The Knot
⚠️ DECLARAÇÃO DO AUTOR E AVISO DE CONTEÚDO ⚠️
Antes de entrar no mundo desta história, por favor, reserve um momento para ler a declaração a seguir com atenção. Este livro trata de temas sombrios, desafiadores e altamente sensíveis. É destinado estritamente ao público adulto.
Avisos de Conteúdo e Gatilhos
Esta narrativa explora assuntos pesados, incluindo:
A manipulação psicológica em dinâmicas de seita.
Depressão e problemas de saúde mental.
A representação positiva e menções a religiões pagãs.
Uma nota sobre Saúde Mental e BDSM
Nesta história, o BDSM e dinâmicas de estilo de vida alternativas são explorados como um veículo profundo para cura pessoal e processamento de traumas. No entanto, como autor, afirmo categoricamente que práticas alternativas nunca devem ser usadas como substitutas para terapia clínica profissional. A terapia clínica é um método cientificamente estudado, comprovado e eficaz para a cura. Dinâmicas alternativas devem ser vistas apenas como uma exploração complementar do eu, e nunca como um substituto para cuidados de saúde mental profissionais.
Minha Filosofia sobre o Prazer e o Corpo
Este livro é uma rejeição à vergonha.
Sexo não é pecado.
Corpos femininos não são inerentemente pecaminosos.
O prazer feminino é libertador — tanto para homens quanto para mulheres.
A verdadeira libertação sexual e emocional é uma jornada mútua; você não pode ter uma plenamente sem a outra. Se você optar por prosseguir, por favor, faça-o com a mente aberta, respeito pelos limites e cuidado com seu próprio bem-estar emocional.
Prossiga com discrição.🖤
GRIMM
O clube estava silencioso por uma vez, o que significava que algo estava prestes a dar errado.
Voss atravessou a pesada porta de aço com uma pasta manilha na mão e aquele olhar específico no rosto — aquele que dizia que ele estava prestes a arruinar o dia de alguém. Seus óculos de aros de metal captaram a luz fluorescente de merda enquanto ele escaneava o salão comum, fixando-se em seu alvo como um míssil teleguiado.
Grimm estava no bar, bebendo um uísque que mal tinha tocado, um hábito que ele adquiriu por causa da campanha implacável de Scarlett para "civilizá-lo". Civilizar. Que porra de conversa é essa. Ela o arrastou para um barbeiro caro três semanas atrás — um cara chamado *Antoine* que cheirava a lavanda e julgamento — e agora seu cabelo estava cortado corretamente, curto nas laterais e mais longo no topo, com os fios acobreados domados em algo que não parecia que ele tinha dormido em uma vala. Ele também estava bem barbeado, com o maxilar afiado o suficiente para cortar vidro, e a cicatriz da têmpora ao maxilar repuxando levemente quando ele franzia a testa.
O que ele fazia o tempo todo.
"Você parece um modelo da GQ que mata pessoas", Hound tinha lhe dito naquela manhã, sorrindo como o idiota grandalhão que era.
"Diga isso de novo e eu vou raspar a sua cabeça enquanto você dorme", Grimm respondeu, com a voz reta e sem emoção.
Ele odiava o corte de cabelo. Ele odiava o fato de não odiá-lo. Ele odiava ter se pego checando o reflexo no cromo da moto naquela manhã, e ele *realmente* odiava que Scarlett tivesse notado e dado aquele sorrisinho cúmplice, aquele que dizia *eu te avisei* sem precisar abrir a boca, porque ela era inteligente demais para cutucar a onça com vara curta.
Então, quando Voss parou na sua frente e pigarreou — um som seco e preciso como um contador, o que era exatamente o que ele era — Grimm já sabia que seu dia ia piorar.
"Não", ele disse antes que Voss pudesse abrir a boca.
"Eu ainda nem disse nada."
"Seja o que for. Não. Cai fora."
Voss ajeitou os óculos com o dedo médio. Era o mais próximo de insubordinação que o homem conseguia chegar. "Salt and Iron. A fachada do restaurante. Está no seu nome."
"Porque Axle colocou no meu nome. Isso não significa que eu faça qualquer coisa com isso."
"E, no entanto, aqui estamos nós." Voss abriu a pasta e retirou uma pilha de documentos fiscais grossa o suficiente para engasgar um cavalo. Ele tocou em uma seção destacada com um dedo preciso. "A Receita Federal exige uma assinatura presencial. No escritório das docas. Aparentemente, o envio digital não foi suficiente para este formulário em particular porque o governo é composto por sádicos que se masturbam com ineficiência burocrática."
Grimm encarou-o.
Voss encarou de volta.
"Eu quebro ossos", disse Grimm, com a voz caindo naquele sussurro letal que fazia novatos mijarem nas calças. "Eu tenho conversas com pessoas que não querem conversar. Eu faço problemas desaparecerem. Esse é o meu trabalho, Voss. Papelada é o seu trabalho. Números são o seu trabalho. Fazer o dinheiro ficar limpo é a sua *porra de existência inteira*."
"E, no entanto, a Receita exige a assinatura do proprietário, não a do tesoureiro." Voss não recuou. O homem nunca recuava. Era uma das poucas coisas que Grimm respeitava nele. "Eu não faço as regras."
"Você literalmente faz. Você cria as regras. Você criou metade das empresas de fachada que usamos."
"Eu não crio as regras da Receita. Infelizmente." Voss fechou a pasta. "Preciso que você venha comigo. Agora. O prazo é hoje."
Grimm pousou seu uísque com cuidado deliberado. "Você vem comigo."
"Eu não vou porra nenhuma." As palavras saíram secas, um reflexo do que Grimm sabia que estava por vir.
"Isso não é da minha jurisdição. Não sou seu faz-tudo. Se vou fazer o seu trabalho, quero a sua parte da divisão do mês. Cada centavo."
"Isso parece excessivo."
"Isso parece que você deveria ter falsificado minha assinatura e poupado a nós dois o trabalho."
Voss suspirou. Foi um som pequeno, quase imperceptível, mas disse muita coisa. "Eu tentei. Eles exigiram verificação de identidade estadual. Aparentemente, a falsificação ficou mais difícil desde que atualizaram os sistemas."
"Governo de merda."
"De fato."
Uma garota do clube — Tiffany, talvez, ou uma das novas cujos nomes Grimm não se deu ao trabalho de aprender — deslizou ao lado dele, cheia de perfume, pele à mostra e intenção óbvia. Ela estava rondando há semanas, desde que a influência de Scarlett o fez parecer menos um homem das montanhas e mais algo saído de uma revista de merda. Ela passou um dedo pelo braço dele.
"Ei, Grimm. Você parece tenso. Eu poderia ajudar com isso."
Ele nem olhou para ela. "Não."
"Qual é. Você tem estado tão—"
"Tire a mão de mim antes que eu quebre ela."
Ela recuou. Garota esperta. Algumas delas tinham instinto de sobrevivência.
"Porra", disse Grimm, levantando-se do bar. "Tudo bem. Vamos acabar logo com essa merda."
Ele pegou seu colete na parte de trás da cadeira e o vestiu. O couro se acomodou em seus ombros como uma armadura, familiar e pesado. Do lado de fora, as motos estavam alinhadas em sua formação habitual, brilhando apesar do céu nublado. Voss pegou suas chaves, mas Grimm já estava montando em sua própria máquina — uma Dyna preto fosco com guidão alto o suficiente para chamar atenção, mas baixo o suficiente para pilotar forte.
"Eu vou atrás", disse Voss.
"Tenta aí, porra."
O escritório da Receita Federal não ficava longe das docas — um prédio cinza baixo que parecia ter sido projetado por alguém que odiava a alegria. Paredes de concreto. Janelas minúsculas. Um estacionamento com mais buracos do que asfalto. O tipo de lugar onde almas iam para morrer e eram auditadas na saída.
Grimm desligou o motor e desceu da moto em um movimento só. Voss parou ao lado dele, parecendo que preferia estar em qualquer outro lugar. O que era irônico, considerando que esse era o *seu* serviço.
Quando atravessaram as portas de vidro, todas as cabeças na sala de espera se viraram.
Dois motoqueiros. Colete completo. Um deles construído como uma lâmina, com uma cicatriz que dizia *não venha me perguntar, porra*, o outro parecendo ter saído de uma sala de reuniões corporativa e, de alguma forma, acabado em um clube de fora da lei. Eles não combinavam ali. Eles não pertenciam àquele lugar. E cada pessoa naquela sala sabia disso.
Grimm escaneou o espaço sem mover a cabeça. Saídas. Ameaças. Câmeras. O hábito estava enraizado, cravado nele por quinze anos de violência. O segurança perto do detector de metais era gordo, lento e já estava suando. A recepcionista atrás do vidro à prova de balas parecia estar morta há uma década, mas ainda não tinha parado de respirar.
"Acaba logo com isso, Voss", murmurou Grimm. "Antes que eu enfie esse rolo de papel inteiro no seu rabo."
"Você pode tentar", Voss murmurou de volta, e aproximou-se do balcão.
O homem atrás do balcão parecia uma fotocópia de uma fotocópia — terno cinza, rosto cinza, alma cinza. Voss disse algo baixo demais para ouvir, e o homem cinza apontou um dedo cinza para uma baia no final da sala.
Baia 17.
Grimm seguiu a linha daquele dedo e sentiu algo em seu peito apertar.
"É isso que estou fazendo, porra", disse ele, com a voz reta. "Fazendo serviço de mensageiro. Assinando papéis. O que vem depois, Voss? Quer que eu busque sua lavanderia? Passeie com o seu cachorro?"
"Você não tem cachorro", disse Voss. "Vou arranjar um só para fazer você passear com ele."
Eles se moveram pelo labirinto de baias, passando por zumbis em ternos ruins e gravatas piores, pelo zumbido baixo das luzes fluorescentes e o clique dos teclados, pelo cheiro de café queimado e desespero. Grimm observou a nuca de Voss e contemplou, não pela primeira vez, quão satisfatório seria bater com a cabeça dele em uma daquelas divisórias bege de merda.
Então chegaram à baia.
E Grimm parou.
Ela estava sentada atrás de uma mesa que era pequena demais para ela, ou talvez ela estivesse se fazendo pequena demais para a mesa. Cabelo escuro preso em algum tipo de torção — um coque, seu cérebro completou, porque, aparentemente, as revistas antigas de merda da Scarlett tinham se infiltrado no seu vocabulário contra sua vontade. Uma gola alta da cor de aveia. Um cardigã por cima, porque, aparentemente, uma camada de bege não era suficiente. Óculos com armação simples. Sem joias. Sem maquiagem. Sem cor.
Ela era a coisa mais cinza em um prédio cheio de coisas cinzas.
E ela era a mulher mais bonita que ele já tinha visto.
Grandes olhos escuros. Traços delicados. Uma boca que foi feita para algo além de ficar comprimida em uma linha fina e nervosa. Ela sentava com os ombros para trás e a coluna reta, mas não era confiança — era armadura. Era a postura de alguém que aprendeu a se fazer pequena, quieta e invisível, porque ser vista era perigoso.
Ninguém nunca tinha dito a ela que ela era bonita. Ele sabia disso instantaneamente, da mesma forma que sabia quando um homem estava mentindo ou um negócio estava prestes a dar errado. Estava na maneira como ela se portava, na maneira como ela não levantava os olhos, na maneira como ela parecia pedir desculpas por existir em um corpo que merecia ser adorado.
Seu pau ficou duro.
*Que porra é essa.*
Grimm não ficava duro em escritórios de impostos. Ele não ficava duro por mulheres de gola alta cor de aveia. Seu tipo era barulhento, fácil e temporário — garotas de clube que conheciam o jogo, que não queriam nada além de um bom momento e uma saída rápida. Esta mulher parecia nunca ter tido um bom momento na vida. Esta mulher parecia que pediria desculpas se acidentalmente se divertisse.
Ele empurrou Voss. Com força. O tesoureiro tropeçou um passo à frente, segurou-se na borda da mesa dela e lançou para Grimm um olhar que poderia ter congelado uísque.
"Eu sou o proprietário", disse Grimm, contornando-o. "Qual é o problema?"
"Que porra deu em você?" Voss sibilou baixinho.
Grimm mostrou o dedo do meio para ele pelas costas.
Os olhos de Voss saltaram para a mulher, depois voltaram para Grimm, depois para baixo, para... *ah, pelo amor de Deus*. Sua expressão mudou de irritada para horrorizada em um batimento cardíaco.
*Vice-presidente. Não acredito, porra*, o olhar dele dizia. *Você está ficando de pau duro por causa de uma funcionária pública.*
A mandíbula de Grimm travou. *Ela não é uma garota de clube. Eu sei o que ela é. Você acha que eu quero ficar de pau duro no escritório da Receita, Voss?* Ele tentou transmitir isso com os olhos. Ele falhou. Voss parecia que ia ter um aneurisma.
A mulher ainda não tinha levantado os olhos.
Ela estava focada nos papéis à sua frente, uma caneta na mão, seus movimentos precisos e cuidadosos. "Sr. Garrett", ela disse, e a voz dela...
*Porra.*
A voz dela era doce. Suave. Melódica. Tinha uma qualidade, um ar suave, como se ela não estivesse acostumada a falar acima de um sussurro, mas cada palavra valia a pena ser ouvida. Aquilo percorreu sua espinha e se alojou em algum lugar baixo em seu estômago. Em algum lugar *muito* baixo.
Ninguém o chamava de Sr. Garrett. Ninguém. Nem seus irmãos, nem seus inimigos, nem as mulheres que gritavam seu nome de estrada no escuro. Era um nome morto, um nome fantasma, o nome de um menino que morreu quinze anos atrás em uma briga de faca que deixou uma cicatriz da têmpora ao maxilar.
Mas quando ela disse, ele queria que ela dissesse de novo. Ele queria ouvi-la gemer. Ele queria ouvir aquela voz doce e suave quebrar nas sílabas enquanto ele...
*Que porra estava errada com ele?*
"Sua assinatura aqui, por favor", continuou ela, ainda sem olhar, apontando para uma linha no formulário com a ponta da caneta. Suas unhas eram curtas e sem esmalte. Seus dedos tremiam levemente. "E aqui. Esta seção precisa ser rubricada em todas as páginas. O formulário será processado hoje, e o senhor receberá uma confirmação pelo correio dentro de sete a dez dias úteis."
Ela pausou.
"Por favor, preencha o questionário anexo e devolva-o na próxima semana. Pessoalmente. A este escritório. Obrigada."
Ela o estava dispensando. Educadamente. Eficientemente. Sem nunca encontrar seus olhos.
Grimm não se moveu.
"Sr. Garrett?" Outra pausa. "Tem mais alguma coisa?"
*Sim*, ele pensou. *Você. Curvada sobre esta mesa. Gritando esse nome até sua garganta falhar.*
Voss fez um ruído estrangulado ao lado dele. O tesoureiro tinha ficado pálido — bem, mais pálido que o normal, o que era muito para um homem que parecia ter sido esculpido no gelo. Ele estava encarando Grimm com a expressão de alguém que assiste a um trem descarrilar dentro de uma fábrica de fogos de artifício.
Grimm pegou a caneta. Assinou. Rubricou. Sua caligrafia era um rabisco irregular, as letras afiadas como lâminas de faca.
"Obrigada", disse ela. "Isso será tudo."
Ele não queria que fosse tudo. Ele queria que ela olhasse para ele. Ele queria ver aqueles grandes olhos escuros focados em seu rosto. Ele queria saber de que cor eles eram quando não estavam escondidos atrás de óculos de armação simples e cílios baixos.
Ela não levantou os olhos.
Ele foi embora com as bolas mais azuis que já teve em seus trinta e um anos de vida.
No momento em que saíram pelas portas do escritório, Voss virou-se para ele. "Que porra foi aquela?"
"Cala a boca."
"Você estava de pau duro. Em um escritório da Receita. Por causa de uma mulher vestindo uma gola alta."
"Eu disse para calar a boca."
"O nome dela é Rain Abara", disse Voss, porque ele era uma máquina de porra que absorvia informações como uma esponja, lembrava de tudo e nunca sabia quando deixar algo passar. "Ela está lá há três anos. Sem ações disciplinares. Sem reclamações. Funcionária exemplar. Mora sozinha em um apartamento estúdio no lado sul. Sem redes sociais. Sem perfis de namoro. Ela é um fantasma, Grimm. Um fantasma da porra."
Grimm parou de andar. "Você fez uma checagem de antecedentes. Nos trinta segundos em que estivemos lá dentro."
"Eu estava curioso."
"Você é um psicopata, porra."
"E, no entanto, você é quem teve uma ereção por causa de uma mulher que não olhou para você uma única vez." Voss ajeitou os óculos. "Isso nunca aconteceu antes, não é? Você. Silencioso. Olhando fixamente. Praticamente babando. Achei que teria que te dar um banho de mangueira."
Grimm agarrou-o pelo colete e jogou-o contra a parede do prédio. Não com força suficiente para machucar — não realmente. Só o suficiente para deixar claro.
"Diga mais uma palavra", ele respirou, "e eu vou fazer você comer esses óculos de merda."
Voss, para seu crédito, não recuou. "Anotado."
Grimm soltou-o e montou em sua moto. O motor rugiu, abafando qualquer outra coisa que o tesoureiro pudesse ter dito. Mas ele não precisava ouvir. Ele sabia.
Ele estava fodido.
Completamente e totalmente fodido.
E em algum lugar naquela baia cinza, uma mulher de gola alta cor de aveia estava preenchendo formulários, arquivando papéis e vivendo sua vidinha silenciosa e invisível, completamente alheia ao fato de que tinha acabado de detonar uma bomba no peito do homem mais perigoso dos Sons of Ash.