A Musa do Crime

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Resumo

A Musa do Crime Nas sombras do norte de Londres, Devlin Drake governa com sangue nas mãos e gelo nas veias. Quando ele flagra uma artista de rua, pequena e refinada, pintando em seu território sem pagar pela proteção, ele espera submissão. Ele só não esperava por ela. Wren Diamond é pura rebeldia: cabelos castanhos selvagens, olhos cor de âmbar e uma ousadia silenciosa. Linda. Talentosa. Completamente deslocada em seu mundo brutal. Ele deveria cobrar o que ela lhe deve e esquecê-la. Em vez disso, ele a chama de Musa… e decide que ela é sua. À medida que a estrela de Wren ascende na cena artística e demônios do passado — rivais invejosos, policiais desesperados e sua família desaprobadora — se aproximam, ela é forçada a escolher entre a vida segura que sempre conheceu e o homem perigoso que se tornou seu tudo. Devlin Drake não divide o que é seu. Ele não cede. E ele incendiará Londres antes de permitir que alguém a tire de seus braços. Mas nem mesmo o braço-direito do Cartel do Norte de Londres parece preparado para uma mulher que pinta sua escuridão com cores de tirar o fôlego… e que o ama, apesar de tudo. Toda obra-prima tem seu preço. E esta pode custar tudo para eles.

Status
Completo
Capítulos
26
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Islington Streets

Devlin Drake encostou na parede de tijolos logo após a Upper Street, com a gola erguida contra o frio que ainda pairava na noite de abril. A luz estava diminuindo rápido, pintando o asfalto com sombras longas, mas isso não impedia a pequena artista de trabalhar. Ela tinha montado seu cavalete bem ali na esquina novamente, sem permissão, sem autorização, sem pagar a porra da proteção. Bastante ousada.

Ele a tinha notado uma semana atrás. Primeiro foi pelo dinheiro — ou pela falta dele. Depois foi por ela mesma. Um metro e cinquenta de altura, cheia de cabelos castanhos rebeldes e uma camisa suja de tinta amarrada na cintura, como se tivesse saído de algum estúdio chique direto para o território dele. Ela movia o pincel com um foco silencioso, a cabeça inclinada, os olhos âmbar semicerrados contra o resto da luz do dia. Ela era linda de verdade. Um tipo perigoso de beleza.

Devlin deu uma tragada lenta no cigarro, observando-a arrumar as coisas. Ela limpou as mãos num pano, enrolou a tela com cuidado e a enfiou numa pasta de couro grande. Ninguém a incomodava. Ainda não. Mas isso estava prestes a mudar.

Ele se afastou da parede e atravessou a rua, com os sapatos silenciosos no asfalto úmido. De perto, ela cheirava a solvente e algo floral, caro. Ela olhou para cima quando ele se aproximou, aqueles olhos âmbar se arregalaram por um segundo antes de ela controlar o rosto com uma cautela educada.

“Boa noite”, disse ele, com a voz grave, carregada do sotaque do norte de Londres, espessa como a neblina que costumava sair do canal. “Belo trabalho o seu. É uma pena que você não tenha uma licença para vender nas minhas ruas.”

Ela se endireitou, com todo o seu metro e cinquenta e poucos, e olhou bem nos olhos dele. Voz fina, clara como cristal. “Sinto muito, mas eu não sabia que precisava de uma. Estou apenas tentando vender alguns originais para cobrir o custo dos materiais. Não ocupo muito espaço.”

Devlin quase riu. Ela não fazia ideia de quem ele era. A maioria das pessoas por ali ouvia o nome Drake e atravessava a rua. Ela, não. Ela ficou ali em sua blusa suja de tinta como se estivesse numa festa de jardim.

“Meu nome é Devlin”, disse ele, colocando as mãos nos bolsos. “Devlin Drake. E por aqui, querida, você paga para brincar. Ou não brinca de jeito nenhum.”

“Wren”, ela respondeu, levantando o queixo. “Wren Diamond. E receio que não tenha nada para pagar no momento. Os negócios andaram bem devagar.”

Ele a estudou. A maneira como a luz moribunda captava seu cabelo, o jeito teimoso de sua boca. Muse, ele pensou. Ela parecia uma. Carter já a teria levado à força pelo que devia, mas algo nela o fez hesitar. Ele queria ver o que ela conseguia fazer com aquele pincel quando não estivesse quase morrendo de fome por falta de suprimentos.

“Sabe de uma coisa, Muse”, disse ele, o apelido saindo antes que ele pudesse impedir. “Você vem comigo, me mostra o que mais tem nessa pasta, e talvez a gente possa dar um jeito nisso. Conheço pessoas que pagam um bom dinheiro por talento.”

Ela hesitou, os dedos apertando a alça da bolsa. “Não tenho certeza se isso é uma boa ideia, Sr. Drake.”

“Devlin”, ele corrigiu, dando um passo à frente. Perto o suficiente para ver uma leve mancha de carvão na bochecha dela. “E é a melhor ideia que você teve a semana toda, confie em mim. Se continuar pintando aqui sem acertar a proteção, alguém menos compreensivo que eu vai notar. Prefiro que tenha sido eu a notar primeiro.”

Wren examinou o rosto dele, aqueles olhos âmbar cautelosos, mas curiosos. Por um momento, o barulho da rua desapareceu — os ônibus na Upper Street, os caras gritando lá longe, o lamento distante de uma sirene. Apenas ela e ele sob o brilho alaranjado do poste.

“Tudo bem”, disse ela por fim, com a voz suave, mas firme. “Mas só para te mostrar o trabalho. Não estou concordando com mais nada.”

A boca de Devlin se curvou num sorriso lento. “Claro que não, Muse. Nem pensaria nisso.”

Ele pegou a pasta dela gentilmente, surpreso com o quão leve ela parecia na mão, e acenou pela estrada em direção ao Range Rover preto parado no meio-fio. Quando ela começou a caminhar ao lado dele, pequena, feroz e chique demais para aquela parte do norte de Londres, Devlin já sabia de uma coisa com certeza.

Essa aí ia lhe custar caro. E ele ia aproveitar cada centavo.

Devlin segurou a porta do carro aberta para ela, com uma sobrancelha erguida num desafio silencioso. Wren hesitou apenas um segundo antes de deslizar para o banco de trás, segurando sua pequena bolsa de ombro como se fosse uma armadura. Ele entrou logo depois dela, o couro rangendo sob seu peso, e deu um único aceno para o motorista. O Range Rover saiu suave como seda no trânsito de Islington.

Dentro do carro estava quente, o ar denso com o perfume dele e o leve rastro de solvente que ainda grudava nas roupas dela. Ela sentou-se reta como uma vara, joelhos juntos, olhos fixos na pasta que agora descansava no colo dos dois. Devlin a abriu sem pedir, deslizando a primeira tela para fora.

“Porra”, ele murmurou baixinho. Era uma cena de rua — a mesma esquina onde ela estava pintando —, mas feita com aquelas tintas a óleo ricas e melancólicas que faziam o comum parecer algo saído de um sonho. A luz batia nos paralelepípedos molhados exatamente como devia, e havia uma figura solitária ao longe que parecia suspeitamente com um dos seus rapazes vigiando. Garota esperta.

“Você fez isso hoje?”, perguntou ele, com a voz mais baixa do que pretendia.

Wren assentiu, as bochechas corando um pouco. “Sim. Gosto de trabalhar ao vivo. A luz muda tão rápido por aqui. É… muito viva.”

“Viva”, ele repetiu, sentindo o gosto da palavra. Coisa chique. Ele virou a página. Outra peça — desta vez um retrato de um antigo vendedor de mercado, rugas profundamente gravadas, olhos cheios de anos. Depois um esboço rápido a carvão de uma criança numa bicicleta, pura ação e travessura. Cada uma era muito boa. Melhor que boa.

Ele fechou a pasta devagar e recostou-se, estudando o perfil dela nas luzes da rua que passavam. “Você está desperdiçando seu tempo naquela esquina, Muse. Poderia estar numa galeria de verdade. Por que as ruas?”

Ela deu de ombros de forma elegante. “Galerias querem um nome primeiro. Ou dinheiro. Não tenho nenhum dos dois. Então pinto onde as pessoas podem realmente ver o trabalho. E gosto da liberdade.” Seus olhos âmbar brilharam para ele. “Até agora, pelo visto.”

Devlin riu, o som saindo áspero em seu peito. “Liberdade custa, querida. Tudo custa por aqui.” Ele deixou o braço esticado ao longo do encosto do banco, sem tocá-la, mas perto o suficiente para que ela sentisse o calor dele. “Meu irmão Carter comanda as coisas. Eu sou seu braço direito. Quando digo proteção, quero dizer que mantemos o tipo errado longe. Mantenho sua cabeça bonita a salvo enquanto você trabalha. Mas nada é de graça.”

Wren virou-se para encará-lo de verdade então, com o queixo erguido daquele jeito chique que fez algo revirar lá no fundo da barriga dele. “E o que exatamente essa proteção implicaria, Sr. Drake? Pagamentos mensais que não posso pagar? Ou algo mais?”

Ele gostou que ela não recuou. A maioria das mulheres estaria morrendo de medo agora, mas não ela. Ela o observou como se ele fosse outro assunto para pintar — interessante, talvez um pouco perigoso, mas digno de estudo.

“Me chame de Devlin”, disse ele novamente. “E nós vamos dar um jeito. Você continua pintando. Eu garanto que ninguém toque em você ou nas suas coisas. Em troca…” Ele deixou o silêncio se prolongar, observando a garganta dela subir e descer enquanto ela engolia em seco. “Você deixa eu cuidar de você. Simples assim.”

O carro diminuiu a velocidade em frente a um armazém convertido perto do canal — um dos lugares mais silenciosos do cartel. As luzes brilhavam quentes nas janelas do andar de cima. Devlin saiu primeiro e ofereceu a mão a ela. Após um instante, ela a segurou, os dedos pequenos frios contra a palma dele. Ele não soltou de imediato.

Lá dentro, o lugar era todo de tijolos aparentes e iluminação baixa. Alguns dos rapazes acenaram para Devlin, mas mantiveram a boca fechada quando viram a garota com ele. Ele a levou para o andar de cima, para um grande salão aberto que servia como escritório e, às vezes, como galeria particular para as peças que eles vendiam por fora.

“Mostre-me mais”, disse ele, limpando uma mesa baixa e dispondo o trabalho dela sob os holofotes. “Desta vez, da maneira certa.”

Wren moveu-se com confiança silenciosa assim que teve seus pincéis e telas à sua frente. Ela explicou cada peça — as cores que tinha misturado, por que tinha escolhido aquele ângulo, como a luz tinha mudado no meio do processo. Sua voz era suave, mas apaixonada, cheia de vogais refinadas e dicção cuidadosa. Devlin ouviu, com os braços cruzados, sem tirar os olhos do rosto dela, mesmo quando ela falava sobre técnica.

A certa altura, ela levantou a mão para colocar uma mecha solta atrás da orelha e deixou um rastro tênue de marrom queimado na bochecha. Sem pensar, ele se aproximou e limpou com o polegar. Ela congelou.

“Você está com tinta no rosto”, murmurou ele, com a voz rouca.

“Obrigada”, ela sussurrou, mas não recuou.

Devlin deixou a mão ali por um segundo a mais do que deveria, sentindo o calor da pele dela. Essa garota era um problema. Um problema de verdade. Ela devia dinheiro que não tinha, falava como se tivesse frequentado uma escola de elite e pintava como se o mundo lhe devesse beleza. E ele já sabia que não ia deixá-la ir tão fácil.

“Fique e pinte aqui por um tempo”, disse ele finalmente, afastando a mão. “Estúdio de verdade. Os materiais são por nossa conta. Resolvemos o resto depois.”

Wren examinou o rosto dele novamente, aqueles olhos âmbar cautelosos, mas brilhantes com algo que parecia perigosamente com intriga. “E se eu disser não?”

Devlin sorriu, de forma lenta e sombria. “Então eu só vou ter que continuar te encontrando naquela esquina até você mudar de ideia, Muse. De qualquer jeito… você não vai se livrar de mim tão fácil.”

Ele observou a decisão passar pelo rosto dela — medo, orgulho e aquela centelha de fome artística, tudo lutando pelo primeiro lugar. No final, a fome venceu, exatamente como ele sabia que aconteceria.

“Muito bem”, disse ela por fim, com a voz mal passando de um sussurro. “Mas apenas até eu conseguir pagar o que devo.”

Devlin não respondeu. Ele já sabia que a dívida nunca seria apenas sobre dinheiro. Não mais.