The Oakridge High
O ar da manhã dentro da Oakridge High parecia sufocante, pesado com o cheiro de cera de piso e chuva.
Jude Miller puxou a gola de seu suéter cinza grande demais um pouco mais para cima, desejando poder encolher e desaparecer nas paredes forradas por armários. Ele sentia-se sensível, como uma camada de pele queimada de sol exposta a um vento cortante. O divórcio de seus pais tinha sido finalizado durante o verão, um caso barulhento e feio que terminou com sua mãe se mudando para o outro lado do país e Jude ficando para trás com um pai que mal olhava para ele. Jude tinha perdido as duas primeiras semanas do novo semestre resolvendo sua vida, e agora, caminhando pelo corredor lotado, ele se sentia como um alienígena caindo em um mundo que tinha seguido em frente sem ele.
Com seu marcante cabelo loiro platinado e olhos cinza-claros, passar despercebido sempre era uma batalha perdida. Ele era de estrutura pequena, com traços de uma delicadeza quase feminina que sempre fizeram dele um alvo, caso não fosse cuidadoso. Sua estratégia sempre foi simples: seja um fantasma. Seja observador, fique quieto e nunca dê a ninguém um motivo para olhar duas vezes.
Ele alcançou seu armário, com os dedos tremendo levemente enquanto girava o disco da combinação.
Click.
"Ei, olha só quem decidiu aparecer", uma voz alta e zombeteira ecoou a poucos metros de distância.
Jude não se virou. Ele não precisava. Ele conhecia aquela voz. Pertencia a Marcus, uma das sombras parasitárias que sempre orbitavam o rei indiscutível da escola.
"O fantasma retorna", outra voz deu uma risadinha. "Você descoloriu o cabelo durante o verão, Miller? Ou sua mãe levou sua cor com ela quando fez as malas?"
Jude fechou os olhos por um breve segundo, engolindo o nó em sua garganta. Ele abriu seu armário, agarrando a borda da prateleira de metal para se firmar. Ele não respondeu. Ele nunca respondia. Se você não os alimenta, eles acabam procurando uma presa mais fácil.
"Ei, estou falando com você, rostinho bonito", disse Marcus, sua sombra caindo sobre o armário de Jude. Uma mão pesada bateu contra a porta de metal, ameaçando prender os dedos de Jude. "O quê, você está importante demais para falar com a gente agora?"
"Deixa quieto, Marcus. Ele não vale o esforço."
A terceira voz era diferente. Não era alta, mas possuía uma gravidade natural e pesada que silenciou o corredor instantaneamente. A autoridade casual nela fez o peito de Jude apertar.
Jude virou a cabeça apenas o suficiente para olhar através da franja de seu cabelo loiro.
Roman Kael estava encostado nos armários opostos a ele. Ele era o maior galã da escola, um atleta estrela e um desastre ambulante no que dizia respeito às notas. Ele tinha um porte alto e largo, seu cabelo escuro era bagunçado, mas perfeitamente adequado ao seu maxilar afiado e arrogante. Ele usava uma jaqueta de couro pesada sobre o uniforme da escola, com a gola levantada de forma descontraída. Seus olhos escuros estavam entediados, fixos em seu celular enquanto ele passava por algo, completamente desinteressado no mundo ao seu redor.
"Mas Roman, o esquisito está ignorando a gente", resmungou Marcus, embora ele tenha dado um passo para trás imediatamente, afastando-se de Jude, com sua postura tornando-se submissa.
Roman não desviou os olhos da tela. "Eu disse, deixa quieto. O sinal vai tocar, e eu não estou a fim de pegar outra detenção porque você quer brincar com um nerd."
Marcus cuspiu no chão perto dos sapatos de Jude. "Você deu sorte, Miller."
O grupo passou por ele, com risadas ecoando pelo corredor. Roman os seguiu alguns passos atrás, com as mãos profundamente enfiadas nos bolsos. Por uma fração de segundo, logo quando ficou lado a lado com Jude, os olhos escuros de Roman se moveram. Eles se travaram nos olhos cinzas de Jude. Não havia ódio no olhar de Roman — apenas uma avaliação fria e calculista, como um predador decidindo que um coelho não valia a perseguição. Então, ele olhou para o outro lado, desaparecendo na multidão.
Jude soltou um suspiro que nem tinha percebido que estava segurando. Seu coração batia forte contra as costelas.
Uma hora depois, Jude estava sentado no canto do fundo da aula de Cálculo Avançado. A sala estava silenciosa, o único som era o arranhar do giz contra a lousa. Jude gostava daquela sala. Era previsível. Números tinham regras. Eles não mentiam, não se divorciavam e não mudavam da noite para o dia.
A pesada porta de madeira da sala se abriu com um rangido alto.
O Sr. Harrison parou de escrever no meio da equação, com a testa franzida ao olhar para o intruso.
Roman estava na porta, com sua mochila jogada de qualquer jeito sobre um ombro. Ele não parecia nem um pouco arrependido por estar vinte minutos atrasado. Na verdade, ele parecia irritado por estar ali.
"Sr. Kael", suspirou o professor, tirando os óculos. "Que bom que decidiu nos agraciar com sua presença. Você tem uma autorização da diretoria?"
Roman entrou, deixando a porta bater atrás dele. "Não. Eu estava com o técnico."
"A temporada de basquete nem começou, Roman. E seu status de atleta não vai salvar suas notas este ano. A administração foi bem clara: se você reprovar em mais uma matéria principal, você está fora do time. Permanentemente."
Um sussurro coletivo percorreu a sala de aula. Todos sabiam que o irmão mais velho de Roman tinha se formado dois anos atrás como o melhor aluno da turma, cursando atualmente uma universidade de prestígio. Roman, por outro lado, era notório por ser um fracassado rico e bonito que se safava graças às doações de sua família.
O maxilar de Roman travou, um olhar perigoso e sombrio cruzando seu rosto ao mencionar suas notas. "Eu conheço as regras, Sr. Harrison."
"Ótimo. Então sente-se. A única mesa disponível é no fundo."
Roman examinou a sala, seus olhos pousando instantaneamente na cadeira vazia bem ao lado de Jude. Um lampejo de reconhecimento passou por sua expressão, seguido por uma leve careta. Ele caminhou pelo corredor, suas botas pesadas batendo contra o linóleo. Ele puxou a cadeira com força desnecessária, fazendo-a chiar, e jogou sua mochila no chão.
Ele se jogou no assento, irradiando uma aura de pura hostilidade sufocante.
Jude manteve os olhos colados em seu caderno, com a caneta se movendo firmemente. Ele podia sentir o cheiro de Roman dali — uma mistura distinta de colônia amadeirada cara, couro e um leve toque de fumaça de tabaco. Era uma presença masculina avassaladora que parecia encolher o espaço ao redor de Jude.
"Muito bem, turma, de volta ao quadro", chamou o Sr. Harrison. "Como eu estava dizendo, a derivada da função..."
Pelos trinta minutos seguintes, Jude tentou fingir que o gigante sentado ao seu lado não existia. Mas era impossível. Roman não tirou um caderno. Não tirou uma caneta. Ele apenas ficou ali, curvado, olhando fixamente para o quadro, com a perna balançando para cima e para baixo em um ritmo agitado e inquieto que vibrava pelo assoalho.
De repente, o movimento da perna parou.
Jude sentiu um olhar pesado queimando o lado de seu rosto. Ele continuou escrevendo, com a mão ficando rígida.
"Ei", um sussurro baixo e rouco veio da sua esquerda.
Jude ignorou, copiando uma fórmula complexa.
"Ei. Cabelo loiro. Eu sei que você pode me ouvir."
Jude mordeu o interior da bochecha, virando a cabeça lentamente. Ele manteve sua expressão completamente neutra, vazia. Ele não queria demonstrar medo, mas também não queria demonstrar desafio. "Sim?", ele sussurrou de volta, com sua voz suave, quase etérea.
Roman inclinou-se para mais perto, com o cotovelo apoiado na mesa de Jude, invadindo seu espaço pessoal sem pensar duas vezes. "Que língua o velho está falando? O que esse símbolo significa?" Ele apontou um dedo grosso e grande para o quadro, onde um sinal de integração estava desenhado.
"É uma integral", Jude sussurrou de volta, mantendo a voz quase inaudível. "Serve para encontrar a área abaixo de uma curva."
Roman encarou o quadro, depois voltou para Jude, seus olhos escuros se estreitando em uma frustração genuína. "Parece um ‘S’ deformado. Me dá suas anotações."
"O quê?" Jude piscou, surpreso.
"Suas anotações. Me dá. Eu preciso copiar ou sei lá o quê para que o Harrison pare de me encher o saco."
Jude olhou para seu caderno cuidadosamente organizado, escrito com uma caligrafia precisa e impecável, codificada por cores com tinta azul e preta. Depois, ele olhou para a mesa vazia de Roman.
"A aula está quase acabando", Jude sussurrou gentilmente, tentando não soar condescendente. "Se eu te der agora, você não terá tempo. Eu posso... eu posso te emprestar depois da aula."
Roman levantou uma sobrancelha, um sorriso arrogante e lento surgindo em seus lábios. Não era um sorriso amigável; era o olhar de alguém acostumado a conseguir exatamente o que queria. "Olha só para você, realmente falando. Eu achei que você fosse mudo hoje de manhã. Qual é o seu nome mesmo? Miller, certo?"
"Jude."
"Jude", repetiu Roman, o nome rolando em sua língua com um peso estranho e carregado. Ele recostou na cadeira, cruzando os braços. "Tudo bem, Jude. Você vai me dar essas anotações quando o sinal tocar. E você vai explicá-las para mim, porque olhar para aquele quadro está me dando dor de cabeça."
"Eu não acho que—"
"Eu não estava perguntando", Roman interrompeu, com a voz baixando uma oitava, perdendo qualquer traço de conversa casual. Era uma ordem direta.
Jude olhou para sua mesa, seus dedos apertando a caneta. Ele não queria se envolver com Roman Kael. Roman era problema, o tipo de força rica e volátil que destruía tudo em seu caminho. Mas Jude também sabia que dizer ‘não’ para Roman geralmente resultava em Marcus e o resto de sua gangue encurralando você atrás da quadra.
"Ok", Jude sussurrou suavemente.
Roman soltou um pequeno bufo de satisfação e voltou a encarar o relógio.








