A Garota do Irmão

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Resumo

Joshua Murphy deixou Clearwater aos dezenove anos e se mudou para Paris, abandonando o irmão mais novo, Brandon. Aos vinte e seis, fez fortuna ao desenvolver um software. Ao longo dos anos, nunca voltou para casa nem viu o irmão, mas mantinha contato por telefone de vez em quando. Depois de receber uma ligação do hospital de Clearwater informando que Brandon sofrera um grave acidente de carro, Joshua pegou o primeiro voo. O que o esperava era uma grande surpresa, algo que o chocaria e mudaria sua vida para sempre.

Status
Completo
Capítulos
31
Classificação
4.8 32 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Sete anos antes, aos dezenove anos, Joshua Murphy, então com vinte e seis, deixou sua cidade natal, Clearwater, uma pequena cidade nos arredores de Boston, em busca de uma vida melhor. Deixou para trás seu irmão mais novo, Brandon. Quando os pais morreram em um acidente de carro anos antes, a tia ficou responsável por criá-los. Cresceram na pobreza, e ele jurou que um dia faria fortuna. Ainda adolescente, pegava qualquer bico que aparecia e economizava até ter o suficiente para sair da cidade que odiava. Na época, Brandon tinha quatorze anos e ficou ressentido por ele ir embora. Embora nunca tivesse voltado para casa, manteve contato com o irmão. Depois de fazer fortuna desenvolvendo um programa de software, comprou uma mansão em Paris e fundou sua própria empresa. Ao longo dos anos, enviou dinheiro para Brandon, quantias generosas sempre que ele ligava chorando, dizendo que estava passando por dificuldades desde que a tia morrera alguns anos antes. Brandon sempre fora um problema desde criança: metido em confusão, mentiroso, ladrão, de pavio curto e sempre arrumando briga. Joshua sempre teve que limpar a bagunça que ele fazia. Mesmo com a distância entre eles, precisou tirá-lo de enrascadas várias vezes.

Como era o parente mais próximo de Brandon, o hospital entrou em contato para avisar que o irmão se envolvera em um acidente grave. Disseram que Brandon tinha ferimentos leves, mas estava pedindo por ele, além de profundamente deprimido, e temiam que tentasse se machucar. Ou ele vinha cuidar dele, ou não teriam escolha a não ser interná-lo na ala psiquiátrica. Depois de tê-lo abandonado anos antes, sentiu-se na obrigação de voltar para casa.

— Por quanto tempo você vai ficar fora? — Mira, sua namorada há dois anos, perguntou. Ela se sentou na cama, cobrindo-se com o lençol.

Ele olhou para ela e largou a mala. Mesmo acabando de acordar, estava linda, com os cabelos ruivos emaranhados. Tinha um corpo incrível: seios grandes, pernas longas e esguias, e um traseiro de dar inveja. Mira era filha de um de seus maiores clientes, Frank Vangsness. Tinha tudo a seu favor: beleza, dinheiro e era CEO da empresa do pai. Mas também tinha outro lado: podia ser grosseira, mandona e mimada ao extremo. Além disso, tinha um gênio ruim; se alguém a irritasse, ela dava um jeito de destruir a pessoa.

— Não sei direito, uma semana, talvez duas. Depende de quão rápido meu irmão se recuperar.

— Por que você tem que cuidar dele? Não é como se fossem próximos, e você nem o vê há anos.

— Mira, já conversamos sobre isso. Não tem mais ninguém. Sou tudo o que ele tem, e é meu dever garantir que ele fique bem. Eu devo isso a ele por não ter estado presente nos últimos anos.

Fazendo beicinho, ela jogou os lençóis para o lado e foi para o banheiro. — Só não demore muito, ou vou ter que arrumar outra pessoa para me esquentar à noite.

Balançando a cabeça, ele pegou a mala e saiu do quarto sem se despedir. Eles estavam juntos havia dois anos, mas ele já estava cansando daquela mania de mandar. Uma coisa boa era que não moravam juntos; ela passava uns dias na casa dele, ou ele ia para a dela. Até o sexo já não era mais tão bom; parecia que ela só fazia por obrigação, sem curtir de verdade.

Pegou um táxi para o aeroporto e se acomodou na primeira classe. Abriu o laptop e ficou ocupado respondendo e-mails e dando instruções aos funcionários. Acabou adormecendo com o computador aberto no colo. Seus sonhos foram invadidos por pensamentos sobre o irmão, imaginando quão graves eram os ferimentos e se ele ficaria bem. Nunca imaginou que Brandon estivesse deprimido. Nas conversas por telefone, sabia que o irmão estava passando por um momento difícil, e geralmente estava bêbado quando ligava, implorando por dinheiro. Talvez devesse tê-lo chamado para morar com ele, dado um emprego. Mas, pelo que ouvira, Brandon não conseguia manter um trabalho e vivia se metendo em brigas. Sem estudo, não tinha habilidades em programação nem em nada do tipo.

Quando o avião pousou, estava exausto e de mau humor. Para piorar, chovia, e o frio úmido fez um arrepio percorrer seu corpo. Mandou a bagagem para o hotel e pegou um táxi até o hospital. Já era tarde, e torceu para que o deixassem ver Brandon.

Aproximou-se do balcão da enfermagem e esperou pacientemente a mulher atrás da mesa notar sua presença. Quando ela finalmente olhou para cima, ele não lhe deu tempo de falar. — Estou procurando meu irmão, Brandon Murphy. Ele sofreu um acidente de carro ontem.

Ela conferiu no computador e abriu o prontuário dele. — Sim, ele está no quarto 101. O médico está com ele agora, mas o senhor pode esperar ali. — Apontou para uma fileira de cadeiras do outro lado.

— Avise ao médico que quero falar com ele quando terminar. — Virou-se e sentou-se em uma das cadeiras mais desconfortáveis que já tinha experimentado. Olhou para o relógio. Já esperava havia trinta minutos e estava prestes a levantar para reclamar quando um homem de jaleco branco se aproximou.

— O senhor é o Sr. Murphy?

Joshua se levantou. — Sou. Como está meu irmão, e quando posso vê-lo?

— Vou levá-lo até o quarto dele, e podemos conversar no caminho.

— Doutor, me diga, quão grave ele está?

— Seu irmão sofreu uma concussão, algumas costelas quebradas e alguns cortes e hematomas. Vamos mantê-lo em observação durante a noite. A moça não teve a mesma sorte.

Joshua segurou o médico antes que ele abrisse a porta do quarto de Brandon. — Moça, que moça? Isso é novidade para mim; não mencionaram nenhuma garota no acidente.

— Sim, a senhorita Celina Cullen estava no carro com ele.

— Ela está viva? — Seu rosto empalideceu. Tinha tantas perguntas: quem estava dirigindo, como o acidente tinha acontecido.

— Por enquanto, ela está em coma. Sofreu traumatismo craniano e lesões graves nas pernas.

— Mas ela vai ficar bem, não vai?

— Só saberemos mais quando ela acordar, mas receio que talvez nunca mais consiga andar. O senhor pode entrar para vê-lo, mas só por alguns minutos.

Joshua entrou no quarto mal iluminado e viu o irmão deitado na cama, de olhos fechados. Aproximou-se devagar e em silêncio para não acordá-lo. Ficou olhando para Brandon. Seu rosto estava roxo de hematomas, tinha um curativo na cabeça, e as costelas estavam enfaixadas. Memórias de Brandon criança inundaram sua mente. Ele era magricela, de cabelos castanhos escuros, mas agora tinha músculos e se tornara um homem bonito.

Os olhos de Brandon se abriram, e, ao ver Joshua, tentou sorrir. — Ei, mano, você veio.

Ele se inclinou. — Claro que vim. Como você está se sentindo?

— Uma merda.

— O médico disse que você só tem algumas costelas quebradas e uma concussão leve. Vai se recuperar rapidinho. Ouvi dizer que vão liberar você amanhã. Agora, o que é isso que ouvi sobre você querer morrer?

— Ah, isso não foi nada. Eu só estava me sentindo um lixo.

— Pode me contar sobre o acidente? — Joshua perguntou, curioso por que Brandon não tinha perguntado como a garota que estava com ele estava.

— Está tudo meio confuso agora. Não lembro como aconteceu.

— Tudo bem. E a garota que estava com você? Quem é ela?

— É minha namorada, e moramos juntos há quase um ano.

— Você sabe como ela está? — Joshua perguntou.

Brandon ficou em silêncio por alguns minutos. — Ninguém me contou nada. — Olhou para Joshua. — Você ficou sabendo como ela está?

— Ela está em estado grave. Neste momento, está em coma, e me disseram que talvez nunca mais consiga andar.

— Sério? Que merda.

Joshua ficou chocado com o comentário; soou frio e sem emoção. A maioria dos homens estaria perguntando como a namorada estava e exigindo vê-la. Mas Brandon agiu como se não se importasse. Atribuiu a reação ao choque do irmão e imaginou que, quando a ficha caísse, ele ficaria arrasado. — Tenho que ir agora, mas volto amanhã para levar você para casa. Descanse e se cuide.

— Valeu — Brandon respondeu, e seus olhos se fecharam.

Ao sair do quarto do irmão, decidiu dar uma olhada no quarto de Celina. Admitia que estava curioso sobre a mulher. Não fazia ideia de que Brandon tinha namorada, muito menos que morava com ela. Nunca mencionara nada nas conversas. Faltavam poucos minutos para o fim do horário de visitas, então precisava se apressar.

Encontrou o quarto dela e entrou. Viu um corpo ligado a máquinas, imóvel na cama. Aproximou-se e olhou para a mulher. Tinha cabelos castanhos com mechas loiras. Mesmo naquele estado, achou-a linda. Ficou olhando para seu rosto pálido e sentiu uma pontada de tristeza pela garota. Afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, que estava coberto de hematomas, e seus lábios estavam inchados e machucados.

Virou a cabeça bruscamente quando a porta se abriu e uma enfermeira enfiou a cabeça para dentro. — O senhor precisa sair, o horário de visitas acabou. — Assentiu e deu mais uma olhada na mulher antes de deixar o quarto. Cansado e com fome, pegou um táxi para o hotel, onde pediu serviço de quarto. Depois de um banho rápido e de comer, deitou-se na cama. Não conseguia tirar a garota da cabeça. O que mais o intrigava era a reação de Brandon ao saber que a namorada talvez nunca mais andasse.

Acordou cedo e tomou café no restaurante do hotel. Depois, pegou um táxi de volta ao hospital para buscar Brandon e garantir que ele chegasse em casa bem. Dependendo de como o irmão se virasse sozinho, decidiria se voltava para casa ou ficava mais alguns dias. Se ficasse, alugaria um carro em vez de andar de táxi.

Ao chegar ao hospital, ficou chocado e furioso ao saber que Brandon tinha recebido alta e ido embora. O irmão sabia que ele viria buscá-lo.

— Como a moça está? — perguntou ao médico.

— Os sinais vitais da senhorita Cullen estão melhorando; esperamos que ela acorde em breve. Seria bom se houvesse alguém ao lado dela quando isso acontecer.

— Ela tem mais alguém além do meu irmão? Os pais ou algum irmão?

— Nossos registros indicam que ela não tem parentes vivos.

Joshua passou a mão pelos cabelos. Estava furioso com Brandon; o mínimo que ele podia ter feito era ficar até ela acordar do coma.

— Vou encontrar meu irmão e trazê-lo de volta. Aqui está meu celular; se ela acordar, me ligue. — Entregou um cartão com seu nome e número ao médico. Depois, saiu para a manhã fria e úmida, aliviado por ter parado de chover. Chamou um táxi, entrou e se recostou no banco. Estava curioso para saber por que Brandon tinha deixado o hospital e, pelo que lhe disseram, o irmão nem sequer perguntara sobre o estado dela.