Capítulo 1 - Silenciando um informante
LIVRO 1 na série 'My Mafia Madness'...
Paulo Ricci era um informante bem conhecido pela cidade e agora ele estava metido em uma merda muito grande; disso ele tinha certeza!
O gerente de construção, careca e de meia-idade, tinha sido pego no meio da noite em seu local de trabalho e trazido para este lugar misterioso por vários homens vestindo ternos pretos impecáveis.
Esses homens trabalhavam para o incrivelmente rico e infame chefe da máfia, Dante Romano.
Os homens fortemente armados queriam informações, e corria o boato de que Paulo possuía essa informação valiosa.
Seu coração batia forte e repetidamente dentro de seu peito peludo enquanto ele se ajoelhava em silêncio no chão de concreto endurecido de uma sala pequena e pouco iluminada.
O ar ao seu redor cheirava a cobre; geralmente um sinal revelador e infeliz de que havia sangue por perto no ramo deles; gestão de resíduos, por assim dizer.
Um saco de seda preta tinha sido colocado sobre sua cabeça assim que ele foi pego, e ainda estava lá, impedindo-o de ver qualquer coisa ao seu redor.
Paulo estava cercado por vários capangas da máfia bem vestidos, cada um armado e totalmente preparado para eliminá-lo caso recebessem o sinal para isso.
Engolindo em seco nervosamente, Paulo escutou o som que se aproximava de sapatos italianos caros batendo no chão de concreto, um passo agonizantemente lento após o outro.
Alguém estava se aproximando.
"Quem está aí?", ele gritou, girando a cabeça de um lado para o outro na tentativa de ver algo, qualquer coisa!
"Alguém me diga por que estou aqui. Por que vocês me trouxeram?"
"Você sabe por que está aqui, Paulo."
A voz de Dante era profunda e suave como seda enquanto ele batia na ponta do cigarro, fazendo com que uma pequena quantidade de cinza prateada caísse em direção ao chão, à frente de seu prisioneiro.
Em seguida, ele levou o cigarro casualmente aos lábios novamente e deu outra longa tragada.
Seus olhos verde-esmeralda brilhavam sob a luz da cinza acesa do cigarro.
Em um instante, o capanga arrancou o saco de seda da cabeça de Paulo.
Isso revelou a sala ao seu prisioneiro, e Paulo apertou os olhos por causa da luz ofuscante repentina.
Levou um momento para seus olhos se ajustarem à pouca luz, mas logo ele pôde ver tudo, inclusive o perigosamente intimidador chefe da máfia, parado a menos de um metro à sua frente, fumando um cigarro casualmente.
Seu coração afundou ao perceber o que aquilo significava.
"Dante...", Paulo sussurrou em descrença, começando a suar frio.
Ele estava em uma merda profunda, com certeza!
"Me diga onde ele está e eu posso decidir ser clemente com você", Dante continuou a pressionar, seu tom de voz incomumente calmo.
"Por favor, eu não sei do que você está falando...", Paulo começou a implorar.
Dante sempre odiou súplicas.
Revirando os olhos brilhantes de frustração, ele se virou e acenou para o capanga que estava ao lado do prisioneiro ajoelhado.
Paulo viu aquilo e entrou em pânico.
"Dante, por favor, eu não sei...", ele continuou a implorar.
Nicola, o homem gigante com a arma que estava ao lado de Paulo, aproximou-se rapidamente do prisioneiro, engatilhou a glock preta que segurava e pressionou o cano da arma firmemente contra a lateral da cabeça careca de Paulo.
Ao que parecia, eles não estavam brincando.
"Puta merda! Por favor... por favor, não!", Paulo implorou.
"Eu geralmente sou um homem paciente, Paulo, mas não vou perguntar de novo", disse Dante com severidade, a fumaça saindo de sua boca aberta enquanto ambas as sobrancelhas se erguiam com o aviso.
"Última chance."
"Ok, ok! Só não atira...", Paulo implorou, olhando de Dante para o homem com a arma ao seu lado.
"Tudo o que eu tenho é um nome. Apenas um nome."
"Apenas um nome?", Dante esclareceu.
"É...", respondeu Paulo.
Soltando um suspiro contido, Dante franziu os lábios antes de falar.
"Desembucha", ele ordenou.
"É... Natalia", Paulo explicou.
Dante estreitou os olhos com suspeita.
"Paulo, não sei se você percebeu, mas Natalia é nome de mulher", Dante lembrou friamente, sorrindo enquanto seus homens riam de suas posições na sala.
"Me disseram que o contato era um homem."
"É, eu também não acreditei no começo. Mas o contato deles é, na verdade, uma mulher. O que você ouviu não passou de boatos inventados por aquele babaca do Rafael e seus homens. Eles estão tentando despistar você e os outros rivais dele... É a pura verdade, eu juro!"
Os olhos de Dante se estreitaram.
"Onde a carga vai atracar? Que horas? Detalhes, Paulo, vamos lá...", ele insistiu.
Dante continuou seu interrogatório, batendo na ponta do cigarro novamente.
"Como eu disse, só sei o nome da vadia", Paulo admitiu, um pouco sem fôlego.
"Nada além disso. Eles nunca me contaram nenhuma outra coisa, eu juro por Deus, cara."
Fechando os olhos, Dante levou um momento para se recompor em silêncio.
Quando falou de novo, sua voz estava severa e autoritária.
"Então você não tem mais utilidade para mim...", ele declarou.
Dante se virou para sair, mas parou assim que ouviu a voz de desespero de seu prisioneiro implorando mais uma vez.
"Não, espera!", Paulo gritou.
Parando, o chefe da máfia virou-se lentamente para ouvir o que seu prisioneiro ajoelhado tinha a dizer.
Paulo ofegava, respirando pesadamente de medo.
"Eu... eu talvez saiba de mais uma coisa...", ele proclamou nervosamente.
Os olhos verde-esmeralda de Dante se estreitaram enquanto ele sorria de forma ameaçadora.
"Pode falar... estou ouvindo", ele incentivou.
Depois que seus homens terminaram de limpar a bagunça deixada para trás após descartarem o falastrão Paulo, Nicola encontrou Dante parado diante do espelho de mão dupla, observando a boate atualmente vazia que o próprio Dante possuía.
'High Stakes', era como se chamava.
Ele e seus contatos vinham procurando ativamente por qualquer detalhe relacionado a um carregamento futuro de armas ilegais e munição que, segundo rumores, chegaria em poucos dias, cortesia de seu rival de longa data, Don Rafael Greco.
Rafael era outro chefe da máfia poderoso e extremamente perigoso na cidade de Nova York e, recentemente, vinha tentando reivindicar o território de Dante e dominar seus negócios.
E, honestamente, aquilo estava começando a irritar Dante para caralho.
"Chefe, a, er... bagunça foi resolvida", Nicola anunciou com seu sotaque italiano.
Ele veio ficar ao lado de seu chefe pensativo.
"Então, qual é o próximo passo?", Nicola perguntou.
"Agora temos um nome, mas não é muita coisa", Dante lembrou, olhando para a escuridão do clube vazio.
"Podem existir centenas de Natalias só nesta cidade. Precisamos descobrir mais sobre o contato do Rafael."
Dante se virou para encarar seu braço direito.
"Faça o que você faz de melhor. Espalhe seus informantes, Nicola. Veja o que consegue descobrir sobre esse tal carregamento. Quero detalhes até amanhã à noite, entendeu?", ele ordenou.
"Si, capo." (Sim, chefe.), Nicola falou em italiano com um aceno.
"Ah, e não se esqueça que você tem aquela reunião de diretoria amanhã de manhã às dez."
Dante franziu o rosto com raiva ao ouvir aquilo.
"Porra, onde é mesmo?", ele questionou.
"Na Sede, chefe", respondeu Nicola.
"Aquele idiota do Harworth esteve no meu pé o dia todo sobre confirmar sua presença. Deve ser algo grande... ele mencionou revelar alguma coisa e precisa que você esteja lá para a apresentação oficial e aprovação."
"Por que o Matteo ou o Roberto não podem representar a empresa para variar?", Dante questionou, parecendo frustrado por ser convocado por alguém tão insignificante quanto Gary Harworth.
Gary era o COO, ou Diretor de Operações, da empresa multibilionária de sua família, a Romano Enterprises.
Nada mais que isso.
"Tenho certeza de que qualquer um dos meus irmãos bastardos não tem nada melhor para fazer em um sábado de manhã", Dante resmungou.
"Desculpe, chefe, já verifiquei", explicou Nicola solenemente.
"O Roberto está fora do país e o Matteo já está ocupado com a busca pelo carregamento perdido."
"Típico", Dante praguejou baixinho.
"Tudo bem, diga ao Harworth que eu darei as caras."
Ele se virou para encarar seu braço direito com uma expressão severa no rosto, apontando com a mão que segurava o cigarro enquanto falava.
"Mas se aquele babaca acha que vou ficar para entrevistas coletivas ou aparições, ele está muito enganado", Dante disparou.
"Uma hora, é só isso que ele terá. Certifique-se de que ele entenda isso."
Com um aceno de cabeça, Nicola sorriu enquanto se virava nos calcanhares e saía da área VIP, deixando Dante sozinho para continuar remoendo seus pensamentos na escuridão profunda que o cercava.
Não demoraria muito até que ele tivesse que vestir sua outra persona e ser simpático pelo bem de sua empresa, a Romano Enterprises, e de seus inúmeros funcionários.
Sempre existiram dois lados diferentes em Dante Romano.
O empresário impecável e bem-apessoado que controlava a Romano Enterprises como CEO, e o chefe da máfia cruel e sombrio, conhecido pela cidade como O Ceifador.
Sempre foi assim com ele.
E as coisas não iriam mudar.
Não por nada.
A triste verdade era que nenhum de seus funcionários o conhecia bem o suficiente para saber quem ele era de verdade, lá no fundo.
Mal sabiam eles que o verdadeiro Dante Romano era muito mais sombrio do que eles jamais poderiam ter imaginado.