A Cabana de Mara - O Despertar do Vínculo Real

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Resumo

Escute bem: viver sozinha nas montanhas ensinou a uma mulher muitas coisas. Primeiro: sempre tenha pilhas extras. Segundo: nunca confie em um homem que diz estar "entre empregos". E terceiro: absolutamente nada de bom jamais chegou depois do anoitecer. Especialmente com um tempo desses. Lentamente, Mara esticou a mão atrás do sofá e agarrou o taco de beisebol que mantinha encostado nas almofadas. Não porque esperasse vencer um assassino com um Louisville Slugger. Mas porque, se fosse morrer, ela pretendia morrer sendo irritante. Outra sombra cruzou a janela. Grande. Grande demais. Earl a abandonou abruptamente e desapareceu debaixo da poltrona, como o covarde peludo que era. "Traidor", sussurrou Mara. O alpendre rangeu. Um baque baixo soou contra a porta da frente. Não era batida. Não era arranhão. Apenas… peso. Como se algo enorme tivesse se encostado nela. Mara engoliu em seco. "Ah, droga." Outro baque. Então, silêncio. A chuva castigava o telhado. Seu pulso martelava em seus ouvidos. Finalmente, incapaz de aguentar mais, Mara marchou em direção à porta segurando o taco com as duas mãos. "Escute", ela chamou através da madeira, a voz afiada pela irritação e pelo nervosismo, "se você for um serial killer, quero que saiba que sou muito decepcionante pessoalmente." Silêncio. Então— Um som. Não era um rosnado. Não era um latido. Era um espirro. Mara piscou. "O quê?"

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Completo
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Mara Conhece Dominick

A chuva começou três horas antes do pôr do sol e não deu sinais de trégua. Às nove horas, as montanhas haviam desaparecido completamente atrás de cortinas de névoa e lençóis prateados de água que batiam contra o telhado de Mara Bennett com força suficiente para fazer a velha chaminé chacoalhar. O clima perfeito para ficar dentro de casa e cuidar da própria vida. Que era exatamente o que Mara pretendia fazer.

Ela estava sentada, encolhida no canto do seu sofá desbotado sob um cobertor de crochê, com os óculos de leitura escorregando pelo nariz, enquanto um romance policial permanecia aberto em seu colo, intocado pelos últimos vinte minutos. Uma caneca de café pela metade esfriava ao seu lado.

Lá fora, o vento gemia através dos pinheiros que cercavam a cabana.

Dentro, Earl, o gato, roncava como um cortador de grama entupido.

Paz. Bendita paz. Aos cinquenta e oito anos, Mara tinha aprendido a valorizar a paz da maneira que outras pessoas valorizavam o dinheiro. Paz significava ninguém gritando. Ninguém precisando de nada. Ninguém tirando nada de você. Apenas chuva. Café. Silêncio. E talvez, se o universo gostasse dela, uma noite de sono sem interrupções.

Então Earl levantou a cabeça. O velho gato laranja parou o ronco no meio.

Mara estreitou os olhos. “É melhor que aquilo não seja um urso.”

As orelhas de Earl se achataram. “Ah, fantástico.”

A luz com sensor de movimento lá fora acendeu. Algo grande se moveu pela janela da varanda. Mara ficou imóvel.

Escute bem — morar sozinha nas montanhas ensinou muitas coisas a uma mulher. Primeiro: tenha sempre pilhas extras. Segundo: nunca confie em um homem que diz que está “entre empregos”. E terceiro: absolutamente nada de bom acontece depois que escurece. Especialmente com um tempo desses. Lentamente, Mara esticou a mão ao lado do sofá e pegou o taco de beisebol que mantinha encostado nas almofadas. Não porque esperasse vencer um assassino com um Louisville Slugger. Mas porque, se ela fosse morrer, ela pretendia morrer de um jeito irritante.

Outra sombra cruzou a janela. Grande. Grande demais.

Earl a abandonou abruptamente e desapareceu sob a poltrona como o covarde peludo que era. “Traidor”, sussurrou Mara.

A varanda rangeu. Um baque surdo soou contra a porta da frente. Não era um soco. Nem arranhado. Apenas… peso. Como se algo enorme tivesse se encostado nela.

Mara engoliu em seco. “Ah, que merda.”

Outro baque.

Então, silêncio.

A chuva batia no telhado.

Seu pulso batia forte nos ouvidos. Finalmente, incapaz de aguentar mais, Mara caminhou até a porta, segurando o taco com as duas mãos.

“Escute”, ela chamou através da madeira, com a voz afiada pela irritação e pelo nervosismo, “se você for um serial killer, quero que saiba que sou muito decepcionante pessoalmente.” Silêncio. Então —

Um som. Não era rosnado. Não era latido. Um espirro.

Mara piscou. “O quê?”

Outro espirro ecoou através da tempestade.

Confusa apesar de si mesma, Mara destrancou a fechadura e abriu a porta dois centímetros, cautelosa. O vento frio imediatamente jogou chuva em seu rosto. E lá, estirado em sua varanda como um tronco de árvore caído, estava o maior lobo preto que ela já tinha visto na vida. Seu pelo encharcado brilhava como prata sob a luz da varanda. Olhos dourados se levantaram lentamente para encontrar os dela. A criatura parecia exausta. E profunda, profundamente irritada por estar molhada.

Mara encarou. O lobo encarou de volta. A chuva escorria de suas orelhas enormes. Por um longo momento, nenhum dos dois se moveu. Então, o lobo espirrou novamente.

Mara soltou o suspiro de uma mulher pessoalmente traída pelo universo. “Ah, não”, ela murmurou. O lobo piscou. “Eu já sei como essa história termina.”

Mara deveria ter fechado a porta. Essa era a coisa sensata a se fazer. Pessoas normais fazem coisas sensatas. Pessoas normais não ficam descalças no meio de uma tempestade encarando o que parecia ser uma criatura lendária da floresta com problemas de alergia. No entanto, de alguma forma, dez minutos depois, o enorme lobo estava deitado sobre uma colcha velha ao lado de seu fogão a lenha, enquanto a chuva evaporava suavemente de seu pelo. Mara culpou a loucura temporária.

“É isso”, ela murmurou, colocando mais uma tora no fogo. “Finalmente entrei na fase da minha vida em que adoto criaturas selvagens perigosas.” O lobo abriu um olho dourado. “Ah, não olhe para mim desse jeito. Você ainda é suspeito.”

A criatura bufou suavemente e descansou a cabeça de volta sobre as patas.

De perto, ele era ainda maior. Suas patas eram do tamanho de pratos de jantar.

Cicatrizes cruzavam seu focinho e ombros sob o pelo preto espesso. Uma orelha tinha um corte serrilhado, como se alguém tivesse tentado muito arrancá-la. Cicatrizes antigas, Mara notou. Não eram recentes. Algo sobre aquilo a incomodava mais do que deveria.

Earl, aparentemente decidindo que o risco de morte imediata havia passado, emergiu cautelosamente debaixo da poltrona. O gato parou a um metro do lobo. O lobo parou, observando o gato. Mara parou, observando os dois.

“Ou isso vai virar um filme da Disney”, ela sussurrou, “ou uma cena de crime.”

Earl rastejou para mais perto. O lobo abaixou sua cabeça gigante cuidadosamente até o chão. Então Earl — aquela ameaça laranja que ele era — caminhou diretamente até o predador aterrorizante e deu um tapa no nariz dele.

A sala ficou em silêncio.

Mara ofegou.

O lobo piscou.

Earl deu outro tapa nele.

“Meu Deus”, sussurrou Mara. “Ele acha que é mais durão que você.”

O lobo virou lentamente a cabeça para ela. E Mara juraria mais tarde, por sua vida, que a criatura parecia envergonhada. Então, para sua descrença absoluta, o enorme lobo preto rolou ligeiramente para um lado, no que parecia muito com uma submissão. Earl imediatamente subiu em seu peito como um imperador conquistador.

“Bem”, disse Mara fracamente, “isso é humilhante para você.”

O lobo soltou um suspiro de sofrimento pelo nariz.

Lá fora, o trovão rolava pelas montanhas.

Dentro, Mara se viu encarando a criatura impossível esticada ao lado de sua lareira enquanto seu gato idiota amassava o pelo dele como massa de pão.

Isso era loucura. Completamente louco. Ela deveria chamar alguém. O controle de animais, talvez. Embora ela suspeitasse que, se o controle de animais visse aquela coisa, eles simplesmente entregariam a papelada para *ela* e pediriam demissão na hora.

O lobo de repente levantou a cabeça.

Suas orelhas se ergueram bruscamente. Cada músculo em seu corpo ficou tenso. Mara notou a mudança instantaneamente. “O que foi?”

O lobo se levantou em um movimento fluido. Agora não estava relaxado. Estava alerta. Perigoso. Um rosnado baixo vibrou profundamente em seu peito. Então —

Três batidas fortes atingiram a porta da frente.

Mara deu um pulo.

Imediatamente, o lobo se posicionou entre ela e a entrada. Silencioso. Imponente.

O rosnado profundo crescendo em seu peito não soava mais como um animal. Soava como algo assassino.

Outra batida ecoou pela cabana.

Então a voz de um homem chamou do lado de fora: “Mara Bennett? Você está aí?”

Mara encarou a porta. Depois o lobo. Depois a porta novamente. “Ah, absolutamente não”, ela sussurrou. “Você não vai ficar todo dramático e assassino na minha sala de estar.”

O lobo a ignorou completamente. Seus lábios se retraíram levemente, revelando dentes brancos enormes.

Outra batida sacudiu a cabana. “Sra. Bennett?”, chamou o homem lá fora. “Sua picape está parada lá na estrada. Pensei que talvez você precisasse de ajuda.”

Mara franziu a testa. Aquela voz soava vagamente familiar.

O rosnado do lobo se aprofundou. “Ah, pare com isso”, ela sibilou. “Você está agindo como se as Testemunhas de Jeová estivessem aqui para nos dar o fim.”

Cuidadosamente, Mara contornou o animal. O lobo bloqueou o caminho dela novamente. Ela parou. O lobo parou.

Mara colocou as duas mãos na cintura. “Senhor.” O lobo a encarou de cima. “Você é um convidado na minha casa. Um convidado muito grande e muito úmido que ainda não explicou por que você é construído como um pesadelo de esteroides. Mas as regras da casa se aplicam.”

O rosnado diminuiu um pouco.

“Isso significa que nada de atacar as pessoas na minha varanda.” O lobo parecia pouco convencido. “Francamente, que audácia.”

Outra batida soou.

“Mara?”

As orelhas do lobo se achataram.

Mara apontou um dedo de aviso para ele. “Se você comer o carteiro, vou te fazer dormir lá fora.” A criatura parecia profundamente ofendida.

“Ótimo. Nós nos entendemos.”

Resmungando entre dentes, Mara marchou até a porta da frente e a abriu de um puxão.

Chuva e vento frio entraram imediatamente. Um homem alto estava na varanda sob uma jaqueta camuflada pingando água e um boné. Meia-idade, talvez. Barba densa. Olhos nervosos.

Ed Harper. Mecânico local. Um homem bem legal.

Embora, no momento, ele parecesse a um passo de fazer xixi nas calças.

Mara piscou.

“Ed?”

Ed não estava olhando para ela.

Ele estava encarando para além de seu ombro, para dentro da cabana.

Especificamente para o lobo preto gigante parado ao lado da lareira, como se a própria morte tivesse criado pelo.

“…Jesus Cristo”, sussurrou Ed.

O lobo deu um passo lento à frente. Um rosnado percorreu a sala. Ed tropeçou para trás tão rápido que quase escorregou da varanda.

Mara se virou bruscamente. “Ah, pelo amor de— pare de ameaçar as pessoas!”

Os olhos dourados do lobo permaneceram fixos em Ed. Não exatamente agressivos. Protetores. Suspeitos. Como um soldado identificando o perigo. O que era ridículo. O maior crime de Ed Harper era cobrar caro demais dos turistas pelas pastilhas de freio.

“Mara”, disse Ed cuidadosamente, sem tirar os olhos do lobo, “aquela coisa é… uh…”

“Sim”, suspirou Mara. “Grande. Eu notei.”

“Acho que é um lobo.”

“Novamente. Muito observador.”

“Mara.”

“O quê?”

“Esse não é um lobo normal.”

Ela cruzou os braços.

“Bom, eu também não sou antes do café, mas a sociedade se adapta.”

Atrás dela, o lobo fez um som estranho.

Mara virou a cabeça lentamente.

A criatura enorme tinha abaixado o rosto levemente.

E, a menos que ela tivesse perdido completamente o juízo—

—parecia que aquela droga de bicho estava tentando não rir.

Ed Harper foi embora uns quatro minutos depois, após inventar o que possivelmente era a pior desculpa da história da humanidade.

“Bom,” disse ele, afastando-se lentamente da varanda enquanto encarava o lobo, “eu deveria… ah… deixar você voltar para o seu… cachorro.”

“Hum-hum.”

“Esse é um cachorro muito grande.”

“Mistura de bernese com montanhês”, respondeu Mara imediatamente.

O lobo se virou e a encarou com descrença.

Ed concordou rápido demais.

“Certo. É. Com certeza.”

Então, ele praticamente disparou em direção à sua caminhonete.

Mara viu as luzes traseiras desaparecerem na estrada encharcada de chuva antes de fechar a porta com firmeza atrás de si.

A cabana ficou silenciosa novamente, exceto pelo fogo crepitante e pela tempestade constante lá fora.

Lentamente, Mara se virou.

O lobo estava sentado perto da lareira, observando-a. Esperando.

“Você”, disse ela, apontando de forma acusadora, “já está causando problemas.”

O lobo piscou.

“Eu vi aquela ceninha de Cujo na porta.”

Uma orelha peluda se mexeu.

“E não pense que eu não percebi a atitude.”

A criatura, na verdade, desviou o olhar.

Mara estreitou os olhos.

“Isso foi atitude.”

O lobo suspirou. Não era um som de lobo. Era um som de homem. Sofrido. Cansado. Profundamente incomodado.

Mara congelou. O lobo congelou. O ambiente ficou muito parado.

“…Não”, disse Mara com cautela.

O lobo a encarou.

“Nem pensar.”

Silêncio.

“Você não vai se tornar um problema cheio de mistérios.”

O lobo abaixou lentamente sua cabeça maciça sobre as patas.

Evitando contato visual.

“Ai meu Deus.”

Mara deu um passo para trás.

“Você me entende.”

O lobo não se moveu.

“Você me entende.”

Nada. Mara apontou para ele com indignação crescente.

“Seu bastardo manipulador da floresta.”

Um olho dourado se entreabriu.

“Ah, não me venha com esse olhar! Esse tempo todo você ficou aí agindo como uma criatura trágica da floresta enquanto secretamente ouvia cada palavra que eu dizia?”

O lobo fechou o olho novamente. O que, de alguma forma, tornou tudo pior.

Mara começou a andar de um lado para o outro.

“Não. Nem pensar. Eu rejeito isso completamente. Eu tinha um sistema montado na minha cabeça. Um sistema gerenciável. Alimentar o lobo misterioso. Não ser assassinada pelo lobo misterioso. Simples.”

Os ombros do lobo se moveram uma vez. Um suspiro silencioso.

“Você estava rindo?

Os ombros se moveram novamente.

Mara deu um tapa na própria testa.

“É assim que filmes de terror começam.”

Atrás dela, o lobo se levantou suavemente. As tábuas do assoalho rangeram sob seu peso. Mara se virou bem quando a criatura enorme se aproximou. Sem ameaça. Cuidadoso. Lento. Até que ele ficou diretamente na frente dela. De perto, ele era enorme. O topo de sua cabeça quase alcançava o peito dela, mesmo sobre as quatro patas. Olhos dourados mantinham os dela fixos. Com inteligência. De forma humana.

E, de repente, Mara percebeu que estava sozinha em uma tempestade, nas profundezas das montanhas, a poucos centímetros de algo que absolutamente não deveria existir.

Um lampejo de medo finalmente escapou do seu humor. O lobo viu instantaneamente. Suas orelhas baixaram levemente. Então — para o espanto completo de Mara — a criatura gigante sentou-se cuidadosamente. Fazendo-se menor. Mais seguro. O gesto foi tão estranhamente gentil que a pegou de surpresa. Por um longo momento, nenhum dos dois se moveu.

Então, Mara suspirou profundamente.

“Bem”, ela murmurou, “isso é ou o começo de um romance sobrenatural emocionalmente gratificante…”

Ela apontou para ele.

“…ou o jeito mais estúpido possível de morrer.”

O lobo espirrou diretamente no rosto de Mara. Ela recuou.

“Ah, fantástico. Maravilhoso. Convido um criptídeo para minha casa e imediatamente pego raiva sobrenatural.”

O lobo pareceu ofendido.

“Você é a pessoa que está vivendo lá fora, na chuva, como um órfão vitoriano.”

Ele espirrou de novo. Mara gemeu. “Chega. Fique parado.”

O lobo a observou desaparecer no banheiro. Um momento depois, ela voltou carregando uma braçada de toalhas. “Não torne isso estranho”, ela avisou. A expressão do lobo, de alguma forma, tornou-se desconfiada.

“Você é literalmente um cachorro molhado gigante. Não vou deixar você mofar no meu chão.”

Cuidadosa e cautelosamente, Mara deu um passo à frente e jogou uma toalha sobre a cabeça da criatura. Por um segundo terrível, ela pensou que tinha cometido um erro catastrófico. Então, o lobo ficou imóvel enquanto ela esfregava a toalha em seu pelo encharcado.

“…Huh.”

Os músculos sob a pelagem preta e espessa eram sólidos como pedra. Cicatrizes antigas cruzavam seus ombros e pescoço sob o pelo. Algumas finas e prateadas pela idade. Outras mais brutas. Quem quer que — ou o que quer que — essa criatura fosse, a vida também não tinha sido gentil com ele.

O lobo de repente ficou muito parado. Mara pausou. “O quê?”

Olhos dourados encaravam além dela, em direção à janela escura da cozinha. Um rosnado baixo vibrou em seu peito novamente. Não alto desta vez. Um aviso.

Mara se virou lentamente.

A chuva batia no vidro. A floresta além da cabana balançava em tons de preto e prata na tempestade. Nada lá. No entanto, os pelos de seus braços se arrepiaram de qualquer maneira. Aquele sentimento. O instinto ruim de que alguém estava observando. Mara odiava esse sentimento. Tinha odiado a vida inteira.

O lobo se levantou instantaneamente e se moveu para frente dela novamente. Protetor. O rosnado ficou mais grave.

“Ah, não comece com suas bobagens de filme de terror”, murmurou Mara, embora em voz mais baixa agora.

Então—

Uma forma se moveu do lado de fora da janela. Rápida. Rápida demais.

Mara deu um pulo violento.

“Que diabos foi aquilo?!”

O lobo avançou em direção ao vidro com um rosnado tão selvagem que fez os pratos nos armários tremerem.

Algo quebrou através da floresta lá fora. Galhos estalando. Correndo. Não era humano. Pesado demais. Rápido demais.

Earl disparou para cima da geladeira com um som que Mara jamais tinha ouvido vir de um gato vivo.

A cabana ficou silenciosa novamente. Exceto pela tempestade. O coração de Mara batia forte em seus ouvidos.

O lobo estava rígido ao lado da janela, cada músculo tenso. Ouvindo. Esperando.

Então, lentamente… muito lentamente… seus lábios se retraíram, mostrando os dentes. Não era medo. Era reconhecimento.

“Ah, só pode estar de brincadeira”, sussurrou Mara.

Porque, em algum lugar na floresta escura além de sua cabana—

algo rosnou de volta.

O rosnado em resposta percorreu as árvores como um trovão distante. Mais baixo. Mais áspero. Menos controlado.

O lobo preto ao lado de Mara ficou totalmente imóvel. O que, de alguma forma, a assustou mais do que o rosnado.

“Ah, isso não é bom”, sussurrou ela.

As orelhas do lobo se achataram brevemente. Como se ele concordasse.

Lá fora, algo circulava a cabana. Passos pesados estalavam na vegetação úmida além da luz da varanda. Já não se escondendo mais.

Mara pegou o taco de beisebol novamente. O lobo olhou para o taco. Depois para ela.

“Sim, eu sei”, ela disparou, nervosa. “Mas emocionalmente eu preciso disso.”

Outro movimento passou rápido pela janela lateral. Grande. Cinza. Mara capturou apenas um borrão de pelo prateado e olhos brilhantes antes que desaparecesse novamente na escuridão.

O lobo preto soltou um som agudo nas profundezas da garganta. Não chegava a ser um rosnado. Era um aviso. Ou talvez um comando. A tempestade lá fora pareceu prender a respiração.

Então, uma voz flutuou através da chuva. Masculina. Jovem. Irritada.

“Pelo amor de Deus, Dominic, se você se apegou emocionalmente a outra humana de novo, Rowan vai perder a cabeça.”

Mara congelou.

Lentamente…

muito lentamente…

Ela se virou em direção ao lobo preto.

O lobo desviou o olhar.

“Ah, você tem um nome.”

Dominic continuou recusando contato visual.

Mara apontou para ele, indignada.

“Você teve uma identidade governamental inteira esse tempo todo?!”

Uma segunda voz respondeu rudemente lá de fora.

“Podemos nos concentrar, por favor? Rastreamos sangue por toda a estrada da montanha.”

Sangue?

O estômago de Mara embrulhou.

“Que sangue?”

A cabeça de Dominic girou em direção a ela instantaneamente.

Tarde demais.

Ela tinha visto.

Visto a rigidez na maneira como ele protegia o lado esquerdo.

Vi as manchas mais escuras escondidas sob o pelo molhado.

As cicatrizes não eram os únicos ferimentos nele.

— Você está ferido.

Dominic permaneceu imóvel. O que já era resposta suficiente.

Os olhos de Mara se estreitaram perigosamente.

— Ah, absolutamente não.

O lobo piscou.

— Você não vai sangrar no meu chão enquanto finge que está tudo bem.

Dominic parecia profundamente exausto.

Lá fora, a voz mais jovem gritou de novo:

— Dominic! Se você não me responder, eu vou entrar pela janela!

Mara marchou em direção à porta da frente.

Dominic se moveu imediatamente para bloquear o caminho dela.

— Saia da frente.

O lobo não se moveu.

— Senhor, eu tenho cinquenta e oito anos e estou cansada demais para esse comportamento misterioso de alfa esta noite.

Nada.

Mara levantou o taco de beisebol levemente.

Dominic encarou o taco.

Então, lentamente, deu um passo para o lado.

— Foi o que eu pensei.

Ela puxou a porta da frente, abrindo-a.

A chuva fustigava a varanda de lado.

E, parados no limite da luz, havia dois lobos enormes. Um cinza-prateado. Um marrom-escuro. Ambos a encaravam com olhos dourados idênticos. O lobo cinza se assustou visivelmente.

— ...Isso não é o que eu esperava — disse a mesma voz masculina jovem de antes.

Mara piscou.

Depois, estreitou os olhos para ver através da chuva.

— ...Por que você parece um riquinho de fraternidade?

O lobo prateado pareceu ofendido.

— Eu não pareço um riquinho de fraternidade.

— Você parece, com certeza — respondeu Mara.

O lobo marrom fez um barulho de engasgo que soava suspeitosamente como uma risada contida.

O lobo prateado virou a cabeça rapidamente para ele.

— Cala a boca, Elias.

— Ah, eu nunca vou deixar isso passar.

Mara encarou os dois parados na chuva.

Depois, esfregou lentamente a testa.

— Certo. Preciso que todo mundo pare de falar por um segundo.

Os três lobos ficaram em silêncio.

Mara apontou para o prateado.

— Você.

Ele se endireitou levemente.

— Você também é secretamente um homem?

— ...Sim.

Ela apontou para o lobo marrom.

— E você?

Uma pausa.

— ...Infelizmente.

— Fantástico. Ótimo. Maravilhoso. Pelo visto, abri minha porta hoje à noite e acabei entrando para uma trupe de improviso paranormal. Atrás dela, Dominic soltou outro suspiro cansado. Mara se virou para ele imediatamente.

— E você fique quieto. Você está ferido. — Dominic desviou o olhar novamente.

Elias — o lobo marrom — inclinou a cabeça.

— ...Ele te contou?

— Não. Ele tentou a clássica estratégia masculina de sangrar escondido e esperar que ninguém percebesse.

Elias soltou uma risada.

O lobo prateado gemeu.

— Ah, o Rowan definitivamente vai matar ele.

Ao ouvir o nome, as orelhas de Dominic se achataram.

Interessante. Muito interessante.

Mara estreitou os olhos.

— Quem é Rowan?

Nenhuma resposta. Lá fora, um trovão estalou violentamente acima deles. O lobo mais jovem olhou inquieto para a floresta.

— Nós realmente não deveríamos estar aqui fora.

Isso apagou o humor da varanda instantaneamente. Mara notou a mudança. Todos os três lobos estavam alertas de novo. Ouvindo. Observando a linha escura das árvores. Algo naquilo a deixou gelada. Não era medo por eles mesmos. Era preocupação. Como soldados experientes esperando por problemas.

— ...O que tem lá fora? — ela perguntou baixinho.

O lobo prateado respondeu desta vez.

— Partes de caça.

Mara piscou.

— Caçando o quê?

Um silêncio pesado se seguiu.

Então Elias murmurou:

— Nós.

A tempestade de repente pareceu muito mais fria. Mara olhou de um lobo enorme para o outro. Três criaturas impossíveis paradas em sua varanda. Feridos. Armados para uma luta. Sendo caçados pelas montanhas. E, de alguma forma, seu cérebro se prendeu na parte menos importante possível.

— ...Espere — ela disse lentamente.

Os três lobos olharam para ela.

— Vocês têm partes de caça, mas ninguém pensou em trazer um kit de primeiros socorros?

O silêncio foi profundo. Elias olhou para Dominic. Dominic olhou para o chão. O lobo prateado apertou a ponte do focinho com uma pata.

— Meu Deus — sussurrou Mara. — Vocês são todos uns idiotas.

— Vocês são todos uns idiotas — repetiu Mara.

A chuva caía do telhado da varanda em fluxos prateados ao redor deles. Os três lobos a encaravam com diferentes graus de vergonha. Elias, pelo menos, teve a decência de parecer embaraçado. O prateado parecia apenas irritado por estar sendo julgado. Dominic continuava projetando o silêncio exausto de um homem que aceitou seu destino.

Mara apontou para ele primeiro.

— Você está sangrando.

Depois para Elias.

— Você parece alguém que perderia uma briga para uma cadeira dobrável.

— Eu não perderia—

— E você — ela disparou para o lobo prateado — tem o calor emocional de uma auditoria fiscal.

O lobo prateado piscou lentamente.

— ...Não sei o que isso significa.

— Significa que você parece exaustivo.

Elias soltou uma risada asmática. Os ombros de Dominic tremeram uma vez.

Mara estreitou os olhos.

— Ele estava rindo de novo?

O lobo prateado pareceu horrorizado.

— Ah, meu Deus. Ele gosta dela.

Dominic rosnou imediatamente. Baixo. Perigoso. Elias recuou dramaticamente.

— Viu? É disso que estou falando! Você fica estranho perto de humanos!

Mara cruzou os braços.

— Estou bem aqui.

— Exatamente! — exclamou Elias. — E ele não ameaçou te matar nenhuma vez. Isso é basicamente um pedido de casamento.

Dominic rosnou mais alto.

Mara suspirou olhando para o teto.

— Maravilha. Eu adotei motoqueiros sobrenaturais.

Outro rosnado ecoou fracamente vindo da floresta. Mais longe agora. Mas não tinha ido embora. Todo o humor desapareceu novamente. Os lobos se viraram instantaneamente para a escuridão.

Mara notou algo então. Medo. Não pânico. Não covardia. Mas o alerta afiado de pessoas que sabiam exatamente o que poderia acontecer se cometessem um erro.

O lobo prateado falou baixinho.

— Não podemos ficar muito tempo.

Mara cruzou os braços com mais força.

— Bem, alguém vai ficar tempo suficiente para eu olhar esse ferimento.

— Não.

Ela olhou para Dominic.

— Aquilo não foi um pedido.

Dominic encarou-a de volta.

Um silêncio tenso se estendeu. Então, incrivelmente, o lobo negro gigante se deitou lentamente no chão de madeira, ao lado do fogo.

Elias ofegou dramaticamente. — Meu Deus.

— O quê? — perguntou Mara.

— Ele te obedeceu.

O lobo prateado parecia genuinamente perturbado.

— Isso é profundamente preocupante.

Mara apontou para a cozinha.

— Vocês dois, fiquem quietos e vão pingar em algum lugar menos caro.

Os dois lobos mais jovens recuaram obedientemente para dentro da porta. Ainda cautelosos. Ainda observando a floresta. Mas ouvindo. O que, aparentemente, os chocou tanto quanto chocou Mara.

Ela se ajoelhou cuidadosamente ao lado de Dominic. De perto, podia ver o sangue grudando no pelo espesso ao longo das costelas dele agora. Um ferimento feio. Marcas de garras profundas. Não de um animal, exatamente. Muito preciso.

Mara franziu a testa.

— O que fez isso?

Os olhos dourados de Dominic encontraram os dela. Pela primeira vez desde que ela o encontrou, uma emoção real cintilou ali. Não medo por si mesmo. Medo por ela.

Mara notou.

E, de repente, o cômodo pareceu muito mais silencioso. Muito menor. O fogo estalava suavemente por perto enquanto a chuva martelava o telhado. Cuidadosamente, com muito cuidado, Mara estendeu a mão e tocou o pelo espesso perto do ferimento. Dominic ficou totalmente imóvel sob sua mão. Elias fez outro barulho estrangulado atrás deles. O lobo prateado deu um tapa na parte de trás da cabeça dele com uma pata. Mara ignorou ambos.

— Ouça-me — ela disse suavemente para Dominic. — Eu não sei em que tipo de bagunça vocês estão metidos...

Os olhos dele nunca deixaram os dela.

— ...mas ninguém entra na minha casa ferido e é deixado assim. Entendeu?

Por um longo momento, o enorme lobo negro simplesmente a encarou.

Então lentamente...

muito lentamente...

ele baixou a cabeça no colo dela.