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Dezoito anos atrás...
Kaleb Luthor apressou o passo. Ele estava cumprindo uma tarefa para o pai e caminhava pela trilha de cascalho que cortava o caminho de casa quando algo chamou sua atenção. Ele parou e ficou olhando por um momento.
Era a amiga de sua irmã, Sasha. Sasha Sullivan.
Ela estava pendurada de cabeça para baixo em uma árvore velha, com os joelhos ralados presos a um galho grosso e baixo. Ela balançava para lá e para cá, fazendo suas longas tranças oscilarem como cordas. O tempo todo, ela cantarolava enquanto soprava a maior bolha de chiclete rosa que ele já tinha visto. Ele nem sabia que era possível cantarolar e soprar chiclete ao mesmo tempo. Quando ele passou por ela, ouviu um estalo alto.
— Para onde você vai? — perguntou ela, balançando-se para cima até ficar sentada no galho com uma perna, enquanto a outra pendia. Ela se apoiou com as palmas das mãos e olhou para ele lá de cima.
Poeira caiu sobre ele e, carrancudo, ele limpou o rosto e a cabeça. Ele franziu a testa. Na altura de seu nariz, estavam dois tênis de lona azuis. Ele subiu o olhar lentamente pelas pernas e joelhos até chegar ao rostinho indignado, que parecia uma boneca.
Ela soprou outra bolha, sugou-a e estourou de um jeito irritante. — Eu perguntei para onde você vai, cabeçudo — repetiu ela, como se fosse a rainha de alguma ilha.
— Não é da sua conta, enxerida — respondeu Kaleb, tentando irritá-la.
Funcionou. Ele virou as costas e começou a se afastar. Sasha saltou da árvore e apareceu ao lado dele.
— Meu nome não é enxerida — disse ela. — Não me chame assim.
Ele resmungou uma resposta qualquer e continuou andando.
— Você é muito rabugento — disse ela. — Não sei como a Tilly te aguenta.
Ele parou e olhou para baixo. A expressão dela o desafiava a ignorá-la novamente. Ele voltou a caminhar e ela o acompanhou, sem dizer nada, mas ele podia sentir que ela o observava. Finalmente, ele olhou para ela. Tudo o que viu foi um rosto expressivo e um par de olhos negros semicerrados.
— Vai embora — disse ele. — Você não tem nada para fazer?
— Na verdade, não. Eu estava esperando a Tilly — respondeu. Houve uma pausa, e então ela acrescentou: — Eu não sou uma criancinha, sabe. Eu sei de muita coisa.
— Ah, é mesmo? — disse ele, sarcástico.
— É.
— Coisas como o quê... enxerida? — perguntou ele.
— Não sei — respondeu ela, franzindo a testa. — Qualquer coisa.
Ele quase riu. Ela era muito estranha. Ele pensou... E até meio engraçada, tinha que admitir.
— Então vai — disse ela. — Me pergunta alguma coisa.
Kaleb parou, encarando o rosto dela que olhava para ele com um ar de desafio. Ele não estava com disposição para discutir. Não queria e também não tinha tempo. Ele poderia ter pago para ver, mas não o fez. Ele entendia muito bem sobre orgulho. Era algo que ele compreendia. Ele virou as costas e seguiu seu caminho.
Ela não o seguiu.
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— Traz logo a sua bunda para casa, Tilly. Vou ficar aqui sozinha e entediada — disse Sasha enquanto encaixava a chave que Tilly lhe dera na fechadura e abria a porta. Ela ouviu Tilly rir do outro lado da linha enquanto jogava sua bolsa no sofá e ia até a cozinha grande buscar uma garrafa de água.
— Relaxa, estarei de volta em uma hora ou mais. Você sabe que preciso estudar para recuperar minhas notas. Elas têm sido um desastre ultimamente.
Sasha não pôde deixar de revirar os olhos com o comentário da melhor amiga. — Eu entendo, mas a culpa ainda é sua por ter perdido tantas aulas. O que você estava pensando? Agora eu é que sofro as consequências das suas ações. Que merda para mim.
Ela ouviu Tilly rir de novo e se perguntou se a amiga estava apenas gostando de seu sofrimento. — Fique ocupada. Vá nadar na piscina ou algo assim. Tenho certeza de que você vai se sentir melhor depois disso. Volto logo, prometo — disse Tilly e desligou.
Sasha levou a garrafa de água aos lábios e bebeu quase metade, depois foi até a porta dos fundos. Ela abriu a porta, e a visão da enorme piscina a fez sorrir. A água estava azul como o céu e cristalina... tão calma e lisa que parecia implorar para que ela mergulhasse e quebrasse aquela tranquilidade. Ela teve que admitir que Tilly estava certa em uma coisa: um mergulho certamente a faria se sentir melhor.
Sem hesitar, ela pegou uma toalha no suporte, tirou a blusa e os sapatos. Colocou uma música no celular e, apenas de shorts e top esportivo, Sasha mergulhou na piscina. O tempo estava muito quente e a sensação da água na pele era relaxante e refrescante. Ela nadou de uma ponta a outra algumas vezes antes de emergir, e foi quando notou alguém parado na porta que dava acesso à área da piscina. Convencida de que estava sozinha na casa de Tilly, seu primeiro instinto foi gritar.
— Ei. Ei, relaxa.
Uma voz disse aquilo enquanto ela gritava e lutava para tirar a água dos olhos para conseguir ver direito. Olhando mais atentamente para o intruso, ela soltou um grito ao finalmente perceber quem era. — Você! Que porra você está fazendo aqui? Você quase me deu um ataque cardíaco!
Era Kaleb, o irmão mais velho de Tilly, por quem ela tinha uma queda desde que ela e Tilly estavam no ensino médio. Ele não parecia se importar com o fato de tê-la assustado. Em vez disso, sorriu e começou a se aproximar, mas parou ao chegar à espreguiçadeira onde Sasha deixara seu celular. Ele ficou lá, observando os círculos na água que ela deixara para trás, enquanto a música de seu celular continuava a tocar... música que Sasha mal conseguia ouvir agora.
Ela congelou na água e percebeu que ele sabia que ela estava surpresa, a julgar pela forma como seus olhos se arregalaram. Ela observou Kaleb baixar o volume de seu celular, então ele se endireitou e fez um gesto para que ela saísse da piscina.