Aurora Blades - Livro #5 - Na Linha de Defesa

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Resumo

Reese Dalton achava que sobreviver a um término de namoro extremamente público seria a parte mais difícil. Ela estava errada. As manchetes, os rumores e as lembranças constantes de seu ex a deixaram exausta e pronta para um recomeço. Quando surge uma oportunidade com o Aurora Blades, Reese agarra a chance de deixar a Carolina para trás. O que ela não esperava era encontrar Rhett Lawson. O atacante da NHL, quieto e confiável, que ela não via há anos. O homem que sempre parecia aparecer quando ela mais precisava. À medida que uma antiga amizade se transforma em algo mais, Reese começa a acreditar que finalmente pode seguir em frente. Mas deixar o passado para trás é mais fácil dizer do que fazer, e algumas pessoas não estão dispostas a deixá-la partir. Com as emoções à flor da pele e corações em jogo, Reese e Rhett precisam decidir se arriscar um com o outro vale a pena. Porque, às vezes, sua segunda chance no amor vem da pessoa que você menos esperava.

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Chapter 1

Reese Dalton

Alguns meses atrás, a minha vida desmoronou.

Descobri que o meu namorado estava me traindo.

E não era qualquer namorado.

Luca Moretti. Atacante dos Hurricanes. O favorito da torcida. O queridinho da mídia.

O homem a quem dediquei anos de amor.

O término foi público. Um caos. Humilhante.

Estava em todo lugar. Sites esportivos. Redes sociais. Portais de notícias que, de repente, achavam que sabiam tudo sobre o meu relacionamento.

Algumas pessoas sentiram pena de mim.

Muitas me culparam.

Parei de ler os comentários depois da primeira semana.

O que era difícil, considerando que eu trabalhava na mídia dos Hurricanes.

Cada dia parecia um lembrete.

Luca vivia ligando. Mandando mensagens. Aparecendo com pedidos de desculpas que eu nunca pedi.

Mas, honestamente?

Eu estava exausta demais para me importar.

Luca continuava ligando.

Números diferentes. Desculpas diferentes.

A resposta era sempre a mesma.

Não.

Joguei meu celular no sofá e olhei ao redor do meu apartamento.

É impressionante quantos pedaços de alguém podem ficar para trás depois que a pessoa vai embora.

Fotos.

Moletom.

Uma foto emoldurada da nossa primeira temporada juntos.

Presentes que eu adorava olhar.

Agora, eu só via lembretes.

Meu olhar pousou na escultura de vidro cara que ficava na estante.

Luca tinha me dado depois que ele entrou para o time do All-Star, dois anos atrás.

Na época, achei romântico.

Agora, só me deixava com raiva.

Muita, muita raiva.

Talvez eu estivesse finalmente chegando à fase da raiva no luto.

Se é que isso existe para términos, né?

Porque se existisse, eu estava nela.

Olhei para aquela estátua de vidro que o Luca me deu.

Era um presente por eu estar ao lado dele. Agora, o presente só me irrita pra caralho.

Peguei o objeto da prateleira, encarando-o com desprezo.

Aparentemente, minha cara de ódio foi forte demais, porque ele caiu.

O som do vidro se estilhaçando quebrou algo dentro de mim.

Senti um alívio.

Ver aquelas centenas de cacos no chão fez um bem para a minha alma.

Podia ter um monte de pedaços no chão, mas senti como se um pedaço de mim tivesse voltado.

Olhei ao redor do apartamento novamente.

No começo, eu não conseguia tocar em nada daquilo.

As fotos.

As camisas.

Os presentes.

As lembranças.

Tirar tudo aquilo parecia algo definitivo demais.

E agora?

Agora eu me perguntava por que não tinha feito isso antes.

Peguei o porta-retrato da estante.

Aquele do primeiro jogo do Luca na NHL.

Nem hesitei.

Direto para dentro de uma caixa.

Um moletom foi logo depois.

Depois outro.

Então, todas as peças dos Hurricanes que tinham o nome dele.

Quando terminei, minha sala parecia que tinha sido atingida por um tornado.

O apartamento parecia mais vazio.

Menor.

Mais solitário.

Mas, de alguma forma, também mais leve.

Girei lentamente pelo lugar.

Pela primeira vez desde o término, eu conseguia realmente ver o meu apartamento.

Não o nosso.

O meu.

Só meu.

O alívio que senti foi revigorante.

Pela primeira vez, me senti mais leve.

Sentei no sofá, olhando para tudo o que tinha realizado.

Havia três caixas cheias de tralha que costumavam ser dele ou nossas, e que agora finalmente estavam fora do meu caminho.

Meu celular vibrou sobre a mesa.

Olhei para ele, soltando um gemido. Porque se for o Luca Moretti, eu vou gritar.

Suspirei enquanto me inclinava para a frente. Peguei o celular da mesa.

Senti mais alívio ao ver o nome da Carson Hayes na tela, e não o do Luca.

Graças a Deus.

Abri a mensagem dela.

Carson: Ei, gata!! :)

Sorri ao ler. Deus, eu amo a Carson demais. Ela foi praticamente a única pessoa que se preocupou comigo durante tudo isso com o Luca.

Quando a vi no jogo dos playoffs, fui feliz por um momento.

Isso até o Luca olhar para mim.

Mesmo do outro lado da arena, eu pude sentir.

A culpa.

O arrependimento.

A esperança de que, de alguma forma, eu mudaria de ideia.

A Carson percebeu na hora.

Ela sempre percebia.

Mas não foi disso que mais me lembrei naquela noite.

Foi do Rhett.

Eu não via o Rhett Lawson há anos.

Não de verdade.

Claro, eu tinha visto fotos. Melhores momentos. Entrevistas.

Mas vê-lo parado ali pessoalmente tinha sido diferente.

Inesperado.

Perigoso.

Porque o Rhett sempre foi meu ponto fraco.

Mesmo quando eu tinha doze anos de idade.

Balancei a cabeça. Tá, não posso entrar nessa. Preciso responder a Carson.

Eu: Ei, o que manda?

Revirei os olhos quando os pontinhos de digitação apareceram.

Claro que ela estava esperando eu responder.

Carson: Tenho uma proposta para você.

Pelo amor de Deus. Essa mulher.

Será que era sobre o trabalho de novo?

Eu: O quê? Não confio em você.

Carson: Tá bom, me escuta antes de dizer não.

Eu: Esse nunca é um bom começo.

Carson: Reese.

Carson: Estou falando sério.

Carson: Venha ficar em Aurora durante o verão.

Fiquei encarando a mensagem.

Eu: O quê?

Carson: Você precisa de uma pausa.

Carson: Preciso de alguém que entenda de hóquei, mídia e dos meus hormônios da gravidez.

Carson: É bom para nós duas.

Eu ri.

Eu: Carson.

Carson: Estou falando sério.

Carson: Você pode ficar no meu apartamento antigo.

Carson: Está lá, vazio.

Carson: Venha passar o verão com a gente.

Carson: Se você odiar, pode voltar para casa.

Casa.

A palavra pesou mais do que deveria.

Porque ultimamente a Carolina não parecia muito como um lar.

Não mais.

Suspirei.

Refletindo sobre isso.

Seria divertido, mas, por outro lado, me colocaria de frente para o Rhett novamente.

Faz sete anos que não nos falamos.

Desde o dia em que ele foi embora.

O dia em que ele nunca respondeu às minhas mensagens ou ligações.

Simplesmente sumiu.

Não sumiu de verdade, já que, na faculdade, ele era um grande jogador de hóquei.

O talento estava no sangue dele.

Antes que eu pudesse mergulhar mais nos meus pensamentos sobre o Rhett, ouvi uma batida na porta.

Soltei um gemido.

Eu não esperava ninguém, mas apostaria dinheiro que sabia exatamente quem era.

A batida veio de novo.

Mais impaciente desta vez.

"Vai embora", murmurei baixinho.

Outra batida.

Claro.

Porque Luca Moretti nunca foi bom em aceitar um não como resposta.

Levantei-me do sofá e atravessei a sala. Quanto mais perto da porta eu chegava, mais irritada eu ficava.

Quando abri a porta de um puxão, lá estava ele.

Luca parecia exatamente o homem que estampava outdoors e capas de revistas dos Hurricanes.

Alto.

Cabelo escuro um pouco comprido demais no topo.

Maxilar marcado.

Roupas caras que, de alguma forma, pareciam naturais nele.

O tipo de sorriso que fazia os repórteres adorá-lo e as mulheres perdoarem coisas que, provavelmente, não deveriam.

O sorriso não estava lá agora.

Seus olhos verdes encontraram os meus imediatamente, cheios de algo entre culpa e determinação.

Um buquê de flores pendia de uma das mãos.

Quase bati a porta na cara dele.

"Reese."

"Não."

Seus ombros caíram.

"Você pode, pelo menos, me deixar falar?"

Eu ri.

Ri de verdade.

"Luca, você vem falando há meses."

"Por favor."

A palavra soou genuína.

Que pena que "genuíno" não era mais o suficiente.

Cruzei os braços.

"Com qual parte do 'nós terminamos' você está tendo dificuldade?"

Seu olhar passou por mim, para dentro do apartamento.

Para as caixas.

Para as prateleiras vazias.

Para a escultura de vidro quebrada que ainda estava espalhada por parte do chão.

Pela primeira vez desde que abri a porta, ele pareceu nervoso.

"O que aconteceu aqui?"

Sorri docemente. "Faxina de primavera."

Luca pareceu extremamente irritado com o comentário.

Que pena que eu não estava nem aí.

"Por que você está fazendo isso?" O tom dele era ríspido.

Eu o encarei.

Ele estava falando sério?

"Porque nós terminamos e eu quero as suas tralhas fora daqui."

Seu maxilar se contraiu.

"Reese."

"Não."

"Você pode parar de agir assim por cinco minutos para podermos conversar?"

Uma risada escapou de mim.

Não uma risada feliz.

Do tipo que surpreendeu até a mim mesma.

"Conversar?" repeti. "Você teve muitas oportunidades de conversar antes de transar com outra pessoa."

O rosto dele se contorceu imediatamente.

Arrependimento.

Culpa.

Sei lá.

Eu já estava cansada de olhar para isso.

"Foi um erro."

"Lá vem."

"Reese..."

"Não, sério. Lá vem." Apontei para ele. "Sua frase favorita."

Seus olhos se estreitaram.

"Foi um erro."

"E, ainda assim, aconteceu."

Seus ombros caíram.

Por um segundo, ele pareceu exausto.

Bom.

Talvez agora ele entendesse como eu me sentia.

"Eu amo você."

As palavras atingiram exatamente do mesmo jeito que nas outras cem vezes em que ele as disse.

Sem sentido.

Meu peito não doeu.

Meu coração não disparou.

Eu não queria chorar.

Eu só me sentia cansada.

"Você deveria ter pensado nisso antes."

O olhar dele caiu.

O silêncio se estendeu entre nós.

Então, os olhos dele vagaram por mim novamente.

Para as caixas empilhadas pelo apartamento.

Para as prateleiras vazias.

Para a vida que eu estava finalmente encaixotando.

E, pela primeira vez desde que ele chegou, algo que parecia suspeitosamente com pânico passou pelo rosto dele.

"Você está realmente se livrando de tudo."

Cruzei os braços.

"O que exatamente você achava que ia acontecer?"

Ele engoliu em seco.

"Eu achei que você só precisava de tempo."

Quase senti pena dele.

Quase.

"Luca."

Os olhos dele encontraram os meus.

"Nós nunca vamos voltar."

A cor drenou do rosto dele.

Bom.

Porque talvez desta vez ele finalmente me ouvisse.

"Reese..."

"Não."

Ele fechou a boca de uma vez.

Respirei fundo, sentindo um tremor.

"Sabe o que é engraçado?"

Ele franziu as sobrancelhas.

"Eu realmente acredito que você me amou."

A esperança brilhou no rosto dele.

Desapareceu tão rápido quanto surgiu.

"Porque, se você me amasse, Luca, deveria ter me defendido."

O silêncio foi imediato.

Pesado.

Doloroso.

"Você ficou parado enquanto todo mundo falava de mim."

Seu maxilar se contraiu.

"Você deixou as pessoas me culparem."

"Isso não é justo..."

"É justo, sim."

Minha voz falhou.

"Eu era quem recebia mensagens. Eu era quem lia os comentários. Eu era a pessoa de quem as pessoas tinham pena, enquanto você continuava sendo o Luca Moretti."

O rosto dele caiu.

"E, durante todo esse tempo, você ficou calado."

"Reese..."

"Se você me amasse, deveria ter me protegido."

Ele fechou os olhos por um breve momento.

Como se as palavras doessem fisicamente.

Bom.

Porque eu vivi com essa dor por meses.

"Você não me perdeu quando me traiu."

Ele abriu os olhos.

"Você me perdeu quando me deixou enfrentar tudo sozinha."

Pela primeira vez desde que apareceu, Luca não teve uma resposta.

E, honestamente?

Isso me disse tudo o que eu precisava saber.