Capítulo 1
“Das sombras, uma figura masculina se materializa. Ele está de pé sobre a cama dela, sua silhueta escura e ameaçadora contra o luar fraco que filtra pela janela. Seus olhos, vermelhos como sangue, queimam com uma intensidade que faz um arrepio percorrer sua espinha. São olhos de um predador, implacável e cruel. O olhar dele está fixo nela, uma proclamação silenciosa de sua intenção. É um olhar que ela conhece muito bem, um olhar que fala de sua condenação iminente. O ar fica pesado com o peso de sua ameaça silenciosa, e um pavor frio se infiltra em seus ossos. Nos olhos dele, ela vê seu destino refletido. Ela sabe, com uma certeza arrepiante, que morreria pelas mãos desse homem.”
No silêncio profundo da noite, Elara Wildheart despertou de seu sono, banhada em suor. Seu coração batia forte contra as costelas com um medo primitivo. Ela se viu nos limites de um quarto mal iluminado. Sua cama, que geralmente era um santuário, agora parecia o cenário de um drama assustador.
A lua iluminava através da janela de seu quarto.
Elara tem tido o mesmo sonho nos últimos dias. Apesar de acordar, a imagem do homem, de pé sobre sua cama, com seus olhos vermelhos como sangue fitando-a, ainda persiste. É um sonho assombroso, uma premonição de uma dança mortal que ainda virá, uma dança com a própria morte.
Elara Wildheart é a querida princesa da matilha Wintermoon. Ela é conhecida como uma lutadora extraordinária. Ela se porta com elegância, exatamente como sua mãe, a Luna Sorcha. O que muitos não sabiam era que ela era aventureira e frequentemente perdia a noção do tempo, desenhando em seu lugar sagrado, nas profundezas da floresta.
Seu pai, o Alfa Rafe Wulfric, é o poderoso guerreiro que liderou a matilha Wintermoon por duas décadas. Seu nome é reverenciado em toda a terra por sua bravura e liderança. Sua mãe, Sorcha, era conhecida por sua natureza gentil e graciosidade. Todos os ômegas da terra aspiravam possuir sua elegância e amor pelo seu povo. Elara é verdadeiramente o melhor dos dois mundos.
O sono fugiu de Elara. Já estava quase amanhecendo. Ela achou melhor se preparar para sua patrulha de treinamento, que começava cedo. Enquanto seguia para o campo de treinamento, sua mente voltou ao seu sonho recorrente. A essa altura, era mais um pesadelo assustador do que um sonho. Isso tornava difícil se concentrar durante o treinamento.
À distância, seu pai observava o treinamento dos guerreiros. Rafe viu sua filha distraída, sem conseguir captar técnicas simples. Ele começou a se preocupar que aquele treinamento fosse demais para ela. Ele chamou Elara de lado após o treino.
“Você está bem? Você parecia um pouco distraída hoje”, perguntou o alfa.
“Estou bem, é só que tenho tido um sonho recorrente que não sai da minha cabeça. Toda vez que fecho os olhos, vejo aquele homem de olhos vermelhos me encarando. Sinto que ele quer me matar”, ela chorou.
Rafe a abraçou e a confortou. Mais tarde, naquela noite, ele desabafou com sua Luna.
“Você parece distraído, alfa. O que está te preocupando?”, perguntou Sorcha.
“Elara não está bem. Ela tem tido pesadelos sobre um homem que a encara com olhos vermelhos. Ela tem medo de que ele a mate. Como podemos ajudá-la?”, disse Rafe.
Sorcha pensou por um segundo. Ela se solidarizou com a filha. Ela sabia muito bem como os sonhos podiam trazer premonições que tiravam o sono de qualquer um.
“E se organizássemos o baile de acasalamento? É a distração perfeita, e ela poderia encontrar um parceiro que pudesse protegê-la”, sugeriu ela.
Era a ideia perfeita. Rafe concordou alegremente.
O alfa sorriu para ela.
“Estou feliz por ter uma parceira com quem posso contar, que ouve minhas preocupações”, disse ele, enquanto acariciava o rosto da esposa.
“Qualquer coisa por você, meu alfa.”
Rafe beijou sua parceira apaixonadamente. Sorcha aconchegou-se ao seu alfa, e eles foram dormir.
No dia seguinte, o líder da matilha anunciou que o baile seria realizado em poucos dias. Imediatamente, começaram os preparativos.
Elara não sabia o que fazer em relação à premonição de sua morte, então se resignou a seguir os desejos de seus pais e comparecer ao baile de acasalamento. Talvez isso pudesse ajudar em seu problema atual.
No dia do baile, Elara se olhou no espelho. Vestida com um lindo vestido de cetim azul, ela se preparou para o baile da noite.
Ela esperava encontrar um parceiro naquela noite ou, pelo menos, se distrair o suficiente para esquecer seus problemas.
Quando ela entrou no local do baile, ficou fascinada. As lindas luzes penduradas nas árvores lá fora iluminavam o céu noturno. O salão estava decorado com cortinas azul-real e douradas, com balões pendurados nas paredes. A energia no ambiente era calorosa e isso acalmou o coração de Elara um pouco.
Logo, o salão estava cheio de conversas de alfas e ômegas de três matilhas: a matilha Wintermoon, a matilha Shadow Runner e a tribo Wildfire.
Conforme a noite avançava, Elara observava as pessoas encontrando seus parceiros. Ela se sentiu invejosa.
“Quando será a minha vez?”, ela se perguntava.
Elara saiu do salão principal; ela precisava de um pouco de ar.
Assim que ela desistiu da ideia de encontrar seu parceiro, ela fez contato visual com um homem de olhos vermelhos. Ela podia sentir o cheiro dele. Sua loba começou a cantar: ‘Parceiro’, ‘Parceiro’.
O cabelo do homem, uma cascata de ondas escuras, cai frequentemente sobre seus olhos intensos que espelham a própria alma da floresta que ele protege. Seu olhar, penetrante e afiado, parece atravessar você, carregando a sabedoria das eras e os segredos da noite. Seus traços são esculpidos e bonitos, com uma rusticidade que fala de muitas batalhas travadas e vencidas. Sua voz é um barítono profundo, ressonante e irresistível, capaz de acalmar os inquietos e reunir as tropas com a mesma facilidade.
Diante dela estava seu parceiro e o homem que a matava em seus sonhos.