Clairvoyant Readings by Iona.
Iona Charlton estava bem na entrada de sua loja recém-inaugurada no movimentado shopping de North London. Seu coração batia forte, uma mistura de orgulho e expectativa nervosa. A placa acima da porta, pintada com elegantes letras prateadas que brilhavam sob a luz, dizia Clairvoyant Readings by Iona. Ela passou semanas preparando o pequeno espaço: cobriu as paredes com tecidos roxos profundos para criar uma atmosfera íntima, organizou cristais e baralhos de tarô em uma mesa de veludo e posicionou uma cadeira confortável para seus clientes. O perfume suave de incenso pairava no ar, misturando-se ao aroma distante de café e fast-food da praça de alimentação próxima.
Era o dia da inauguração. Embora o fluxo constante de compradores passasse por sua porta com apenas alguns olhares curiosos, Iona sentia que finalmente tinha dado um passo real em direção à vida com que sempre sonhou. Nada mais de trabalhar em seu apartamento minúsculo ou depender apenas de indicações. Aquilo era seu.
“Parece bem profissional, não parece?”, disse Kara Christensen, sua amiga de longa data, enquanto ajeitava uma das velas decorativas em uma prateleira lateral. O sorriso aberto de Kara e seu visual prático de calça jeans e blusa trouxeram um toque necessário de normalidade à pequena loja mística. Ela tinha chegado cedo naquela manhã com uma garrafa de espumante e uma caixa de doces, determinada a comemorar.
Acacia Broderick, mentora de Iona nos últimos cinco anos, estava um pouco mais atrás com os braços cruzados, avaliando o espaço com um olhar crítico, mas aprovador. Acacia era uma mulher impressionante de trinta e cinco anos. Com um metro e setenta e dois de altura, ela exalava confiança. Seu cabelo castanho liso caía impecavelmente sobre os ombros, seus olhos castanhos eram perspicazes e o longo casaco preto lhe dava um ar de autoridade silenciosa. Ela ensinou Iona a ler cartas corretamente, a ouvir o que não era dito pelos clientes e — o mais importante — a proteger sua própria energia após cada sessão.
“Você fez um bom trabalho, querida”, disse Acacia suavemente, com uma voz calorosa, porém ponderada. “A energia aqui parece limpa. Focada. Apenas lembre-se de cobrar o quanto você vale. Nem todo mundo pode receber leituras de graça, especialmente quando você está tentando construir algo sustentável.”
Iona sorriu, embora um leve rubor de vergonha pintasse suas bochechas. Ela sabia que Acacia estava certa. Ela sempre foi gentil demais com as pessoas — mães solteiras, adolescentes de coração partido, senhores de idade que só queriam alguém com quem conversar. Na maioria das vezes, ela abria mão do pagamento se sentisse que eles precisavam mais de bondade do que de uma consulta paga. Isso deixava suas finanças instáveis, mas ela não conseguia se obrigar a recusá-los.
“Eu sei, eu sei”, respondeu Iona, colocando uma mecha de seu longo cabelo ruivo ondulado atrás da orelha. “Serei mais rigorosa agora que tenho o aluguel para pagar. Hoje é só para abrir as portas e ver quem aparece.”
Kara sorriu e passou o braço pelos ombros de Iona. “Essa é a atitude. O primeiro cliente ganha uma leitura gratuita minha fingindo ser sua assistente glamourosa. Vou dizer que eles vão ganhar na loteria ou encontrar um estranho alto e misterioso. Funciona sempre.”
As três mulheres riram, o som era leve e esperançoso diante do zumbido baixo do shopping. Por um momento, tudo parecia possível. Iona pegou a pequena bola de cristal que tinha colocado na mesa como peça central e a girou lentamente em suas mãos. Ela captou a luz e espalhou pequenos arco-íris pelas paredes.
Ela não fazia ideia, enquanto sorria com suas amigas, que outros olhos no shopping já tinham notado a nova chegada. Ela também não percebeu que, nos cantos sombrios de North London, certos homens mantinham registros cuidadosos de quem devia o quê pelo privilégio de fazer negócios em seu território.
Por enquanto, a loja cheirava a possibilidades, e Iona se permitiu acreditar que seu dom poderia finalmente ser o suficiente.
Iona tinha acabado de terminar de reorganizar alguns cristais na mesa de veludo quando seu primeiro cliente entrou hesitante pela porta. A mulher tinha quarenta e poucos anos, segurava uma bolsa gasta e parecia não dormir direito há dias. Ela explicou com voz baixa que o marido a tinha deixado no mês anterior e que ela só precisava saber se havia alguma esperança de reconciliação.
Iona ouviu com simpatia genuína, seus olhos cor de avelã suaves enquanto ela fazia uma leitura simples de três cartas. A leitura foi gentil e encorajadora, focada na cura e em novos começos, em vez de falsas promessas. Quando a mulher se levantou para sair, visivelmente mais leve, Iona dispensou o pagamento oferecido com um sorriso caloroso.
“Não cobro hoje”, disse ela. “Você é minha primeira cliente na loja nova. Considere um presente de boa sorte.”
A mulher agradeceu profusamente e saiu com lágrimas nos olhos.
Acacia, que tinha assistido a toda a troca do canto da sala, deu um passo à frente com um suspiro. Ela cruzou os braços sobre a blusa elegante e fixou Iona com um olhar firme.
“Iona, querida, isso foi gentil, mas você não pode continuar fazendo isso”, disse Acacia com firmeza. “Você tem aluguel, contas e agora um ponto comercial de verdade para manter. Dar leituras de graça pode ser bom no momento, mas isso vai te levar à falência antes mesmo de começar. Você precisa cobrar de todos que entrarem por essa porta — começando pelo próximo. Sem exceções.”
Kara concordou com a cabeça de onde estava encostada na parede, embora sua expressão permanecesse mais compreensiva. “Ela tem razão, gata. Você tem um dom, mas dons não pagam as contas.”
Iona abriu a boca para responder quando a atmosfera da loja mudou. Um homem em um terno escuro bem cortado entrou, seus sapatos polidos silenciosos no chão de cerâmica. Ele era de ombros largos, na casa dos trinta e tantos anos, com o cabelo raspado e um rosto que parecia ter visto sua cota de noites difíceis. Ele examinou o pequeno espaço uma vez antes de seu olhar pousar em Iona.
“Boa tarde”, disse ele, sua voz carregando o cascalho inconfundível das ruas de North London. “Você é a dona daqui? Iona Charlton, certo?”
Iona assentiu, subitamente inquieta. “Sim, sou eu. Posso ajudar em algo?”
O homem deu um sorriso contido que não chegou aos olhos. “Nome é Vince. Eu represento o Cartel de North London. Gostamos de garantir que todos os negócios nesta área fiquem seguros, protegidos contra qualquer… dano ou problema lamentável, sabe? Loja nova como esta, começamos com calma — uma taxa semanal baixa para começar. Depois podemos rever as coisas quando você estiver operando de verdade. Parece justo?”
Iona sentiu o sangue fugir de seu rosto. Kara e Acacia ficaram tensas ao lado dela. Ela engoliu em seco, tentando manter a voz firme.
“Eu… eu agradeço a oferta, mas não terei condições de pagar nem um valor baixo agora”, respondeu ela. “O negócio abriu hoje. Mal recebi qualquer dinheiro ainda. Poderíamos discutir isso em algumas semanas quando as coisas melhorarem?”
O sorriso de Vince desapareceu. Ele colocou as mãos nos bolsos e a observou por um longo momento, a postura casual parecendo mais ameaçadora do que qualquer voz alterada.
“Veja bem, é aí que está o problema, querida”, disse ele baixinho. “O Cartel não trabalha muito com ‘talvez mais tarde’. A proteção começa agora. Mas não se preocupe — vamos dar um jeito. O Sr. Drake gosta de conhecer novos rostos pessoalmente quando há uma conversa a ser tida. Ele entrará em contato.”
Com isso, Vince fez um aceno de cabeça para cada uma das mulheres e virou nos calcanhares, deixando a loja tão silenciosamente quanto tinha entrado. A fumaça do incenso serpenteava inquietamente em seu rastro.
Iona ficou paralisada, o calor anterior do dia evaporando como névoa matinal. Acacia colocou uma mão firme, porém gentil, em seu ombro, enquanto Kara murmurava um palavrão baixo entre os dentes. Pela primeira vez desde que abriu suas portas, Iona percebeu que poderia ter atraído muito mais do que esperava.
Vince empurrou a porta pesada dos fundos do velho pub que servia como um dos pontos de encontro mais discretos do Cartel de North London. O ar estava pesado com fumaça de cigarro e o murmúrio baixo de vozes. Carter Drake sentava-se na extremidade de uma mesa de madeira marcada, bebendo um uísque e revisando um livro de registros com o tipo de calma focada que sempre deixava as pessoas nervosas. Aos quarenta e cinco anos, Drake era uma figura imponente com um metro e noventa, seu cabelo castanho escuro estava raspado e seus olhos cor de avelã brilharam quando Vince se aproximou.
“Chefe”, disse Vince, jogando-se na cadeira à sua frente. “Acabei de vir daquela nova unidade no shopping. A vidente — Iona Charlton.”
Drake recostou-se, girando o líquido âmbar em seu copo. “E?”
Vince coçou a nuca. “Ela só está aberta há algumas horas. Tinha umas amigas lá com ela. Cenário bonitinho — cristais, cortinas, toda aquela baboseira mística. Dei o discurso de boas-vindas de sempre, comecei com a taxa semanal baixa como fazemos com os novatos. Ela ficou branca como um papel, disse que não podia pagar nem isso agora. Achou que o negócio ainda não decolou e pediu se poderíamos esperar algumas semanas.”
Um silêncio pesado caiu. A expressão de Drake não mudou a princípio, mas a temperatura na sala parecia cair. Ele colocou o copo na mesa com cuidado deliberado.
“Ela o quê?”, sua voz era baixa, carregada com aquele tom cortante do East London que fazia homens duas vezes maiores que ele pensarem duas vezes. “Não somos uma porra de uma instituição de caridade, Vince. Loja nova, dívida nova. Ela paga pela proteção como todo mundo, ou ela aprende o que acontece quando não paga.”
Vince assentiu rapidamente. “Disse a ela que o senhor gostaria de uma conversa pessoal. Ela não discutiu, mas dava para ver o medo nos olhos dela. Bem sensível, eu diria. Cabelo ruivo longo, faz o estilo cartomante. Provavelmente acha que balançar cristais a torna especial.”
Drake soltou uma risada curta e sem humor que não continha calor. “Todos acham que são especiais até o aluguel vencer. Não dou a mínima se ela está lendo folhas de chá ou vendendo feijões mágicos — ela está operando na nossa área. Ela paga, ou paga de outra forma. É simples assim.”
Ele terminou o restante de seu uísque e se levantou, abotoando o paletó. O relógio em seu pulso captou a luz — caro, pesado, um lembrete de exatamente quem detinha o poder naquela parte da cidade.
“Prepare o carro”, disse Drake, seu tom plano e definitivo. “Vamos fazer uma visita à adorável Srta. Charlton amanhã. Deixe-a saber exatamente o que ‘protegida’ significa por aqui. E se ela ainda achar que não pode pagar…” Ele deu de ombros, o gesto casual, mas carregado. “Então ela descobrirá que eu sempre cobro o que me é devido. De um jeito ou de outro.”
Vince levantou-se com ele, já alcançando o celular para organizar os detalhes. O Cobrador tinha tomado sua decisão, e em North London, isso valia tanto quanto a lei.