PRÓLOGO
A cidade estava se afogando na chuva.
Os semáforos ficavam borrados atrás das cortinas de água.
As pessoas passavam apressadas umas pelas outras, com guarda-chuvas se chocando e passos ecoando pelo pavimento encharcado.
Ninguém parava.
Ninguém olhava para trás.
Porque, para o mundo...
Era apenas mais uma noite comum.
Mas em algum lugar...
O destino havia escolhido silenciosamente aquele momento exato.
Não para um milagre.
Não para uma confissão.
Nem mesmo para o amor.
Apenas...
Para que duas vidas existissem sob o mesmo céu.
Uma caminhava em direção a um sonho.
A outra já havia alcançado todos os sonhos que o mundo poderia imaginar.
Uma não carregava nada além de uma pasta de couro gasta, pressionada cuidadosamente contra o peito.
A outra carregava um nome reconhecido por milhões.
Uma se preocupava com a apresentação de amanhã.
A outra tinha milhares de pessoas esperando para ouvir sua voz.
Dois mundos diferentes.
Duas vidas diferentes.
Duas pessoas que nunca tinham ouvido o nome uma da outra.
E ainda assim...
A distância entre eles já estava diminuindo.
Não porque estavam procurando um pelo outro.
Mas porque o destino nunca pede permissão.
Ele simplesmente começa.
Existem encontros que duram apenas alguns segundos...
Mas que mudam uma vida inteira.
Existem pessoas com quem você passa anos...
E nunca conhece de verdade.
E então existem estranhos...
Que de alguma forma parecem familiares antes mesmo de falarem.
Talvez...
Algumas histórias sejam escritas muito antes de serem vividas.
Talvez...
Algumas promessas sejam feitas muito antes de dois corações se encontrarem.
Ou talvez...
Isso sempre esteve destinado a acontecer.
Não hoje.
Não amanhã.
Mas eventualmente.
Porque toda história tem um começo.
Algumas começam com um sorriso.
Algumas começam com um adeus.
E algumas...
Começam tão silenciosamente...
Que o mundo inteiro as confunde com coincidência.
Esta...
Foi uma delas.