A Sombra do Viúvo

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Resumo

Elena Vance achava que era apenas a assistente do homem mais poderoso e frio de Paris, Arthur Sterling. Mas, no mundo de Arthur, ninguém é apenas uma sombra. Presa em um jogo mortal entre Arthur e seu rival mais perigoso, Julian Vane, Elena se torna o prêmio definitivo. Entre um bilionário possessivo que se esconde atrás de uma máscara de gelo e um predador que promete luz, mas traz destruição, ela precisa encontrar uma maneira de sobreviver. Em um mundo de festas de gala com máscaras, traições de alto nível e segredos capazes de destruir impérios, Elena aprenderá que se apaixonar pelo "Rei do Gelo" tem um preço devastador. Uma mulher. Dois rivais. Uma guerra onde o coração é a primeira vítima.

Gênero
Romance
Autor
Lidia
Status
Completo
Capítulos
60
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Chapter 1 The Lion’s Den

A entrevista para a vaga de assistente executiva na Sterling Global não tinha sido nada parecida com uma entrevista; foi mais como um interrogatório conduzido sob uma lente de aumento. Elena Vance se lembrava de estar no saguão, apertando seu diploma de Literatura como se fosse um escudo, sentindo-se uma farsa em meio a um mar de ternos impecáveis e perfumes caros. No entanto, contra todas as expectativas, ela recebeu a ligação.

​"Esteja aqui pontualmente às 8h", a voz na linha tinha alertado. "O Sr. Sterling não acredita em segundas chances."

​Agora, diante das pesadas portas de mogno do escritório no último andar, o coração de Elena batia freneticamente contra suas costelas. Ela conhecia bem os rumores. Arthur Sterling tinha se tornado um fantasma após a morte trágica de sua esposa. Os tabloides o chamavam de "Rei de Gelo de Londres", e o ar em seu prédio parecia cair vários graus conforme o elevador subia.

​Elena respirou fundo para se acalmar, ajeitou o blazer e bateu à porta.

​"Entre", ordenou uma voz. Era grave, suave e totalmente desprovida de calor.

​O escritório era vasto, um santuário de paredes de vidro com vista para o cinza melancólico do horizonte de Londres. Arthur Sterling estava sentado atrás de uma mesa, com a cabeça baixa enquanto se concentrava em um tablet. Mesmo sentado, ele era imponente. Seu cabelo estava penteado com perfeição clínica, e seus ombros largos preenchiam um terno cinza-chumbo que provavelmente custava mais do que o apartamento inteiro de Elena.

​"Você é Elena Vance", disse ele, sem se dar ao trabalho de olhar para cima. Não era uma saudação; era uma fria constatação de um fato.

​"Sim, Sr. Sterling. Estou pronta para-"

​"Não me importa se você está pronta", ele interrompeu, finalmente levantando o olhar.

​O ar faltou nos pulmões de Elena. Seus olhos eram de um castanho-mel penetrante, mas possuíam a clareza gélida de uma manhã de inverno. Ele era devastadoramente bonito, com uma mandíbula cortante o suficiente para tirar sangue, mas havia uma amargura em sua boca que a fez querer recuar.

​"Tive quatro assistentes nos últimos seis meses", continuou ele, recostando-se na cadeira. Seus movimentos eram lentos, predatórios — a graça calculada de um homem que sabia que sua presa não tinha para onde correr. "Todas choraram. Todas alimentaram a ilusão de que poderiam 'suavizar' este ambiente. Deixe-me ser clara, Srta. Vance: não estou procurando uma amiga. Estou procurando uma sombra. Alguém que só fale quando for solicitado e que antecipe minhas necessidades antes mesmo de eu perceber que as tenho. Entendido?"

​"Não estou aqui para chorar, senhor", respondeu Elena, sua voz soando mais firme do que ela se sentia. "Estou aqui para trabalhar."

​Arthur a estudou por um momento longo e agonizante. Seu olhar permaneceu em seu rosto com uma frieza clínica e distante. "Veremos. Você começa agora. Meu café está frio, minha agenda para a viagem a Paris está uma bagunça e quero um resumo completo sobre a fusão japonesa até o meio-dia."

​"Paris?" Elena piscou, momentaneamente pega de surpresa.

​"Eu gaguejei, Srta. Vance? Partimos amanhã. Ao amanhecer. Se você tem algum problema com viagens, vá embora agora e não volte."

​O restante do dia foi um turbilhão de ordens gritadas e olhares gélidos. Arthur Sterling não apenas trabalhava; ele era obcecado. Ele usava seu poder como um escudo, empurrando o mundo para longe com uma crueldade que era quase dolorosa de testemunhar. Ele era exigente, abrasivo e não ofereceu uma única palavra de agradecimento.

​Por volta das 19h, o escritório já estava vazio, restando apenas os dois. Elena estava exausta, com os dedos doloridos pelo ritmo implacável. Ela entrou no escritório privado dele para entregar os relatórios finais, parando bruscamente quando o viu.

Ele estava olhando pela janela, um copo de líquido âmbar segurado casualmente em sua mão. Por um breve segundo, a máscara do Rei de Gelo caiu, revelando um olhar de uma solidão tão profunda e dilacerante que o peito de Elena doeu em resposta.

​Mas, no momento em que ele sentiu a presença dela, o gelo voltou a se formar.

​"Por que você ainda está aqui?", ele disparou, virando-se para enfrentá-la.

​"Os relatórios que o senhor pediu, senhor", disse Elena calmamente.

​Ele arrancou os papéis da mão dela. Seus dedos roçaram os dela por uma fração de segundo, e a pele dele estava chocantemente quente — um contraste surpreendente com o comportamento congelado que ele projetava para o mundo.

​"Vá para casa, Elena. Faça as malas", comandou ele, com os olhos fixos nos dela. "E não se atrase para o carro às 5h da manhã. Tenho pouca tolerância para incompetência e menos ainda para atrasos."