A Escolhida do Irmão

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Resumo

Isabella, uma ex-bailarina e viúva de 28 anos, acredita que seu falecido marido, Alexander, morreu em um trágico acidente de caça. Ela não faz ideia de que ele era um lobisomem, nem que seu filho de dois anos, Leo, logo se tornará um. Após o funeral, Sebastian, o irmão de Alexander de quem ele era afastado, retorna de cinco anos de exílio em Gstaad. Ele é o novo alfa, consumido pela culpa por uma antiga briga com Alexander. No momento em que Sebastian vê Isabella, seu lobo uiva: ela é sua mate. Mas ela é a viúva de seu irmão. Ele resiste. Quando a primeira transformação de Leo desencadeia uma crise de sucessão na alcateia, Isabella descobre a verdade: metamorfos são reais, sua sogra Eleanor conspirou com rogues para matar Alexander, e Sebastian é o único que pode protegê-los. Eles fogem para os Alpes. Uma princesa sangue-puro rival planeja se casar com Sebastian. Durante uma nevasca violenta, os rogues atacam e Sebastian é atingido por um tiro de prata. Para salvá-lo, Isabella aceita a claiming bite — um vínculo que a torna sua Luna e expõe a assassina. Eleanor é exilada. A alcateia aceita sua Luna humana. E, na véspera de Natal, um filhote perdido encontra um lar.

Status
Completo
Capítulos
25
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
16+

A Bailarina e o Bilionário

CAPÍTULO UM: A Bailarina e o Bilionário

Lincoln Centre, Nova York – Quatro Anos Atrás

A última nota de O Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, pairou no ar como se fosse um suspiro retido. Então, os candelabros brilharam novamente e mil e quatrocentas pessoas se levantaram em uníssono. Isabella Markham estava na coxia, com as sapatilhas de ponta penduradas em uma das mãos, assistindo à cortina cair sobre sua carreira.

Ela sabia que esse dia chegaria. A lesão fora uma ladra silenciosa, roubando primeiro seus grand jetés, depois seus fouettés e, finalmente, o simples ato de subir na ponta sem sentir o osso ranger contra o osso. O cirurgião fora gentil, porém categórico: “Você pode caminhar sem dor ou pode dançar. Você não pode fazer os dois”.

Então, ela escolheu caminhar. Naquela noite, assistiu a outra bailarina dançar Odette em seu lugar. Os aplausos foram ensurdecedores, mas soaram como se estivessem abafados, debaixo d'água. Isabella baixou a cabeça, pressionou as sapatilhas de cetim contra o peito — eram de sua mãe, tinham décadas de existência e eram mantidas unidas apenas pela esperança e por fios de cerzido — e saiu antes que alguém pudesse oferecer condolências que ela não tinha a elegância de aceitar.

O baile já estava em pleno vapor quando ela saiu pela entrada dos artistas. O David H. Koch Theatre havia sido transformado: candelabros de cristal pendiam de cada arco, mesas cobertas com linho marfim e centros de mesa de gardênias brancas que custavam mais do que o seu primeiro ano de aluguel na School of American Ballet. Homens em smokings feitos sob medida, mulheres em vestidos que sussurravam sobre fortunas antigas e segredos ainda mais velhos. O leilão silencioso estava organizado ao longo da colunata — pinturas, esculturas, uma semana em Mustique, uma primeira edição de O Grande Gatsby autografada para uma herdeira há muito falecida.

Isabella alisou a frente de seu vestido Vera Wang — um presente de sua mãe, que vendera a própria aliança de casamento para comprá-lo, porque “você deixará esta vida como a rainha que é, meu amor, não como um pássaro ferido” — e aceitou uma taça de champanhe de uma bandeja que passava. Ela não bebeu. Segurou a taça como um acessório, deixando as bolhas subirem e morrerem, enquanto observava a multidão cintilante pelos cantos.

Eu não pertenço a este lugar, ela pensou. Nunca pertenci.

Ela cresceu em uma pequena casa colonial em Greenwich, Connecticut, filha única de uma bibliotecária e um professor de história do ensino médio. Seu pai morrera de ataque cardíaco quando ela tinha dez anos, e sua mãe a criara à base de sobras e descartes da biblioteca, sem nunca reclamar quando as sapatilhas de ponta de Isabella custavam mais caro que a comida. O balé era sua passagem para fora dali. O balé era o seu sonho. E agora, o balé a deixara partir.

Ela tinha vinte e quatro anos. Não tinha diploma, nem planos, nem economias dignas de nota. Tinha um pé esquerdo em ruínas, um vestido Vera Wang e absolutamente nenhuma ideia do que viria a seguir.

“Você está parada nas sombras como se tivesse cometido um crime.” A voz era baixa, calorosa, com um leve toque de diversão. Isabella virou-se. Ele era alto — facilmente um metro e noventa — com cabelos escuros que recuavam de um bico de viúva e olhos da cor de uísque envelhecido. Seu smoking era azul-meia-noite, não preto, e vestia-o como se tivesse sido pintado em seu corpo por alguém que cobrava por hora. Ele não era bonito; ele era devastador. O tipo de rosto que fazia você pensar em fortunas antigas, castelos europeus e segredos guardados atrás de portas trancadas. E ele a encarava com uma intensidade que fez a taça de champanhe suar em sua mão.

“Não estou me escondendo”, ela disse. “Estou observando.”

“Observando”, ele repetiu, como se saboreasse a palavra. “Uma bailarina que observa em vez de se apresentar. Que trágico.”

Ela ficou tensa. “Como sabe que sou bailarina?”

Ele inclinou a cabeça em direção aos pés dela. “Ninguém apoia os dedos assim. Ligeiramente curvados para dentro, como se ainda buscassem uma barra. E você está carregando suas sapatilhas.” Ele acenou para o volume de cetim na outra mão dela. “Antigas. Muito usadas. Você não guarda suas sapatilhas velhas a menos que esteja dizendo adeus.”

A garganta de Isabella apertou. “Você é muito observador para um homem de smoking azul-meia-noite.”

“Sou muito observador, ponto final.” Ele estendeu a mão. “Alexander Van der Wolf.”

O nome caiu como uma pedra em águas paradas. Van der Wolf. Uma das cinco famílias que possuíam metade de Manhattan e todos os seus segredos. Ela vira o nome em alas de hospitais, galerias de museus e nas laterais de prédios que arranhavam o céu. Ela pegou sua mão. A palma dele era quente, seca e áspera, de uma forma que não combinava com o terno. Calos. Não era a mão macia de um homem que nunca trabalhou.

“Isabella Markham”, ela disse.

“Isabella.” Ele disse o nome lentamente, como se memorizasse cada sílaba. “Como a rainha de Castela. Ou a heroína trágica de Medida por Medida.”

“Minha mãe era formada em Letras.”

“Sua mãe tem um gosto excelente.” Ele não soltou a mão dela. Em vez disso, virou-a, estudando a palma como se lesse um mapa. “Você tem mãos de bailarina. Dedos longos. Pulsos fortes. Mas há um tremor aqui.” O polegar dele roçou a base do polegar dela. “Nervosismo? Ou dor?”

Ela puxou a mão de volta, talvez rápido demais. “Você é sempre tão atirado?”

“Não”, ele disse, e seu sorriso diminuiu apenas um pouco. “Apenas quando algo me interessa.”

A orquestra lá dentro começou uma valsa, e as notas graves pareceram fazê-lo estremecer. Apenas um lampejo — um estreitar de olhos, um aperto quase imperceptível no maxilar. Isabella notou porque passou a vida observando micromovimentos, os pequenos sinais que diferenciavam uma boa bailarina de uma excelente. “Você está bem?”, ela perguntou.

“Estou.” Seu sorriso voltou, mais fácil agora. “Frequências baixas não me fazem bem. Uma lesão antiga.”

Era uma mentira, ou pelo menos não toda a verdade. Mas ela não insistiu. Passara anos demais fingindo não notar os hematomas em seu próprio corpo para fuçar na dor de outra pessoa.

“Venha”, ele disse, oferecendo o braço. “Há uma pintura no leilão silencioso que acredito ter sido feita para você.”

Ela deveria ter dito não. Deveria ter agradecido educadamente, desaparecido na multidão, pegado um táxi de volta para seu pequeno apartamento na rua 72 Oeste e passado a noite chorando com um pote de sorvete, como o clichê que jurara nunca se tornar. Em vez disso, ela colocou a mão no braço dele e deixou que ele a conduzisse.

A pintura era um Bouguereau — ou melhor, um estudo para um. Era pequena, não maior do que uma partitura, e retratava uma jovem em um vestido branco, os braços levantados acima da cabeça, o corpo curvado no arco suave de um cambré. O rosto estava virado para o lado, mas a linha do pescoço, o caimento do cabelo escuro, a maneira como os dedos se abriam como pétalas de flores em direção a um céu invisível — poderia ter sido Isabella. Era Isabella, de uma forma que fez seu peito doer.

“Chama-se O Descanso da Bailarina”, disse Alexander. “Pintado em 1887. A modelo era uma jovem bailarina da Ópera de Paris que se aposentou após uma queda. Quebrou a coluna. Nunca mais dançou, mas tornou-se professora. Viveu até os noventa e três anos.”

Isabella não conseguia desviar os olhos da pintura. “Como sabe tudo isso?”

“Coleciono mais histórias do que arte.” Ele estava muito perto agora, o ombro quase tocando o dela. “A procedência é tudo. Quem a amou, quem a abandonou, quem a lamentou.” Ele fez uma pausa. “Você está chorando.”

Ela tocou a bochecha e, para sua surpresa, estava úmida. “Não estou.”

“Está sim.” Ele tirou um lenço — de linho, com as iniciais AVdW bordadas — e entregou a ela. “Não há vergonha nisso. O fim de uma coisa é o começo de outra.”

“Isso é muito filosófico para um homem que acabou de me conhecer.”

“Tive uma vida inteira para praticar.” Ele apontou para a folha de lances ao lado da pintura. O valor atual era de doze mil dólares. “O que você acha que vale?”

“Eu não poderia—”

“Dê-me esse prazer.”

Ela olhou para a pintura novamente. Para o rosto escondido da bailarina, a curva resignada de seus ombros, as mãos ainda alcançando algo, embora o corpo tivesse parado. “Tudo”, disse Isabella baixinho. “Vale tudo o que restou dela.”

Alexander assentiu lentamente, como se ela tivesse confirmado algo que ele já suspeitava. Então, pegou a caneta, riscou os doze mil e escreveu cinquenta mil com uma letra elegante e precisa.

A respiração de Isabella falhou. “Você não pode—”

“Eu já fiz.” Ele tampou a caneta e virou-se para ela com um sorriso que era, em partes iguais, charme e aviso. “É para você. Considere um presente de um estranho que admira a maneira como você sustenta sua dor.”

“Não posso aceitar isso. Eu nem conheço você.”

“Você conhece meu nome. Sabe que tenho dinheiro demais e pouco em que gastá-lo. E sabe”, acrescentou, dando um passo ainda mais próximo, “que não consigo desviar o olhar de você desde o momento em que a vi parada nas sombras, segurando as sapatilhas de sua mãe como um talismã.”

O ar entre eles tornara-se denso, quase elétrico. Isabella podia senti-lo agora — cedro, couro velho e algo por baixo, algo selvagem e quente, como o perfume de uma floresta depois da chuva.

Algumas coisas são mais selvagens do que parecem. O pensamento veio sem ser convidado, e ela o afastou. “Não aceito presentes de estranhos”, disse ela, embora sua voz estivesse mais suave do que pretendia.

“Então considere um investimento.” Ele guardou o papel do lance no bolso do paletó. “Sou um homem de negócios. Não dou nada sem esperar um retorno.”

“E que retorno você espera?”

Ele a observou por um longo momento, e nesse instante, algo mudou atrás de seus olhos. Um lampejo âmbar, tão rápido que ela poderia ter imaginado. As pupilas dele dilataram. O maxilar apertou novamente, e o ar pareceu pressionar para dentro, pesado e fechado. Então, passou. Ele sorriu, fácil e urbano novamente. “Um jantar”, disse. “Amanhã à noite. Oito horas. Enviarei um carro.” Não era uma pergunta.

Isabella deveria ter recusado. Deveria ter ido embora, levado as sapatilhas da mãe, o vestido Vera Wang, o pé quebrado e ido para casa descobrir o resto de sua vida. Em vez disso, ouviu-se dizer: “Eu não como depois das apresentações. Hábito antigo”.

“Então não vamos comer.” O sorriso dele se aprofundou. “Vamos conversar. E você vai me dizer por que uma mulher que se move como a água acredita que não tem mais nada pelo que dançar.”

Ele pegou a mão dela — a que estava sem a taça — e a levou aos lábios. Sua boca estava quente, quase quente demais, e o roçar de seus lábios contra os nós dos dedos enviou um choque de algo estranho por suas veias. Não apenas atração. Algo mais profundo. Algo que parecia reconhecimento.

“Até amanhã, Isabella”, ele disse. E então ele se foi, engolido pela multidão cintilante, deixando-a sozinha diante da pintura de uma bailarina quebrada, a mão ainda formigando, o coração batendo rápido demais.

O carro chegou na noite seguinte, pontualmente às oito horas. Era um Rolls-Royce preto com vidros fumê, e o motorista — um homem de cabelos prateados em uniforme feito sob medida — abriu a porta para ela como se ela fosse da realeza. Isabella vestira um vestido azul-marinho simples, o cabelo preso em um coque baixo, e suas únicas joias eram um par de pérolas que pertenciam à sua avó.

Ela dissera a si mesma que iria por uma hora. Apenas uma hora. Só para satisfazer sua curiosidade. Depois, ela agradeceria pelo presente (que chegara naquela manhã, embrulhado em papel pardo, com um bilhete que dizia apenas: Para a bailarina que ainda se move como a água) e voltaria para sua vida pequena e silenciosa.

Mas quando o carro parou diante de uma casa em Upper East Side — não uma cobertura, não um prédio alto, mas uma townhouse, cinco andares de calcário e ferro forjado que pertencia à família Van der Wolf há mais de um século — ela percebeu que o subestimara. Ele não era apenas rico. Era um rico antigo. O tipo de riqueza que vinha com retratos no sótão e esqueletos no jardim.

A porta se abriu antes que ela pudesse bater. “Srta. Markham.” Um mordomo — um mordomo de verdade, com luvas brancas e rosto como mogno esculpido — deu um passo para o lado. “O Sr. Van der Wolf a aguarda na biblioteca. Posso levar seu casaco?”

Ela entregou seu agasalho e o seguiu por um corredor forrado com pinturas a óleo de homens e mulheres de rosto austero, todos compartilhando os mesmos olhos cor de uísque. No final do corredor, portas duplas estavam abertas e, além delas, uma lareira crepitava sobre o mármore.

Alexander levantou-se de uma poltrona de couro quando ela entrou. Ele estava vestido de forma mais casual esta noite — um suéter escuro, calças cinzas, os pés descalços sobre o tapete persa. Seu cabelo estava levemente úmido, como se tivesse acabado de tomar banho. Sem a armadura do smoking, ele parecia mais jovem, mais vulnerável. Havia uma cicatriz que ela não notara antes, uma linha branca e fina que se curvava do maxilar à orelha. “Você veio”, disse ele, e havia algo como alívio em sua voz.

“Você enviou um Rolls-Royce. Pareceria indelicado recusar.”

Ele riu — uma risada real, não a versão polida de socialite — e indicou um sofá de veludo perto do fogo. “Sente-se. Por favor. Tenho vinho, embora tenha dito que não bebe antes das apresentações.” Ele hesitou. “Esta é uma apresentação?”

“Não”, disse ela, sentando-se. “Isso é algo inteiramente diferente.”

Ele sentou-se à frente dela, perto o suficiente para que seus joelhos quase se tocassem. A luz do fogo refletia nos ângulos do rosto dele, nas covas sob as maçãs do rosto, nas sombras sob os olhos. Ele parecia cansado, ela percebeu. Não por falta de sono, mas por algo mais profundo. Algo que o vinha desgastando há muito, muito tempo.

“Conte-me sobre a pintura”, disse ela, porque precisava preencher o silêncio antes que ele a engolisse por completo.

“O que você gostaria de saber?”

“Por que a comprou para mim? Você não me conhece. Falamos por cinco minutos.”

“Sei o bastante.” Ele alcançou um decanter de cristal na mesa lateral e serviu duas taças do que parecia ser conhaque. Ofereceu-lhe uma; ela aceitou, mais para ter algo nas mãos do que para beber. “Sei que você se aposentou do New York City Ballet no mês passado. Sei que sofreu uma fratura de Lisfranc no pé esquerdo há dois anos e nunca se recuperou totalmente. Sei que seu pai morreu quando você tinha dez anos e que sua mãe trabalha na Biblioteca Pública de Greenwich. E sei”, disse ele, a voz baixando, “que você é a mulher mais linda que já vi, e que estou procurando por você há muito tempo.”

A última frase caiu como uma pedra em águas profundas. “Isso é… intenso”, ela conseguiu dizer.

“Eu sou intenso.” Ele não pediu desculpas. “Também sou honesto. Não faço jogos, Isabella. Não tenho tempo para eles. Tenho trinta e dois anos, construí um império que se estende por três continentes e nunca — nunca — senti o que senti quando vi você parada naquele corredor, segurando as sapatilhas de sua mãe como uma relíquia sagrada.”

Sua garganta estava seca. “O que você sentiu?”

Ele pousou o conhaque e inclinou-se para a frente, descansando os cotovelos nos joelhos. Seus olhos captaram a luz do fogo e, por um momento, brilharam em dourado.

Âmbar, ela pensou. Como ontem à noite. Mas a luz está pregando peças.

“Certeza”, disse ele. “Senti certeza.” A palavra pairou entre eles, pesada e estranha. Isabella quis rir, descartar aquilo como o tipo de coisa que homens ricos diziam a mulheres que queriam seduzir. Mas não havia nada de predatório em seu olhar. Nada ensaiado. Ele parecia, de forma impossível, um homem que estava se afogando e finalmente avistara a margem.

“Você nem me conhece”, sussurrou ela.

“Então permita que eu conheça.” Ele estendeu a mão e pegou a dela novamente, a mesma mão que beijara na noite anterior. Desta vez, ele a virou e pressionou os lábios na palma dela, bem sobre o ponto da pulsação. A boca dele estava quente — quente demais, inexplicavelmente quente — e ela sentiu o calor subir pelo braço, pelo peito, até a base da garganta.

Algumas coisas são mais selvagens do que parecem. O pensamento veio novamente, sem ser convidado. Ela olhou para o rosto dele, para as maçãs do rosto afiadas, os olhos cor de uísque e a cicatriz branca e fina, e percebeu que não tinha medo dele. Deveria ter tido. Mas não tinha. “Jantar”, disse ela, a voz mais firme do que se sentia. “Você me prometeu um jantar.”

O sorriso dele foi lento, caloroso e cheio de segredos. “É verdade.” Ele se levantou e ofereceu a mão. Ela a pegou, e ele a puxou para ficar de pé — com delicadeza, cuidado, como se ela fosse feita de vidro. Ficaram cara a cara, a poucos centímetros, e ela podia sentir o calor emanando do corpo dele em ondas. Calor demais. Como uma fornalha contida sob sua pele.

“Isabella”, disse ele, e seu nome soou como uma oração. Então ele a soltou, deu um passo para trás e indicou a porta.

“A sala de jantar é por aqui. Espero que goste de comida italiana. O chef é de Bolonha e não tolera paladares exigentes.” Ela riu — uma risada real, a primeira em semanas — e o seguiu. Atrás deles, a lareira crepitava. E em algum lugar, profundamente nas paredes daquela velha casa, algo com olhos âmbar e uma fome mais antiga que a própria Nova York a observava partir.