Das Correntes à Coroa

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Resumo

Uma história de cura. Klara foi abusada durante mais da metade de sua vida por seu pai e pelos lobos de sua alcateia. Quando finalmente foge, ela acaba correndo direto para seu companheiro — o Rei Marc. Acompanhe Marc e Klara enquanto ela aprende a confiar nele e ele a guia em sua recuperação, apenas para descobrirem que Klara não é exatamente quem parece ser. Pode ser lido como um volume único, mas é o segundo da série Hunterson Royals. O primeiro da série é The Imprisoned Princess — a história de Adelaide, Trey e Wade. AVISO LEGAL – Gatilhos. – Descrições de abuso físico e referências a abuso sexual (sem ser gráfico) de uma adolescente ao longo da obra – caso isso possa te perturbar, não leia o "prólogo" em itálico antes de cada capítulo.

Status
Completo
Capítulos
39
Classificação
4.9 157 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

O assobio do chicote a fez estremecer antes mesmo do contato.

Logo ele atingiu, com a prata cortando profundamente sua carne.

Ela mordeu a língua; era apenas pior se ela fizesse qualquer barulho.

A loba husky golpeava o chão com toda a força que podia. Seus membros doíam, mas ela não podia parar, ainda não. Ela arquejava enquanto seu peito ardia com a velocidade; ela estava se forçando ao limite; sabia que seus rastros seriam seguidos. Ela tentara evitar os territórios de outros, mas havia um que seria inevitável, e ela estaria lá em breve. Seria um milagre se ela atravessasse aquilo viva, mas ela precisava tentar.

Ela corria tão rápido que seus olhos mal registraram o brasão real entalhado nas árvores; a fronteira. Ela percebeu tarde demais. Rosnados logo rasgaram o ar por entre as árvores. A loba husky tentou pensar enquanto corria. Ela podia se submeter, o que poderia significar a morte, ou fugir, o que também poderia significar a morte. Mas, antes que pudesse pensar mais, sentiu dentes em seu cangote e tombou no chão. Rosnados e estalos de dentes estavam bem ao lado de sua orelha.

A mente de loba recuou para permitir o retorno de sua forma humana. A humana que implorara a ela por horas. Ela rolou de costas em sinal de submissão, com o pescoço exposto, enquanto quatro homens troncudos saíam das árvores. Havia o lobo marrom que a derrubou, encarando-a, e depois outro lobo cinza mais escuro. — Forma humana! — latiu um homem de cabelos loiros e sujos. A husky olhou para baixo; ela sabia o que homens faziam com fêmeas quando estavam nuas. Ela gemeu baixinho, esperando que ele entendesse. — Eu disse forma humana! — o loiro latiu novamente.

Os olhos de um homem de cabelos pretos ficaram vidrados. — Alertei o Gamma Trey — falou o homem de cabelos pretos. O nariz do loiro se contraiu, parecendo irritado com a informação, mas não disse nada.

Por favor, eu sou uma fêmea. Vou mudar de forma com roupas. — Ela olhou para o lobo marrom, esperando conseguir se comunicar. Todos os lobos que tinham aliança com o rei podiam se comunicar na forma lupina… ela, porém, não tinha essa aliança. Sua alcateia era uma das três classificadas como inimigas da coroa… ela sabia que aquilo era perigoso, mas era sua única esperança. O lobo não demonstrou qualquer reconhecimento, ela jurou para si mesma.

Ela se encolheu o máximo que pôde e voltou à forma humana, escondendo-se o máximo possível, com seu cabelo castanho emaranhado obscurecendo seu rosto. — Merda! — O loiro tirou a camiseta assim que viu a forma feminina. Uma forma marcada por sujeira e sangue, com hematomas evidentes sob a terra. Sua aparência era pequena, parecendo ter uns quinze anos. O loiro entregou a camiseta enquanto todos os outros desviavam o olhar por respeito. Ela pegou a camisa e rapidamente a vestiu, levantando-se com cuidado, mas o loiro precisou estender a mão para segurá-la quando ela tropeçou. Ela se encolheu quando as mãos dele agarraram seus cotovelos. — Desculpe — ela soltou um ruído agudo.

— Você está invadindo — o tom do loiro era menos duro, mas ainda sério.

— Sinto muito, eu sei… eu precisava — sua voz não condizia com sua aparência. Era mais velha, havia uma sabedoria em sua voz.

— Gamma Jesse, precisamos levá-la — falou o homem de cabelos pretos.

— Sim, enfermaria — ordenou Jesse, o loiro.

— Senhor? — Jesse ignorou a pergunta.

— Você consegue andar? São alguns quilômetros — perguntou Jesse à garota de cabelos castanhos, ainda com aquele tom de autoridade. Ela começou a pensar que aquilo era uma péssima ideia. E se ela estivesse pulando da frigideira para o fogo? Seu corpo tremia e ela se afastou do Gamma real, aterrorizada com o que ele faria. Ela balançou a cabeça enquanto recuava lentamente.

O rosto de Jesse tornou-se uma carranca quando ela se afastou dele. Como uma renegada, ela não tinha voz sobre o que aconteceria agora; ela invadira o território da alcateia real. Ela tinha sorte de ele estar sendo misericordioso ao levá-la para a enfermaria; se fosse adulta ou homem, seu destino seria muito diferente. Ele deu um passo à frente e a agarrou bruscamente. — Enfermaria… ou celas — ele rosnou para ela. Ela soltou um ruído, tentando soltar o braço do aperto dele, mas falhando. Ela não era páreo para aqueles machos que provavelmente treinavam horas por dia… enquanto ela ficara trancada em um quarto por mais da metade da vida. O som de galhos quebrando chamou a atenção de todos.

Um homem de cabelos castanhos claros com olhos cor de avelã brilhantes surgiu em sua visão, vestindo um jeans. Ele rapidamente avaliou a cena antes de caminhar em direção a Jesse. — Cara, solta ela — disse ele, quase cansado.

— Trey, ela é uma renegada — desafiou Jesse.

— Ela não tem cheiro de renegada — respondeu Trey simplesmente, enquanto afastava o aperto de Jesse da garota. — Ei, querida, o que você está fazendo aqui? — perguntou ele gentilmente, inclinando-se ligeiramente para ficar na altura dela, para parecer menos intimidador. Seus olhos azuis percorreram todos os machos; aquele parecia diferente, seus olhos avelã pareciam gentis.

— E-eu não aguentava mais. Ele me batia — ela sussurrou para os próprios pés, e os olhos de Trey se suavizaram ainda mais. — Ninguém vai te machucar agora. Você está segura — disse ele gentilmente. Ela olhou para cima e assentiu levemente, o medo ainda evidente em suas orbes azuis. — Vamos, vamos te limpar. Eu vejo os hematomas, querida, você tem outros ferimentos? — A garota balançou a cabeça, esperando que ninguém visse nada de diferente; ela definitivamente tinha mais ferimentos.

Ela sabia que, na forma humana, teria dificuldade para caminhar muito; ela correra a noite toda. Sua loba era muito mais forte que sua forma humana; sua loba aguentaria. Trey a guiava gentilmente, com o braço pairando sobre seu ombro. O homem de cabelos pretos os seguia enquanto os outros continuavam sua patrulha.

Ela tropeçou após cinco minutos de caminhada, fazendo Trey estender a mão para segurá-la. — Você está bem? — perguntou ele enquanto a colocava de volta em pé, com os joelhos tremendo pelo esforço de se manter erguida. Ela assentiu, tentando dar outro passo de forma pouco convincente, mas seus joelhos cederam. Trey a pegou rapidamente, colocando as mãos com cuidado para não tocar em nada inapropriado. Seus olhos azuis, arregalados de medo, olharam para ele; ele sentiu os calafrios percorrendo o corpo dela. — Eu não vou te machucar. — Ele sorriu gentilmente enquanto caminhava em um ritmo muito mais rápido do que antes.

— Todo mundo machuca — ela sussurrou, quase inaudível.

— Não aqui. O Rei protege a todos. — A garota balançou a cabeça. — Ele vai proteger você — Trey a confortou. — Qual é o seu nome?

— Klara — ela sussurrou. Agora que a adrenalina estava deixando seu corpo, a exaustão a dominava. Ela sabia que não podia dormir, porém; precisava ficar alerta.