Safados E Desenrolados

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Resumo

Yoo Na-ri tinha a vida sob controle. Um bom emprego. Uma melhor amiga caótica. Um apartamento pequeno demais. E um plano muito simples: ficar longe de homens problemáticos. O plano funcionava perfeitamente. Até Seo Jae-hyun aparecer. Bonito. Arrogante. Provocador. O tipo de homem que entra em qualquer lugar como se fosse dono dele. O tipo de homem que Na-ri jurou evitar. E o tipo de homem que adora transformar a vida dela em um inferno. Enquanto isso, Kang Ji-eun e Lee Min-woo continuam provando que maturidade é apenas um conceito inventado pela sociedade. Entre festas, mensagens enviadas no momento errado, apostas ridículas, discussões hilárias, segredos inesperados e uma atração impossível de ignorar, os quatro descobrem que crescer não significa necessariamente tomar decisões inteligentes. Principalmente quando o amor entra na equação. Porque algumas pessoas trazem paz. Eles trazem problemas. E talvez... Essa seja a melhor parte.

Status
Em Andamento
Capítulos
5
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

A Primeira Desgraça

Sexta-feira à noite.

Seul brilhava através da janela do apartamento de Yoo Na-ri.

As luzes dos carros riscavam as ruas lá embaixo, enquanto uma chuva fina transformava a cidade em um mar de reflexos dourados. O som distante do trânsito se misturava à televisão ligada na sala, onde uma protagonista claramente sem amor-próprio acabava de perdoar o namorado pela terceira traição.

Na-ri afundou ainda mais no sofá.

Vestia um moletom enorme, meias felpudas e carregava uma tigela de sorvete sobre as pernas.

— Pelo amor de Deus, mulher... ele te traiu três vezes.

A protagonista aceitou o pedido de desculpas.

Na-ri fechou os olhos.

— Eu desisto de vocês.

A campainha tocou.

Ela ignorou.

Tocou novamente.

E outra vez.

Na quarta tentativa, Yoo Na-ri já sabia quem era.

Só existia uma pessoa capaz de tocar uma campainha como se estivesse anunciando o fim do mundo.

Kang Ji-eun.

Sua melhor amiga.

E uma ameaça constante à paz mundial.

— Yoo Na-ri! — gritou uma voz do outro lado da porta. — Eu sei que você está aí!

— Vai embora.

— Não.

— Por favor.

— Também não.

Na-ri largou a tigela na mesa e caminhou até a entrada.

Quando abriu a porta, encontrou Ji-eun encharcada pela chuva, segurando duas sacolas e exibindo um sorriso que normalmente antecedia problemas.

Grandes problemas.

— Você parece deprimida.

— E você parece um processo judicial.

— Que coisa linda de se dizer para sua melhor amiga.

Ji-eun entrou sem esperar convite.

Como sempre.

Desde a faculdade, as duas compartilhavam praticamente tudo.

Segredos.

Traumas.

Ressacas.

E algumas decisões extremamente questionáveis.

Ji-eun largou as sacolas sobre a bancada da cozinha.

— Trouxe vinho.

— Não quero vinho.

— Trouxe comida.

— Não quero comida.

— Trouxe uma proposta irrecusável.

Na-ri apontou para ela.

— É exatamente essa frase que me assusta.

Ji-eun abriu o sorriso mais perigoso do planeta.

— Vamos sair.

— Não.

— Vamos.

— Não.

— Tem música.

— Não.

— Tem bebida.

— Não.

— Tem homens bonitos.

Silêncio.

Ji-eun cruzou os braços.

— Sabia.

---

Uma hora depois, Yoo Na-ri tinha absoluta certeza de que tomava decisões ruins.

O bar estava lotado.

Luzes azuladas iluminavam o ambiente.

O som grave da música vibrava pelo chão.

Perfumes caros se misturavam ao cheiro de álcool, fumaça e comida.

Pessoas dançavam.

Conversavam.

Riam.

E Lee Min-woo acenava para elas do outro lado do salão.

Infelizmente.

Lee Min-woo era o melhor amigo de Ji-eun.

E uma das pessoas mais irritantemente carismáticas que Na-ri conhecia.

Ele tinha aquele tipo de beleza que parecia acontecer sem esforço.

Cabelo bagunçado.

Sorriso fácil.

Olhos brilhando com alguma ideia ruim.

Provavelmente várias.

— Minhas garotas favoritas!

— Não me abraça.

— Nossa.

— Estou falando sério.

— Isso magoa meus sentimentos.

— Você tem sentimentos?

— Às vezes.

— Impressionante.

Ji-eun começou a rir.

Min-woo levou a mão ao peito.

— Eu sou constantemente atacado por este grupo.

— Porque você merece.

— Justo.

Enquanto os três conversavam, um garçom passou oferecendo bebidas.

Na-ri pegou uma taça.

Precisaria dela.

Ela já conhecia aquele olhar no rosto de Ji-eun.

Conhecia aquele sorriso no rosto de Min-woo.

Os dois estavam escondendo alguma coisa.

E isso raramente terminava bem.

— Cadê o seu amigo? — perguntou ela.

Min-woo sorriu.

— Qual deles?

— O convencido.

— Ah.

— Aquele que acha que foi enviado por Deus como presente para as mulheres.

Min-woo gargalhou.

— Você realmente não gosta dele.

— Eu prefiro lamber uma bateria.

— Nossa.

— Estou sendo educada.

— Isso é assustador.

Foi então que Min-woo olhou para algum ponto atrás dela.

E sorriu.

Um sorriso de quem acabava de encontrar entretenimento para o resto da noite.

— Falando no diabo...

Na-ri se virou.

E imediatamente se arrependeu.

Porque Seo Jae-hyun era ridiculamente bonito.

O tipo de bonito que irritava.

Alto.

Camisa preta.

Mangas dobradas até os antebraços.

Relógio elegante.

Cabelo escuro levemente bagunçado.

E aquele sorriso.

Aquele maldito sorriso confiante.

Como se o mundo inteiro tivesse sido criado especificamente para agradá-lo.

— Estou atrasado?

A voz era calma.

Grave.

Perigosamente agradável.

— Infelizmente não.

Min-woo explodiu em gargalhadas.

Ji-eun quase derrubou a bebida.

Jae-hyun arqueou uma sobrancelha.

— Interessante.

— Trágico.

— Você sempre é tão simpática?

— Só com pessoas especiais.

— Então sou especial?

— Especialmente irritante.

Por um segundo, ela esperou arrogância.

Ou ofensa.

Ou qualquer reação típica de um homem com ego inflado.

Mas Seo Jae-hyun simplesmente riu.

Uma gargalhada sincera.

Bonita.

Quente.

Daquelas que fazem as pessoas sorrirem sem perceber.

E Yoo Na-ri odiou isso imediatamente.

Porque homens bonitos já eram um problema.

Homens engraçados também.

Os dois juntos deveriam ser proibidos por lei.

— Ah... — disse ele. — Eu gostei dela.

— Que pena.

— Vai ser divertido.

— Eu discordo.

— Ainda.

Na-ri tomou um gole generoso da bebida.

Já estava arrependida daquela noite.

E tinha a estranha sensação de que o pior ainda nem havia começado.

Ela não sabia o quanto estava certa.

Porque aquela noite...

Seria a primeira de muitas desgraças.

E também o início de uma história que mudaria completamente sua vida.

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