CAPÍTULO UM
(Nota: Sacrifice é um rascunho muito, muito antigo. Um original. Preciso editar, revisar e corrigir erros gramaticais nas minhas horas vagas. No momento, estou escrevendo o livro do criador, The Lies He Told. Espero que você possa aproveitar esta história mesmo assim.)
(NOTA: Março de 2025, por favor, esteja ciente de que Sacrifice está atualmente passando por uma edição pesada e mudanças de cena. A nova versão será parecida em algumas áreas, mas diferente. Darei atualizações assim que estiver finalizada.)
OBSERVE: Tenho que postar novamente porque alguns leitores estão manifestando problemas em várias partes. Leia por sua conta e risco! Sacrifice não segue a mesma sequência dos outros livros porque é um rascunho original que não segue mais a mesma consistência das versões atualizadas. Se você ler isso depois de Redemption, ficará muito confuso em alguns pontos. Por favor, não reclame ou dê avaliações negativas se continuar lendo agora sem esperar pela versão atualizada, na qual estou trabalhando offline no momento!
Obrigada pela compreensão. ❤️
— Eu, pessoalmente, odeio a Cherry. — Nate se virou no banco do motorista para provocar Brad, que relaxava tranquilamente no banco de trás do Bentley. — Ela é uma sanguessuga, cara.
Meu braço direito ficou bastante afeiçoado à ruiva lá do Club 11, e Nate está protestando ferozmente contra a ideia.
— Você não me pagaria para comer aquela alpinista social. — A sobrancelha com piercing de Nate se arqueou. — É isso que você quer, Brad? Alguma puta de boate lucrando em cima de você? Mercadoria barata. Joga ela no lixo, onde ela pertence.
— Ei, eu nunca disse que ia casar com a passarinha — rebateu Brad enquanto descíamos do veículo juntos. — O que você acha, Darren? Você comeria a vadia, não comeria?
Passando a mão pela cabeça careca, Darren resmungou: — Não tenho interesse nessas mulheres. Cresça, Brad. Ninguém se importa com seu pau broxa.
— Já viu o tamanho do meu pau? — Brad gesticulou para a virilha coberta pela calça. — Não tem nada de broxa na minha masculinidade, muito obrigado. E o quê? Você está bom demais para as putas de boate de repente? Tenho quase certeza de que você implorou para Natalie chupar seu cacete ontem à noite. O que foi mesmo que ela disse? — Com a mão atrás da orelha, ele zombou: — Ah, é. Isso mesmo. Prefiro foder meu cachorro, Darren.
Nate explodiu em risadas, batendo palmas.
— Vai se ferrar, Brad — cuspiu Darren. — Se todo mundo fosse igual a você, o Club 11 estaria infestado de doenças sexualmente transmissíveis.
Brad se aproximou dele, sua expressão bem-humorada diminuindo. — Estou a três segundos de arrancar suas cordas vocais.
— Chega — ordenei, abrindo a porta da cafeteria. — Guardem as animosidades para o inimigo.
Lendo uma mensagem de texto no celular, esperei na longa fila de clientes ansiosos.
Darren discutia com outro membro da equipe lá fora. A necessidade de Brad de provocar todo mundo o deixou irritado.
— E aí, bonitona. — Brad mandou uma piscadela lasciva para uma loira deslumbrante. — Cristo, dá uma olhada na bunda daquela mulher.
Observei seu interesse feminino caminhar em direção à saída, apreciando aquelas coxas grossas e quadris rebolantes. — Você a assustou — brinquei, sentindo um arrepio familiar subir pela minha nuca. — Comporte-se.
Enquanto Brad tagarelava, lancei olhares furtivos ao redor da cafeteria, sentindo que alguém me observava. Como em toda sexta-feira, nada estava fora do comum, mas a sensação estava lá: aquele desconforto intenso e os pelos do braço arrepiados.
— Sr. Warren — Audrey, a barista, cantarolou. — O mesmo da semana passada? — Deliberadamente empinando o peito volumoso para exibir seu decote farto, ela me provocou com olhos cinzentos convidativos. — Café preto?
Entreguei meu cartão de débito e paguei pela compra sem dizer uma única palavra.
— Agora, essa aí — murmurou Nate no meu ouvido — eu arrumaria tempo. — Seu olhar fixou-se no vestido justo de Audrey. — Caralho.
— Audrey é a sósia da Cherry — Brad destacou o óbvio. — Honestamente, Nate. Você precisa...
Minha pele arrepiou de novo.
Inclinando a cabeça para ouvir o ambiente, ignorei o debate sem fim deles. A mulher sentada perto da janela discutia com o marido ao telefone, choramingando sobre o divórcio enquanto tomava café. Dois colegas de trabalho reclamavam do chefe, reabastecendo as geladeiras. O homem falando baixo com sua amante precisava trabalhar em sua técnica; aquelas promessas sedutoras faziam meu lábio se contrair com desgosto.
— Cherry tem piercing na língua — Brad continuou tentando converter Nate para o lado sombrio. — É um procedimento padrão. Todo mundo come a Cherry em algum momento. Quem sabe? Você pode até acabar gostando dela.
Por que ele é tão obcecado pela Cherry?
— Já estive lá. Já fiz isso. — As sobrancelhas de Nate se uniram em uma carranca fechada. — Quase perdi meus colhões no processo. E por que você é tão interessado na minha vida sexual? Marca território se está tão apaixonado pela garota.
O queixo de Brad caiu. — Uma mulher não é o suficiente para matar a sede...
Eu não conseguia me livrar da sensação de alguém me observando.
Olhando por cima do ombro, examinei a sala. Tudo parecia normal, os mesmos clientes otimistas demais e passageiros cansados passando pela dose matinal de cafeína.
Audrey colocou o café no balcão. — Aqui está, Sr. Warren. — Seu dedo roçou o meu na entrega. — Tenha um bom dia.
Brad e Nate seguiram em frente para abrir a porta, mas eu mal tinha dado cinco passos quando alguém colidiu contra meu peito. Café fervendo encharcou minha camisa, grudando na minha pele. Queimou como o inferno.
— Porra. Você precisa olhar por onde anda. — Pegando um guardanapo no suporte de metal, limpei minha camisa arruinada com veemência. — Inferno de merda.
— Sinto muito — disse uma voz suave e ofegante. — Eu estava com pressa e... — A frase dela tropeçou. — Eu estava...
Olhei para cima e perdi a capacidade de falar. Esta mulher, quem quer que fosse, de onde quer que viesse, é deslumbrante. Sua altura quase nos colocou na mesma linha de visão. Se ela estivesse de salto em vez de sapatos baixos e surrados, estaria no meu campo de visão direto. Maravilhei-me com sua beleza, físico esguio, rosto em formato de coração e lábios cheios e convidativos. Foram os olhos dela que me pegaram, porém. Não consegui decifrar a cor exata, verde e castanho, com salpicos de ouro. Eu estava perdido neles.
Limpando a garganta seca, inclinei-me sobre ela, peito com peito, para descartar o guardanapo manchado de café. Mais uma vez, com nossos narizes praticamente se tocando, travamos o olhar, e esperei que ela continuasse aquela frase inacabada.
Com o pânico tremeluzindo em seu olhar assustado, ela colocou as mãos no meu peito em uma tentativa inútil de remover a bagunça que causou. — Eu não quis fazer isso.
Meus músculos se contraíram sob seu toque inocente. — O que você está fazendo?
Suas mãos se retiraram abruptamente.
Tenho quase certeza de que nunca tinha visto aquela mulher antes — eu me lembraria de alguém com tamanha beleza se tivesse —, mas havia algo estranhamente familiar naqueles olhos hipnotizantes. Fui atraído por eles, o que era inexplicável. — Eu te conheço? — Quando me aproximei, seu corpo pareceu murchar na minha presença. — Sinto como se já tivesse te visto antes.
— Não. Peço desculpas por isso. — Ela apontou para a marca marrom na minha camisa. — Eu sei que suas roupas são caras.
Parece que tenho uma admiradora.
— São? — Minha voz soou mais rouca do que eu gostaria. — E como você saberia disso?
— Bem, é um terno Armani de três peças, e você costuma usar camisas Saint Laurent... — Para manter um pouco de dignidade, ela fechou a boca. — Pode dar a ele outro café? — ela perguntou a Audrey. — Eu pago.
Nem pensar. — Não é necessário.
Audrey serviu café preto em um copo descartável e contornou o balcão com um olhar de confusão. Antes que Audrey pudesse entregar, a garota entrou entre nós. — Eu pago — disse ela com um sorriso contagiante. — Aqui. — Seus olhos brilharam enquanto ela estendia o café. — Oferenda de paz.
Meu dedo roçou seus nós dos dedos. — Obrigado — eu disse, aceitando a oferta de paz. Então, percebi que estava encarando, bastante fixado, então adotei um ar de indiferença fingindo que sua inocência me incomodava. — Você não bate bem da cabeça?
Sua mandíbula relaxou.
Porra. Eu a insultei.
Isso foi um movimento de babaca, Warren.
Por que estou me repreendendo em silêncio?
Ela é só uma garota. Saia da loja e se recompõe, porra.
Foi exatamente o que fiz.
Empurrando a garota rudemente, joguei o café na lixeira e segui para fora.
— Chefe — ei — Brad repreendeu atrás de mim. — Que porra há de errado com você?
A garota da cafeteria correu em minha direção.
Qual era o olhar nos olhos dela? Medo? Pavor? Desespero?
Darren estendeu a mão e agarrou o suéter dela antes que pudesse chegar mais perto.
— Que diabos? — ela gritou, debatendo-se no aperto implacável dele. — Me solta!
— Darren — avisei, com o homem rindo de diversão. — Solte a garota.
E então, para adicionar humor a esse encontro bizarro, suas unhas atacaram o rosto dele em uma retaliação assassina.
Empurrando-a para frente, Darren sibilou: — Sua vadia!
— Por favor, pare. — A voz dela era apenas um sussurro. — Sinto muito.
Darren rosnou: — Você colocou a mão na minha cara, garotinha. — Ele jogou a garota contra a parede mais próxima, e o impacto inesperado fez suas pernas cederem. — Piranha submissa.
Agi por instinto, segurando-a em meus braços antes que ela desse de cara no chão. Seu corpo ficou mole, seus membros pesados, porém inertes. — Pelo amor de Deus, Darren. — Seus olhos estavam fechados agora, mas os soluços sibilantes continuavam. — Ela é só uma porra de uma criança.
— A vadia arrastou as unhas no meu rosto. — Ele usou lenços para secar o sangue no lábio cortado. — Vadia louca. Eu digo para você se livrar desse rato.
— Quem é ela? — Nate se agachou ao lado e pressionou dois dedos em seu pescoço, verificando o pulso. — Ela desmaiou.
Brad deu uma risadinha. — Darren, sua feiura derruba vadias como merda derruba moscas.
As bochechas balançantes de Darren estavam carmesins. — Vai se ferrar, Brad.
— Ei. — Dando batidinhas na bochecha rosada da garota, tentei trazê-la de volta. — Acorda. — O peito dela subia e descia em um ritmo irregular. — O que há de errado com ela?
A cabeça de Nate inclinou-se enquanto ele a examinava. — Estranho. — Ele checou o pulso dela mais uma vez. — Puta que pariu. Com certeza isso não é normal.
— O quê? — Apoiando as costas dela em minha coxa, puxei seu moletom levantado para cobrir sua barriga exposta. — Nate?
— Ela precisa acordar antes que tenha um maldito ataque cardíaco — ele disse calmamente, levantando-se. — Não sei que tipo de pesadelo essa garota está tendo, mas com certeza está causando um medo satânico nela.
Sua garganta afundou enquanto ela lutava por ar.
— Acorda. — Sacudindo seus ombros, dei um tapa um pouco mais forte em seu rosto. — Ei, garota. Você precisa se acalmar. Acho que você pode estar tendo um ataque de pânico do caralho.
Inspirando profundamente, ela voltou à consciência. Com os olhos arregalados, disparando para todos os lados, ela escapou dos meus braços e bateu com as costas contra a parede de tijolos. E foi lá que ela ficou, encolhida e se esquivando.
Com cuidado, toquei seu braço, insistindo para que ela olhasse para mim. — O que aconteceu?
Dando um tapa na minha mão, ela cambaleou de pé, puxando seu moletom inquietamente, como se o tecido a impedisse de respirar.
Levantei-me por completo e dei um passo cauteloso para trás. Eu não queria machucá-la.
O corpo dela tremia. — Eu não sou uma criança da porra.
Sua resposta destemida teve o efeito oposto. Eu sabia que ela estava com medo. Mas elevar a voz servia para aliviar sua humilhação e apreensão.
Brad passou a língua em um palito no canto da boca. — Você tem certeza disso? — Ele inclinou a cabeça. — Seu Jumper diz o contrário.
O erro no guarda-roupa dela era ostensivo. Digo, quem sai de casa com um moletom preto decorado com tartarugas se abraçando?
A garota queria que o chão se abrisse e a engolisse inteira. Eu podia ver isso em seus olhos, o puro constrangimento. — Não é meu — ela gaguejou, removendo a peça ridícula e enfiando-a em uma mochila velha e surrada. — Peguei emprestado de uma amiga.
— Não se preocupem com o que está no jumper dela, rapazes. — Gaven, o segurança principal do Club 11, apontou para a camiseta justa da garota, onde dois seios pequenos, porém perfeitamente arredondados, espreitavam pelo tecido fino. — Os peitos dela contam uma história diferente.
Não querendo humilhar a garota ainda mais, desviei o olhar. Era errado ficar encarando, mas apagar a imagem era impossível. Eu já tinha dado uma olhada e, embora pequenos demais, seus peitos pareciam decentes o suficiente para sentir o toque das minhas mãos.
Pisei no freio dos meus pensamentos. Não me sinto atraído por alguma garota nervosa e inquieta, então por que caralhos estou considerando a ideia de nós dois em uma intimidade? Ela nem é meu tipo. Gosto de mulheres — mulheres perfeitamente curvilíneas, com dotes generosos e uma confiança tentadora — não de uma jovem inquieta, atraentemente magra, que desmaiou sem motivo aparente.
Como se sentisse meus pensamentos depreciativos, ela me olhou com um sorriso tenso e triste.
Meu coração perdeu uma batida. Não, ela não é nada pouco atraente. Essa garota é perigosamente bonita. E eu precisava sair daqui antes que fizesse ou dissesse algo estupidamente fora do comum.
— Já chega — repreendi os homens que riam, fazendo-os silenciar. — Estamos indo embora.
É claro que os homens obedeceram. É o trabalho deles fazer o que lhes é ordenado, quer gostem ou não. Dando tapinhas nas costas uns dos outros, eles se dispersaram em várias direções, entrando nos veículos Bentley estacionados.
Eu, no entanto, não me mexi, nem quebrei o contato visual com a garota esquiva.
Ela esfregou o frio de seus braços. — Eu me sinto uma idiota.
— Você bateu a cabeça quando caiu. — Fingindo preocupação, segurei seu queixo e examinei o arranhão falso em sua bochecha. — Você deveria dar uma olhada nisso.
Sua testa franziu. — É sério?
Não, eu te segurei antes que qualquer dano ocorresse. Mas eu queria uma desculpa para falar com você sem a intromissão dos meus homens. — Tenho certeza de que você vai sobreviver.
Vá embora, Warren.
Você não tem tempo para entreter donzelas.
Soltei seu queixo como se o toque de sua pele estivesse queimando.
Quando me afastei, senti os olhos dela em mim, mas não olhei para trás, embora tudo dentro de mim gritasse para voltar por ela.
Entrei no banco de trás do Bentley de Nate. — Dirija.
— Quem caralhos era aquela? — Brad encarou a garota através do vidro fumê. — Ela tinha uma bunda incrível.
Ela não é ninguém. — Esquece isso.
Pessoas vestidas inteiramente de preto lamentavam seus entes queridos, sangravam lágrimas dolorosas e soluçavam uma culpa dilacerante por toda parte.
Nossos céus escuros e deprimentes reclamavam acima enquanto trovões ecoavam à distância. A chuva salpicava o solo memorializado que já ofereceu abrigo para mais de quatrocentas pessoas. Poucos sobreviveram àquela noite catastrófica e fatídica. O restante virou fumaça enquanto tentavam escapar das chamas.
Anteriormente, a polícia me deteve e apresentou acusações por agredir um oficial e posse de arma de fogo. Aqueles bonzinhos confiscaram a Desert Eagle. Sim, eu fiquei muito puto com isso. Tenho acesso a armas, mas aquela arma personalizada tinha um valor sentimental. Seu exterior em ouro maciço e a gravação personalizada estavam em minha posse desde que comecei a construir meu império.
Felizmente para mim, o Superintendente Chefe Reginald Burton devolveu tais pertences, juntamente com provas ocultas sobre o juiz que pré-decidiu minha sentença de prisão (falarei sobre a situação dele mais tarde).
Sou um homem livre — um homem entorpecido, em luto e devastado — que está diante da lápide de Alexa. Como todas as vítimas, sua cruz de madeira e o número do lote permanecem no cemitério onde belas casas antes se erguiam. Não durmo direito há mais de duas semanas. Toda noite, deitado na cama na cobertura, ligo para o telefone dela, esperando que, por algum milagre, ela atenda. Ou fico encarando a tela, lendo mensagens antigas. Sinto falta dela. É doloroso respirar sem ela por perto.
Eu venderia literalmente minha alma ao diabo para ter Alexa de volta em meus braços.
As pessoas não me querem aqui. Seu ressentimento e desdém emanavam de seus corpos trêmulos. A raiva explícita deles era injustificada. Não conheço os enlutados, não tenho problemas pessoais com eles, mas parecem me conhecer, e minha presença jogou gasolina na fogueira.
Ignorando as conversas sussurradas, o tipo de conversa que arruinava a reputação de um homem, entrei em território desconhecido para prestar minhas homenagens, para dizer adeus a Alexa. Ainda assim, falavam de mim como se eu fosse o próprio diabo. Estou acostumado com a abominação dos outros, mas eu tinha todo o direito de estar aqui.
Brad apertou meu ombro.
Ajustando meus óculos aviadores pretos, enfiei as mãos nos bolsos da calça, preparando-me para a bronca de Chloe.
Cambaleando em saltos altos, Chloe atravessou a multidão de pessoas soluçando, com a bolsa contra o peito e o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo apertado. — Você não deveria estar aqui — ela chorou, enquanto o homem loiro, alguém que eu reconheci, dizia para ela se acalmar. — Você não é bem-vindo aqui, Warren!
Eu já matei por menos.
Suprimindo a fúria, virei-me enquanto alcançava algo dentro do bolso interno do meu paletó.
— Não vire as costas para mim. — Ela me empurrou no ombro. — Enfrente-me como um homem, Warren—
Perdi toda a noção de consciência. — Como um homem — disse com raiva, ficando nariz com nariz. — Você não quer me ver no meu pior momento, Chloe. — Minha mão agarrou sua garganta, e seus olhos lacrimejantes se arregalaram. — Você não aguentaria.
Seus dedos se curvaram ao redor do meu pulso. — Eu te odeio — ela choramingou, com lágrimas escorrendo por suas bochechas manchadas. — Se não fosse por você? Alexa ainda estaria viva!
— Cuidado com a boca — cuspi entre dentes cerrados. — Você não sabe absolutamente nada sobre meu relacionamento com Alexa. Eu tentei protegê-la.
— Sua proteção a colocou em uma caixa. Você fez isso. — Mais uma vez, a mulher insana tentou me atacar, suas mãos fechadas desferindo golpes demais em meu peito. — É sua culpa que ela não está aqui! Você--
Dei um tapa em seu rosto, o golpe impiedoso ecoando em nossa proximidade angustiante.
Se Alexa estivesse aqui, ela me atacaria por aquela exibição dura. Aquela mulher amava sua melhor amiga. Elas eram mais próximas do que a maioria das irmãs, viviam, riam e choravam juntas. Apenas ela não está aqui hoje. Ela se foi e nunca mais voltará. Sem ela, não tenho motivo para aceitar nada além de respeito dos inferiores.
A loira problemática aprenderá seu lugar.
Brad apertou a ponte do nariz.
Os joelhos de Chloe afundaram no solo lamacento. Enxugando as bochechas com lenços amassados, ela soltou a pulseira do pulso e a pendurou na cruz de madeira de Alexa.
Não observei Chloe e sua amiga indo embora, nem as vozes desdenhosas à distância. Esperei que Brad se afastasse e me desse um momento, então ajoelhei um joelho no chão.
Alexa Haines.
Foi-se, mas jamais será esquecida.
Odiei a gravação impensada. Era a frase padrão de todos ao enterrar seus entes queridos. Era sem sentido, apressada e sem coração.
— Onde está o corpo dela? — perguntei a Brad. — Não acreditarei sem um corpo.
— Alexa está morta, chefe — ele disse cautelosamente. — Reginald confirmou. Ela morreu no incêndio.
Senti uma lágrima rolar pela minha bochecha. — Eu me recuso... — Minha garganta apertou. — Me recuso a deixar ir. Não é o fim para nós... — A mão dele travou na nuca, enquanto ele tentava me confortar. — Eu falhei com ela. Prometi protegê-la e falhei.
Centenas de enlutados logo se tornaram um só.
Todos desapareceram, incluindo Brad, mas eu não conseguia ir embora.
Como posso dormir esta noite, sabendo que o que resta dela estava sob o solo onde eu estava parado.
Beijando o botão de uma rosa vermelha, coloquei-o no chão. — Eu te amo. Nesta vida ou na próxima, serei sempre seu. Quando a morte bater à minha porta, é melhor que seja você quem venha me buscar.