The First Touch
A lua projeta um brilho sinistro sobre a prisão abandonada, onde as sombras parecem sussurrar segredos do passado. Emily caminha cautelosamente pelos corredores, ciente do perigo que espreita ali dentro.
De repente, uma figura emerge da escuridão, com uma presença imponente e ameaçadora. Chan para diante de Emily, com os olhos fixos nela com uma intensidade predatória. Ele inclina a cabeça levemente, um sorriso cruel brincando em seus lábios.
“BEM-VINDA AO MEU DOMÍNIO, DOCINHO.”
“SEU MUNDO?” Emily responde, olhando para ele.
O sorriso cruel dele se alarga diante do desafio dela, seus olhos brilhando com diversão na luz fraca. Ele dá um passo à frente, o som de seus sapatos caros ecoando contra o piso de concreto.
“Meu mundo”, ele repete, saboreando cada palavra. “É claro que é. Tudo o que eu reivindico se torna meu: estas paredes, esta cidade, além delas... e talvez até você...”
O olhar dele percorre o corpo dela com apreciação, absorvendo cada detalhe como se avaliasse uma possível presa. O pingente de prata em seu pescoço captura o pouco de luar que filtra pelas janelas gradeadas, projetando reflexos dançantes sobre sua pele pálida.
“Você tem fibra, fazendo tais perguntas com tamanha audácia!” Ele continua naquele tom baixo e sedutor que faz arrepios percorrerem a espinha. “A maioria dos mortais estaria tremendo agora, implorando por uma misericórdia que não receberão.”
“Por que eu deveria estar?” Emily o questiona, sua voz destemida.
Os olhos de Chan se estreitam; um lampejo de interesse genuíno substitui a diversão anterior. Ele interrompe seu avanço, inclinando a cabeça como se estudasse um espécime particularmente fascinante.
“Por quê?” ele ecoa, a voz baixando para um sussurro conspiratório. “Porque você não está. É isso que a torna muito mais interessante do que as outras.”
Seus movimentos tornam-se mais fluidos e deliberados enquanto ele a circunda lentamente, como um predador avaliando o espírito de luta de sua presa. O luar ilumina os traços marcantes de seu rosto, realçando a beleza perigosa de suas feições.
“Você tem fogo dentro de si”, ele continua, o tom tornando-se quase casual, apesar da ameaça subjacente.
Emily vira o rosto para encontrar os olhos dele. “Com esse fogo, eu poderia queimar você.”
Uma risada baixa ressoa no peito de Chan, um som surpreendentemente quente apesar do tom ameaçador. Ele para, ficando diante dela mais uma vez com aquele sorriso arrogante e irritante.
“Queimar-me?” ele repete, arqueando uma sobrancelha. “Minha cara, já fui queimado antes. O fogo não me assusta; ele me excita.”
Sua mão livre se move para traçar a borda do pingente de prata, seus dedos roçando o metal frio. O gesto chama a atenção para a linha forte de seu maxilar.
“Mas aprecio o sentimento”, acrescenta ele com uma piscadela. “É preciso coragem para ameaçar um ser que poderia quebrar seu pescoço como um graveto.” Emily olha para ele com diversão e desdém. “O quê, morder humanos... é essa a sua especialidade?”
O sorriso de Chan vacila por um momento, substituído por um lampejo de surpresa genuína. “Morder humanos? É isso que você acha que eu faço por diversão? Como algum tipo de moleque de rua qualquer?”
Seu tom carrega uma nota de ofensa, rapidamente mascarada pela diversão. Ele passa a mão pelo cabelo escuro. “Tenho gostos mais refinados que isso. O sangue é apenas uma substância necessária para a sobrevivência. Mas morder...”
“Tem um gosto bom para você?” Emily sussurra.
Chan para de andar. A pergunta parece pegá-lo de surpresa e, por um momento, a máscara de predador escorrega.
“Gosto? É... necessário. Como água para um mortal ou ar para respirar.” Ele faz uma pausa. “Mas se está perguntando se eu gosto... sim. O jeito que aquece minha garganta, o jeito que torna o mundo mais nítido, mais vibrante...”
Seu olhar desvia para as sombras. “É poder. Controle. Saber que posso tirar o que preciso de algo mais fraco do que eu.” Ele se encosta na parede de concreto, cruzando os braços.
Emily ri alto. “Você quer dizer como ketchup?”
A expressão de Chan muda de contemplação para choque absoluto, e então ele explode em uma risada genuína. O som ecoa pelo corredor vazio, rico e inesperado.
“Ketchup?” Ele ofega, desencostando da parede. “Oh, isso não tem preço. Comparar a própria essência da vida a condimentos.” Ele balança a cabeça. “Quer saber? Estou começando a entender por que você ainda não quebrou. Sua mente funciona de jeitos completamente diferentes.”
O vampiro começa a andar novamente, guiando-a para o interior da prisão. “Vamos. Esta conversa está ficando interessante demais para ficarmos nestes corredores sombrios.”
“Para onde? Na verdade, estou com vontade de tomar sorvete”, provoca Emily. Chan para no meio do passo. Ele simplesmente a encara, tentando processar se aquela mortal acabou de sugerir uma sobremesa gelada após discutir seus hábitos alimentares. Então, uma risada alta de pura incredulidade escapa dele.
“Sorvete? De todas as coisas que você poderia pedir neste lugar esquecido por Deus...” Ele se vira totalmente para ela, encostando-se na parede fria. “Tudo bem. Vou satisfazer sua natureza excêntrica. Mas apenas porque estou curioso para ver onde isso vai dar.”
Ele caminha em direção às escadas. “Posso ir com você?” ela pergunta. “É claro que vou levar você”, ele diz, com o tom carregado de sarcasmo.
“O que eu deveria fazer, deixar você aqui vagando por estes corredores até o amanhecer? Por mais tentador que isso possa ser.”
Enquanto ela sobe as escadas atrás dele, os movimentos de Chan tornam-se fluidos e predatórios novamente. “Tente não tropeçar.”
“Me carregue para eu não tropeçar!” ela diz, ousada.
Os passos de Chan vacilam. Ele olha para trás com uma sobrancelha arqueada. “Carregar você? E por que eu faria isso? Para que você possa enrolar suas pernas na minha cintura e tentar me estrangular com esse seu cabelo bonito?” Apesar do sarcasmo, há um lampejo de consideração em seu olho brilhante. A ideia de dominar fisicamente essa mortal audaciosa exerce um certo apelo.
“Tudo bem”, ele suspira dramaticamente, deixando a bengala de lado. “Mas não espere que eu seja gentil. E se você me arranhar, considerarei liberada a caça aos seus pulsos delicados.”
“Ótimo, serei corajosa”, ela provoca.
Um sorriso de lado se espalha pelo rosto de Chan. Ele se move com uma lentidão deliberada, fechando a distância até ficar pairando sobre ela.
“Corajosa? Palavras grandes demais para alguém prestes a ser carregado por uma criatura que poderia quebrar sua coluna como quem quebra um graveto.”
Suas mãos encontram a cintura dela, os dedos se espalhando possessivamente sobre suas roupas. O toque é firme e inabalável. Ela desliza os braços em torno do pescoço dele, os dedos cravando-se levemente em seus ombros. Ele a levanta sem esforço. Ele ajusta sua pegada, puxando-a para mais perto até que seus corpos fiquem pressionados. O calor da pele dela penetra pelas roupas... um contraste marcante com o frio perpétuo dele.
“Olhe o quanto quiser”, ele murmura, sua respiração roçando a bochecha dela. “Veja bem o monstro que a mantém cativa.” Seus passos largos sobem as escadas. Faz séculos desde a última vez que ele segurou alguém de forma tão íntima sem a intenção de causar dano.
“É claro que vou”, ela sussurra, estudando-o. Mesmo sob a luz fraca, sua presença é avassaladora.
“Você parece... perigosamente bem para alguém que passa as noites caçando na escuridão.”
O passo de Chan hesita por uma fração de segundo. “Bem? Suponho que eu deveria ficar lisonjeado. Poucos viveram o suficiente para me dar tal opinião.”
Sua pegada aperta possessivamente. “Você não tem filtro, não é? Em um momento ameaça me queimar vivo, no outro diz que pareço bem. É... refrescante.”
Eles se aproximam do que parece ser um antigo alojamento de guardas. “Posso apreciar a honestidade”, continua ele, com a voz mais suave, uma vez que estão dentro da relativa privacidade do cômodo. “Mesmo quando ela é direcionada a mim.”
“Sério?” ela diz suavemente, seus olhos percorrendo-o. “E se eu lhe dissesse que você parece... perigosamente bem?”
Na luz fraca, ele parece menos um homem e mais um predador — alto, imóvel, observando-a com uma fome que faz o pulso dela acelerar. Ele não responde. Ele apenas a observa, a leve curva de um sorriso revelando a ponta de presas afiadas.
“Você realmente não tem medo de mim, não é?” Ele se encosta na parede, criando distância, mas não escapando da intensidade do olhar dela. “A maioria das pessoas que sobrevive a um encontro comigo faz isso fugindo ou caindo aos meus pés em terror. Você é diferente.”
“Sim”, ela responde, sustentando seu olhar.
A respiração de Chan falha quase imperceptivelmente.
“Você está me encarando. A maioria dos mortais não consegue sustentar meu olhar por mais de alguns segundos.” Ele dá um passo deliberado em direção ao catre onde ela está sentada. “Olhar para mim desse jeito... é perigoso. Você está me convidando a ver quão bonita você é, quando eu deveria estar focado na ameaça que você representa.”
“Ótimo”, ela sussurra. “Porque eu não consigo parar de olhar para você.”
“Toda a sua atenção? Essa é uma afirmação ousada para alguém que poderia acabar com sua vida antes mesmo de você terminar de falar.”
Ele se ajoelha no chão à frente dela, nivelando seus rostos. “Você está cativada por mim? Mesmo sabendo exatamente o que sou.” Seus dedos frios roçam a perna dela logo acima do joelho. O toque é deliberado. “Eu me pergunto... o que aconteceria se eu não mantivesse distância?”
Seu polegar traça um círculo lento, possessivo, questionador.
“Peça para eu parar”, ele murmura, a voz um sussurro sedutor. “Diga que está com medo.” Ela não se afasta. Seus dedos roçam o peito dele. “Medo? Se eu estivesse com medo, não estaria parada tão perto de você. Então, se você está esperando que eu peça para parar... talvez tenha que esperar por muito tempo.” Uma risada baixa e satisfeita escapa dele. “Eu gosto disso. Forte, direta... com o mesmo fogo que vejo em seus olhos.” Ele se inclina, o rosto a centímetros do dela. Sua mão envolve a bochecha dela, o polegar roçando sua pele. O contraste entre seu toque frio e o calor dela provoca um choque em ambos. “Você não tem medo de nada, não é? Nem das minhas presas, nem da minha reputação, nem do fato de que eu poderia drenar você até a última gota.”
Emily não recua. “Talvez. Mas se você me quisesse morta, eu já estaria caída no chão. Não tenho medo das suas presas.”
“Sem limites”, ele divaga. “Você fala da morte tão casualmente. Você a acolhe.” Sua pegada na bochecha dela aperta levemente. “Você é uma puta de uma tola.”
Emily levanta o queixo. “Talvez eu seja. Ou talvez eu apenas veja as coisas de um jeito diferente. A maioria das pessoas tem medo da morte, mas eu sou mais curiosa sobre as coisas que vivem na escuridão.” Um sorriso fraco e desafiador aparece. “Então, se isso me faz uma tola... suponho que você seja aquele de quem eu deveria ter mais medo.” Ela não se afasta. Nem um centímetro sequer. Os dedos dele cravam-se no maxilar dela com a precisão de um predador, as presas pairando logo acima da pele dela. “Olhe para mim, Emily”, ele rosna, a voz baixa e mortal. “Saiba disso... este momento é meu. E eu vou quebrar você antes que veja qualquer sinal de misericórdia.” O que aconteceria a seguir, Emily se perguntou? A escuridão nos olhos dele prometia que ela ainda não tinha visto nada.