a dar isso a ele. Saí, com a coluna reta, o coração martelando, sentindo o aço se formar em meus ossos. Decidi naquele momento que ele se arrependeria de não ter me notado. Uma calma seguiu, fria e bela, quando percebi que ele tinha acabado de me libertar.

A porta da varanda se abre mais; Henry entra, com a voz carregada de um falso cuidado. “Querida, você está remoendo o passado de novo. Bem dramático, mas temos hora marcada.” Ele está brincando, mas captei o aviso por baixo da superfície. Mexa-se. Resolva isso. Ele tem razão. Homens que desenterram o passado em mim irritam mais do que caras que tentam me enfrentar. Virei o resto do uísque, e o copo atingiu a mesa com um clique. O vento da cidade é cortante, pressiona meu vestido, empurra-me em direção à noite que construí.

O elevador está esperando. O corredor é mal iluminado, com faixas de luz fria sobre o mármore, e meus saltos marcam o ritmo como um aviso. Henry está ao telefone, provavelmente avisando Maddox. Maddox está posicionado lá embaixo, tomando conta do convidado desta noite. As portas do elevador se fecham, cortando-me do ouro da cobertura e me empurrando para a sombra. Meu reflexo volta para mim, cabelo solto, vestido colado no corpo, olhos como vidro cortado. Levanto o queixo. O poder é uma linguagem, e eu a falo melhor do que ninguém. O elevador estremece enquanto descemos, o ar engrossa e os cartéis pulsam lá embaixo como um segundo coração.

As portas se abrem. Maddox está lá, com o sobretudo molhado de chuva, gola alta, mandíbula trincada como se estivesse segurando Londres pelos dentes. “Ele está no lounge”, ele resmunga, dando espaço. Lança um olhar a Henry, algo rapidamente trocado entre os dois. Não me dou ao trabalho de decifrar. Passo por eles, com meus saltos ecoando no mármore, firmes e decididos.

O homem se levanta quando entro. Ele acha que é por respeito, mas na verdade só me dá uma visão privilegiada do seu nervosismo. Espero na porta, faço o momento durar, deixo que ele sue. Novo demais, polido demais, mãos cerradas até os nós dos dedos ficarem brancos. Ele encara por tempo demais, procurando algo familiar, como se me conhecesse de um sonho. Por um segundo, vejo o fantasma de Julian escondido no pânico. Pisco, afasto o pensamento, dou um passo à frente.

Ele engole em seco enquanto me aproximo. Os olhos dele não conseguem evitar percorrer meu rosto, descer pelo vestido e voltar, como se estivesse pesando de qual jeito preferiria morrer. Maddox surge atrás, braços cruzados, toda a sua postura prometendo dor. Henry se aproxima, sorrindo como um gato com os bigodes sujos de sangue. Paro na frente do alvo, perto o suficiente para que ele tenha que inclinar o queixo para encontrar meu olhar. Suas pupilas se contraem. Ótimo. A verdade tem um gosto mais afiado com o medo.

“Sabe por que você está aqui?” Minha voz sai baixa, cortante. Ele olha para Henry, esperando um resgate. Henry apenas mostra os dentes. “Eu... me disseram que você queria falar comigo.” Patético. Maddox dá um passo à frente, as tábuas do chão rangem sob seus pés. O homem se encolhe. O suor brota em sua testa. “Tente de novo”, digo, com uma mão apoiada na mesa. “Por. Que. Você. Está. Aqui.” Cada palavra marca um limite. Ele engole em seco. “Porque... porque eu devo ao cartel.” Melhor. Ainda não é bom o suficiente.

Eu o rodeio, lentamente. Deixo que ele sinta o ar mudar quando meu vestido passa por ele. Ele fica tenso, o peito subindo e descendo. Meus saltos marcam o tempo, ecoando suavemente como um relógio em contagem regressiva.

“Você me deve”, corrijo, logo atrás dele. “E acha que ignorar meus lembretes foi inteligente?” Meus dedos roçam a parte de trás da cadeira dele, um aviso. “N-não”, ele consegue dizer, segurando-se com força. “Eu... tive complicações.” Sempre têm. Nunca uma solução. “Você teve tempo”, digo. “Agora você me tem.” Ele solta o ar, trêmulo. Um desses problemas é mais fácil de lidar que o outro. Lanço um olhar para Maddox. Ele estala os nós dos dedos, displicente como uma ameaça. O homem empalidece. Bom.

De volta à linha de visão dele, sento-me na borda da mesa. A luminária atrás de mim projeta sombras sobre minhas pernas, destaca o coldre na minha coxa. O suficiente para que ele note. Os olhos dele descem e desviam rapidamente. “Quanto você deve?”, pergunto. “Setenta e cinco mil”, sussurra. Henry solta uma risada, encantado. “Oh, querido, você deveria ter nos dito que é tão idiota quanto está falido.” Ele se encolhe. Calo Henry com um olhar, embora por dentro eu esteja achando graça. “Setenta e cinco”, repito. “O que você trouxe?” “Vinte.” Maddox bufa, com desdém. “Vinte”, repito, suavemente. “Você entra no meu prédio com uma ninharia dessas.” Ele não responde. Nem precisa.

Inclino-me para a frente, cotovelos nos joelhos. Encaro-o. “Sabe o que acontece com homens que brincam com o meu tempo?” A respiração dele falha. “P-por favor, eu posso conseguir o resto, só preciso...” “Tempo?”, eu o interrompo. “Você desperdiçou o que tinha.” Ele abaixa o olhar. Erro. “Olhe para mim.” Ele faz, rápido. Deixo que ele sue e então digo: “Maddox. Sala Leste.” Ele se sobressalta, o pânico subindo. “Espere, não... por favor.”

“Cale a boca”, digo, levantando-me. “Você fala quando eu mando.” Maddox coloca uma mão no braço dele e o arrasta, com os pés tropeçando. Não olho enquanto o levam. Ele já está resolvido. O pagamento importa. A ordem importa. As consequências importam. Henry está sorrindo, assistindo a tudo como se fosse teatro. “Você adora assustar esses caras até a morte”, ele sussurra. “Não”, digo, alisando meu vestido. “Eu adoro obediência.” Henry levanta seu martini. “O que você disser, Queenie.”

Enquanto Maddox o arrasta para fora, meus olhos se fixam no reflexo do vidro do lounge: ombros largos, cabelo encharcado de chuva, não é Julian, mas é o suficiente para despertar a velha coceira. Eu a reprimo. O passado não tem o direito de me assombrar. Henry me analisa, com a cabeça inclinada. “Vendo fantasmas de novo?” “Apenas saídas”, digo, já caminhando para longe.

Henry me segue enquanto caminho pelo corredor, nossas sombras se alongando pelo chão. Simon Chestwick sai de uma sala, óculos na mão, terno amarrotado, exausto, mas atento. Seus olhos vasculham de Henry para mim e voltam, afiados como uma lâmina embainhada. “Nightingale”, ele cumprimenta, ajeitando os óculos. “O convidado está te dando dor de cabeça?” Henry ri. “Só para as próprias calças.” A boca de Simon se contrai.

“Tem algo que eu precise saber?”, pergunto, diminuindo o passo perto dele. Ele dá um toque em uma pasta na coxa. “Números das docas”, diz. “Além de um possível vazamento perto de Camden.” Minha mandíbula trava. “Interno?” “Cedo demais para dizer.” Ele sustenta meu olhar, melhor do que Maddox, mas ainda não chega aos meus pés. “Mostre-me.” Ele oferece o arquivo. Não pego. “Me explique.” Ele engole em seco. Acena. Eles sempre acham que quero papel. Eu quero pessoas.

Seguimos para a sala de estratégia, Henry rolando a tela do celular, lantejoulas brilhando sob as luzes. Simon nos acompanha, eficiente, rápido, sempre três movimentos à frente. “Pode não ser nada”, ele murmura, “mas o timing é suspeito.” “Por que isso?” “Dois dias após a Fundação Sterling anunciar que está de volta à cidade.” Meu passo vacila. Rapidamente. Henry nota. Simon finge que não. “Coincidência”, digo. “Se você diz”, murmura Simon. Sua voz indica que ele não acredita. Bom garoto.

As portas da sala se abrem com um chiado. Cheiro de papel, tinta, ozônio. O covil de Simon. Ele liga os monitores, a luz azul se espalha. “Se há um vazamento, é pequeno”, ele diz, “apenas alguém testando o quão longe pode ir.” “Deixe que tentem”, digo, indo até os mapas. “Eles não durarão a noite.” Henry se esparrama no sofá, ronronando como um gato convencido. “Adoro quando você está assassina, Ana. Me faz dormir feito um bebê.” Reviro os olhos. “Você não dorme.” “Exatamente.”

Simon limpa a garganta, com o nervosismo aparente. “Tem mais”, ele diz. “Um nome apareceu.” “Continue.” “Kathy Monroe.” O ar parece mais pesado. Henry se senta. Viro-me para Simon, devagar, perigosa. “Contexto.” “Ela foi vista com alguém na rota de Camden. Um cara chamado Troy Green.” Henry debocha. “Lixo.” “Ela deve dinheiro”, Simon acrescenta. “A quem?”, pergunto. Ele hesita. “A... nós. Indiretamente, mas volta para nós.” Meu sorriso se torna mais afiado. Então, a esposa antes do marido. Conveniente.

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