Capítulo 1 - O 'monstro de uma mão só'
HISTÓRIA ANTIGA! NÃO É A MELHOR ESCRITA!
Armin olhou para o prato de comida à sua frente. Dava para ver que sua mãe tinha colocado todo o seu amor e esforço naquela refeição. Eles nunca comiam algo tão extravagante. Ela tinha lhe dado o pedaço de carne mais macio, provavelmente cozinhado para consolá-lo, mas ele não conseguia comer. Nem uma mordida sequer. Seu estômago dava voltas. Ele sentia enjoo.
Seu pai acabara de jogar uma bomba em seu colo. Disseram-lhe que ele deveria se casar com alguém que nunca tinha visto antes. Alguém que ele não amava. Alguém que era um pária da sociedade. O "monstro de uma mão só", era assim que as pessoas da cidade chamavam essa pessoa.
Um homem conhecido como Kristof Sutherfield.
Além de ser famoso por ser um esquisitão, ele também era conhecido por ser o homem mais rico do país.
Kristof não era querido pela nobreza, pois ele não era um nobre como eles. Ele não possuía títulos, como duque ou conde. Ele conquistou sua fortuna trabalhando com suas próprias mãos, ou melhor, com uma mão só.
O homem só tinha uma mão! Sua mão esquerda faltava. Ele também tinha uma grande cicatriz no rosto. Uma falha. Que ia desde a sobrancelha até quase o canto da boca.
O povo da cidade contava todo tipo de história sobre a mão perdida do homem. Diziam que o próprio diabo a comeu. Ou que, quando Kristof era desobediente quando criança, sua própria mãe a cortou com um machado! No entanto, ninguém sabia a verdadeira história...
Embora as pessoas falassem cruelmente da aparência de Kristof pelas costas o tempo todo, ele também era amado por elas até certo ponto. Ele as ajudava financeiramente, mesmo quando o próprio rei não o fazia. Eles o amavam pelo seu dinheiro e o elogiavam por isso. Mas era só isso que queriam dele.
"Eu não vou fazer isso, papai. Não vou me casar com ele", disse Armin suavemente.
Para ele, aquilo era surreal demais.
"Sim, você vai!", respondeu seu pai, não tolerando qualquer rebeldia de seu filho. Seu primogênito.
Theo recebeu uma grande quantia em dinheiro por esse casamento arranjado. É claro que ele não queria que seu filho fosse infeliz, mas a família estava passando por dificuldades financeiras e ele tinha mais filhos para cuidar.
Seu filho sempre fora popular e muitas pessoas queriam casar com ele. A beleza de Armin, agora com vinte e um anos, era conhecida em todo o país.
Theo sempre recusara as propostas, mas desta vez a quantia oferecida era tão grande que ele simplesmente não pôde recusar.
"Kristof é um bom homem. Rico, gentil, generoso e, de alguma forma, disposto a casar com um pirralho desobediente como você."
"Um bom homem? Você sabe o que as pessoas na cidade dizem sobre ele? Como posso me casar com alguém assim? Mamãe, diga a ele! Diga que eu não posso e não vou fazer isso!", gritou Armin para a mãe.
Ele olhou para ela desesperado. Ela estava com lágrimas nos olhos e o lábio inferior tremia, mas não podia retrucar o marido porque também sabia que tinham mais filhos para sustentar. Então, ela não disse nada.
Os irmãos mais novos de Armin também estavam na cozinha, onde o clima estava pesado. Seus rostos estavam abatidos, tudo o que podiam fazer era olhar para baixo. O jovem sentiu-se traído pela própria família.
"Vou para Roan", anunciou ele, incapaz de continuar sentado com aquelas pessoas.
Ele precisava de ar.
"Volte hoje à noite ou eu vou caçar você, Armin. O casamento será em dois dias. O próprio Kristof virá nos buscar amanhã à noite."
"O quê?!"
"Você me ouviu."
Dois dias, seu pai tinha dito? Armin não conseguia acreditar. Ao se levantar da mesa com passos pesados, sua respiração estava difícil. Abrindo a porta de um solavanco, ele saiu da casa sombria sem fechá-la. Ele começou a correr pela floresta.
Ele queria Roan. Era esse o homem que ele amava. Ele amaldiçoou aquele tal de Kristof. Não apenas em sua mente, mas gritou pelo nome dele enquanto corria pela floresta. Ele odiava o homem antes mesmo de conhecê-lo.
A pequena cabana à frente era de Roan.
Espiando pela janela, Armin viu Roan comendo com sua família. Ele sabia que era indelicado interromper o jantar deles, mas acenou através do vidro na esperança de que Roan o visse. Seu amante viu. Roan fez um sinal para ele, e Armin entendeu imediatamente o que significava.
O lugar secreto deles... Era uma casa antiga abandonada. Quase uma ruína.
Armin esperou lá e, quando viu Roan indo em direção ao esconderijo, correu para os braços dele.
Roan pareceu triste quando Armin contou tudo.
"Vamos fugir juntos, por favor, vá embora comigo. Podemos ser felizes, Roan!", disse Armin, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Sinto muito, Armin, mas não posso simplesmente abandonar minha família."
Roan parecia apenas um pouco triste. Armin esperava que ele estivesse de coração partido, em luto, amargo, furioso. Não aquilo. Se fosse Roan naquela situação, Armin certamente fugiria com ele! Será que Roan não o amava?
Ele agora sabia que seu amor por Roan era maior do que o amor de Roan por ele. Ainda assim, ele sussurrou: "Eu quero dormir com você".
"O quê?", perguntou Roan.
"Eu quero dormir com você... hoje à noite, antes de eu ir embora com Kristof amanhã. Não quero que minha primeira vez seja com aquele homem. Quero que seja com você, aquele por quem estou apaixonado."
Embora ele amasse Roan mais do que Roan o amava, ele queria aquilo.
Armin olhou para seu amante. Em seus olhos, havia uma mistura de amor, desespero, tristeza e desejo, e Roan não precisou pensar duas vezes sobre o convite de Armin...
~~~
Armin deitou-se em sua cama, em seu quarto. Ele não conseguia se sentar porque doía demais.
Sua primeira vez foi diferente do que ele havia imaginado. Não foi satisfatório e não foi nada bom, apenas doeu.
Roan guiou Armin para deitar na grama macia e tirou suas calças. Depois de abrir as pernas de Armin e se posicionar entre elas, ele o tomou! Ele nem sequer tirou o resto de suas roupas!
Ele o tomou, ali mesmo na grama, sem nenhum beijo, abraço ou carinho. Durou talvez um minuto... Armin nem sequer gozou.
Ele não conseguia entender por que seus amigos sempre falavam sobre sexo como se fosse uma experiência que mudava a vida. Na verdade, não foi nada bom. Nem mesmo com alguém que você ama profundamente. Não passou de um minuto de dor ingrata. Apenas um momento infeliz para celebrar a véspera do dia de seu casamento...
'Talvez fosse apropriado', pensou Armin miseravelmente, 'um encontro desgraçado para combinar com seu destino funesto.'
Roan agradeceu a Armin e disse que se sentiu no paraíso. Pelo menos Roan gostou.
Apesar de aceitar que amava Roan mais do que ele o amava, ele não podia deixar de se sentir desapontado com seu amante. Tudo o que queria era uma noite de paixão para se despedir de seu amado e de sua vida de solteiro. Mas nem isso ele conseguiu. Para piorar, foi nas mãos do homem que ele amava com tudo o que tinha. Ele sentiu lágrimas escorrendo por suas têmporas e, naquele momento, só queria dormir e nunca mais acordar.
Ele não queria que o amanhã chegasse.
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Kristof estava em frente ao espelho. Ele acabara de parafusar sua mão de madeira coberta de couro na braçadeira. Ele sempre usava luvas de couro pretas quando estava perto de outras pessoas, para esconder a prótese de madeira.
A grande cicatriz em seu rosto, no entanto, estava sempre presente. Ele não conseguia escondê-la. E, por isso, todos os dias, ao olhar no espelho, era lembrado daquele dia fatídico.
Ele conseguia se lembrar como se fosse ontem, e não vinte e cinco anos atrás.
"Mamãe, papai, o que vamos fazer? Para onde estamos indo?", perguntou o pequeno Kristof enquanto olhava pela janela da carruagem.
Seus pais tinham uma surpresa para ele. Disseram que iriam a um lugar legal para aquele dia especial.
"Bem, meu doce Kris, hoje é seu aniversário! Então vamos a um lugar especial. Oh, não acredito que meu garotinho já tem sete anos!", sua mãe dizia, apertando suas bochechas.
"Ele está grande agora, não está, Kris? Você não é mais um bebezinho." O pai de Kristof riu do comportamento bobo da esposa.
"Eu sou, mamãe. Já estou quase do tamanho do papai", falou Kristof orgulhoso.
"Haha. Oh, sim, você é, meu amor."
De repente, a carruagem parou bruscamente e o pequeno Kristof caiu do assento. Um barulho alto invadiu a carruagem e encheu seus ouvidos. Pessoas falavam alto e gritos podiam ser ouvidos.
Kristof viu seus pais se olhando com olhos arregalados e assustados.
"Kristof, você precisa sair. Você precisa ficar seguro", sussurrou sua mãe enquanto abria a porta lentamente e empurrava o filho para fora.
Sentados nos cavalos estavam homens com aparências ameaçadoras. Os cavalos pisavam no chão, que estava salpicado de sangue. Tudo o que o pequeno Kristof conseguia ver era sangue por toda parte. Ele inundava seu olhar e suas narinas. Os gritos dos cocheiros desviaram seus olhos da cena horrível no chão. Os gritos foram seguidos por uma risada rancorosa vinda dos lábios de um dos homens depravados.
"Corra, Kristof, agora, corra", sussurraram sua mãe e seu pai.
Mas os homens maus os viram.
"Corra agora! Por favor, Kristof, faça isso. Nós amamos você!", gritaram seus pais. Eles não se deram ao trabalho de baixar o tom, sabendo que os homens já os tinham visto mesmo.
Tudo pareceu acontecer tão rápido. Incentivado pelos gritos desesperados de seus pais para que fugisse, suas pernas finalmente obedeceram e ele correu da cena. Enquanto corria, não conseguiu evitar olhar para trás. Ele viu um dos homens maus agarrar sua mãe pelos cabelos e esfaqueá-la.
Ela gritou, seu pai uivou de horror e o coração do pequeno Kristof martelava dentro de seu peito.
Ele correu pela floresta o mais rápido que pôde, mas escorregou e caiu em uma vala profunda, rolando sobre pedras afiadas e galhos. Ele não tinha certeza de qual daquelas coisas causou, só sabia que algo cortou seu rosto, deixando uma cicatriz para o resto da vida.
Tudo ficou escuro depois da queda.
Quando acordou, soube que uma senhora o encontrara no fundo da vala. Pedras que tinham caído o atingiram na mão. Ela estava esmagada e a senhora não pôde salvá-la.
Mas ela salvou o pequeno Kristof.
Kristof despertou de sua lembrança quando ouviu uma batida na porta.
"Entre."
"Você queria me ver?", perguntou Adam, entrando no quarto.
Adam era um dos poucos amigos que Kristof tinha. Eles se conheciam há muito tempo e Adam trabalhava para ele agora.
"Sim, por favor, preciso da sua ajuda. Recebi uma carta do Rei. Um convite para o palácio. Não posso recusar o Rei, mesmo que quisesse. Está marcado para amanhã, o dia em que eu conheceria Armin e o traria para cá."
"Eu entendo. Eu irei, não se preocupe. Vou explicar para ele. Tenho certeza de que Armin entenderá."
"Obrigado, Adam."
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