Os Brambilla: O Início

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Resumo

Leone Brambilla, chefe da família mafiosa, não era um típico líder do crime. Tratava seus homens com bondade e só fazia mal àqueles que feriam sua família, estavam envolvidos com tráfico humano ou o traíam. Foi criado para respeitar as mulheres e nunca levantar a mão contra elas. Era temido por seus inimigos e respeitado por quem trabalhava para ele. Parecia que nunca encontraria seu verdadeiro amor, até que um dia conheceu uma linda garçonete loira. No momento em que a viu, soube que faria dela sua esposa. Ela era forte, teimosa, ardente e nunca aceitava desaforo de ninguém. O romance entre eles se tornou intenso e selvagem. Passariam por mágoas, e o perigo espreitava por toda parte. Acompanhe essa jornada repleta de reviravoltas.

Status
Completo
Capítulos
44
Classificação
4.9 19 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Leone tinha apenas vinte e quatro anos quando seu pai foi morto por um de seus inimigos, tornando-o o chefe. Seu primeiro ato foi vingar a morte do pai. A forma como lidou com a situação lhe rendeu ainda mais lealdade e respeito dos homens que agora trabalhavam para ele. William, que havia estado ao lado de Piero por anos, tornou-se o braço direito de Leone. Na noite em que Piero morreu em seus braços, prometeu cuidar do filho do chefe e protegê-lo com a própria vida. Ficou impressionado com a maneira como Leone assumiu o controle, planejou e organizou a queda de Elio Capo.

Mas Leone avisou aos outros para deixarem o assassino de seu pai com ele. Os homens de Capo se viram em desvantagem numérica e, embora tenham feito o possível para proteger o chefe, acabaram todos mortos. Capo, porém, foi arrastado para fora e jogado aos pés de Leone.

De joelhos, olhou para o jovem e sentiu o pior medo que já experimentara ao encarar os olhos de Leone. “Por favor, poupe minha vida, e prometo ser seu servo leal e fazer o que quiser.”

“Você matou meu pai, então por que eu o deixaria viver?”

“É o nosso código quando alguém destrói o que é nosso. Ele matou muitos dos meus homens e arruinou meus negócios.”

Leone se inclinou e encostou o cano da arma na testa de Capo. “Seu doente, você traficava garotas, muitas delas com apenas doze anos. Vendia-as para pervertidos que as estupravam e espancavam. A família Brambilla fará de tudo para destruir vocês. Mas ao matar meu pai, você assinou sua própria sentença de morte.” Deu um passo para trás e, enquanto Capo implorava por sua vida, puxou o gatilho. Esvaziou o tambor da arma na cabeça e no peito do homem sem nem piscar.

William ficou ao seu lado, e percebeu como Leone estava calmo; nem sequer piscou. “E agora, chefe?”

“Agora espalhamos a notícia para nunca mais mexerem conosco, ou terão o mesmo fim. Mande limpar este lugar e se livrar dos corpos.”

“Para onde você vai?”

“Tomar um drinque.”

“Vou com você.”

“Não, William. Quero que você cuide das coisas aqui.”

“Meu trabalho é proteger você.”

“Seu trabalho é fazer o que eu mando”, retrucou. “Olha, você sabe que consigo me virar sozinho, e quero ficar sozinho.”

William não gostou nem um pouco, mas tinha que obedecer ao chefe. “Tá bom, mas tome cuidado e fique de olho.”

“Vou ficar, e nos vemos amanhã.” Dirigiu até um bar onde nunca tinha ido antes e, ao entrar, sentou-se em um dos bancos. Depois de pedir um uísque duplo, pensou na época em que seu pai ainda era vivo.

Seu pai era duro, mas tratava todos que trabalhavam para ele como família. De certa forma, sempre se protegiam. Claro, havia alguns traidores, mas eram logo resolvidos. Ensinou-o a respeitar as mulheres e nunca levantar a mão para elas. Depois da morte da mãe, que faleceu no parto, seu pai nunca mais se casou. Leone já tinha estado com algumas mulheres, mas nunca se considerou um pegador. Procurava a certa, uma que não fosse fraca, que não deixasse ele controlar cada passo seu. Todas as que tinha conhecido eram muito submissas, queriam que ele mandasse nelas.

Estava ali, na sua, quando um homem sentou-se ao seu lado. Ao olhar e ver quem era, balançou a cabeça, irritado. Não era ninguém menos que Eddie Salvatore, um sujeito que conhecia há anos. Não eram amigos e se detestavam, e se perguntou por que ele tinha vindo sentar ao seu lado. Eddie se achava um galã, pulando de mulher em mulher. Embora fosse da máfia, não pertencia a nenhuma família; trabalhava por conta própria e tinha alguns homens leais que sempre o apoiavam quando precisava. Era durão, perigoso e nunca se metia com a família Brambilla. Nunca se deram bem e eram mais inimigos do que qualquer outra coisa, embora evitassem um ao outro sempre que possível.

“Leone, sinto muito pela morte do seu pai. Tenho certeza de que, a essa altura, você já cuidou dos responsáveis.”

“O que você acha?”, respondeu, batendo o copo no balcão.

“É, claro que cuidou. Não gosto de você, mas gostava e respeitava seu pai. Teria ajudado você a se vingar.”

“Nunca vou precisar da sua ajuda.”

Nesse momento, a bartender loira se aproximou. Era uma gatinha de peitões e se inclinou sobre o balcão, sorrindo para Eddie.

“Nunca vi vocês dois aqui antes.”

“Primeira vez para mim, mas olhando para você, acho que vou virar freguês”, disse Eddie, conferindo os peitos dela. “Que horas você sai?”

“Daqui a cinco minutos”, respondeu.

“Quer ir para um lugar mais tranquilo para conversarmos?”

“Só vou pegar minhas coisas”, disse ela, afastando-se.

Leone balançou a cabeça. “Você nunca se cansa de pegar mulher para uma noite?” Sabia da fama do sujeito e de como as descartava depois de conseguir o que queria.

“Ei, posso fazer o quê se as mulheres me acham irresistível e querem um pedaço disso?”, perguntou, passando a mão pelo próprio corpo. “Acho que você devia transar logo, talvez fique mais suportável.”

Leone revirou os olhos enquanto via Eddie e a mulher saírem do bar. Uma parte dele sentia inveja, outra, ciúme, de como era fácil para ele pegar uma garota qualquer e levá-la para casa. Ele mesmo não conseguia fazer isso; preferia conhecer uma mulher antes de dormir com ela. Foi para seu apartamento de cobertura. Era um dos maiores e mais luxuosos da Itália, tinha tudo o que alguém poderia desejar; até uma piscina e uma banheira de hidromassagem na sacada.

Alguns dias depois, William informou a Leone que garotas e mulheres estavam desaparecendo das ruas e sendo forçadas a trabalhar em uma boate de quinta.

“E sabemos quem é o dono desse lugar?”

William abriu uma pasta para Leone ver. “O nome dele é Ted Jenkins. É um criminosozinho que se mudou para cá há alguns meses. Ouvi dizer que, antes de colocá-las para trabalhar, ele abusa sexualmente delas. Quer que a gente resolva isso?”

Leone olhou para ele com raiva nos olhos. “Se esse tal Ted estivesse só tocando uma boate com strippers e prostitutas que trabalham por vontade própria, eu diria para deixar quieto. Mas se ele está traficando essas mulheres e usando-as para sexo, então tem que ser eliminado. Reúna quantos homens achar necessário, e vamos fazer uma visitinha a esse cara.”

Leone sabia que havia máfias que lucravam com tráfico humano. Ele nunca tinha feito isso e jamais faria. Embora tivesse muitos negócios ilegais, também tinha alguns legítimos. Mas sua principal missão era acabar com o máximo de traficantes que pudesse.

Dois dias depois, ele e seus homens estavam prontos para agir. Entraram em vários carros com vidros escuros e seguiram para uma área remota onde ficava a boate. Leone saiu do veículo e olhou para o prédio caindo aos pedaços. Conseguia ouvir música vindo de dentro.

“Chefe, como quer que a gente faça?”

“Leve alguns homens com você, encontre esse Ted e traga-o para os fundos.”

“E se a gente encontrar resistência?”

“Resolva, mas não machuque as mulheres. Vou levar alguns homens comigo e esperar nos fundos.”

Ele e mais dois começaram a contornar o prédio, e não demorou cinco minutos para ouvirem tiros. Uma sombra escura apareceu do nada, e Leone e seus homens ergueram as armas.

“Pare e fique de joelhos”, ordenou Leone em voz alta.

“Sou eu, não atirem!”, gritou o homem, ajoelhando-se e levantando as mãos.

“Eddie, você faz parte dessa quadrilha?”

Com as mãos no ar, ele xingou Leone. “Não, seu idiota.”

“Então o que está fazendo aqui?”

“Posso me levantar agora?”

“Fique onde está e comece a explicar antes que eu enfie uma bala no seu peito.”

“Estou aqui para resgatar Violet Russell.”

“Quem diabos é essa?”

“É a filha de Benjamin Russell, um conhecido meu. A filha dele foi sequestrada há alguns dias, e ele me pediu para resgatá-la.”

Leone baixou a arma e fez sinal para os outros fazerem o mesmo. Aproximou-se de Eddie e estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar. “Estou aqui para destruir Ted Jenkins e resgatar essas pobres mulheres que estão sendo forçadas a trabalhar aqui. Vá buscar sua garota.”

Eddie pegou sua mão e se levantou. “Vou buscar, mas não vai ser fácil agora que começou o tiroteio. Acho que você pode precisar de uma mão extra.”

Nesse momento, um dos homens que Leone tinha mandado entrar apareceu. “Chefe, não conseguimos encontrar o Jenkins; ele deve estar escondido em algum lugar.”

“Vamos voltar lá para dentro, e eu encontro esse filho da puta”, disse Leone, entrando com os outros, seguido por Eddie.

Lá dentro, era um caos: mulheres gritavam, homens brigavam e trocavam tiros. Em certo momento, Leone se viu frente a frente com Eddie, que tinha erguido a arma e apontado para ele. Não teve tempo de recarregar a sua quando Eddie atirou. Mas a bala não o acertou; ele virou a cabeça e viu outro homem caindo no chão. Foi então que percebeu que Eddie tinha salvado sua vida.

Não houve tempo para agradecer, pois recarregou a arma e cuidaram dos outros antes de irem atrás de Jenkins. Acabaram encontrando-o encolhido em um armário escondido no escritório. Foi resolvido rapidamente e nunca mais machucaria ninguém.

“E agora, chefe?”, perguntou William, olhando para Eddie e se perguntando se ele seria um problema.

“Levem as mulheres para fora e, quando todos estiverem fora, incendeiem este lugar. Encontrem a tal Violet Russell e a levem para o Eddie.”

Leone e Eddie saíram e cada um acendeu um cigarro.

“Obrigado por ter me salvado lá dentro. Pensei que você estivesse mirando em mim, e ainda bem que minha arma estava descarregada na hora, senão eu poderia ter matado você.”

“De nada, e você devia mesmo pensar em carregar uma arma reserva ou duas sempre.”

“Vou fazer isso, e acho que te devo um drinque por ter salvado minha vida. Que tal ir à minha casa depois que levar a garota de volta para a família?”

“Você quer que eu vá à sua casa? Um cara que você detestou a vida toda.”

“Você salvou minha vida.”

Quando todas as mulheres foram levadas para fora e Violet foi entregue a Eddie, todos assistiram ao lugar virar cinzas.

Eddie virou-se para a jovem e colocou seu casaco sobre os ombros dela. “Não tenha medo, estou aqui para levar você de volta para seus pais.” Olhou para Leone. “Vou passar lá para aquele drinque.”

Leone observou enquanto eles entravam no carro e partiam. Sentiu pena da garota, que não devia ter mais de dezesseis anos, e do que ela deve ter passado naqueles últimos dias.

“O que quer que a gente faça com as garotas?”

Olhando para William, guardou a arma no coldre. “Descubra se alguma delas tem família ou um lugar para ir e, se não tiver, encontre um lugar seguro para elas.”

“E as que não moram por aqui?”

“Então coloque-as no meu jato e leve-as para onde quiserem ir. Certifique-se de que tenham um lugar para ficar e algum dinheiro para recomeçar. Vou para casa agora. Me avise quando tudo estiver resolvido.”

Sabia que seria bem tarde quando Eddie aparecesse para o drinque. Ainda estava surpreso por o homem ter salvado sua vida, quando poderia facilmente tê-lo matado ali mesmo. Talvez, só talvez, tivesse julgado Eddie mal todos esses anos e tivesse muitas perguntas para fazer a ele.