Jasper's Soul Mate (Wild Ridge Duet Livro 1)

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Resumo

Após encontrar um homem coberto de sujeira, cheio de cicatrizes e claramente atormentado escondido em sua garagem, Rebecca — uma mulher shifter rejeitada — é sugada para os assuntos da alcateia, mais uma vez. Jasper sofreu. Rebecca percebe que há muito mais nele do que seu corpo marcado e seu comportamento feral. Se isso não fosse o suficiente para prender sua atenção, há uma conexão estranha que ela sente com ele. Eles desenvolvem um entendimento enquanto enfrentam a desconfiada alcateia de lobos em Wild Ridge... Ele a protege e ela o mantém são. Prévia: Jasper está subitamente perto demais, seu corpo maior forçando o meu contra a parede do chuveiro enquanto tento manter distância. "Por que você estava chorando?", ele pergunta novamente. Observo as cicatrizes em seu rosto — aquela que fica verticalmente sobre seus lábios. É por isso que eu estava chorando. Luto para não começar de novo quando minha mente traz pensamentos e cenários de como ele poderia ter ganhado aquela cicatriz. Coisas que provavelmente não são tão fantasiosas assim. "Preciso saber, Rebecca", diz Jasper, com o tom rouco e profundo. Meu nome saindo de seus lábios faz minha respiração falhar. Não deveria soar assim. Um som que instantaneamente me excita. O desejo que embaça minha mente e a incapacidade de formular uma resposta me deixam gaguejando. "E-eu só..." Encontro sua expressão iluminada e sofrida. "Eu só senti tristeza por você", suspiro finalmente. Ele acaricia o lado do meu rosto, sua mão tremendo. Um de seus dedos contorna meu maxilar...

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
4.7 189 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: Fora de Serviço

Por muito tempo, apreciei a vida na cidade. O barulho, as pessoas (as legais) e a comida eram atraentes. Mas, em uma noite fria de outono, toda a minha visão sobre a vida urbana simplesmente mudou.

Sendo sincera, acho que outras coisas aconteceram que contribuíram para a minha necessidade repentina de cair fora da cidade e me estabelecer em algum lugar cercado por quilômetros de árvores, mas só quero lembrar de uma. Foi o resultado de um presente de consolação: uma cabana isolada, de arrepiar, no meio do nada.

A cabana — meu novo lar — veio totalmente mobiliada e estocada com tudo o que uma jovem de vinte anos como eu poderia desejar. Quando digo tudo, é tudo mesmo. Mas, por tudo o que é mais sagrado — enquanto olho para minha propriedade absurdamente vasta, bebendo chá — eu não consigo entender por que, diabos, tem um homem pelado e sujo de lama correndo pelo meu quintal.

Eu sei que nudistas não faziam parte da lista de inventário da minha casa.

O chá escapa pelos meus lábios enquanto a realidade do que estou vendo se concretiza. Um homem pelado e enlameado está correndo pelo meu quintal. Deixo minha xícara na pia e saio disparada pela porta dos fundos atrás dele.

"Ei!", eu grito do outro lado do gramado assim que saio. Ele não para por um segundo e nem olha para trás. Em vez disso, continua correndo e desaparece dentro da minha garagem segundos depois.

"Cara, sério", eu resmungo enquanto tento correr, mancando, atrás dele.

O máximo de cardio que fiz desde que deixei a cidade, há dois meses, foi andar da cozinha até a minha cama. Eu definitivamente não estou nem um pouco preparada para perseguir estranhos nus pela minha propriedade às seis da manhã.

Meu peito arfa quando paro do lado de fora da garagem. Dou um passo decidido para dentro até que a estranheza absoluta da situação me atinge. Há um estranho, um estranho muito nu, muito homem, na escuridão total à minha frente. A porra da luz está em algum lugar no meio da tralha que eu não uso.

Estremeço de inquietação, mas crio coragem e sigo em frente, com o corpo tenso, pronta para pular para longe de qualquer coisa que salte ou se mova minimamente. Não sou uma manteiga derretida, mas conheço meus pontos fracos. Cardio, combate corpo a corpo e praticamente qualquer coisa aeróbica não são os meus fortes. Agir pelo meu instinto de fuga, isso sim é.

Minha mente começa a criar pensamentos ridículos, estimulados pela cautela que percorre meu corpo. O melhor deles: Se eu pulasse em cima de um guaxinim, meu rosto ficaria tão fodido quanto essa situação no final? A resposta é não. E eu me encolho com o resultado imaginado.

Manobro entre meus carros e outras tralhas inúteis — soltando um gemido a qualquer barulho que eu provavelmente fiz — antes de encontrar o cordão da luz com o rosto. Dou um pulo para trás e solto um suspiro de alívio quando percebo o que é. Fechando os olhos com força, faço uma prece rápida para qualquer deus ou deusa já mencionado e puxo o cordão. Um clique é seguido por um brilho que ofusca minha visão por um breve momento. Quando meus olhos focam novamente e dou uma olhada temerosa ao redor, não vejo o homem em lugar nenhum.

"Onde diabos você está?", sussurro para mim mesma. Estou muito agradecida por ninguém me responder.

Minha garagem é um espaço apertado. Devido ao acúmulo de tralhas, quase não há lugares para se esconder; então, seja lá quem for esse cara, ele com certeza me venceu no esconde-esconde.

Um fungado vem de trás de mim.

Eu salto para a frente instantaneamente, colidindo com uma bolsa de tacos de golfe que cai no chão de concreto com um estrondo. Você nem joga essa porra de golfe!, eu sibilio mentalmente para mim mesma.

Por sorte, sou flexível o suficiente para não cair junto com os itens. Pego um taco, me viro e pulo na direção do estranho com ele erguido.

Eu travo no lugar quando o vejo.

Encolhido, com as mãos apertando a cabeça, ele está soluçando e balançando para frente e para trás. Toda a emoção que senti antes desaparece rapidamente, dando lugar à pena. Especialmente quando — enquanto ele soluça — sua respiração falha e um suspiro de cortar o coração escapa dele.

Sendo a primeira vez que testemunho um homem adulto chorando, fico parada ali, assistindo em choque, antes que minha razão volte com tudo.

Coloco o taco de golfe no chão, pego meu celular e disco para o 911 em segundos.

O tom de discagem toca no meu ouvido um momento antes de a operadora começar a falar, e não diz o que eu quero ouvir.

"Pedimos desculpas, mas o número que você discou não está mais em serviço."

Não está mais em serviço? Desde quando o 911 sai de serviço?! Xingo baixinho e aperto meu celular na mão.

Ajoelhando-me na frente do homem, esperando não assustá-lo — se possível —, pergunto: "Senhor, você está bem?"

Assim que as palavras saem, me xingo mentalmente por ser tão insensível. É claro que ele não está bem, qualquer um com olhos pode ver isso.

Não há pausa entre seus soluços. Em vez disso, um tremor começa, afetando todo o seu corpo. Embora meu coração doa novamente, outra coisa rouba minha atenção.

Sob as camadas de lama e sujeira que o cobrem, consigo distinguir cicatrizes irregulares. Os padrões medonhos marcam cada centímetro do seu corpo.

Respiro fundo, com dificuldade, e instintivamente estendo a mão para o dele, querendo confortá-lo. "Vou chamar uma ambulância, mas eu..." No exato momento em que meus dedos tocam os dele, ele se afasta bruscamente. Com força.

Um estalo doentio ecoa na garagem e o corpo do homem desaba para frente, claramente inconsciente.

"Merda!", xingo, agarrando-o antes que ele caia completamente e examino a parte de trás da sua cabeça em busca de ferimentos. Não vejo um corte aberto nem encontro sangue escorrendo quando tateio; sinto o inchaço na cabeça, onde um galo começa a se formar. Ele definitivamente vai sentir isso quando acordar.

Eu só estava tentando fazer com que ele me seguisse para dentro. Deus, você sabe mesmo como se ferrar, B. Faço uma careta com meus pensamentos inúteis e tento levantar o corpo do cara.

Só consigo machucar meus joelhos ao cair no chão com força, com o peso dele quase todo sobre mim. "Porra, cara, você é um bicho", resmungo, conseguindo usar o peso dele a meu favor ao empurrá-lo para o lado e, rapidamente, acomodar a cabeça dele em meu colo.

Suspiro e olho para ele, para as cicatrizes que marcam seu rosto. É então que uma palavra se repete na minha cabeça. Bicho.

Minhas costas ficam rígidas. Eu nem pensei... Analiso sua forma uma última vez e decido que a possibilidade de meus pensamentos estarem certos é muito grande. Grande demais, a ponto de que, se ele acordar comigo tão perto, eu poderia muito bem enfrentar uma retaliação instintiva.

Cuidando para não machucá-lo ainda mais ou — Deus me livre — acordá-lo agora, coloco sua cabeça de volta no chão frio e me arrasto para longe, querendo me distanciar o máximo possível.

Existem poucos motivos para algum dia ver uma pessoa nua — neste caso, um homem — coberta de lama e correndo pela floresta. Ou é porque, A, ele é um porra de um shifter; ou B, ele é completamente maluco.

Mas será que ele é um shifter?, pergunto a mim mesma.

Sua postura grita shifter, mas a alcateia mais próxima fica a quase um dia de viagem, e isso de acordo com o tempo dos shifters.

Você está no meio das seis alcateias reinantes, B. Ele pode estar viajando... Não tenho como confirmar isso. Existem apenas duas maneiras de identificar um shifter de um humano. A maneira mais óbvia definitivamente não está acontecendo enquanto ele está inconsciente, ou espero que nunca aconteça, porque não estou a fim de ser dilacerada seja lá pelo que for o seu lado animal.

Pelo seu tamanho, suspeito de um urso, mas há uma agilidade na sua forma e todos os shifters de urso que conheci são muito mais parecidos com neandertais e troncudos nos ombros, especificamente. Esse cara... ele é quase tão musculoso, mas não exatamente como eles, o que deixa lobo como a última possibilidade. Muito mais imprevisível e feroz.

Me abraço enquanto o observo com cautela. A segunda maneira de identificá-lo como um shifter é pelas marcas... Considerando que seu corpo está coberto de sujeira e cicatrizes, essa não será uma tarefa fácil.

Deslizo para frente, cautelosamente, e limpo a sujeira incrustada da área onde o ombro encontra o pescoço. Tirando as cicatrizes, não há marca de mordida de um companheiro. Um alívio repentino me preenche com isso; descarto o pensamento, pensando que isso diminui as chances de ele se transformar em uma fera selvagem.

Meus olhos dão uma última olhada em sua forma e lacrimejam com a cena horrível. "O que você passou?", sussurro, limpando impulsivamente mais sujeira de seu rosto.

É quando meus dedos roçam sua mandíbula marcada que seu corpo dá um solavanco e seus olhos se abrem.

Íris douradas impressionantes encaram de volta e fico completamente hipnotizada por sua beleza.

Minhas mãos em sua mandíbula permanecem em movimento. A textura sob meus dedos, combinada com seus olhos paranormais, me deixa sem raciocínio. A ponta dos dedos percorre a maciez de seus lábios cheios e uma cicatriz que divide seu lábio superior bem no meio.

A curiosidade floresce dentro de mim, forte o suficiente para eu piscar e olhar para onde minhas mãos estão. Limpo a sujeira de sua boca, focando na cicatriz longa e pálida. É só quando o lábio dele se curva que percebo meu erro.

Quando encontro seu olhar novamente, ofego. Está cheio de fúria, dor e tristeza. A raiva sozinha teria sido uma bênção em comparação com o olhar que ele me lança agora. Afasto minhas mãos bruscamente, soltando: "Me desculpa!"

Seja pela brusquidão da minha voz, pelo movimento ou por ambos, ele se assusta. Ele se encolhe, acuado de lado, e levanta os braços para proteger a cabeça.

Respiro fundo, tentando me acalmar, e tento convencê-lo a me seguir. "Preciso entrar para chamar uma ambulância. Você precisa vir comigo."

Quanto mais cedo eu o levar para dentro, mais cedo poderei tentar falar com alguém no telefone fixo — alguém mais qualificado para ajudá-lo.

Ele começa a balançar novamente.

Mordo o lábio para não franzir a testa. Ele parece tão vulnerável. É de partir o coração assistir. Tento usar meu celular uma última vez, encontrando o tom de discagem assim que disco o número. Desisto da esperança, passando a mão no rosto em frustração.

Levanto-me, apenas para ter braços envolvendo minha cintura e quase me desequilibrar. Ele se moveu tão rápido que mal vi um borrão. "P-por favor", ele gagueja, tremendo tanto que temo que possa me derrubar. "Ninguém m-mais."

Outro soluço sacode seu corpo e ele me agarra com mais força. "É demais", ele chora.

Minha mão treme.

Meu primeiro instinto é tirá-lo de cima de mim. O segundo, mais avassalador, é segurá-lo tão apertado quanto ele me segura e confortá-lo enquanto ele chora.

Não sei por que isso passou pela minha cabeça. Estou longe de ser uma manteiga derretida, mas talvez seja apenas porque ele parece tão quebrado. Se o meu passado me ensinou algo, é que homens como ele são a minha fraqueza.

Fecho meus olhos, esperando que, ao abri-los, o homem aos meus pés tenha ido embora. Sei que é egoísmo pensar assim, mas ainda tenho minhas próprias feridas para curar. Acho que não aguento isso.

Quando abro os olhos, ele ainda está lá.

"Ok", falo suavemente. "Ninguém mais."

Depois de um longo momento sentindo seus tremores e as lágrimas que encharcam minhas calças, cedo ao desejo de tocá-lo. Apoio minha mão sobre sua cabeça, passando os dedos cuidadosamente por seu cabelo embaraçado; ele relaxa sutilmente.

Gradualmente, seu corpo começa a tremer cada vez menos. Os soluços, no entanto, permanecem.