CAPÍTULO 1: A Anatomia de um Fantasma
A chuva em Chicago não caía apenas; ela sangrava pelo vidro dos arranha-céus como uma mancha lenta e deliberada. Do trigésimo quarto andar do escritório corporativo abandonado do outro lado da rua, a cidade parecia um cemitério de luzes neon e ambições despedaçadas.
Elena Vance estava perfeitamente imóvel nas sombras, sua respiração mal embaçava o vidro. Para o mundo, ela não existia. Ela era um mito sussurrado nos cantos escuros de fóruns clandestinos, um fantasma invocado por homens desesperados dispostos a pagar milhões para fazer seus problemas desaparecerem permanentemente. Eles a chamavam de *The Ghost*.
Ela conferiu seu reflexo no vidro escuro. Vestia um sobretudo preto-meia-noite sob medida sobre uma blusa de seda elegante, e seu cabelo escuro estava preso em um coque impecável e sofisticado que irradiava riqueza e elite. Em público, Elena carregava-se como realeza. Ela se movia com uma graça calculada, com a coluna reta e o queixo erguido o suficiente para fazer bilionários se sentirem insignificantes. Ela era feroz, ousada e totalmente inabalável. Ninguém que a olhasse jamais adivinharia que, sob aquela fachada de grife, existia uma arma projetada para a destruição absoluta.
E hoje à noite, a Rainha das Sombras tinha um encontro com o Iron King.
Elena olhou para a Glock preto-fosco sobre a mesa tática à sua frente. Ela passou um único dedo enluvado pelo ferrolho. Seu coração batia em um ritmo constante de sessenta batimentos por minuto. Ela não estava nervosa. Ela fazia aquilo desde criança, criada sob o punho de ferro de uma Agência que negociava com sangue humano. Ela tinha um trabalho a fazer.
Seu alvo era Dante Cavallo.
O nome sozinho era o suficiente para fazer chefes de cartel endurecidos perderem o fôlego. Ele era o Don incontestável da Chicago Outfit, um homem que governava o labirinto de concreto da cidade com um intelecto aterrorizante e zero misericórdia. Os arquivos que a Agência forneceu o descreviam como um monstro — um sociopata frio e calculista que executava traidores com as próprias mãos e construiu um império sobre os ossos de seus inimigos. Um cliente anônimo havia transferido uma quantia assustadora de oito dígitos para as contas offshore da Agência com uma instrução simples e arrepiante: *Coloque uma bala entre os olhos do Iron King.*
"Dez minutos, Ghost", uma voz fria e robótica estalou em seu ponto eletrônico. Era seu contato, verificando a partir de um servidor impossível de rastrear. "A equipe de segurança de Cavallo acabou de terminar a varredura da cobertura. O perímetro está limpo. Você tem uma janela de quatro minutos antes que as travas automáticas mudem."
"Recebido", murmurou Elena, sua voz um ronronar baixo e melodioso que carregava o fio afiado de uma lâmina. "Estou indo."
Ela não precisava dos quatro minutos inteiros. Ela guardou a Glock no coldre escondido sob o sobretudo, pegou seu cortador de vidro de alta tensão personalizado e desapareceu no duto de manutenção. Cada movimento era poético, uma dança fluida de sombras e aço. Ela contornou os sensores térmicos do prédio com a facilidade de alguém que havia memorizado as plantas de todos os grandes sistemas de segurança do hemisfério ocidental.
Quando ela invadiu a varanda de vidro da ampla cobertura multimilionária de Dante Cavallo, o silêncio do apartamento a engoliu por completo.
A cobertura era um monumento ao luxo masculino e sombrio. Paredes de gesso veneziano, portas pesadas de mogno e janelas do chão ao teto com vista para o horizonte nebuloso de Chicago. O ar cheirava a uísque caro, cedro e couro — uma mistura inebriante que parecia sufocantemente pesada.
Elena entrou na ponta dos pés, suas botas não fazendo absolutamente nenhum som no mármore italiano importado. Ela sacou sua arma, com o polegar descansando levemente ao lado da trava de segurança. Seus olhos escanearam o perímetro. Geometria perfeita. Mobília minimalista. Nenhum lugar para uma emboscada se esconder.
Ela deslizou em direção à suíte principal, seu olhar fixo nas portas duplas de mogno no final do longo corredor. De acordo com os dados de rastreamento, Cavallo deveria estar em sua mesa, revisando os manifestos de carga para os portos.
Ela alcançou as portas e segurou a maçaneta de latão. Ela deu um suspiro profundo e silencioso, deixando o ar frio encher seus pulmões para ancorar sua mente. *Um tiro. Saída limpa.*
Ela empurrou a porta e entrou no cômodo.
O quarto principal estava banhado por um brilho âmbar suave vindo de um único abajur no canto. Sentado atrás de uma enorme mesa executiva, sua silhueta emoldurada pelo vidro molhado pela chuva atrás dele, estava Dante Cavallo.
Ele era ainda mais imponente pessoalmente do que nas fotos de vigilância. Usava uma camisa social preta impecável, com os dois botões de cima abertos, revelando as linhas marcantes de uma clavícula marcada com tatuagens escuras e intrincadas. Seu maxilar parecia esculpido em granito, sombreado por uma barba rala, espessa e bem cuidada. Seu cabelo escuro estava penteado para trás, mas alguns fios caíam sobre sua testa, dando-lhe uma aparência perigosamente rústica. Ele era um rei em seu castelo, irradiando uma autoridade primal e sufocante que preenchia cada centímetro quadrado do quarto.
Elena levantou sua Glock, alinhando a mira perfeitamente com o centro da testa dele. Seu dedo apertou o gatilho.
Mas Dante não se moveu. Ele não buscou uma arma. Ele sequer levantou os olhos do documento que estava lendo.
Ele simplesmente virou a página, o papel crocante fazendo um som agudo e alto no silêncio absoluto.
"Você está trinta segundos atrasada, Ghost", disse Dante.
Sua voz era um barítono profundo e grave que vibrou através do assoalho direto para o peito de Elena. Era suave, rica e totalmente destituída de medo.
Os olhos de Elena se estreitaram e sua mão apertou a arma. Um calafrio percorreu sua espinha, mas ela manteve sua postura feroz e inabalável. "Afaste-se da mesa. Mãos onde eu possa vê-las."
Dante finalmente levantou a cabeça. Seus olhos não eram os olhos em pânico de um alvo prestes a morrer. Eram pretos como azeviche, piscinas de obsidiana de uma inteligência absoluta e aterrorizante. Ele olhou para a arma dela, depois subiu o olhar para o seu rosto, avaliando-a com uma varredura lenta e agonizantemente completa que fez sua pele arrepiar sob as roupas. Não parecia um homem enfrentando seu executor, mas sim um predador inspecionando um prêmio que havia caído direto em sua armadilha.
"Acho que não", murmurou Dante, recostando-se em sua cadeira de couro. Ele pegou casualmente um copo de cristal com líquido âmbar, girando o gelo com um som suave e rítmico. "Veja bem, Elena... se eu quisesse você morta, você não teria passado da recepção."
A menção de seu nome verdadeiro a atingiu como um golpe físico. Ninguém sabia o nome dela. A Agência o havia apagado de todos os bancos de dados existentes quando ela era criança. Ela deveria ser um fantasma.
"Quem lhe contou esse nome?" ela exigiu, sua voz caindo em um sussurro gelado e letal.
Dante tomou um gole lento de sua bebida, seus olhos nunca deixando os dela. "Eu sei tudo sobre você, querida. Sei sobre as pequenas cicatrizes em suas costelas do seu treinamento em Moscou. Sei que você prefere seu café preto. E sei que, no fundo, sob essa pequena coroa patética que você tenta usar no mundo, você está completamente se afogando."
O coração de Elena falhou uma batida, seu ritmo constante de sessenta batimentos por minuto quebrando. Uma raiva quente e volátil explodiu em seu peito. Ela não gostava de perder o controle. Ela não gostava de ser lida como um livro aberto.
"Adeus, Sr. Cavallo", ela disparou, seu dedo pressionando o gatilho.
*Clique.*
O som oco ecoou pelo quarto. A arma não disparou.
Os olhos de Elena se arregalaram. Instintivamente, ela puxou o ferrolho, ejetando a munição da câmara, e tentou disparar novamente.
*Clique.*
Dante sorriu. Era uma expressão cruel, linda e totalmente predatória que mostrava seus dentes. Ele colocou seu copo de cristal sobre a mesa de mogno com um baque suave.
"Você realmente achou que o principal fornecedor de armas da Agência não teria um interceptador celular remoto capaz de travar os pinos de percussão eletrônicos nos novos modelos de Glock?" perguntou Dante suavemente, levantando-se da cadeira.
Ele era enorme. Facilmente com um metro e noventa, com ombros largos que bloqueavam a luz atrás dele. Ele se movia com uma velocidade aterrorizante e fluida que desmentia seu porte físico imponente.
Elena não hesitou. Percebendo que a arma era inútil, ela a soltou; o metal pesado bateu contra o chão. Em uma fração de segundo, ela deslizou uma faca de combate serrilhada e prateada da bainha em seu antebraço. Ela avançou, entrando em uma postura ofensiva impecável, com a lâmina cortando o ar em um arco letal direcionado diretamente à sua jugular.
Dante não recuou. Ele desviou da lâmina por um fio de cabelo, sua mão se movendo como um relâmpago. Seus dedos se prenderam ao pulso dela como um torno de ferro sólido. A força em seu aperto era assustadora, cortando completamente a circulação da mão dela.
Elena sibilou, usando seu impulso para balançar a perna esquerda, mirando um chute vicioso nas costelas dele. Dante bloqueou com o antebraço; o impacto soou como um estalo de chicote. Ele absorveu o golpe sem esforço, usando a posição desequilibrada dela para torcer seu braço para trás das costas.
Ele a jogou para frente, prendendo-a de peito contra a pesada mesa de mogno.
A madeira pressionou forte suas costelas enquanto Dante a encostava por trás, seu corpo enorme e quente a envolvendo completamente. Elena se contorceu contra ele, seus músculos tensionados, mas ele parecia uma parede de pedra sólida. Ele trancou os dois pulsos dela atrás das costas com uma mão, segurando-os sem esforço em um aperto tão forte que parecia algemas de aço capazes de esmagar ossos.
"Me solta!" ela rosnou, sua compostura real fragmentando-se em uma fúria selvagem e crua. Ela chutou para trás, tentando acertar a canela dele, mas ele mudou o peso, enfiando o joelho entre as coxas dela para prender suas pernas completamente contra o chão.
Ele estava com as rédeas da situação agora. Ele havia desmontado o temido "Ghost" em menos de dez segundos.
Dante se inclinou, seu rosto pressionado contra a lateral do pescoço dela. Elena podia sentir o calor escaldante irradiando da pele dele, o perfume de cedro e dominação masculina lavando seus sentidos, fazendo sua cabeça girar. Quando ele falou, sua voz grave vibrou diretamente contra sua pele sensível, enviando um calafrio violento e involuntário pela espinha.
"Shh... quietinha agora, passarinho", sussurrou Dante sombriamente, seu peito subindo e descendo contra as costas dela. "Você lutou bem. Você se porta como uma Rainha por aí, não é? Tão orgulhosa. Tão feroz. Mas neste quarto? Você está completamente fora de sua jurisdição."
"Eu vou te matar", ela respirou, seu peito arfando contra a mesa enquanto tentava encontrar uma alavanca. "Vou arrancar sua garganta."
Dante soltou uma risada baixa e sombria que enviou um calafrio de terror primal — e algo perigosamente quente — direto para o seu núcleo. Ele não se afastou. Em vez disso, apertou seu aperto nos pulsos dela, forçando-os um pouco mais para cima até que um ganido suave e impotente escapasse de seus lábios.
"Você não vai matar ninguém, Elena. Porque sua vida como fantasma acaba esta noite", disse Dante, sua voz caindo em um tom absoluto e autoritário que não aceitava discussão. "Você tem duas escolhas. Você pode morrer aqui nesta mesa, um cadáver sem nome que o faxineiro vai limpar do mogno amanhã de manhã. Ou você pode assinar um novo contrato. Três meses, Elena. Você sobrevive três meses sob meu teto, obedecendo às minhas regras, servindo aos meus interesses, e sua dívida com a Outfit estará paga. Eu darei a você a única coisa que a Agência jamais poderia."
Ele se inclinou mais, seus lábios roçando o lóbulo de sua orelha.
"Sua liberdade."
Elena congelou, sua respiração prendendo na garganta. O quarto parecia subitamente desprovido de oxigênio. Ela estava presa, imobilizada sob um monstro que conhecia seus segredos mais profundos, um homem que possuía uma força aterrorizante e sufocante que fazia sua mente hipervigilante entrar em curto-circuito total.
Ela olhou para seu reflexo no vidro escuro da janela em frente à mesa. Seu cabelo estava começando a se soltar do coque, alguns fios emoldurando seu rosto corado e furioso. Ela parecia linda, feroz e totalmente capturada.
"E se eu recusar?" ela sussurrou, sua voz tremendo apesar de seus melhores esforços para soar corajosa.
O aperto de Dante nos pulsos dela mudou, sua mão grande e calejada subindo lentamente pelo braço dela, seu polegar traçando a pele sensível da parte interna do cotovelo com um toque terrivelmente gentil que parecia uma promessa de ruína absoluta.
"Então eu quebro você do mesmo jeito", Dante murmurou contra a pele dela. "Escolha, minha pequena Rainha feroz. Porque minha paciência é um luxo que você não pode pagar."









does this 25 chapter is a complete book? I hate to waste time on unfinished book +the updates is drawn-out never an reasonable ending chapters keep going till another year crazy..