Cobrando o Ar

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Resumo

A maioria dos romances universitários começa com atração. Este começa com uma fatura. Cobrando o Ar não é sobre um jogador de futebol popular que se apaixona pela garota quieta. É sobre uma garota que se recusa a ficar impressionada — e um garoto que nem percebe que já perdeu algo para ela. Toda vez que Logan Pierce se aproxima do balcão da cafeteria, June Hale lhe cobra. Por respirar. Por sorrir. Por existir perto demais. É ridículo. É engraçado. Até deixar de ser. Porque, por baixo do sarcasmo e das respostas afiadas, algo parece… familiar. Um olhar que demora demais. Uma frase que soa como se já tivesse sido dita antes. Uma garota que o encara como se soubesse exatamente como isso termina. O que torna esta história viciante não é apenas o banter — é o que acontece nas entrelinhas. Um romance construído através da irritação antes da atração. Uma química que se esconde em discussões, recibos e momentos roubados. Uma garota que finge não conhecê-lo… e um garoto que não consegue parar de voltar, de qualquer maneira. E, lenta e silenciosamente — Um passado começa a vir à tona. Sem drama. Sem alarde. Apenas inacabado. Esta história se destaca porque não apressa o amor. Ela provoca. Adia. Envolve o leitor com humor, tensão e coisas que não foram ditas. Cada capítulo traz para você: diálogos afiados e viciantes uma intimidade suave e inesperada e um romance que se constrói nos espaços entre as palavras

Gênero
Romance
Autor
Ayna Kane
Status
Completo
Capítulos
22
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
16+

THE COST OF BREATHING

Capítulo 1: O Custo de Respirar

O refeitório tem cheiro de manteiga queimada e excesso de confiança.

Logan Pierce entra nele como se fosse o dono de tudo.

O barulho se curva à sua passagem. Sempre acontece assim. Cadeiras raspam no chão com mais força. Risadas sobem meio tom. Alguém derruba um garfo. Outra pessoa sussurra o nome dele como se fosse um segredo que vale a pena compartilhar.

Ele nem olha.

Nem precisa.

Ele conhece o ritmo daquilo — o jeito como a atenção gruda, se agarra, o segue. Agora, é só estática de fundo. Familiar. Esquecível.

Até que—

"Próximo."

Sem emoção. Indiferente. Cortando o barulho com precisão.

Logan inclina a cabeça.

Isso é novidade.

Ele avança, devagar, de propósito. A fila atrás dele se agita — garotas se inclinando, esperando, de olho no sorriso, na piscadela, no algo.

Ele não dá nada a elas.

Porque a garota atrás do balcão nem levantou os olhos.

Nem uma vez.

Ela conta o troco como se números importassem mais que o oxigênio. Dedos rápidos. Precisos. Uma mecha de cabelo escuro escapa do coque bagunçado e roça sua bochecha. Ela não arruma.

Não arruma nada.

Logan apoia o cotovelo no balcão.

"Dia difícil?", ele pergunta, com a voz leve e treinada.

Nenhuma reação.

Moedas deslizam. O recibo é arrancado. A bandeja é empurrada.

"Próximo."

Ele sorri.

Não aquele sorriso público. Um menor. Curioso.

"Tenho quase certeza de que sou o próximo."

Ela suspira. Baixo. Irritada.

Então — finalmente — ela levanta os olhos.

E algo... muda.

Não é nada dramático. Nem cinematográfico. Sem trovões, sem música, sem bobagens em câmera lenta.

Apenas—

Uma pausa.

Um lampejo. Rápido. Controlado.

Desaparece.

Os olhos dela percorrem o rosto dele como se estivesse conferindo uma lista que já decorou.

Então, ela pega um recibo.

"Quinhentos."

Logan pisca. Uma vez.

"...por quê?"

Ela rabisca. A tinta um pouco borrada. A letra firme, impaciente.

"Por respirar alto demais na minha fila."

Silêncio.

Então uma risada — aguda, encantada — vem de algum lugar atrás dele.

Ele não se vira.

Porque ela já está deslizando o recibo na direção dele.

Como se fosse real.

Como se ela estivesse falando sério.

Logan pega o papel.

Lê.

Cafeteria da JuneConta: Logan Pierce – respiração (excessiva) – ficar perto demais sem necessidadeTotal: 500

Ele solta o ar. Devagar.

Achando graça.

"Você cobra de todo mundo por existir", ele diz, batendo no papel, "ou eu sou especial?"

"Infelizmente."

Seca. Imediata.

Ele solta uma risada curta.

"Que dureza."

"Apenas a verdade."

O olhar dela desce de novo. Já terminou com ele.

Dispensado.

Logan não se move.

Atrás dele, a fila se agita. Murmúrios. Celulares aparecem. Alguém sussurra diz alguma coisa como se aquilo fosse um show.

Ele não entra no personagem.

Não dessa vez.

Em vez disso, ele se inclina mais para perto.

Perto o suficiente para sentir o cheiro —

Baunilha. Algo quente. Algo que não combina com um lugar que cheira a óleo e sal.

"Tudo bem", ele diz, agora com a voz mais baixa. "E se eu parar de respirar?"

A caneta dela para.

Só por um segundo.

Então—

"O desconto não é retroativo."

Ele ri. Ri de verdade.

Saiu sem querer.

Os olhos dela sobem de novo.

E lá está.

Aquele lampejo.

Reconhecimento?

Não.

Algo mais ácido.

Como se ela já estivesse cansada dele.

Logan se endireita.

"Tudo bem", ele diz, tirando a carteira. "Eu pago."

Mais risadas atrás dele.

Ele ignora. Pega uma nota de quinhentos e a desliza pelo balcão.

Ela olha para o dinheiro.

Depois para ele.

E empurra de volta.

"Eu não aceito dinheiro por isso."

Um tempo.

"...você acabou de dizer—"

"Eu disse que você deve. Não disse que podia pagar."

O tom dela não muda. Nem uma pitada de humor.

Mas a boca dela—

só um pouquinho—

se inclina.

Logan observa.

Aquele quase sorriso.

Dói mais do que deveria.

"Então como eu pago?", ele pergunta.

"Vá embora."

Ele não vai.

Claro que não vai.

Em vez disso, ele pega o recibo. Dobra uma vez. Duas. Coloca no bolso como se fosse importante.

"Coloca na minha conta", ele diz.

Ela funga. Baixo. Descrente.

"Não existe conta."

"Agora existe."

Ela balança a cabeça, já alcançando o próximo pedido.

"Próximo."

Dispensado de novo.

Logan demora um segundo a mais.

Observando.

O jeito como ela se move. Eficiente. Destacada. Como se tudo — e todos — fosse temporário.

Exceto—

seus olhos.

Eles não se demoram em ninguém.

Exceto—

mais cedo.

Por aquele único segundo.

Nele.

"Cara."

Noah aparece ao seu lado, com a bandeja já cheia. Olhando para ele como se tivesse perdido algo importante.

"Você acabou de levar um fora de uma funcionária do refeitório."

Logan não desvia o olhar.

"Ela me cobrou por respirar."

Noah faz uma pausa.

"...isso é novidade."

Logan cantarola.

"É."

Seus dedos tocam o bolso. O recibo dobrado lá dentro.

Ainda lá.

Ele não deveria se importar.

Não é nada.

Uma piada.

Uma garota com atitude e tempo demais.

Ele se vira para sair.

Para.

Olha para trás.

Ela já seguiu em frente. Atendendo pedidos. Sem olhar para ele.

Nem uma vez sequer.

O maxilar de Logan se move.

Algo silencioso. Sutil.

Desconhecido.

"Ei", diz Noah, dando um toque em seu ombro. "Chloe está esperando."

É verdade.

Chloe.

Logan solta o ar.

"É."

Ele se afasta.

Não olha para trás novamente.

Ele aguenta três minutos.

Talvez quatro.

Antes que seus olhos se desviem.

Pelo salão.

De volta ao balcão.

De volta a ela.

June.

Ele não perguntou o nome dela.

Não precisou.

Está no pequeno crachá preso ao avental.

Simples.

Comum.

Como se ela se esforçasse muito para ser.

Chloe se acomoda no assento ao lado dele, brilhante e natural. Beija sua bochecha. Rouba uma batata frita do seu prato.

"Você demorou uma eternidade", diz ela, sorrindo como se fosse uma performance.

Logan balança a cabeça. Distraído.

"A fila estava grande."

"Claro que estava", ela ri. "Você estava nela."

Ele não retribui o sorriso.

Seu olhar se desvia novamente.

Para o balcão.

June está discutindo com alguém agora. Calma. Firme. Imperturbável.

O cara desiste primeiro.

Claro que desiste.

Os lábios de Logan se contraem.

"Logan", diz Chloe, dando um empurrãozinho nele. "Alô?"

Ele olha para ela. Pisca.

"É."

"Está tudo bem?"

"Tudo bem."

Ele dá uma mordida. Nem sente o gosto.

Pelo salão—

June finalmente olha para cima novamente.

Sem procurar.

Sem curiosidade.

Apenas—

olhando.

Seus olhos passam pela multidão.

Pulam ele.

Pausam.

Voltam.

Só por um segundo.

E algo em seu peito—

aperta.

Forte. Repentino.

Vai embora.

Ele se recosta na cadeira.

Observa o teto.

Solta o ar.

Lentamente.

Quinhentos por respirar.

Logan sorri para si mesmo.

Um sorriso contido.

Privado.

Perigoso.

"É", ele murmura.

"Acho que vou voltar."

Pelo refeitório—

A caneta de June para no ar.

Como se ela tivesse ouvido.

Como se soubesse que ele voltaria.

Ela não olha para cima.

Mas desta vez—

ela também não apaga o recibo dele.

Ele não deveria.

Esse é o primeiro pensamento claro que surge.

Ele não deveria se levantar de novo. Não deveria voltar lá. Não deveria se importar com uma garota que lhe cobrou por respirar como se fosse um crime contra a ordem pública.

Logan dá outra mordida.

Não sente o gosto.

Chloe está falando. Alguma coisa sobre uma festa. Ou uma postagem. Ou alguém que disse algo sobre alguém que importa menos do que ela pensa.

Ele acena nos momentos certos.

Ou perto disso.

Seus olhos se desviam novamente.

Eles não param de fazer isso.

Como se tivessem encontrado um lugar melhor para estar.

June bate a caneta no balcão.

Uma. Duas. Três vezes.

Um ritmo.

Firme. Controlado.

Irritado.

"Próximo", diz ela, sem olhar para cima.

Uma garota dá um passo à frente. Ri alto demais. Ajeita o cabelo como se estivesse sendo filmada.

Logan observa June não reagir.

Nem um piscar de olhos.

A garota se inclina.

"Você é nova por aqui?"

June não responde a isso.

"O que você quer?", ela pergunta em vez disso.

A garota pisca. Desconcertada.

"Ah... café?"

"Especifique."

"...latte?"

"Tamanho."

A garota hesita de novo.

A boca de Logan se curva.

June espera. Silenciosa. Paciente da forma mais impaciente possível.

"Médio", diz a garota finalmente.

June anota. Empurra o copo para frente.

"Próximo."

Sem sorriso. Sem conversa fiada.

Sem performance.

"Ela é grossa", diz Chloe ao lado dele, franzindo o nariz.

Logan não responde.

"Ela não deveria falar com as pessoas desse jeito."

Ainda nada.

Chloe o empurra. "Você está encarando de novo."

"Estou observando", diz ele.

"Isso é uma palavra chique para encarar."

Ele dá de ombros.

Do outro lado do salão, June levanta uma bandeja, a ajeita, limpa o balcão com movimentos curtos e eficientes. Sua manga sobe um pouco.

Há uma marca leve em seu pulso.

Antiga. Desbotada. Fácil de deixar passar.

Ele não sabe por que notou isso.

Ele apenas notou.

"Logan."

Chloe novamente.

Persistente.

Ele arrasta seu olhar de volta.

"Oi?"

"Você está ouvindo?"

Ele considera mentir.

Não se dá ao trabalho.

"Não."

Ela ri. Leve. Compreensiva.

"Uau. Honesto. Eu gosto disso."

Ele acena. Distante.

"Bom."

A cadeira range antes que ele perceba que está de pé.

Chloe pisca para ele.

“Onde você vai?”

“Esqueci uma coisa.”

“O quê?”

Ele hesita.

Lança um olhar para o balcão.

“…minha dignidade.”

Ela ri de novo, achando que é uma brincadeira.

Não é.

A fila está menor agora.

Ainda lá.

Ainda se movendo.

Ainda levando até ela.

Logan entra na fila.

De novo.

Algumas cabeças se viram.

O reconhecimento se espalha como açúcar derramado.

Sussurros. Celulares. Sorrisos.

Ele ignora tudo isso.

O foco diminui.

Fica mais aguçado.

June não levanta os olhos.

Claro que não.

Quando chega a vez dele—

ela já está com um recibo na mão.

Preparada.

Ele solta um riso abafado.

“Sentiu minha falta?”

“Não.”

Imediata.

Direta.

“Mas você voltou”, diz ele.

“Você não foi embora direito.”

Ele se apoia no balcão novamente.

Dessa vez, mais perto.

“Me ensine.”

A caneta dela se move.

Rápida.

Precisa.

“Duzentos.”

Ele observa ela escrever.

“Por quê?”

“Por voltar sem permissão.”

Ele solta o ar pelo nariz.

Divertido.

“Não sabia que precisava de autorização.”

“Não precisa”, ela diz, destacando o recibo. “Você só paga mais caro sem ela.”

Ela desliza o papel para ele.

Ele não pega imediatamente.

Em vez disso—

ele a observa.

Observa de verdade.

O jeito que seus cílios baixam quando ela escreve. O jeito que seus lábios se apertam quando ela está concentrada. O jeito que ela se recusa a encontrar seu olhar por mais tempo que o necessário.

Como se olhar demais pudesse… significar alguma coisa.

“Você é sempre tão receptiva?” ele pergunta.

“Não”, ela diz. “Só com reincidentes.”

“Reincidente”, ele repete. “Isso é cruel. Eu só pedi batatas fritas.”

“Você as devorou”, ela corrige.

“Eu estava com fome.”

“Você ainda está aqui.”

Ele sorri.

“Você é observadora.”

“Você é óbvio.”

Essa doeu.

Direta. Precisa.

Ele deveria estar irritado.

Ele não está.

“Tudo bem”, diz Logan, batucando levemente no balcão. “Digamos que eu aceite as acusações.”

“Você não tem escolha.”

“Eu sempre tenho uma escolha.”

Os olhos dela sobem rápido.

Ali.

Aquele segundo de novo.

Aquela pausa.

“Aqui não”, ela diz calmamente.

Algo no jeito que ela diz isso—

sem ser provocação.

Sem sarcasmo.

Apenas… certeza.

Isso se instala sob sua pele.

Desconfortável.

Interessante.

“O que eu ganho se pagar?”, ele pergunta.

“Nada.”

“Isso é um péssimo negócio.”

“Então pare de vir.”

Ele não responde a isso.

Porque—

ele não vai parar.

E ambos sabem disso.

Um silêncio se estende.

Não é estranho.

Também não é fácil.

Algo no meio termo.

Tenso. Vivo.

Logan finalmente pega o recibo.

Dobrando-o mais devagar desta vez.

Com cuidado.

Guarda no bolso junto com o primeiro.

“A conta está aumentando”, diz ele.

“Vai aumentar.”

“Você planeja me levar à falência?”

Os lábios dela tremem de novo.

Por pouco.

“Já estou trabalhando nisso.”

Ele se inclina um pouco mais.

Perto o suficiente para baixar o tom de voz.

Só para ela.

“Boa sorte.”

Os dedos dela travam.

Só por um segundo.

Então se movem de novo.

“Próximo.”

Dispensado.

De novo.

Mas desta vez—

quando Logan se afasta—

ele não sente que perdeu.

Ele se vira.

Vai embora.

Não tem pressa.

Não olha para trás.

Não imediatamente.

Três passos.

Quatro.

Cinco—

Ele lança um olhar por cima do ombro.

Só uma vez.

June ainda está trabalhando.

Ainda escrevendo.

Ainda sem olhar para ele.

Mas a caneta dela—

para.

No meio da linha.

E, por um breve momento—

seu polegar pressiona a borda do balcão.

Como se estivesse segurando algo no lugar.

Logan sorri.

Devagar.

Certo.

Sim.

Ele definitivamente vai voltar.

Do outro lado do refeitório—

June solta o ar.

Silenciosamente.

Controlada.

Tarde.

Então, sussurrando—

tão suave que quase não existe—

“Idiota.”

Mas seus dedos se movem para o bloco de recibos novamente.

E desta vez—

quando ela escreve—

a tinta pressiona um pouco mais fundo no papel.