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Summary

Sinopse: Star Antraction No brilho incessante dos flashes, Star Antraction é a heroína que o mundo aprendeu a amar. Com seu cabelo castanho-avermelhado emoldurando uma máscara branca de estilo luchador, ela é um ícone. Seu collant verde e branco, com uma grande estrela no peito, tornou-se um símbolo de esperança. Ela posa para fotos, segura bebês no colo e acena para a multidão que a adora. Mas o sorriso caloroso que ilumina os noticiários se desfaz quando as câmeras se apagam. Fora dos holofotes, Star é movida por um ego colossal, um desprezo visceral por mendigos e um orgulho que a impede de enxergar qualquer erro. Ela é a peça mais brilhante e vaidosa dos Kyphris, uma equipe de vilões meticulosamente disfarçada de heroína. O plano deles é tão paciente quanto aterrorizante: usar seu carisma para manipular a grande mídia, virando a opinião pública contra os verdadeiros defensores do povo. A cada entrevista, a cada ato encenado de bravura, a armadilha se fecha. Quando a mídia estiver completamente rendida a seus pés, os Kyphris se revelarão para ceifar os heróis genuínos e exterminar todos que consideram "inferiores", instaurando uma nova ordem mundial para os "superiores". Contudo, em meio à sua escalada de manipulação e poder — ostentando uma superforça de 94% e uma geração de veneno que se aproxima perigosamente do auge —, uma rachadura surge em sua blindagem de egoísmo.

Status
4mo ago
Chapters
2
Rating
n/a
Age Rating
18+

Capítulo 1: O Brilho que Cega

A luz a perseguia. Não como uma adversária — disso Star Antraction sabia bem —, mas como uma amante ciumenta, possessiva, que se recusava a abandoná-la. Os flashes explodiam em cachos brancos, famintos, cada clique uma declaração de adoração. Ela caminhava sob o sol artificial dos holofotes com a capa branca curta ondulando atrás de si, um movimento calculado que os fotógrafos conheciam e veneravam. O collant verde abraçava-lhe os músculos como uma segunda pele, a estrela no peito faiscando sob as lentes. As botas brancas tocavam o tapete vermelho com a leveza de quem pisa em nuvens — ou em crânios, dependia do ângulo.

— Star! Por aqui, Star!

Ela virou-se. Sempre na medida exata, o queixo erguido o suficiente para alongar o pescoço, os olhos por trás da máscara de luchador faiscando com uma generosidade ensaiada. O cabelo castanho-avermelhado balançou, as pontas roçando o maxilar. Os recortes da máscara revelavam apenas o necessário: o brilho dos olhos, a curva de um sorriso que prometia segurança. Nada mais. Uma heroína não se entrega por inteiro. Nem mesmo aos que a amam.

Uma mulher aproximou-se da grade de contenção, o bebê aninhado nos braços como uma oferenda. A criança choramingava, inquieta com o barulho, mas Star já estendia as mãos. Luvas? Não. Ela raramente as usava em eventos públicos. O contato da pele aquecia as manchetes. Seus dedos, capazes de esmagar aço com 94% de força máxima — Super força grau Noventa e Quatro, recitava mentalmente, um mantra de poder —, envolveram o pequeno corpo com uma delicadeza de pétalas.

O público suspirou.

Os fotógrafos enlouqueceram.

Ela segurou o bebê contra a estrela do peito, inclinou a cabeça, os olhos semicerrados numa imitação perfeita de ternura. A mãe chorava. Homens adultos filmavam com os celulares trêmulos. Ali estava a heroína que Metrópole merecia. A que beijava testas febris e afagava os sonhos dos inocentes.

O clique final soou como um tiro seco.

Star devolveu a criança. O movimento foi correto, educado até, mas a transição aconteceu numa velocidade imperceptível para as câmeras — e gritante para quem soubesse ler os silêncios entre um gesto e outro. O sorriso não se apagou. Simplesmente... desocupou-se. Como quem fecha uma cortina e deixa o quarto no escuro.

Ela seguiu em direção à entrada VIP, as muñequeiras brancas reluzindo sob as lâmpadas de serviço. Um segurança afastou a multidão. Ninguém tocou nela. Ninguém jamais tocava nela sem permissão.

No corredor interno, longe dos holofotes, o ar mudou. Cheirava a concreto frio e desinfetante barato — o odor da realidade, tão diferente do perfume adocicado que lhe borrifavam antes das aparições. Star caminhava agora com passadas mais largas, menos performáticas, a capa arrastando-se pelo chão como um apêndice esquecido. A porta na extremidade do corredor era de aço, sem maçaneta aparente. Ela pressionou a palma contra o sensor. A estrela no peito, ela notou distraidamente, estava levemente amassada do contato com o bebê. Um bebê que provavelmente babara em seu uniforme. Que nojo.

A porta deslizou.

— Sempre um espetáculo, Star.

A voz vinha de dentro da sala, modulada por um tom de deboche que ela conhecia bem. Kael estava recostado no sofá, os pés calçados em botas pretas cruzados sobre a mesa de centro. Ele vestia seu uniforme dos Kyphris — um traje negro com linhas prateadas que imitavam nervos, pulsando em um ritmo artificial. A máscara, diferente da dela, era minimalista, cobrindo apenas a metade superior do rosto. O suficiente para esconder a identidade; pouco o bastante para exibir o sorriso.

— O bebê era desnecessário — Star arrancou a máscara com um gesto brusco, libertando o rosto por completo. A pele respirava, os poros agradeciam. O cabelo caiu-lhe sobre os olhos e ela o jogou para trás com impaciência. — A criança babou em mim.

— Mas a foto correu o mundo. — Kael girou um tablet sobre a mesa, a tela exibindo a imagem dela com o bebê, os olhos brilhando sob a máscara. A manchete dizia: "Star Antraction: o coração que pulsa por todos nós." — Você está radiante. Uma santa.

Ela bufou. Uma santa. As pessoas adoravam colocar auréolas em cabeças que não as mereciam. Star sabia exatamente o que era: uma predadora no topo da cadeia alimentar. E predadores não amam. Caçam. Seduzem. Devoram. O restante — o afeto encenado, as lágrimas solidárias, os abraços em desconhecidos suados — era logística. O plano dos Kyphris dependia disso, dessa teia de mentiras tecida fibra por fibra diante das câmeras.

— A Geração Venenosa está em 56% — ela disse, mudando de assunto. A voz soou técnica, quase fria. — A Super força permanece estável em 94. Resistência em 51.

— Ainda frágil — Kael observou, os olhos percorrendo-a como quem avalia uma ferramenta. — Mas o suficiente para o que virá. A mídia está quase completamente alinhada. Mais três meses, talvez quatro, e poderemos dar o próximo passo.

O próximo passo. O extermínio. A palavra não foi dita, mas pairou entre eles como um cheiro metálico. Star sentiu um arrepio — e odiou-se por isso. Não era medo. Era antecipação. Tinha de ser. Os inferiores, os mendigos que fediam a vinho barato e suor acumulado, os pobres que imploravam com as mãos sujas, os fracos que parasitavam a grandeza alheia... todos seriam varridos. Os superiores governariam. Ela governaria.

Encostou-se à parede, os músculos das costas tensionados sob o collant verde. Fechou os olhos por um instante. Atrás das pálpebras, a imagem do bebê retornou — o peso minúsculo, a cabeça frágil, o cheiro de talco. Uma vida que dependia inteiramente de outros. Patética. Descartável. E, ainda assim, por um átimo de segundo, os dedos dela haviam tremido. Um lapso. Uma fraqueza. Nada além de cansaço, disse a si mesma.

— Algo errado? — Kael perguntou, a desconfiança afiando as palavras.

Star abriu os olhos. A máscara de pano voltou ao rosto num movimento fluido. A heroína ressurgia, o sorriso de volta ao seu devido lugar — frio, calculado, letal.

— Tudo certo. — Sua voz era aço polido. — Apenas pronta para o que vier.

Ela ajeitou as muñequeiras com um puxão seco. A estrela no peito brilhou sob a luz artificial, imaculada, como se jamais tivesse sido manchada por qualquer coisa tão mundana quanto o contato humano. Lá fora, o rugido da multidão ainda ecoava, distante e burro de paixão. Eles a amavam.

E era exatamente isso que os mataria.

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