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## CAPÍTULO 1: O ECO DA TRANSIÇÃO##

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Resumo

Em um mundo governado pela nobreza e vigiado pelo implacável Conselho dos Sete Magos Mundiais, a força de uma linhagem é medida pela sua capacidade de dominar a mana e os elementos da natureza. Mas, sob o pano de fundo da política e da decadência dos reinos, nobres desesperados recorrem em segredo a uma heresia proibida: o ritual de invocação transmundana. Aqueles que cruzam os portais vindos do mundo real tornam-se "Invocados" — anomalias com reservas colossais de poder, cobiçadas como armas de guerra ilegais.O que os nobres e os próprios Invocados não sabem é que rasgar o tecido da realidade atrai um mal muito mais imediato do que a justiça do Conselho Mundial. Movendo-se pelas sombras com frieza técnica e um bando de renegados habilidosos, Yuza Tototsuki iniciou sua própria caçada implacável. Para Yuza, não importa o status de sangue ou o poder da anomalia: qualquer um envolvido no ritual se torna apenas uma presa. A paranoia global começou, e o predador está à solta.

Gênero
Fantasy
Autor
Esse é meu
Status
Em Andamento
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Chapter 1## CAPÍTULO 1: O ECO DA TRANSIÇÃO##

------------------------------ Ato I: Conspirações sob a Terra, Olhos para o Céu

O gotejar constante da água nas paredes de pedra úmida era o único som que rivalizava com os sussurros nervosos no subsolo da propriedade abandonada. Ali, longe dos salões iluminados da corte, o ar cheirava a mofo e a cera de vela barata. Ao redor de uma mesa de carvalho desgastada, quatro nobres da baixa estirpe real se inclinavam sobre um mapa desbotado do reino. Suas joias e tecidos finos pareciam bizarros e deslocados naquela penumbra.

— A ordem de deportação já foi assinada pela Coroa. É questão de meses até que nossa linhagem seja expulsa dessas terras e jogada ao relento como plebeus — sibilou o Barão Alistair, as mãos trêmulas espalmadas sobre a mesa. — Se não agirmos agora, o nome da nossa família será apagado da história.

— E sua solução é o suicídio, Alistair? — retrucou a Condessa Elara, os olhos faiscando sob a luz fraca das velas. — O que você propõe não é apenas traição. É uma afronta direta ao tratado. Se os Invocadores comuns já sacrificam metade de suas vidas para manter seus contratos com feras parasitas, imagine a escala de energia necessária para rasgar o tecido da realidade!

— Nós não temos escolha, Elara! — interrompeu o jovem nobre Julian, batendo o punho na mesa. — Se conseguirmos um Invocado... se trouxermos uma daquelas anomalias do outro mundo, a quantidade de mana dele mudará o jogo. Nós o dominaremos antes que ele entenda onde está. Diremos à corte que nossa linhagem foi abençoada pelo "sangue forte desse rapaz". A Coroa não ousará nos deportar se tivermos um prodígio cujo poder rivalize com os exércitos reais!

O quarto homem na mesa, um mago ancião a serviço da família, limpou a garganta, a voz rouca ecoando como um aviso fúnebre.

— E o Conselho Mundial de Magia? Vocês se esquecem dos Sete Magos Mundiais? Aqueles monstros não hesitam. Se uma flutuação de mana dimensional for detectada, eles não vão apenas nos denunciar à Coroa. Eles virão pessoalmente. E a punição para a heresia da invocação transmundana é a decapitação pública e a queima total dos nossos registros de sangue. Nós seremos caçados como ratos.

Um silêncio pesado caiu sobre o porão. O risco era absoluto: a salvação da linhagem ou a morte mais violenta e desonrosa que o mundo poderia oferecer. Alistair olhou para o círculo de giz rúnico já desenhado no canto da sala, oculto sob um lençol velho.

— Então garantam que os intermediários façam o trabalho sem deixar rastros — Alistair decretou, a voz fria e decidida. — Se a investigação vier, a culpa deve morrer com os mercenários. Nós salvaremos esta família. Preparem as pedras de mana.

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Enquanto o desespero e a ambição costuravam uma conspiração nas profundezas do reino, a quilômetros dali, a noite se manifestava em sua forma mais pura e gélida.

No topo do Monte Kaelen, o vento uivava contra os paredões de pedra preta. Ali, onde o ar era rarefeito e o mundo parecia pequeno, um jovem mantinha-se imóvel à beira do precipício.

Yuza Tototsuki observava o céu estrelado.

Seus cabelos escuros se moviam levemente com a brisa da montanha. Seus olhos, afiados como os de um predador noturno, não procuravam constelações comuns; eles liam as sutis correntes de mana que cruzavam a atmosfera superior, invisíveis para os olhos de qualquer mago comum. Para Yuza, o céu não era apenas um teto azul-escuro, mas um tabuleiro dinâmico de energia.

Atrás dele, a poucos metros de distância, o estalar de lenha seca quebrava o silêncio da noite. Uma fogueira alta projetava sombras dançantes contra as rochas. Ao redor do fogo, quatro figuras vestidas com pesados capuzes pretos abaixados conversavam em tons baixos, as vozes carregadas de urgência. Eles eram informantes, renegados que operavam nas bordas da sociedade.

— Os boatos no mercado negro de runas estão aumentando — dizia o homem de cicatriz no rosto, aquecendo as mãos na fogueira. — Três carregamentos de cristais de mana de alta densidade desapareceram das minas do sul esta semana. Nobres de baixo escalão estão comprando tudo o que podem por debaixo dos panos.

— Eles estão apavorados com as novas leis de território da Coroa — respondeu uma mulher do grupo, ajustando uma adaga no cinto. — Estão ficando sem opções. A paranoia está fazendo os idiotas perderem o medo dos Sete Magos Mundiais. É o cenário perfeito para um erro catastrófico.

— Um erro que pode rasgar o céu outra vez, como nas velhas guerras — murmurou o terceiro, limpando o suor da testa apesar do frio. — Se mais um daqueles monstros de outro mundo for arrastado para cá, cidades inteiras vão queimar antes que o Conselho decida mover um dedo.

O quarto homem guardou silêncio por um momento, olhando de soslaio para a silhueta solitária na borda do penhasco. Ele baixou ainda mais o tom de voz.

— E o garoto? Ele realmente acha que pode conter isso sozinho? Matar os invocados é uma coisa... mas caçar a nobreza sem o aval dos Sete Magos? Se o Conselho descobrir quem ele é, ele vira o alvo número um do mundo inteiro.

Yuza não se moveu, mas sua voz ecoou de forma limpa e fria, cortando o som do vento e da fogueira, provando que sua audição captava cada sussurro.

— O Conselho dos Sete é lento demais. Eles esperam o estrago acontecer para depois limparem as cinzas — Yuza disse, sem desviar os olhos do céu. Ele respirou fundo, sentindo uma sutil, quase imperceptível vibração distorcer o fluxo natural do vento. Uma flutuação magnética de mana nascendo ao norte. — A paranoia deles já começou. E os tolos acabaram de acender o pavio.

Ele se virou lentamente, o olhar calmo, mas carregado de uma promessa mortal.

— Vamos nos mover. Temos uma caçada para começar.

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