Nas Mãos do Motociclista

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Resumo

Destiny Knight, uma garçonete de vinte e um anos de uma cidade pequena no Texas, viu-se envolvida em um relacionamento com Ed Cilpin, o valentão local. Seus pais morreram quando ela era criança, deixando-a com uma avó idosa que faleceu recentemente. A princípio, ele a tratava como uma princesa, fazia com que ela se sentisse amada e, logo, ela foi morar com ele. Ela não fazia ideia dos horrores que suportaria ao lado de Ed. A mudança nele surgiu de forma insidiosa. Antes que ela percebesse o que estava acontecendo, foi isolada de seus amigos e só tinha permissão para ir trabalhar na lanchonete. Ela se tornou sua prisioneira, sendo abusada, espancada e torturada. Sempre que tentava partir, ele a trazia de volta e a espancava, dizendo que, se ela tentasse deixá-lo, ele a mataria. Ela sentia que não tinha escolha a não ser ficar, até que um dia uma gangue de motociclistas chegou à cidade. O líder do grupo logo se tornaria seu salvador: Diego Sanchez. O motociclista de vinte e oito anos sentiu algo pela adorável garçonete no momento em que a viu. Sentindo que ela precisava ser salva, ele assume a responsabilidade de fazer exatamente isso.

Status
Completo
Capítulos
33
Classificação
4.9 40 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Destiny acordou cedo, saindo da cama em silêncio para não acordar Ed. O rosto ainda doía da bofetada que ele tinha dado nela. Lá embaixo, também sentia dor por causa do estupro quando ele chegou em casa fedendo a cachaça, depois de passar a noite no bar. Entrou no chuveiro e deixou a água quente escorrer pelo corpo enquanto se esfregava para se limpar. Se ao menos tivesse ficado quieta sobre ele estar bêbado, talvez tivesse ido direto para a cama. Quando reclamou do cheiro de álcool, ele pirou, agarrou-a pelos cabelos e deu um tapa tão forte que ela viu estrelas. Depois a arrastou para o quarto, gritando palavrões enquanto rasgava sua camisola e a jogava na cama. Foi bruto, fazendo-a gritar de dor enquanto implorava para que parasse.

Ao se secar, olhou-se no espelho e se perguntou o que tinha acontecido com a mulher que a encarava. Sempre fora forte, independente, e agora estava fraca, com medo de encarar qualquer um. Quando se mudou para lá, um ano antes, e começou a trabalhar no único restaurante da cidade, conheceu Ed. Ele era tão doce, tão gentil, fazia-a se sentir uma princesa. Namoraram por quatro meses antes de morarem juntos, e foi aí que os problemas começaram. Ela já tinha visto a raiva dele com os outros, mas nunca com ela. Havia boatos de que ele era um valentão, mas nunca mostrou esse lado para ela.

No começo, foi devagar. Ele reclamava dos amigos dela, dizendo que estavam dando em cima dele e falando mal dela pelas costas. Depois, começou a implicar com as roupas que usava, dizendo que se vestia como uma puta e que os homens falavam dela, então passou a escolher o que ela vestia. Com o tempo, as coisas pioraram: ela não podia ir a lugar nenhum sem ele, a não ser para o trabalho. Os salários e até as gorjetas iam para ele, e só recebia dinheiro suficiente para comprar comida. Quando chegava em casa depois do trabalho no moinho, esperava o jantar pronto na mesa. Se não estivesse, virava um monstro, destruindo tudo. Chegou a um ponto em que começou a espancá-la e a forçá-la.

Tentou fugir várias vezes, até escapando no meio da noite e pegando um ônibus para fora da cidade. Mas, com a ajuda do irmão dele, o xerife da cidade, sempre a encontravam e a traziam de volta, onde apanhava feio. Ele a ameaçou: se tentasse fugir de novo, a mataria, e ela sabia que não era blefe. Sem dinheiro e sem amigos, estava presa. A única forma de sobreviver era ficar quieta e fazer o que mandavam. Nos últimos meses, ele começou a beber mais, chegava tarde e perdia emprego atrás de emprego. Ficava em casa bebendo e comendo, engordando e criando uma barriga de chope.

As pessoas do trabalho sentiam pena dela, sabiam o que estava acontecendo, mas tinham medo dos Cilpin e não faziam nada. Fingiam não ver os olhos roxos e os hematomas. Seu chefe, Carl, um senhor de idade, sabia que ela não comia direito em casa e a alimentava nos intervalos. Isso quando Ed não estava por perto. Partia o coração dele vê-la caminhar os três quilômetros até em casa nos dias de calor escaldante ou no auge do inverno. Mas aceitar uma carona, principalmente de um homem, acabaria com os dois apanhando.

A cidadezinha era dominada pelos irmãos Cilpin: Ed, o caçula, Jack, o do meio, e Ralf, o mais velho. Todo mundo tinha medo deles e fazia de tudo para não os provocar, com medo de represálias. Quem se metia com eles se arrependia amargamente.

Vestiu o uniforme de garçonete e passou maquiagem para disfarçar o hematoma no rosto. Ficou aliviada por ele ainda estar dormindo quando saiu para o trabalho. Apesar de ser cedo, já estava um calorão quando começou a caminhada de três quilômetros até a cidade. Entrou no restaurante e sentiu o ar gelado do ar-condicionado bater no rosto. Só havia alguns clientes tomando café da manhã, que olharam para ela, assentiram e voltaram a comer.

Judy, uma das outras garçonetes, estava enchendo os açucareiros quando levantou a cabeça e sorriu para Destiny, mas franziu a testa ao ver o estado dela. “Meu Deus, o que aquele desgraçado fez com você dessa vez?”

“Não foi nada”, disse ela, pegando alguns cardápios e indo até o casal que acabara de entrar e sentar em sua seção. Depois de anotar o pedido, pendurou o papel para Carl ver o que precisava preparar. Evitou olhar para ele quando percebeu como a encarava.

“Eu queria que você conseguisse se livrar do Ed, aquele homem ainda vai acabar te matando”, disse Judy, tocando seu braço para mostrar que estava preocupada.

Destiny olhou para a outra mulher com os olhos cheios de lágrimas. “Se eu tentar fugir de novo, ele me mata.” Seus olhos se arregalaram de medo quando viu Ed entrar com o irmão, Jack. Odiava quando ele aparecia no restaurante, e nunca pagava a conta, dizendo que ela pagaria com as gorjetas. Muitas vezes, não ganhava o suficiente, mas Carl sempre relevava.

Serviu dois cafés e os levou até a mesa.

“Traz dois especiais do café da manhã, gata”, disse Ed, dando um tapa forte na bunda dela ao se afastar. Não foi um tapinha de brincadeira, doeu pra caramba. Jack era tão ruim quanto, nunca disfarçava que ficava olhando para os peitos dela. Dava nojo a forma como a encarava e como tentava se aproximar sempre que ia à casa deles para beber com Ed. Ela sempre ia para a cama depois de servi-los, ouvindo os comentários nojentos que fazia sobre ela.

Quando terminaram de comer, ele se levantou, debruçou-se sobre o balcão e gritou para Carl: “A Destiny vai pagar o nosso café da manhã.”

De repente, ouviu-se o barulho alto de motos se aproximando do restaurante e parando. Todos olharam pela janela e viram oito motos, cujos pilotos desceram e entraram no local.

Seus olhos se fixaram em um deles: moreno, de cabelos escuros e olhos azuis. O coração disparou quando ele a encarou de volta. Era lindo de morrer, com aquele ar de bad boy. Os oito motoqueiros e as três mulheres que os acompanhavam sentaram-se em sua seção. Pegou os cardápios e foi até eles com as pernas bambas, as mãos tremendo ao anotar os pedidos. Eram barulhentos, e ela ficou nervosa até que o moreno falou.

“Pessoal, calma aí e tratem a moça com respeito”, disse ele, olhando nos olhos dela e sorrindo. “Para facilitar, vamos todos querer o café da manhã especial e café para todo mundo.”

Ela mordeu o lábio inferior, queria falar, mas as palavras não saíam, então apenas assentiu e se afastou. Judy a ajudou a servir os cafés, ambas nervosas com a presença de uma gangue de motoqueiros. Já tinham ouvido histórias de como eles estupravam e causavam confusão em cidades pequenas.

Depois de servirem a comida, voltou para trás do balcão, ao lado de Judy. “De onde será que eles são?”, perguntou, curiosa sobre os forasteiros.

“Nem faço ideia”, respondeu Judy. “Mas aquele cara é um gato. Se eu fosse dez anos mais nova…”, suspirou. “Ah, lá vem ele. Você vê o que ele quer, o Carl está me chamando.”

O desconhecido sentou-se no banco e colocou a xícara sobre o balcão. “Será que posso pedir uma refeição de café?”

Ela assentiu, virou-se e pegou a cafeteira, servindo-o. “Eu poderia ter ido até a mesa.” Ousou olhar nos olhos dele, mas logo desviou o olhar. Havia algo nele que fazia seu corpo sentir coisas que não sentia há muito tempo.

“Como conseguiu esse machucado no rosto? Parece que alguém bateu forte em você.”

A mão foi até o rosto, tocando o lugar onde Ed a tinha esbofeteado. “Foi um acidente. Quer mais alguma coisa?”

Ele ia responder, mas parou quando ela olhou para a porta. O rosto dela empalideceu, e parecia apavorada. Ele virou a cabeça e viu o homem com quem tinha cruzado entrando, acompanhado do xerife. Os dois caminhavam em sua direção, e a garçonete loira recuou.

O xerife, mastigando um palito e com a barriga caindo sobre o cinto, olhou para ele de cima a baixo. “Para onde você e os outros estão indo, garoto?”

Ele se recostou no balcão. “Só estamos de passagem, xerife. Mas estamos com problemas em algumas motos, então talvez tenhamos que ficar até consertá-las. Isso vai ser um problema?”

“Somos uma cidadezinha tranquila e não queremos confusão. Mantenham-se na linha e não arrumem encrenca, senão vão ser expulsos daqui.”

“Não se preocupe, xerife, eu e minha gangue não vamos arrumar confusão.”

“É melhor mesmo”, disse ele, acenando para Destiny e olhando para Ed. “Vamos embora”, ordenou, saindo pela porta.

Ed viu como o motoqueiro olhava para ela, então agarrou sua mão. “Te vejo em casa, amor.” Puxou-a para mais perto e sussurrou no ouvido dela: “Nem pense em falar com ele, ou vai se arrepender de ter nascido.” Depois deu um beijo em sua bochecha.

Quando ele saiu, o motoqueiro a encarou. Dava para ver que ela tinha medo daquele homem. “Meu nome é Diego Sanchez. E o seu?”

Ela engoliu em seco e conferiu se Ed tinha ido embora. “Destiny Knight.”

Ele se levantou e pediu a conta da comida do grupo. Olhou o valor, tirou dinheiro e colocou sobre o balcão. “Talvez eu te veja antes de sairmos da cidade”, disse, sorrindo para ela.

Ela pegou o dinheiro e olhou para ele. “Tem vinte dólares a mais aqui”, disse, tentando devolver, mas ele recusou.

“Fica com o troco, é a sua gorjeta.” Olhou para o grupo e assobiou. “Hora de ir, pessoal.” Ao saírem, parou para olhar para a loirinha atrás do balcão. Havia algo nela que o fazia querer tomá-la nos braços e beijá-la. Também sentia que ela precisava ser resgatada daquele babaca que a beijara na bochecha. Era óbvio que ela era vítima de abuso.

Ao montar na moto, Freddie se inclinou para Diego. “Nem pense nisso, não precisamos de confusão.”

“Não faço ideia do que você está falando.”

“A garçonete loira. Vi como você olhou para ela. É claro que ela tem um namorado que parece ser chegado do xerife. Cara, esquece, não se mete.”

Ele tirou os óculos escuros do bolso e os colocou. “Ela está sendo agredida, não posso simplesmente ir embora sem fazer nada. Vou ficar depois que as motos forem consertadas, vocês podem ir.”

Freddie acelerou a moto e olhou para Diego. “Somos uma família, se você ficar, todos ficamos”, disse, saindo do estacionamento com os outros.

Diego olhou para trás, para o restaurante, e soube que voltaria para vê-la quando a viu olhando pela janela. Acelerou para alcançar os outros enquanto seguiam para a mata, onde iriam acampar.