Prólogo
Tatiana
Correr. Eu nunca fui fã de correr, mas sempre acabo me metendo em situações como esta. A cada passo que eu dava, ficava mais difícil respirar, e estar com um tiro na perna não ajudava em nada.
Ofegante, agachei-me ao lado de uma parede mofada dentro de um prédio abandonado. Merda. Só me resta uma bala. Ouvi disparos e gritos à distância. Não era assim que eu planejava que este dia terminasse. Mas, parando para pensar, minha rotina diária estava longe de ser normal; quem era eu para reclamar?
Levantando-me com a maior elegância possível, apesar da bala na perna, procurei pelo homem por trás de todo aquele caos. Caminhando em silêncio, segui em frente, atenta a qualquer sinal do diabo.
Antes de dar outro passo, ouvi um ruído de passos atrás de mim. O treinamento que recebi deixa seus reflexos afiados. Virei-me, assumi a posição de combate e apontei minha arma para o rosto do culpado: o próprio diabo, Arturo Mortelli.
Arturo é um dos homens mais perigosos de todo o continente. Um impiedoso chefe da máfia italiana que é a definição de insanidade. Apesar de sua beleza evidente, esse cara era completamente maluco. A gangue dele estava na mira da agência há muito tempo e, por mais que me custe admitir, ele não é alguém que se derrota facilmente.
“Uh, uh, uh, tesoro, se eu fosse você, não apontaria essa arma para mim”, disse Arturo com um sorriso sarcástico.
Sem me deixar abalar pela aparência dele ou pelos apelidos carinhosos obviamente falsos, encarei-o com um olhar duro.
“Ah, a cuciola está tentando parecer corajosa, que fofa. Veja bem, este lugar está cheio de explosivos e um passo em falso... Boom!”, disse ele, gesticulando de forma exagerada.
“Desiste, Arturo. Quem está com a arma na mão sou eu, então sugiro que cale a porra da boca.”
O sorriso dele apenas aumentou, e a arrogância que emanava dele era enfurecedora!
“Sabe, a proposta ainda está de pé, tesoro. Junte-se a mim e eu nunca mais incomodarei a agência.”
Desde que comecei o treinamento, muitos instrutores na agência notaram meu potencial. Eu era ótima com armas e, mais ainda, em combate corpo a corpo. Mas meu verdadeiro amor sempre foram os rifles de precisão. Eu era a melhor atiradora da nossa turma, e todas as missões eram concluídas com rapidez e perfeição. Por esse motivo, muitos tentaram me recrutar para seus planos pessoais, e um deles era o próprio Arturo.
Eu bufei, e algo se contraiu no rosto de Arturo. Desrespeitá-lo era um golpe duro para seu ego gigantesco, e recusar o que ele queria era praticamente pedir para morrer.
“Eu nunca vou trabalhar nem me juntar à sua gangue, Arturo.”
“Hmm, então não tem problema se eu simplesmente explodir este lugar inteiro, certo? Matando todos os membros da sua equipe”, ele sorriu, com um brilho maligno nos olhos.
Como eu disse, completamente louco. Quando ele tirou algo do bolso do casaco, meus olhos se arregalaram: um pequeno dispositivo tubular com um botão vermelho bem óbvio. Ele não estava blefando. Assim que ele apertou o botão, um bipe alto começou a ecoar por toda parte. Não tenho escolha, preciso sair daqui.
“Isso não acabou, Arturo”, eu disse, correndo em direção à localização da minha equipe, ouvindo uma resposta fraca dele.
“Certamente não, tesoro.”
Merda. Merda. Merda. Tenho cerca de 20 segundos antes que tudo vá pelos ares. Correndo escada acima em direção ao telhado do prédio, conto o tempo mentalmente. 10 segundos.
Ao chegar ao terraço, vi o helicóptero da minha equipe no ar, com uma escada de corda balançando. Corri em direção a ela, com o coração batendo forte. Eu preciso conseguir.
5... 4... 3... 2... Quando eu estava prestes a pular, os bipes ficaram mais altos, como se sinalizassem a explosão iminente. 1...