Prólogo
Sempre vou me lembrar da primeira vez que conheci Noah Taylor. Ele estava parado ali, vestindo uma calça jeans preta rasgada, com uma camiseta preta marcando bem seus músculos e seus olhos verdes tempestuosos me encarando — atravessando a minha alma.
“E você é?”, ele perguntou, com uma sobrancelha erguida e o tom de voz entediado.
Eu não soube o que dizer. Apenas olhei para cima, com meu pijama de unicórnio rosa e meu cabelo loiro-mel todo bagunçado.
“Eu...”, comecei, um pouco desconcertada com aquele homem à minha frente. O rosto dele parecia o de alguém que estava sempre tramando algo — pensando em uma resposta rápida —, mas a cicatriz acima do olho direito e o olhar vazio contavam uma história diferente.
É claro que, naquela época, eu não sabia o que sei hoje.
A minha versão de dezoito anos não sabia o que fazer de si mesma — os únicos garotos que eu conhecia tinham a minha idade. Mas aquele não era um garoto, ah, não. Sendo seis anos mais velho que eu, ele era um homem. Um homem no início da vida, com certeza. Mas um homem, acima de tudo.
Ele revirou os olhos e passou por mim para entrar na casa. Eu franzi a testa, sentindo meu fascínio se transformar em irritação. Afinal, quem ele pensava que era? Será que eu tinha acabado de deixar um estranho entrar em casa? Deus, eu precisava mesmo criar coragem.
“Uhm...”, comecei, com o coração batendo disparado no peito, mas o cara me ignorou.
“Isaac, nós não temos a noite toda”, ele gritou para o topo da escada. Mantive a cabeça baixa enquanto voltava para a mesa de jantar, onde eu fazia meu dever de casa antes de meu irmão me pedir para atender a porta.
“Já vai, já vai”, meu irmão resmungou enquanto descia as escadas aos pulos, pegando suas chaves e fazendo um sinal para o amigo segui-lo para fora de casa.
“Bella?”, eu me peguei encarando-o, mas a voz dele me trouxe de volta à realidade.
“Sim?”
“A mamãe e o papai chegam em uma hora. Não abra a porta para ninguém”, ele avisou. Mordi meu lábio inferior — algo que eu sempre fazia quando estava ansiosa ou com medo.
Assenti, cruzei as pernas debaixo da mesa e voltei rapidamente os olhos para o dever de casa. Senti o olhar do estranho sobre mim, mas não tive coragem de olhar para cima.
“Aliás”, disse Isaac ao se virar para sair. “Noah, esta é minha irmã, Bellamy.”
Eu ainda não olhei para cima; minhas bochechas certamente estavam ficando vermelhas enquanto eu esperava que eles fossem embora logo.
“Qual é o problema dela?”, perguntou Noah, provavelmente com a testa profundamente franzida.
“Foda-se, cara.” Isaac deu um tapa no ombro dele, e eu lancei um sorriso rápido para meu irmão, antes de eles felizmente desaparecerem pelo corredor.
Soltei um longo suspiro ao ouvir a porta bater atrás deles e me larguei na cadeira.
A tensão que senti com aquele Noah na casa não podia ser boa para ninguém. Ele parecia perigoso, maldoso e exatamente o tipo de pessoa que ferra os outros.
O melhor seria ficar o mais longe possível dele.