Capítulo 1
Ele a segurou pela cintura, com um aperto firme, porém inebriante. O calor do seu corpo pressionava contra o dela enquanto ele se aproximava, sua voz era um sussurro aveludado que roçava a orelha dela.
“Você é minha.”
A respiração de Sophia acelerou, curta e irregular, como se o ar entre eles pertencesse a ele. A mão dele deslizou para cima, acariciando os lábios dela com um polegar provocante. Os olhos dele, escuros, consumistas e impiedosos, a puxavam para um lugar de onde ela não queria escapar.
“Você precisa acordar”, ele murmurou.
Seus cílios tremeram ao abrir, e a luz invadiu sua visão.
“O mesmo sonho de novo”, ela gemeu, com a voz rouca por uma mistura de vergonha e frustração. Ela pressionou a palma da mão sobre os olhos, tentando bloquear o calor fantasma do toque dele.
“Ele é tão… canalha”, ela murmurou em voz alta, forçando-se a sentar.
Arrastando-se até o armário, Sophia puxou a gaveta e tirou uma fotografia desbotada. A foto estava gasta, com as bordas enroladas, como se seus incontáveis suspiros a tivessem desgastado. Ela encarou o menino na foto, seu noivo. O sorrisinho dele, capturado aos oito anos, parecia inocente e estranho agora, como alguém que ela já não conhecia.
“Ele provavelmente está mais bonito que isso agora, né?”, ela sussurrou com um sorriso sarcástico.
Seus lábios se apertaram em um sorriso relutante, embora seu peito apertasse com a incerteza.
De repente, a porta se abriu de um solavanco.
“Ei! Ei!”, Sophia se assustou. “Ava! Eu tenho uma porta que você poderia bater antes de entrar, sabia?”
“Por que eu bateria?”, Ava entrou sem nenhum pingo de culpa. Seus cachos selvagens balançavam enquanto ela cruzava o quarto, sua energia sempre imprudente e viva. “Eu só bato quando você tem companhia. Até lá, considero seu quarto propriedade pública.”
Sophia estreitou os olhos. “Eu juro, um dia…”
“Ah, por favor.” Ava sorriu e se inclinou sobre o ombro de Sophia, vendo a foto em sua mão. Ela cutucou a imagem com o dedo. “Não me diga que você ainda está obcecada por esse cara. Seu misterioso futuro marido que, pelo que você sabe, pode estar careca agora?”
“Não seja ridícula…”
“Ridícula?”, Ava a interrompeu. “O que é ridículo é ter vinte e seis anos, ser linda, rica e ficar apegada a uma foto de oito anos de idade como se fosse o Santo Graal. E, em algum lugar por aí, ele provavelmente está olhando para a mesma foto antiga sua. Vocês, ricos, e suas tradições estranhas.”
Sophia suspirou profundamente e deslizou a foto de volta para o armário. “Isso está me deixando louca. Eu nem sei como ele é agora.”
“Você está perdendo a noção, Soph.” Ava se jogou na cama sem cerimônia. “Enfim, o Cara dos Sonhos apareceu de novo ontem à noite? Vocês fizeram mais… coisas apimentadas?”
Sophia revirou os olhos. “Por que eu ainda conto essas coisas para você?”
“Porque você me ama.” Ava pulou e arrancou um recipiente de leite do congelador. Ela desenroscou a tampa e deu um longo gole, derramando um pouco na camisa.
Sophia apertou a ponte do nariz. “Você é uma mulher adulta, Ava. Uma mulher adulta babando leite na blusa.”
“Não se atreva a zombar de mim.” Ava limpou o queixo, sem se incomodar. “Sabe, às vezes eu queria ter um homem prometido para mim. A vida seria tão mais fácil. Sem corações partidos. Sem joguinhos. Sem vácuos. Só bum, marido destinado.”
“Você acha que isso é fácil?”, Sophia disparou, caindo de costas na cama. Sua voz falhou ao falar. “Você sabe como isso é sufocante? Nova York está cheia de homens, mas eu não posso nem sair com ninguém porque, para quê? Por que perder meu tempo quando existe um homem com quem eu deveria casar? Um homem que eu nunca nem conheci.”
Ela se espalhou pelo colchão, olhando para o teto como se ele pudesse oferecer respostas. “Agora que me formei, é só uma questão de tempo. As paredes estão se fechando.”
Ava pousou o leite e atravessou o quarto, seu sorriso brincalhão suavizando. “Soph… você precisa relaxar. Sério, quem acreditaria que uma princesa de vinte e seis anos…”
“Pare de me chamar assim”, Sophia avisou.
“Tudo bem, tudo bem.” Ava levantou as mãos. “Mas falando sério, você ainda é virgem. Você nunca nem festejou. Você nunca viveu. Assim que casar, pronto. Game over. Sem liberdade. Então por que não se divertir agora?”
Sophia arqueou uma sobrancelha. “Diversão?”
“Tem essa boate aqui perto”, Ava disse, com os olhos brilhando de travessura. “Vamos hoje.”
Sophia bufou. “Ava, são 21:08. Eu não vou sair.”
“Ah, você vai sair sim.” Ava pegou um travesseiro e o balançou ameaçadoramente.
“Eu duvido.”
Ava o balançou levemente contra ela, fazendo Sophia cair da cama com um gemido.
“Vamos lá”, Ava implorou, puxando seu braço. “Por favor! Só uma noite. Qual é a pior coisa que pode acontecer?”
Sophia a estudou por um longo momento, então suspirou. “Só com uma condição. Você dirige. E se bater, que seja. Estou preguiçosa demais para me importar.”
Ava riu, vitoriosa. “Você é louca. Mas combinado.”
Depois do que pareceu uma hora de insistência, trocas de roupa e maquiagem, as duas finalmente saíram do apartamento.
Sophia saiu com um vestido preto curto que destacava suas curvas, combinado com saltos elegantes que ela tinha comprado no fim de semana anterior. Ava acompanhou o estilo dela com uma versão sua de um vestido preto com um corte diferente, igualmente deslumbrante.
“Pronta?”, perguntou Ava, com os olhos brilhando.
Sophia olhou para sua Maserati Gran Turismo estacionada na frente delas e jogou as chaves para Ava. “Tente não nos matar.”
Ava sorriu enquanto o motor rugia. “Não prometo nada.”
Sophia olhou pela janela durante os dez minutos de viagem, com os pensamentos rodopiando. Talvez Ava esteja certa. Talvez uma noite de diversão pudesse me ajudar a esquecê-lo… o homem dos sonhos e meu noivo. Talvez eu precise flertar, provar a liberdade que me foi negada. Antes que minha vida pertença a um estranho.
A boate pulsava com energia. A música batia forte no chão, luzes neon cintilavam pela pista de dança lotada, e o ar cheirava a perfume, suor e possibilidades elétricas.
Assim que Sophia e Ava entraram, as cabeças se viraram. Era como se o lugar tivesse parado por uma fração de segundo, cativado pela chegada delas.
Elas caminharam com passos lentos, com “Girls” da Beyoncé tocando ao fundo, comandando a atenção sem esforço. Ava absorveu os olhares como uma rainha em seu trono, enquanto Sophia oferecia apenas um sorriso nervoso.
No bar, Ava pediu um coquetel com tequila, Sophia, um martini.
“Vejo que alguém está se soltando”, Ava provocou.
“Você me disse para me divertir”, respondeu Sophia, levantando o queixo.
Por um tempo, elas beberam, riram e ficaram encostadas no balcão. Mas Ava logo se desculpou para cumprimentar uma amiga, deixando Sophia sozinha.
Sophia batucava no copo nervosamente. “E… ela se foi.”
O barman lhe deu um sorriso discreto, que ela retribuiu de forma estranha antes de virar o martini de um gole só.
“Uh… não deveria ter feito isso?”, ela perguntou timidamente.
“A menos que você seja boa em beber”, ele disse, divertido. “E você não me parece o tipo.”
Sophia riu nervosamente. “Bem, você está errado. Eu sou… experiente. Totalmente.”
Uma voz ao lado dela interrompeu. Profunda, suave e cheia de diversão. “Eu vejo isso.”
Ela se virou. Um homem estava ali, alto, quase trinta anos, seu sorriso era cortante, mas não maldoso. Sua presença preenchia o espaço ao lado dela como se ele pertencesse ali.
E, por um breve momento, ele pareceu familiar demais.
Eles conversaram. Ele a incentivou a pedir outra bebida. E outra. Logo, suas palavras começaram a enrolar e suas bochechas ficaram coradas.
“Eu amoooo isso”, Sophia riu, com a taça de martini balançando na mão.
O homem pegou gentilmente o copo dela. “Calma, mocinha. Você está bêbada.”
“Não estou”, ela argumentou, cambaleando ao tentar ficar de pé.
Ele a segurou pela cintura, puxando-a para perto.
A voz dela tremeu. “Você é… meu noivo?”
Ele sorriu de lado. “Não. Mas eu poderia ser.”
E, antes que ela pudesse pensar, os lábios dele se esmagaram contra os dela. Frios, inebriantes, com gosto de vodka e perigo. Ela derreteu, envolvendo o pescoço dele com os braços, seu corpo traindo sua mente.
Até que…
“Sophia???”
Seus olhos se arregalaram. Ava estava lá, de queixo caído.
“O quê? Você me disse para me divertir!”, Sophia protestou, com a voz pequena e desesperada.
“Você está chapada! Dez minutos, Soph. Dez minutos e você já está se pegando com um estranho?”
“Eu não estou bêbada!”, Sophia fez biquinho.
Ava virou-se para o homem, com fúria brilhando nos olhos. “Você se aproveitou dela?”
Ele levantou uma sobrancelha, sem se incomodar. “Ela se jogou para cima de mim. O que eu deveria fazer? Recusar uma oportunidade grátis e sexy?”
Sem hesitar, o punho de Ava colidiu contra a boca dele. Ele cambaleou para trás, xingando, mas não revidou.
“Você tem sorte de eu não bater em mulher”, ele cuspiu antes de sair furioso.
Sophia choramingou, caindo no chão. “Por que você espantou ele? Ele era tão gato!”
“Levanta. Nós vamos para casa.” Ava a puxou, mas Sophia resistiu, engatinhando.
“Eu deixei cair a foto do meu marido em algum lugar!”
“Você nem trouxe! Está em casa, no seu armário!”
Antes que Ava pudesse arrastá-la para fora, o telefone de Sophia tocou. Ela o levou ao ouvido, atrapalhada. “Mãe!!! Oi, mãe!!!”, ela gritou.
Ava entrou em pânico. “Desliga a chamada, Soph. Me dá o telefone.”
“Não! Eu estou em uma boate, mãe! Estou procurando meu… alô? O quê? MÃE!”
Ava bateu na própria testa. “Já era. Estamos mortas.”