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A Noiva por Contrato do Rei Orc

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Resumo

A Princesa Elara é enviada para além da fronteira sombria como uma oferenda de paz ao rei orc que os humanos chamam de fera. O Rei Tharok esperava uma espiã vestida de seda; Elara esperava um monstro com uma coroa. O acordo deles é simples: trinta dias de casamento, nenhuma mentira após o pôr do sol e um trono compartilhado, se eles conseguirem sobreviver à corte humana que a vendeu e aos clãs orcs que o querem sem uma companheira.

Gênero
Romance
Autor
RavenVale
Status
Completo
Capítulos
60
Classificação
5.0 2 avaliações
Classificação Etária
18+

The Sacrificial Bride

O gosto metálico do medo revestia a língua de Elara muito antes de a Black Border surgir à vista. Era o sabor do seu próprio sangue, pois ela mordera o interior da bochecha até ferir para evitar gritar, enquanto a carruagem balançava sobre a terra amaldiçoada e rachada. O cheiro veio em seguida — um miasma de enxofre, podridão úmida e algo metálico e antigo, como um campo de batalha deixado a apodrecer por um século.


“Quase lá, Alteza.” A voz do Capitão Valerius não demonstrava qualquer piedade, tal como esteve durante toda a viagem de três dias desde a Gilded Court. Ele era, acima de tudo, um homem do seu irmão.


Elara não olhou pela janela. Não precisava. A Black Border era uma ferida no mundo, uma ravina recortada repleta de uma névoa agitada e eterna que sussurrava sobre loucura e morte. Além dela jaziam os Orcish Wastes. Além dela jazia o seu futuro.


A carruagem parou com um solavanco. “Saia”, comandou Valerius.


Ela saiu e os seus finos chinelos de seda afundaram imediatamente na terra cinzenta. Estava vestida como um sacrifício: um vestido branco-pérola, ridiculamente impraticável, com mangas que escondiam os seus pulsos. O seu único adorno era a pesada corrente de ouro com o brasão da House Atheris — a família do seu pai — pressionada, fria, contra a sua clavícula.


Do outro lado de uma ponte improvisada de madeira enegrecida, estava a outra parte do acordo.


Ele não era como os contos de fadas pintavam. As histórias falavam de bestas irracionais e brutais. A figura que aguardava no penhasco oposto era grande, sim, uma cabeça e ombros mais alto do que os guardas humanos blindados que o ladeavam, mas era uma grandeza compacta e poderosa. A sua pele era de um verde profundo, como musgo de floresta, esticada sobre uma estrutura óssea brutal. Presas, polidas até um brilho fosco, emolduravam uma boca definida numa linha severa e indiferente. Ele usava couro fervido e ferro negro, não as peles grosseiras de um selvagem, mas a armadura funcional de um rei. Os seus olhos, fixos nela, tinham a cor de âmbar derretido e continham uma inteligência mais desconcertante do que qualquer fúria irracional.


Rei Tharok dos Blood Clans.


A sua guarda consistia em três orcs silenciosos e marcados por cicatrizes que observavam os humanos com desprezo aberto. Valerius deu um empurrão nada gentil em Elara. “A sua noiva, *Sua Majestade*.” O título pingava sarcasmo.


Elara caminhou. Cada passo na ponte rangente parecia definitivo. Ela manteve o queixo erguido e o olhar fixo no de Tharok, recusando-se a mostrar o tremor nas mãos. A meio caminho, ela parou. Os guardas humanos atrás dela pararam, com as mãos nas espadas. Os orcs do outro lado tensionaram-se.


“Lady Elara de Atheris”, anunciou ela, a sua voz clara e fria contra o vento desolado. Não ‘princesa’. Esse título era uma mentira, uma gaiola que tinham descartado.


Os olhos cor de âmbar de Tharok estreitaram-se ligeiramente. Ele falou, a sua voz um estrondo baixo que parecia vibrar nas pedras sob os pés dela. “Estás atrasada. E és pequena.”


“E você é bruto”, respondeu ela, ignorando o silvo de Valerius. “Ótimo. Não tenho tempo para enigmas. Ambos sabemos o que é isto. Eu sou um pagamento. Você é a ameaça a ser paga.”


Um fantasma de algo — não exatamente um sorriso, mas um vislumbre de reconhecimento — passou pelos seus traços austeros. Ele deu um passo em frente, a sua estrutura maciça bloqueando o sol pálido. Ele estava perto o suficiente agora para que ela pudesse ver a fina rede de cicatrizes ao redor das suas presas e a fuligem que se agarrava à sua armadura. “O pagamento é descartado quando já não é útil.”


“Então, vamos garantir que eu permaneça útil”, disse Elara, com o coração a martelar contra as costelas. Este era o precipício. Ela tinha ensaiado isto na sua mente mil vezes durante a viagem de carruagem, mas a realidade da sua presença física ameaçava derrubá-la. “Eu não sou uma novilha de troca, independentemente do que o meu pai acredite. Eu sou um investimento.”


Tharok grunhiu. Foi um som de puro ceticismo. “Palavras humanas. Elas apodrecem na boca.”


“Então deixe-me falar uma língua que você entende. Estratégia.” Ela ignorou o sussurro furioso de Valerius para que ela se calasse. “O seu controlo sobre os clãs é tênue. Você conquistou o trono pela força, mas os antigos chefes estão inquietos. Eles chamam-no de fraco por procurar um tratado de paz, mesmo um comprado com uma esposa humana. Eles sentem o cheiro de fraqueza.”


O ar ficou mais frio. Os orcs atrás de Tharok moveram-se, um rosnado baixo emanando de um deles. Tharok ficou completamente imóvel, um predador a avaliar uma ameaça. “Você presume muito, pequena humana.”


“Presumo porque a minha vida depende disso”, retorquiu ela. “E a sua também. Uma esposa fraca e acovardada será um espinho ao seu lado, um símbolo do seu fracasso para eles. Uma esposa morta, vitimada por um ‘acidente’, será a desculpa que os clãs precisam para se unirem contra você e reiniciarem a guerra que você ainda não consegue vencer.”


Ela respirou fundo, o ar sulfuroso a queimar os seus pulmões. “Mas uma parceira estratégica... isso é uma arma.”


O silêncio prolongou-se. A névoa da Border enrolou-se ao redor dos seus tornozelos como dedos que a agarravam.


Finalmente, Tharok falou. “Você propõe... o quê? Uma barganha?”


“Um contrato”, disse Elara. “Trinta dias. Por trinta dias, serei sua rainha apenas no nome. Aprenderei os seus costumes, cantarei os seus louvores em público e oferecerei o meu conhecimento da corte humana — a sua política, as suas fraquezas. Em troca, você me oferecerá a proteção do seu nome e da sua espada. Nenhum mal me acontecerá por parte do seu povo, não com a sua sanção.”


“E depois de trinta dias?” A sua voz era perigosamente suave.


“Avaliaremos”, disse Elara, com a boca seca. “Se este arranjo for insustentável, se não conseguirmos encontrar uma forma de tornar a minha presença uma força para você, então você concederá uma morte rápida. Melhor uma lâmina de um rei honrado do que uma taça de veneno no banquete do meu próprio irmão.” Ela viu um músculo saltar na mandíbula dele. “Se, contudo, encontrarmos um terreno comum... então o contrato torna-se permanente. Você ganha uma rainha que conhece o ninho de víboras que você enfrenta ao sul. Eu ganho uma vida. Um trono.”


Era insano. Era a única cartada que lhe restava. O seu pai tinha-a vendido. O seu irmão, Oren, tinha feito as malas dela com alegria. Ela não morreria a chorar numa gaiola. Ela morreria de pé ou viveria num trono.


Tharok estudou-a por um longo momento indecifrável. O seu olhar desceu para as mãos dela, cerradas ao lado do corpo, e depois voltou para o rosto dela. Ele parecia procurar a mentira, a fraqueza.


“Você confiaria na palavra de um orc?” perguntou ele finalmente.


“Confio no interesse próprio”, respondeu Elara friamente. “Uma rainha viva e útil serve melhor à sua ambição do que uma mártir morta. É a base mais honesta para uma barganha.”


Ele soltou um suspiro curto e seco que poderia ter sido uma risada. Soou como rochas a ranger. “Você não é o que foi prometido.”


“Prometeram-me um bárbaro”, disse ela, erguendo o queixo. “Ambos recebemos produtos de má qualidade.”


Um som rude, que poderia ter sido de aprovação, veio de um dos seus guerreiros. Tharok ignorou-o. Ele estendeu a mão, não com rapidez, mas com uma lentidão deliberada, e os seus dedos calejados roçaram o ouro frio do brasão da família dela. O seu toque era áspero, e o calor da sua pele era surpreendente contra o metal.


“Este símbolo”, murmurou ele. “Não significa nada aqui. É a marca de uma linhagem de traidores.”


“Também não significa nada para mim”, disse Elara, e a verdade disso foi uma dor limpa e aguda. “É uma mentira.”


Com um movimento rápido e brutal, ele não se limitou a remover o colar; ele quebrou a corrente delicada. O brasão pesado caiu na terra aos pés dela. Ele não o pisou. Simplesmente deixou-o ali no pó, uma bugiganga descartada. Foi um corte mais profundo do que qualquer golpe de espada.


“O seu contrato foi aceite, humana”, disse Tharok, com os seus olhos cor de âmbar a prenderem os dela. “Trinta dias. Você só falará a verdade para mim após o pôr do sol. Aprenderá os nossos costumes e não me envergonhará. Você é a minha rainha. Aja como uma, ou morrerá como uma. Concorda?”


Os guardas de ambos os lados observavam, sem respirar. Elara encontrou o olhar do rei orc. Ela viu o cálculo ali, o mesmo pragmatismo frio que fora forçada a aprender na Gilded Court. Isto não era um casamento por amor. Isto era um pacto de guerra.


“Eu concordo”, disse ela.


Ele deu um aceno curto. “Então venha. A sua... educação... começa agora.” Ele virou-se, com a capa a rodopiar ao redor das pernas, e começou a caminhar de volta para a paisagem hostil dos Wastes sem olhar para trás.


Elara saiu da ponte para o solo estrangeiro. Parecia não ser diferente, mas, ao mesmo tempo, tudo era diferente. Ela não olhou para trás, para os guardas humanos, para o Capitão Valerius ou para o mundo em ruínas atrás dela. Fixou os olhos nas costas largas e blindadas do rei orc, o seu marido.


À medida que se igualou a ele, a sua voz baixou, apenas para os ouvidos dela, um estrondo baixo que vibrou nos seus ossos.


“Bem-vinda ao seu campo de batalha, Rainha Elara.” Ele finalmente olhou para ela, um olhar aguçado e avaliador que continha um toque aterrorizante de respeito. “Espero que a sua lâmina seja tão afiada quanto a sua língua.”


As palavras eram uma ameaça. Mas, enquanto ela caminhava para a fumaça e a sombra do reino dos Blood Clans, pela primeira vez em meses, Elara não se sentiu como uma presa. Sentiu-se como uma jogadora que acabara de fazer a sua primeira aposta desesperada no tabuleiro.

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