Sob o Luar

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Resumo

Na noite do seu vigésimo oitavo aniversário, Charlie é sequestrada e convidada a se juntar a uma aliança. Sua alcateia de lobisomens formou uma aliança com o Coven Real dos Vampiros. Mas tudo muda quando ela fica cara a cara com o Rei do Coven Real — seu fated mate. Atraída por ele com um magnetismo que não consegue negar, Charlie se vê envolvida por desejo e perigo. Contudo, entregar seu coração pode lhe custar tudo. E, sendo seu mate ou não, ela lutará por sua alcateia — mesmo que isso signifique arrancar o rei vampiro de sua alma. Mas, justamente quando ela começava a achar que a vida não poderia ficar mais fucked up... ela descobre que o destino reserva ainda mais surpresas. Porque o rei vampiro não é seu único mate.

Status
Completo
Capítulos
27
Classificação
5.0 6 avaliações
Classificação Etária
18+

Wolf Enterprises

Episódio: 1: Wolf Enterprises

POV: Charlie

Charlie Hernandez.

CEO da Wolf Enterprises e Luna da alcateia Moonwaters. E não era uma alcateia qualquer. Ela tinha abandonado as tradições há muito tempo.

Das sombras de metrôs mal iluminados e arranha-céus, Charlie levou a alcateia para uma nova era. Ela se recusava a deixá-los viver em alguma casa de alcateia velha e empoeirada, amontoados como cachorros vadios em um canil.

Com dinheiro suficiente, lábia e um pouco de... ah... força, eles conseguiram comprar um quarteirão inteiro de sobrados em Nova York. Tudo alinhado e movimentado com jovens lobisomens. A casa da alcateia ainda existia fora da cidade, em uma área rural de Massachusetts, a apenas uma hora de trem. Seus atuais moradores eram, em sua maioria, lobisomens mais velhos, aposentados ou famílias com filhotes pequenos.

Mas a maioria dos jovens lobisomens preferia a cidade grande e um cargo na Wolf Enterprises, deixando os velhos hábitos para trás como pelo depois de uma transformação. Isso não agradou a comunidade mais velha, mas você precisa derrubar muros antigos antes de construir novos.

O alvorecer de um novo tipo de alcateia de lobisomens tinha começado, e Charlie se enchia de orgulho por saber que estava por trás de tudo isso.

A cidade não era mais reservada apenas aos vampiros e, em breve, tudo seria dela. Na verdade, lidar com os vampiros nesta cidade era a prioridade no seu cronograma.

O elevador apitou e Charlie entrou na Wolf Enterprises, seus Louis Vuittons vermelhos estalando contra o piso enquanto ela seguia para sua sala.

A empresa tinha acabado de passar por um relançamento. Antes, eles possuíam centenas de oficinas mecânicas, empregando operários para fazer roscas em tubulações. Esses tubos eram usados em campos de petróleo para extração, mas Charlie tinha eliminado essa parte completamente.

Agora, a empresa fabricava painéis solares para casas e edifícios comerciais no mundo todo. E a melhor parte? Eles estavam indo muito bem. Inclusive, ontem mesmo ela tinha feito um ensaio fotográfico para a Forbes e a empresa foi classificada como uma das empresas modernas que mais crescem em Nova York.

Ela entrou em sua sala e se jogou no sofá de couro.

“Bom dia.” Tori Winters, chefe de marketing, colocou a cabeça para dentro da sala. “Você parece ter se vestido para a Vogue. Linda.”

Charlie riu. Ela tinha escolhido um vestido preto justo na altura do joelho hoje, com uma manga pontuda exagerada. Ela optou por um batom vermelho, coque alto e brincos longos.

Vista-se como uma chefe, lidere como um legado.

“Bom.” Tori caminhou até lá e sentou-se ao lado dela. “Fechamos o negócio Harrington.”

“Eu sabia que conseguiríamos.” Charlie deu um sorriso de lado.

“Não estamos nos achando um pouco convencidas hoje?” Tori riu, seus olhos castanhos escuros se enrugando enquanto ela gargalhava.

Charlie conhecia Tori desde que se entendia por gente. O pai dela tinha sido o Beta do pai de Charlie e agora Tori servia como seu Beta. Ela era uma mulher linda, com uma pele cor de mel macia, um conjunto perfeito de cachos pretos e um sorriso que iluminava o ambiente. Charlie só confiava em três pessoas na sua vida: seu pai, Tori e seu cachorro Snickerdoodle.

“Com razão.” Charlie sorriu. “Estamos arrebentando ultimamente.”

“Isso me lembra.” disse Tori. “Podemos adiar a reunião da alcateia para as seis? Alguns dos membros mais velhos ainda estão discutindo sobre como vão conseguir chegar até a cidade.”

Charlie suspirou. “Eu disse a todos que ia mandar um ônibus!”

Tori deu de ombros. “Você sabe como eles são.”

Charlie só conseguiu rir e balançar a cabeça.

“Agora, as perguntas mais importantes.” Tori sorriu lentamente.

“Eu disse que não.” Charlie resmungou.

“É seu aniversário de vinte e oito anos na sexta-feira.” Ela piscou. “Então eu fiz os preparativos.”

“Eu preferiria não comemorar o fato de estar ficando mais velha.” Charlie suspirou.

“Você está incrível.” Tori riu, levantando-se e ajeitando seu vestido longo e esvoaçante. “Vejo você no Soho City às oito em ponto na sexta. Reservamos uma área VIP.”

“Está bem.” Charlie murmurou, abrindo seu notebook e fazendo login.

Tori saiu da sala com um sorriso de vitória no rosto.

Charlie abriu sua agenda da semana e passou o dedo pela tela, lendo cada horário e os nomes correspondentes. Seu dedo travou em um nome específico: Connor O’Neil. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

Ela era apaixonada por Connor desde que se lembrava. Ele ainda não tinha encontrado sua parceira, e ela esperava que, quando fizessem dezoito anos, eles se tornassem parceiros um do outro. Mas ali estavam eles, dez anos depois, sem parceiros.

Diferente de muitos lobisomens, Charlie não sentia um desejo desesperado de encontrar seu parceiro, nem tinha medo de ser acometida pela loucura da lua. Essa loucura só acontecia quando você passava muito da idade limite sem passar pelo processo de acasalamento. Se chegasse ao pior cenário, ela sempre poderia encontrar um lobisomem solteiro com o mesmo problema e apenas seguir o ritual. Ela odiava a tradição dos parceiros e todo o idealismo misógino por trás disso. Ser propriedade, ser possuída...

Ninguém era dono de Charlie Hernandez.

Algumas horas se passaram enquanto os dedos de Charlie voavam pelo teclado, e sua caixa de entrada esvaziava tão rápido quanto enchia. Ela soltou um suspiro de satisfação ao clicar em ‘enviar’ em um último e-mail. Não havia sensação melhor do que mandar um “foda-se” profissional para empresários velhos que achavam que ter um pênis lhes dava algum tipo de autoridade sobre você.

Sua vitória durou pouco quando ela lembrou que precisava ir para a reunião da alcateia. Ela encarou seu reflexo na janela escura no canto de sua sala, seu estômago dando nós.

*

Charlie tinha conseguido alugar uma sala de eventos para a reunião da alcateia no mesmo prédio da Wolf Enterprises. Ela foi até lá, entrando por uma porta dos fundos para que pudesse subir diretamente ao palco e evitar que qualquer pessoa a visse.

Ela não tinha forças para ser bombardeada com perguntas antes mesmo de começar. As cortinas ainda estavam fechadas e ela podia ouvir o zumbido alto da alcateia reunida, seu cheiro atingindo-a como um abraço quente e familiar. Ela respirou fundo e passou pela pequena abertura nas cortinas.

Assim que o primeiro clique de seu salto pôde ser ouvido, ela foi recebida com silêncio e um mar de rostos; os olhos de sua alcateia estavam expectantes e incertos.

Ela examinou a multidão até encontrar seu pai, Isandro Hernandez. Um legado entre todos os lobisomens.

Os olhos ferozes dele se fixaram nela, e seu maxilar estava firme. Apesar das rugas que agora emolduravam suas cicatrizes de batalha, ele emanava uma aura de poder. Seu cabelo, antes preto, estava grisalho, mas Isandro ainda conseguia derrotar três jovens lobisomens em uma batalha — num dia ruim.

Seu pai não se importava com os métodos de liderança de Charlie e torcia o nariz para suas decisões. Se alguém fosse reagir mal às suas decisões hoje, seria ele.

“Olá a todos.” Charlie sorriu calorosamente para a plateia à sua frente. “Estou muito feliz em ver todos vocês aqui hoje. Por favor, tirem um tempo para subir de elevador durante o jantar e deem uma olhada em nossa sede.”

Alguns membros da plateia retribuíram o sorriso, enquanto outros torceram o nariz para ela. Eles acabariam se acostumando, e se não o fizessem, seus filhos o fariam. Charlie começou sua reunião normalmente, dando atualizações sobre lucros, segurança e parabenizando o mais novo membro que tinha encontrado seu parceiro.

“Há algo de extrema importância hoje.” Charlie começou, seu coração acelerando enquanto todos se viravam para olhá-la em uníssono.

“São...” Ela suspirou. “Os vampiros.”

Sussurros puderam ser ouvidos pela multidão.

“Como todos sabemos, aqui em Nova York, existem alguns clãs clandestinos.” Ela começou. “Eles não viram com bons olhos a mudança dos lobisomens para cá.”

Ela viu alguns revirarem os olhos e ouviu algumas risadas sarcásticas. Ela sabia o que eles estavam pensando...

Você nos trouxe para o território deles. Sua vadia faminta por poder.

“Precisamos estar bem cientes dessa situação.” ela disse. “Já coloquei alguns planos em prática. Nossos membros aqui na cidade estão treinados adequadamente; como todos sabem, treinamos quase diariamente. Isso não é negociável.”

“No entanto,” ela continuou. “Não podemos simplesmente ficar sentados esperando sermos atacados.”

Mais alguns murmúrios percorreram a multidão e uma mão se levantou. Era seu pai.

“Pai?” ela perguntou.

“Por que você não pode simplesmente mudar todo mundo?” ele perguntou, estendendo as mãos à sua frente. “Essa parece ser a solução mais fácil. Vampiros geralmente não se importam, contanto que você os deixe em paz e não os impeça de se alimentar de humanos.”

“Você realmente pode dizer que eles não teriam ido para Massachusetts?” ela respondeu, com a mão firmemente na cintura.

“Sim.” disse seu pai. “Por que eles se preocupariam conosco?”

“Eles são vampiros, pai.” ela cuspiu. “Eles usam nosso sangue como arma em suas guerras de clãs. Somos presas fáceis, esperando para serem capturados para que nosso sangue seja drenado de nossos corpos. Somos ovelhas indo para o matadouro.”

“Como você sabe que as guerras dos clãs deles ainda estão acontecendo?” ele disse rapidamente.

Charlie acenou para Tori, que estava por perto. Tori pegou seu iPad e projetou a tela no projetor atrás de Charlie. Uma imagem de um homem caído em um beco apareceu. Ele era um homem grande e alto, de pele pálida, vestindo um terno preto. Saindo de seu coração havia uma longa estaca de madeira, coberta com o que parecia ser uma substância roxa.

Sangue de lobisomem. O sangue de lobisomem era roxo.

“Os clãs de Nova York são alguns dos mais antigos que já existiram.” Charlie continuou. “Existem clãs reais aqui.”

Tori se aproximou de Charlie e olhou para a multidão. “Como todos sabemos, vampiros reais não podem ser mortos por uma simples estaca no coração e nem sequer são afetados por prata ou luz solar. A única maneira de matar um Real é com sangue de lobisomem. É a única fraqueza contra a qual seus corpos não evoluíram.”

“O que significa.” Charlie engoliu em seco, tentando não deixar sua voz falhar. “Que somos a alcateia de lobisomens mais próxima deles. Estejamos em Massachusetts ou aqui, somos os mais próximos. Alguém sabe de onde eles tiraram aquele sangue de lobisomem?”

A multidão permaneceu em silêncio.

“Nós também não sabemos.” ela sussurrou, sabendo que seus ouvidos de lobisomem ainda podiam ouvi-la. “Mas Scott Johnson está desaparecido desde a semana passada.”

A multidão explodiu em uma série de gritos, suspiros, e alguns lobisomens se levantaram.

A reunião de Charlie tinha sido um sucesso. Não há nada mais perigoso do que uma alcateia de lobisomens furiosos.