O Desabrochar da Ômega

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Resumo

Aos vinte e dois anos, Elara é a ômega invisível da alcateia — gentil, paciente e ignorada. Ela trabalha na estufa ao lado de Nadine, com sua magia da terra forte, mas o coração guardado. Quando um lobo selvagem e semimorto é encontrado na fronteira, torturado por remanescentes da facção das sombras de Kaelen, todos o temem. Elara, não. Ela visita sua cela diariamente, falando sobre flores, oferecendo sua presença. Lentamente, ele se lembra de seu nome: Kael. Seu lobo está fraturado. Seu passado é um pesadelo de traição e prata. Mas, através do toque de cura dela, sua mente começa a se recompor. Quanto mais ela se entrega, mais o mate-bond cresce — hesitante, aterrorizado, lindo. Quando os torturadores de Kael retornam para silenciá-lo para sempre, Elara precisa escolher: permanecer segura atrás dos muros da alcateia ou ficar ao lado do lobo que ela aprendeu a amar.

Status
Completo
Capítulos
29
Classificação
5.0 3 avaliações
Classificação Etária
16+

The Invisible Girl

Prólogo: A Garota Invisível

Sete anos atrás – A noite em que Nadine curou o jardim sagrado pela primeira vez

Elara tinha doze anos e estava acostumada a ser ignorada. O alojamento da alcateia estava cheio naquela noite; os lobos se reuniram para uma celebração que ela não entendia. Algo sobre a nova companheira do alfa, uma mulher humana com olhos verdes e mãos manchadas de terra. Nadine. A moça das flores da loja na cidade.

“Fique fora do caminho”, sua mãe dissera, sem grosseria. Apenas cansada. Sua mãe estava sempre cansada. Então, Elara ficou fora do caminho. Ela passou pela sala principal sem ser notada, por entre pernas e ao redor das mesas, até chegar à porta dos fundos. O ar frio atingiu seu rosto, limpo e cortante. Ela o inspirou, grata pelo silêncio.

O jardim sagrado era seu esconderijo. Ninguém vinha ali ultimamente. O solo tinha ficado ácido, as flores morreram, a fonte secou. Os anciãos diziam que a magia da alcateia estava morrendo. Elara não entendia de magia. Ela só sabia que o jardim parecia triste, e lugares tristes entendem garotas tristes. Ela sentou-se na borda da fonte seca, com as pernas balançando e as mãos no colo.

Invisível, pensou ela. É isso o que eu sou. Invisível.

Então a porta se abriu. Elara se abaixou atrás da fonte, com o coração batendo forte. Ela não deveria estar ali. Ninguém deveria estar ali. Nadine entrou no jardim. A companheira do alfa estava sozinha. Seu cabelo castanho-avermelhado estava solto, seu rosto pálido, e suas mãos tremiam. Ela parecia perdida — como se não pertencesse àquele lugar, como se estivesse procurando por algo que não sabia nomear.

Elara prendeu a respiração. Nadine ajoelhou-se no solo morto. Ela pressionou as palmas das mãos contra a terra, fechou os olhos e sussurrou algo que Elara não conseguiu ouvir. O vento parou. As estrelas pareceram ficar imóveis. E então, o chão começou a tremer.

Elara agarrou a borda da fonte, com os olhos arregalados. Uma rachadura surgiu no solo; não foi violenta, mas suave, como se a terra estivesse acordando de um longo sono. E, da rachadura, uma flor brotou, branca, delicada e viva. Nadine abriu os olhos. Ela estava chorando.

Elara não sabia por que se moveu. Ela deveria ter permanecido escondida. Deveria ter escapado de volta para o alojamento, de volta para sua invisibilidade. Mas seus pés a levaram para frente, através da pedra rachada, em direção à mulher e à flor.

Nadine olhou para cima. “Olá”, disse ela, sem se assustar, sem raiva. Apenas... doce.

“Oi”, sussurrou Elara.

“Você também sentiu, não foi?”

Sentir o quê? Elara não sabia, mas assentiu.

Nadine estendeu a mão, segurou a dela e pressionou-a contra o solo. Elara arquejou. A terra estava quente. Não fria como o inverno, nem morta como os anciãos diziam. Ela estava viva, pulsante. Ela podia sentir as raízes da flor, a água bem lá no fundo sob a pedra, o batimento cardíaco lento e paciente do mundo.

“As plantas ouvem”, disse Nadine. “Elas não julgam. Elas não esquecem. Elas apenas... esperam.”

“Esperam pelo quê?”

“Por alguém que se lembre delas.”

Elara olhou para a flor branca. Seu peito doeu; não de uma forma dolorosa, mas como se algo estivesse se abrindo. Como se uma porta cuja existência ela desconhecia estivesse se entreabrindo. “Posso voltar aqui?”, perguntou ela.

Nadine sorriu. “Acho que você já volta.”

Naquela noite, Elara sonhou com uma estufa. Paredes de vidro, vigas de ferro, flores desabrochando em cores que ela nunca tinha visto. No sonho, ela era mais velha; mais alta, mais forte, suas mãos sujas de terra. Ela não era invisível. Ela era vista.

Ela acordou antes do amanhecer. O alojamento estava silencioso. Sua mãe ainda dormia. Seu pai já tinha saído, patrulhando a fronteira. Ninguém notou quando ela saiu da cama. Ela foi até o jardim. A flor branca ainda estava lá, mais brilhante do que antes. Elara ajoelhou-se ao lado dela, tocou suas pétalas e sussurrou: “Eu vou me lembrar”.

A flor pareceu se inclinar em sua direção. E, em algum lugar bem fundo em seu peito, uma semente começou a crescer.

Sete anos depois

Elara tinha dezenove anos. Ela não era mais invisível; não para Nadine, não para Saria, não para a alcateia da qual ela lentamente, silenciosamente, tinha se tornado parte. Mas às vezes, na escuridão, ela ainda se sentia como a garota atrás da fonte. Observando. Esperando. Torcendo para que alguém se virasse e a visse. A estufa era seu lar agora. As plantas eram sua família. E a rosa branca que Nadine cultivou naquela primeira noite ainda florescia no canto, um lembrete de que até coisas mortas podiam voltar à vida.

Floresça onde for plantada, Nadine tinha lhe dito uma vez.

Elara estava tentando. Mas ela ainda não sabia que uma tempestade estava chegando. Um lobo sem nome e sem memória, acorrentado na escuridão, que precisava de alguém para se lembrar dele. E ela seria a única capaz de fazer isso.